Braço direito do empresário e apresentador, Sandoval pediu demissão num momento de grande desgaste para o grupo em que trabalhava há 40 anos.
Ronaldo D'Ercole - O Globo
SÃO PAULO - O executivo Luiz Sebastião Sandoval pediu demissão na noite desta quinta-feira da presidência do Grupo SS. Ele reuniu-se com Silvio Santos e informou que sua decisão é de "caráter irrevogável".
O lugar de Sandoval, que comandava as 44 empresas do Grupo SS, será ocupado por Guilherme Stoliar, sobrinho de Silvio Santos, que estava exercendo a função de diretor-executivo do SBT.
Braço direito do empresário e apresentador, Sandoval pediu demissão num momento de grande desgaste para o grupo em que trabalhava há 40 anos. O executivo deixa o cargo máximo do Grupo SS pouco mais de uma semana depois de vir a público a existência de um rombo de R$ 2,5 bilhões nos balanços do banco PanAmericano, principal extensão financeira do grupo.
Os problemas no banco levaram Sílvio Santos a negociar pessoalmente um empréstimo de R$ 2,5 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para salvar a instituição. Todos os executivos do banco foram demitidos na semana passada. Agora, cai Sandoval, que tinha relação próxima com o ex-diretor superintendente do PanAmericnao, Rafael Palladino, primo da mulher de Silvio Santos, Iris Abravanel..
Logo após o pedido de demissão de Sandoval, Silvio Santos nomeou seu sobrinho, Guilherme Stoliar, para assumir a presidência do grupo, um holding que controla 44 empresas.
Muito próximo ao tio, Stoliar era diretor de rede SBT, e em seu primeiro ato à frente da holding SS, nomeou José Roberto Maciel para assumir a vice-presidência da rede de televisão, cargo que estava vago há três anos. Maciel, como Stoliar, era diretor executivo da rede de TV do grupo SS.
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PanAmericano: ex-diretor fez remessa aos EUA
Palladino teria feito remssa de dinheiro aos EUA onde possui interesses comerciais
Tatiana Farah - O GLOBO
Rafael Palladino, ex-diretor superintendente do banco PanAmericano/O Globo
SÃO PAULO - Rafael Palladino, ex-diretor superintendente do PanAmericano, remeteu US$ 2 milhões aos EUA quatro meses antes de o Banco Central descobrir o rombo de R$ 2,5 bilhões no banco do Grupo Silvio Santos .
Em 14 de maio, uma das empresas de Palladino, a Max América Negócios Imobiliários, registrou na Junta Comercial de São Paulo a decisão dos sócios - ele e a mulher, Ruth Ruivo Palladino - de transferir o montante para outra empresa do casal, a homônima Max America of Florida LLC, sediada em Miami.
O registro da Junta Comercial reproduz ata com a decisão de fazer a remessa: "As sócias, expressamente e por unanimidade, sem restrições ou ressalvas, aprovam a seguinte deliberação: aprovar a sociedade a realizar investimentos no exterior no valor em reais equivalente a US$ 2 milhões, a serem aportados na Max America of Florida LLC".
Em um documento anterior, de setembro de 2009, um mês depois da criação da empresa de Miami, há a indicação de uma remessa de US$ 300 mil.
O GLOBO teve acesso a dados da Divisão de Corporações do Departamento de Estado da Flórida que mostram que o casal Palladino registrou a empresa em Miami em 4 de agosto de 2009. O endereço é o mesmo da administradora da empresa em Miami, a NS Corporate Services Inc., de um advogado brasileiro.
A Max América Negócios Imobiliários foi comprada por Palladino em fevereiro de 2007. Originalmente, era uma holding de instituições não financeiras, registrada em 2006 como Marosan e com capital de apenas R$ 1 mil. Palladino mudou o nome, trocou o objeto social para incorporação de imóveis e injetou R$ 2,19 milhões no capital.
Palladino tem uma série de empresas particulares, como a Max América Participações, aberta em 2007 com capital de R$ 4,9 milhões. A empresa é constituída por dois sócios, a Max Control Eventos e a Max Control Assessoria e Investimento, ambas de Palladino e de sua mulher. O capital social dessas duas empresas é baixo, o que não impediu que elas declarassem aportes de R$ 2,1 milhões na Max América Participações.
Também é de Palladino a RCF Administração e Participações, aberta em 2005, com capital de R$ 549 mil, para atuar no setor de incorporação imobiliária.
Primo de Íris Abravanel, mulher do empresário Silvio Santos, Palladino entrou no Grupo SS no início dos anos 90. Na época, ele era sócio, em postos de gasolina, do homem forte de Silvio no SBT, Guilherme Stoliar. O GLOBO não conseguiu localizar Palladino em São Paulo. O banco disse que não se manifestará sobre o assunto.
Tatiana Farah - O GLOBO
Rafael Palladino, ex-diretor superintendente do banco PanAmericano/O Globo
SÃO PAULO - Rafael Palladino, ex-diretor superintendente do PanAmericano, remeteu US$ 2 milhões aos EUA quatro meses antes de o Banco Central descobrir o rombo de R$ 2,5 bilhões no banco do Grupo Silvio Santos .
Em 14 de maio, uma das empresas de Palladino, a Max América Negócios Imobiliários, registrou na Junta Comercial de São Paulo a decisão dos sócios - ele e a mulher, Ruth Ruivo Palladino - de transferir o montante para outra empresa do casal, a homônima Max America of Florida LLC, sediada em Miami.
O registro da Junta Comercial reproduz ata com a decisão de fazer a remessa: "As sócias, expressamente e por unanimidade, sem restrições ou ressalvas, aprovam a seguinte deliberação: aprovar a sociedade a realizar investimentos no exterior no valor em reais equivalente a US$ 2 milhões, a serem aportados na Max America of Florida LLC".
Em um documento anterior, de setembro de 2009, um mês depois da criação da empresa de Miami, há a indicação de uma remessa de US$ 300 mil.
O GLOBO teve acesso a dados da Divisão de Corporações do Departamento de Estado da Flórida que mostram que o casal Palladino registrou a empresa em Miami em 4 de agosto de 2009. O endereço é o mesmo da administradora da empresa em Miami, a NS Corporate Services Inc., de um advogado brasileiro.
A Max América Negócios Imobiliários foi comprada por Palladino em fevereiro de 2007. Originalmente, era uma holding de instituições não financeiras, registrada em 2006 como Marosan e com capital de apenas R$ 1 mil. Palladino mudou o nome, trocou o objeto social para incorporação de imóveis e injetou R$ 2,19 milhões no capital.
Palladino tem uma série de empresas particulares, como a Max América Participações, aberta em 2007 com capital de R$ 4,9 milhões. A empresa é constituída por dois sócios, a Max Control Eventos e a Max Control Assessoria e Investimento, ambas de Palladino e de sua mulher. O capital social dessas duas empresas é baixo, o que não impediu que elas declarassem aportes de R$ 2,1 milhões na Max América Participações.
Também é de Palladino a RCF Administração e Participações, aberta em 2005, com capital de R$ 549 mil, para atuar no setor de incorporação imobiliária.
Primo de Íris Abravanel, mulher do empresário Silvio Santos, Palladino entrou no Grupo SS no início dos anos 90. Na época, ele era sócio, em postos de gasolina, do homem forte de Silvio no SBT, Guilherme Stoliar. O GLOBO não conseguiu localizar Palladino em São Paulo. O banco disse que não se manifestará sobre o assunto.
Grupo Silvio Santos susta pagamento a firma auditora
Investigada por fiscais do Banco Central e processada por Silvio Santos, a empresa de auditoria e consultoria Deloitte teve o pagamento de uma parcela de R$ 1,6 milhão suspenso pelo Grupo Silvio Santos, informa Ricardo Feltrin, em reportagem na Folha desta terça-feira. Leia matéria aqui
Fim do nepotismo no Grupo Sílvio Santos
Ricardo Feltrin, repórter da FOLHA, publicou uma interessante matéria sobre a decisão de Sílvio Santos, em demitir parentes no Grupo SS. Eis a matéria, abaixo:
A fraude bilionária que pôs abaixo o império construído por Silvio Santos nos últimos 50 anos vai provocar a demissão de ao menos 40 parentes do empresário e de sua mulher dentro do Grupo SS.
Silvio tomou a decisão de por fim ao “nepotismo” no Grupo SS anteontem, em reunião com seus advogados. A equipe teria concluído que a colocação de parentes em altos cargos de direção e confiança foi o principal motivo para que a fraude ocorresse.
A única empresa do grupo que deve escapar do “corte de parentes” deve ser justamente o SBT.
Na emissora trabalham hoje, entre outros, em cargos de direção, um sobrinho de Silvio Santos, Guilherme Stoliar, e seu primo Leon Abravanel. Ambos têm sido ouvidos pelo empresário e acompanhado as investigações.
Segundo Ooops! apurou, a revolta maior com o escândalo de R$ 2,5 bilhões que praticamente quebrou o Pan Americano tem sido das filhas da mulher de Silvio Santos, Íris. A mais ressentida é uma das filhas do empresário, Patrícia (seqüestrada em agosto de 2001), chegou a trabalhar diretamente com Rafael Palladino, até então presidente do banco.
Silvio se reunirá com diretores, gerentes e elenco do SBT a partir desta segunda-feira, com o objetivo de acalmar os funcionários, temerosos com os desdobramentos do escândalo.
Em Tempo...
A investigação do Banco Central sobre a fraude de cerca de R$ 2,5 bilhões do banco PanAmericano, do Grupo Silvio Santos, descobriu neste sábado que vários diretores transferiram bens para parentes (e parentes de parentes) depois que técnicos do BC passaram a investigar as irregularidades, por volta de setembro último, informa a coluna Ooops!, do UOL.
Se confirmadas essas informações, todas as transferências podem ser suspensas judicialmente até o final das investigações, e mesmo canceladas.
Além de processar diretores e ex-diretores do Pan Americano, advogados de Silvio Santos já pediram ao BC e ao Ministério Público Federal o bloqueio imediato de todos os bens transferidos nos últimos meses por funcionários da instituição.
Também já foi decretada a quebra do sigilo fiscal dos supostos envolvidos, bem como de seus parentes.
A fraude bilionária que pôs abaixo o império construído por Silvio Santos nos últimos 50 anos vai provocar a demissão de ao menos 40 parentes do empresário e de sua mulher dentro do Grupo SS.
Silvio tomou a decisão de por fim ao “nepotismo” no Grupo SS anteontem, em reunião com seus advogados. A equipe teria concluído que a colocação de parentes em altos cargos de direção e confiança foi o principal motivo para que a fraude ocorresse.
A única empresa do grupo que deve escapar do “corte de parentes” deve ser justamente o SBT.
Na emissora trabalham hoje, entre outros, em cargos de direção, um sobrinho de Silvio Santos, Guilherme Stoliar, e seu primo Leon Abravanel. Ambos têm sido ouvidos pelo empresário e acompanhado as investigações.
Revolta
Segundo Ooops! apurou, a revolta maior com o escândalo de R$ 2,5 bilhões que praticamente quebrou o Pan Americano tem sido das filhas da mulher de Silvio Santos, Íris. A mais ressentida é uma das filhas do empresário, Patrícia (seqüestrada em agosto de 2001), chegou a trabalhar diretamente com Rafael Palladino, até então presidente do banco.
Silvio se reunirá com diretores, gerentes e elenco do SBT a partir desta segunda-feira, com o objetivo de acalmar os funcionários, temerosos com os desdobramentos do escândalo.
Em Tempo...
A investigação do Banco Central sobre a fraude de cerca de R$ 2,5 bilhões do banco PanAmericano, do Grupo Silvio Santos, descobriu neste sábado que vários diretores transferiram bens para parentes (e parentes de parentes) depois que técnicos do BC passaram a investigar as irregularidades, por volta de setembro último, informa a coluna Ooops!, do UOL.
Se confirmadas essas informações, todas as transferências podem ser suspensas judicialmente até o final das investigações, e mesmo canceladas.
Além de processar diretores e ex-diretores do Pan Americano, advogados de Silvio Santos já pediram ao BC e ao Ministério Público Federal o bloqueio imediato de todos os bens transferidos nos últimos meses por funcionários da instituição.
Também já foi decretada a quebra do sigilo fiscal dos supostos envolvidos, bem como de seus parentes.
Sílvio Santos afirma que vende tudo,menos o SBT
Sílvio diz que não vai mais se aposentar ano que vem
O dono do PanAmericano e apresentador de TV, Silvio Santos, afirmou que fará o que for preciso para pagar o empréstimo de R$ 2,5 bilhões que precisou contrair para se livrar de problemas no banco. Ele afirmou que pode vender algumas de suas empresas e até sua participação no banco.
"Vou fazer de tudo para não vender [a televisão]. Mas as demais empresas, por que não? Estou com quase 80 anos e não tenho interesse especial em bancos ou indústrias de cosméticos", afirmou Silvio em entrevista à revista "Veja".
Silvio afirmou ainda que a fraude bilionária em seu banco pode ter sido feita para aumentar os bônus dos executivos.
"O que está me parecendo agora, mas não estou 100% certo, é que a operação era mesmo deficitária e os executivos, também para garantir seus prêmios, falsificaram a contabilidade"", afirmou.
O empresário contou ainda que negociou com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para pagar os R$ 2,5 bilhões emprestados em dez anos, recusando juros, apenas corrigidos pela inflação. A carência é de três anos para começarem a vencer as parcelas semestrais.
O apresentador afirmou que o episódio o fez desistir da aposentadoria programada para o ano que vem e que a TV só venderá em caso extremo.
O Grupo Silvio Santos, o acionista principal do PanAmericano, anunciou que deve colocar R$ 2,5 bilhões no banco para cobrir um prejuízo causado por uma fraude contábil. Em seu comunicado oficial, a diretoria do banco menciona "inconsistências contábeis".
O BC descobriu que o PanAmericano vendeu carteiras de crédito para outras instituições financeiras, mas continuou contabilizando esses recursos como parte do seu patrimônio. O problema foi detectado há poucos meses e houve uma negociação para evitar a quebra da instituição, já que o rombo era bilionário.
A quebra só foi evitada após o Grupo Silvio Santos assumir integralmente a responsabilidade pelo problema e oferecer os seus bens para conseguir um empréstimo nesse valor junto ao Fundo Garantidor de Créditos. Como o fundo é uma entidade privada, não houve utilização de recursos públicos. Além disso, a Caixa Econômica Federal, que também faz parte do bloco de controle, não terá de arcar com a perda.
A Polícia Federal informou que instaurou, nesta sexta-feira, inquérito policial para apurar a eventual prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O Ministério Público Federal informou que também vai investigar as transações do banco.
A Jequiti Cosméticos, uma das 44 empresas do Grupo Silvio Santos, é considerada pelo presidente da companhia, Lásaro do Carmo Jr, a "joia da coroa" do conglomerado e deve ter papel preponderante na operação de salvamento do Banco Panamericano.
Segundo o Estado apurou, ela é avaliada em R$ 800 milhões pelo mercado. A outra empresa mais valiosa do Grupo é o próprio Panamericano, cujo valor do controle é estimado em R$ 1 bilhão. O patrimônio do Grupo é calculado pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em R$ 2,7 bilhões, mas somente a venda dessas duas empresas pode render quase R$ 2 bilhões.
Além de mais valiosas, as empresas do grupo ligadas ao varejo - além do banco e da empresa de cosméticos, inclui o Hotel Jequitimar e outros empreendimentos imobiliários - têm mais liquidez e, portanto, são as mais fáceis de serem passadas para frente. O mesmo não acontece com a Liderança Capitalização (Tele sena) e o Baú da Felicidade. E a situação fica ainda mais difícil no negócio das emissoras de TV. Além de se tratar de concessão a pessoa física, há restrições à participação de estrangeiros nos meios de comunicação.
"Todo mundo está de olho na Jequiti: fundos de investimento e empresas concorrentes. No momento, a empresa ainda não está à venda. Temos solidez e queremos alçar voos maiores", diz Carmo Jr. Ele não revela se a empresa, especializada em venda direta de cosméticos e que concorre com gigantes do setor, como Avon e a Natura, tem lucro. Mas ressalta que a geração de caixa é positiva. Isto é, a companhia se sustenta operacionalmente e não precisa recorrer com regularidade a bancos.
Outro fator que faz da empresa a "joia da coroa" é a sua rápida evolução. Fundada em 2006, a Jequiti deve fechar este ano faturando entre R$ 380 e R$ 400 milhões, com crescimento de 80% em relação a 2009. Desde 2007, a receita foi multiplicada por 20. Hoje tem 160 mil revendedoras. Até dezembro serão 170 mil.
Se a projeção de vendas para este ano se confirmar, a Jequiti responderá por cerca de 10% da receita do grupo. A perspectiva é de que o faturamento atinja R$ 1 bilhão até 2013 e essa unidade se torne o pilar do conglomerado até 2015, ao lado do Banco Panamericano, prevê o executivo.
Apesar do revés sofrido na semana passada, com a descoberta de uma fraude no Panamericano, que levou Silvio Santos a ter de dar o conglomerado em garantia para obter um empréstimo de R$ 2,5 bilhões do FGC, Carmo Jr. está otimista. Diz que os planos da Jequiti de ter a primeira fábrica e de construir novos centros de distribuição em Recife (PE), Porto Alegre (RS) e Belém (PR) estão mantidos.
"Continuamos em voo de cruzeiro e vamos ter de trabalhar mais", afirma o executivo. Ele conta que o projeto da fábrica está pronto. A meta é iniciar as obras em janeiro de 2011 e colocá-la em operação no início de 2013.
A indústria, que será erguida no complexo Anhanguera, onde fica o SBT, está orçada em R$ 80 milhões. A companhia vai buscar no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outros agentes financiadores os recursos.
"Não ter uma fábrica é um fator limitador de crescimento", diz Carmo Jr. Atualmente, a empresa vende 750 itens, dos quais 500 cosméticos e 250 não cosméticos. A formulação dos cosméticos é desenvolvida pela Jequiti e os produtos são fabricados por sete indústrias.
Segunda-feira passada, véspera do anúncio da operação de salvamento do Panamericano, a Jequiti ganhou o 18.º Prêmio Atualidade Cosmética, como melhor empresa do ano, à frente de Natura e Unilever, pelo crescimento de 153% no primeiro semestre.
O Brasil é o terceiro maior mercado de cosméticos do mundo, com vendas de R$ 12,9 bilhões em 2009. A venda direta é o canal que mais cresce depois das franquias. Procuradas pelo Estado, a Natura informa que não se interessa pela Jequiti e a Avon não fala sobre a concorrência.
Fontes: FOLHA - VEJA- O ESTADO DE S PAULO
O dono do PanAmericano e apresentador de TV, Silvio Santos, afirmou que fará o que for preciso para pagar o empréstimo de R$ 2,5 bilhões que precisou contrair para se livrar de problemas no banco. Ele afirmou que pode vender algumas de suas empresas e até sua participação no banco.
"Vou fazer de tudo para não vender [a televisão]. Mas as demais empresas, por que não? Estou com quase 80 anos e não tenho interesse especial em bancos ou indústrias de cosméticos", afirmou Silvio em entrevista à revista "Veja".
Silvio afirmou ainda que a fraude bilionária em seu banco pode ter sido feita para aumentar os bônus dos executivos.
"O que está me parecendo agora, mas não estou 100% certo, é que a operação era mesmo deficitária e os executivos, também para garantir seus prêmios, falsificaram a contabilidade"", afirmou.
O empresário contou ainda que negociou com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para pagar os R$ 2,5 bilhões emprestados em dez anos, recusando juros, apenas corrigidos pela inflação. A carência é de três anos para começarem a vencer as parcelas semestrais.
O apresentador afirmou que o episódio o fez desistir da aposentadoria programada para o ano que vem e que a TV só venderá em caso extremo.
ENTENDA O CASO
O Grupo Silvio Santos, o acionista principal do PanAmericano, anunciou que deve colocar R$ 2,5 bilhões no banco para cobrir um prejuízo causado por uma fraude contábil. Em seu comunicado oficial, a diretoria do banco menciona "inconsistências contábeis".
O BC descobriu que o PanAmericano vendeu carteiras de crédito para outras instituições financeiras, mas continuou contabilizando esses recursos como parte do seu patrimônio. O problema foi detectado há poucos meses e houve uma negociação para evitar a quebra da instituição, já que o rombo era bilionário.
A quebra só foi evitada após o Grupo Silvio Santos assumir integralmente a responsabilidade pelo problema e oferecer os seus bens para conseguir um empréstimo nesse valor junto ao Fundo Garantidor de Créditos. Como o fundo é uma entidade privada, não houve utilização de recursos públicos. Além disso, a Caixa Econômica Federal, que também faz parte do bloco de controle, não terá de arcar com a perda.
A Polícia Federal informou que instaurou, nesta sexta-feira, inquérito policial para apurar a eventual prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O Ministério Público Federal informou que também vai investigar as transações do banco.
Jequiti é a ‘joia da coroa’ do Grupo SS
A Jequiti Cosméticos, uma das 44 empresas do Grupo Silvio Santos, é considerada pelo presidente da companhia, Lásaro do Carmo Jr, a "joia da coroa" do conglomerado e deve ter papel preponderante na operação de salvamento do Banco Panamericano.
Segundo o Estado apurou, ela é avaliada em R$ 800 milhões pelo mercado. A outra empresa mais valiosa do Grupo é o próprio Panamericano, cujo valor do controle é estimado em R$ 1 bilhão. O patrimônio do Grupo é calculado pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em R$ 2,7 bilhões, mas somente a venda dessas duas empresas pode render quase R$ 2 bilhões.
Além de mais valiosas, as empresas do grupo ligadas ao varejo - além do banco e da empresa de cosméticos, inclui o Hotel Jequitimar e outros empreendimentos imobiliários - têm mais liquidez e, portanto, são as mais fáceis de serem passadas para frente. O mesmo não acontece com a Liderança Capitalização (Tele sena) e o Baú da Felicidade. E a situação fica ainda mais difícil no negócio das emissoras de TV. Além de se tratar de concessão a pessoa física, há restrições à participação de estrangeiros nos meios de comunicação.
"Todo mundo está de olho na Jequiti: fundos de investimento e empresas concorrentes. No momento, a empresa ainda não está à venda. Temos solidez e queremos alçar voos maiores", diz Carmo Jr. Ele não revela se a empresa, especializada em venda direta de cosméticos e que concorre com gigantes do setor, como Avon e a Natura, tem lucro. Mas ressalta que a geração de caixa é positiva. Isto é, a companhia se sustenta operacionalmente e não precisa recorrer com regularidade a bancos.
Salto.
Outro fator que faz da empresa a "joia da coroa" é a sua rápida evolução. Fundada em 2006, a Jequiti deve fechar este ano faturando entre R$ 380 e R$ 400 milhões, com crescimento de 80% em relação a 2009. Desde 2007, a receita foi multiplicada por 20. Hoje tem 160 mil revendedoras. Até dezembro serão 170 mil.
Se a projeção de vendas para este ano se confirmar, a Jequiti responderá por cerca de 10% da receita do grupo. A perspectiva é de que o faturamento atinja R$ 1 bilhão até 2013 e essa unidade se torne o pilar do conglomerado até 2015, ao lado do Banco Panamericano, prevê o executivo.
Apesar do revés sofrido na semana passada, com a descoberta de uma fraude no Panamericano, que levou Silvio Santos a ter de dar o conglomerado em garantia para obter um empréstimo de R$ 2,5 bilhões do FGC, Carmo Jr. está otimista. Diz que os planos da Jequiti de ter a primeira fábrica e de construir novos centros de distribuição em Recife (PE), Porto Alegre (RS) e Belém (PR) estão mantidos.
"Continuamos em voo de cruzeiro e vamos ter de trabalhar mais", afirma o executivo. Ele conta que o projeto da fábrica está pronto. A meta é iniciar as obras em janeiro de 2011 e colocá-la em operação no início de 2013.
A indústria, que será erguida no complexo Anhanguera, onde fica o SBT, está orçada em R$ 80 milhões. A companhia vai buscar no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outros agentes financiadores os recursos.
"Não ter uma fábrica é um fator limitador de crescimento", diz Carmo Jr. Atualmente, a empresa vende 750 itens, dos quais 500 cosméticos e 250 não cosméticos. A formulação dos cosméticos é desenvolvida pela Jequiti e os produtos são fabricados por sete indústrias.
Segunda-feira passada, véspera do anúncio da operação de salvamento do Panamericano, a Jequiti ganhou o 18.º Prêmio Atualidade Cosmética, como melhor empresa do ano, à frente de Natura e Unilever, pelo crescimento de 153% no primeiro semestre.
O Brasil é o terceiro maior mercado de cosméticos do mundo, com vendas de R$ 12,9 bilhões em 2009. A venda direta é o canal que mais cresce depois das franquias. Procuradas pelo Estado, a Natura informa que não se interessa pela Jequiti e a Avon não fala sobre a concorrência.
Fontes: FOLHA - VEJA- O ESTADO DE S PAULO
E agora, como fica o mito Silvio Santos?
A Editora do Caderno de TV Cristina Padiglioni analisa como o rombo de R$ 2,5 bilhões no Banco Panamericano, do Grupo Silvio Santos, afeta a figura do apresentador
Fontes: O ESTADO DE S PAULO - TV ESTADÃO
Sílvio Santos fez a imprensa de boba
Ricardo Setti
Abriu-se na sexta-feira o baú de infelicidades do mais famoso animador de auditório da TV brasileira, dono do SBT, a terceira maior rede do país no ranking de audiência, transmitida por 106 emissoras (15 próprias e 91 afiliadas).
O seu banco, o Panamericano, queria dinheiro, muito dinheiro, para cobrir o rombo de 2,5 bilhões de reais no seu balanço fraudado.
O banco de SS repassava carteiras de créditos de suas operações para outros bancos, mas não contabilizava essa transferência no balanço, que justificaria hoje o bordão de Santos no programa Tentação: ”Vale dez reais?”
No melhor estilo Lula, Sílvio Santos apressou-se a declarar: “Eu não sabia de nada”.
A fraude do lucro inflado no banco do apresentador de Topa Tudo por Dinheiro representa 40% dos ativos do Panamericano, que somam R$ 6,5 bilhões, e passou batido por uma das mais respeitadas empresas de auditoria do mercado, a Deloitte.
A solução engenhosa para sair da enrascada estava embutida num dos bordões mais conhecidos de SS: “Vem pra cá, vem pra cá”.
Foi o que ele disse ao governo Lula, que foi lá para o SBT em apuros, já que tinha interesse no caso — a Caixa Econômica Federal adquiriu no ano passado 49% das ações do banco –, por meio do camarada FGC, o Fundo Garantidor de Crédito, mantido pelos bancos mas sensível a apelos federais. Sobretudo quando o Banco Central recomenda que apóie determinadas operações.
O FGC, a quem SS ofereceu 44 empresas de seu grupo como garantia, disse que a recomendação de socorro feita pelo Banco Central tinha por objetivo evitar o “risco sistêmico” que poderia abalar a área financeira do país.
Quando o PT de Lula era oposição, essa desculpa do PSDB de FHC era motivo de zombaria para a inclemente confraria petista.
O sempre bem informado Guilherme Barros, colunista de economia do portal iG, informou que o BC, ao contrário de Lula e de Silvio Santos, sabia de “inconsistência contábil” no Panamericano há dois meses, ou seja, desde setembro.
Foi examente em setembro, uma quarta-feira, 22, dez dias antes do primeiro turno da eleição presidencial, que Sílvio Santos visitou Lula inesperadamente no Palácio do Planalto, causando o alvoroço previsível.
Naquele dia, o sorridente SS avisou que estava ali apenas para convidar o presidente para a abertura do Teleton, um programa que arrecada recursos para crianças e adolescentes com necessidades especiais.
No embalo, ainda arrancou uma doação de R$ 12 mil de Lula.
Silvio atropelou a agenda presidencial, tirando do caminho uma reunião prevista para aquele horário justamente com Henrique Meirelles, o presidente camarada do BC que dois meses depois seria fiador do SOS para SS.
O que espanta, neste processo, é a inconsistência sistêmica da imprensa brasileira, que cobriu burocraticamente a surpreendente visita de SS ao Planalto: “Não venho aqui desde o governo Itamar Franco”, avisou ele, ou seja, fazia já 18 anos.
E os repórteres e editores engoliram, em seco, a explicação boboca sobre o Teleton. Se não fosse tão preguiçoso, habituado ao declaratório e ao oficialiesco, um jornalismo esperto poderia ter percebido ali as fagulhas do rolo do Panamericano que enfiou o FGC, o governo e Sílvio Santos no mesmo baú de desinformação e incertezas.
O desprezo de SS pela notícia já faz parte do folcore nacional. Na noite de 17 de julho de 2007, as maiores redes de TV do país interromperam a cobertura dos Jogos Panamericanos do Rio para mostrar as primeiras imagens fumegantes do Airbus da TAM que explodiu no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O SBT foi o último a informar sobre a tragédia.
Nem Bin Laden conseguiu desfazer o sorriso de plástico de SS. No 11 de setembro de 2001, o dia do maior ataque terrorista da história, que as TVs do mundo inteiro cobriram ao vivo para o mundo estarrecido, o SBT continuou, impávido, a transmitir sua programação normal, quebrada apenas por breves flashes de plantão nos horários comerciais.
Naquele dia, o SBT atingiu um dos menores índices de audiência de sua história. Prova de que o povo, apesar de Sílvio Santos e alguns de nossos jornalistas, não é bobo.
Sílvio Santos não poderá mais repetir o seu famoso bordão: “Quem quer dinheiro?”.
Abriu-se na sexta-feira o baú de infelicidades do mais famoso animador de auditório da TV brasileira, dono do SBT, a terceira maior rede do país no ranking de audiência, transmitida por 106 emissoras (15 próprias e 91 afiliadas).
O seu banco, o Panamericano, queria dinheiro, muito dinheiro, para cobrir o rombo de 2,5 bilhões de reais no seu balanço fraudado.
O banco de SS repassava carteiras de créditos de suas operações para outros bancos, mas não contabilizava essa transferência no balanço, que justificaria hoje o bordão de Santos no programa Tentação: ”Vale dez reais?”
No melhor estilo Lula, Sílvio Santos apressou-se a declarar: “Eu não sabia de nada”.
A fraude do lucro inflado no banco do apresentador de Topa Tudo por Dinheiro representa 40% dos ativos do Panamericano, que somam R$ 6,5 bilhões, e passou batido por uma das mais respeitadas empresas de auditoria do mercado, a Deloitte.
A solução engenhosa para sair da enrascada estava embutida num dos bordões mais conhecidos de SS: “Vem pra cá, vem pra cá”.
Foi o que ele disse ao governo Lula, que foi lá para o SBT em apuros, já que tinha interesse no caso — a Caixa Econômica Federal adquiriu no ano passado 49% das ações do banco –, por meio do camarada FGC, o Fundo Garantidor de Crédito, mantido pelos bancos mas sensível a apelos federais. Sobretudo quando o Banco Central recomenda que apóie determinadas operações.
O FGC, a quem SS ofereceu 44 empresas de seu grupo como garantia, disse que a recomendação de socorro feita pelo Banco Central tinha por objetivo evitar o “risco sistêmico” que poderia abalar a área financeira do país.
Quando o PT de Lula era oposição, essa desculpa do PSDB de FHC era motivo de zombaria para a inclemente confraria petista.
O sempre bem informado Guilherme Barros, colunista de economia do portal iG, informou que o BC, ao contrário de Lula e de Silvio Santos, sabia de “inconsistência contábil” no Panamericano há dois meses, ou seja, desde setembro.
Foi examente em setembro, uma quarta-feira, 22, dez dias antes do primeiro turno da eleição presidencial, que Sílvio Santos visitou Lula inesperadamente no Palácio do Planalto, causando o alvoroço previsível.
Naquele dia, o sorridente SS avisou que estava ali apenas para convidar o presidente para a abertura do Teleton, um programa que arrecada recursos para crianças e adolescentes com necessidades especiais.
No embalo, ainda arrancou uma doação de R$ 12 mil de Lula.
Silvio atropelou a agenda presidencial, tirando do caminho uma reunião prevista para aquele horário justamente com Henrique Meirelles, o presidente camarada do BC que dois meses depois seria fiador do SOS para SS.
O que espanta, neste processo, é a inconsistência sistêmica da imprensa brasileira, que cobriu burocraticamente a surpreendente visita de SS ao Planalto: “Não venho aqui desde o governo Itamar Franco”, avisou ele, ou seja, fazia já 18 anos.
E os repórteres e editores engoliram, em seco, a explicação boboca sobre o Teleton. Se não fosse tão preguiçoso, habituado ao declaratório e ao oficialiesco, um jornalismo esperto poderia ter percebido ali as fagulhas do rolo do Panamericano que enfiou o FGC, o governo e Sílvio Santos no mesmo baú de desinformação e incertezas.
O desprezo de SS pela notícia já faz parte do folcore nacional. Na noite de 17 de julho de 2007, as maiores redes de TV do país interromperam a cobertura dos Jogos Panamericanos do Rio para mostrar as primeiras imagens fumegantes do Airbus da TAM que explodiu no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O SBT foi o último a informar sobre a tragédia.
Nem Bin Laden conseguiu desfazer o sorriso de plástico de SS. No 11 de setembro de 2001, o dia do maior ataque terrorista da história, que as TVs do mundo inteiro cobriram ao vivo para o mundo estarrecido, o SBT continuou, impávido, a transmitir sua programação normal, quebrada apenas por breves flashes de plantão nos horários comerciais.
Naquele dia, o SBT atingiu um dos menores índices de audiência de sua história. Prova de que o povo, apesar de Sílvio Santos e alguns de nossos jornalistas, não é bobo.
Banco Panamericano, do Grupo Silvio Santos, recebe R$ 2,5 bi para cobrir fraude
Empréstimo para salvar banco foi obtido no Fundo Garantidor de Crédito e tem como respaldo o patrimônio do empresário e apresentador de TV
David Friedlander e Leandro Modé - O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - A descoberta de uma fraude contábil bilionária levou o Grupo Silvio Santos a fazer um aporte de R$ 2,5 bilhões no Banco Panamericano, que tem como sócia minoritária a Caixa Econômica Federal. O dinheiro foi obtido por meio de um empréstimo ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), criado em 1995 com objetivo de proteger os depósitos dos clientes do sistema financeiro no País.
Segundo o Estado apurou, o rombo é resultado de ativos e créditos fictícios registrados por diretores do Panamericano supostamente para inflar os resultados da instituição e, suspeita-se, melhorar os bônus dos executivos. Até agora, não foram encontrados indícios de desvio, mas o Banco Central (BC) vai encaminhar representações à Polícia Federal e ao Ministério Público para investigar as suspeitas.
Segundo apurou a reportagem, o rombo foi descoberto há cerca de um mês pelo Banco Central. Tinha passado despercebido pelos controles internos do Panamericano, seus auditores independentes e pelo pente-fino feito pela Caixa quando comprou uma participação de 49% do capital votante do banco, no fim de 2009. O patrimônio do empresário Silvio Santos foi colocado como garantia para o empréstimo concedido pelo FGC.
O Panamericano abre as portas nesta quarta-feira com nova diretoria, nomeada em conjunto pelo Grupo Silvio Santos e pela Caixa. Os antigos executivos foram demitidos ontem. O diretor superintendente passa a ser Celso Antunes da Costa, ex-diretor de Integração do Banco Nossa Caixa.
O Conselho de Administração será escolhido na próxima semana, também por meio de acordo entre os acionistas.
Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o próprio Panamericano afirma que "inconsistências contábeis não permitem que as demonstrações financeiras reflitam a real situação patrimonial da entidade".
Durante esta terça-feira, circularam rumores no mercado, dando conta de que o Banco Central interviria em alguma instituição financeira após o encerramento dos negócios, como antecipou a colunista do Estado Sonia Racy.
Nas mesas de operação, o principal "candidato" era o Panamericano. Por isso, os papéis preferenciais (PN) do banco desabaram. Caíram 6,75% e, no ano, já acumulam perdas de 35%. No chamado pós-mercado, as ações recuaram ainda mais: 8,54%.
Segundo o fato relevante, o dinheiro "destina-se a restabelecer o pleno equilíbrio patrimonial e ampliar a liquidez operacional da instituição, de modo a preservar o atual nível de capitalização".
O crédito para o Panamericano equivale a cerca de 10% do patrimônio do FGC, que somava R$ 25,8 bilhões no fim de setembro. É uma saída inédita no País. Um especialista explicou que o banco provavelmente não encontrou no mercado um interessado (nem mesmo a Caixa) justamente por causa do rombo recém-descoberto.
Os R$ 2,5 bilhões que estão sendo aportados superam o atual patrimônio líquido da instituição, de R$ 1,6 bilhão. O Panamericano é o 21.º do ranking nacional, com ativos de R$ 11,9 bilhões ao fim de junho. Em dezembro de 2009, a Caixa comprou 35% do capital total do banco. Pagou R$ 740 milhões.
Um analista explicou que, caso o aporte não fosse feito, o Panamericano ficaria fora das regras do BC e teria de sofrer uma intervenção. Apesar do aporte, o BC, segundo apurou o jornal, não descarta intervir no banco.
O banco Panamericano faz parte de um grupo que faturou R$ 4,7 bilhões no ano passado e que projetava para este ano um crescimento de 26%, que levaria essa receita para R$ 5,8 bilhões. Além do banco, o Grupo Silvio Santos também é dono de empresas como a rede de lojas Baú da Felicidade Crediário, a fabricante de cosméticos Jequiti, a Liderança Capitalização e, a mais visível de todas, a rede de televisão SBT, entre várias outras - no total, são 30 empresas.
Em entrevista recente ao Estado, Luiz Sandoval, presidente do grupo há 26 anos, disse que, para atingir esse crescimento, as apostas seriam nas áreas cosmética e imobiliária, mas que o foco seria mesmo o setor financeiro, com o Panamericano, que responde pela metade das receitas do grupo.
Sandoval mostrava-se entusiasmado com o setor financeiro depois do acordo fechado com a Caixa Econômica Federal, que comprou 35% do Panamericano por R$ 740 milhões no final do ano passado. Para o executivo, esse acordo representava um passo estratégico para o banco, pois permitiu equacionar uma dívida de cerca de R$ 450 milhões.
Além disso, segundo o executivo, o acordo permitiu à instituição acesso a linhas de crédito mais baratas e a entrada em novas modalidades de financiamento, como o crédito a automóveis novos. Antes, o banco financiava apenas carros usados.
O Grupo Silvio Santos fechou o ano passado com um prejuízo líquido de R$ 7,9 milhões, depois de um lucro de R$ 73,6 milhões em 2008. Para este ano, o grupo projetava um lucro de R$ 100 milhões. A perda do ano passado foi atribuída, em grande parte, ao processo de maturação de unidades como a Sisan, de investimento imobiliário, e na própria Jequiti, empresas consideradas, no início do ano, ainda grandes demandadoras de investimentos.
O grupo também fez investimentos no ano passado na expansão da rede de lojas Baú da Felicidade Crediário. Comprou a endividada rede Dudony, do Paraná, com 110 lojas - sendo 99 no Paraná e 11 em São Paulo -, por R$ 33 milhões. Com a aquisição, a rede saltou, de uma só vez, para 130 lojas. Os planos do grupo eram de chegar a 150 lojas até dezembro e a 250 até o final do ano que vem. No ano passado, o grupo havia desativado as operações do Carnê do Baú, um sucesso de vendas criado há 50 anos, mas que vinha perdendo espaço.
No caso da Jequiti, criada em 2006, a aposta do grupo era de quase dobrar as vendas este ano, chegando a R$ 380 milhões, e com um exército de 160 mil vendedoras. Os planos para essa área incluem o investimento em duas fábricas próprias, uma em Osasco (SP) e outra em lugar ainda a ser definido - até agora, a produção é terceirizada - e em dois novos centros de distribuição, um em Porto Alegre e outro no Nordeste.
Dúvida pelo mercado financeiro depois que o Grupo Silvio Santos anunciou o aporte de R$ 2,5 bilhões no seu Banco Panamericano.
O que aconteceu na due dillegence feita pela Caixa Econômica Federal antes de comprar parte minoritária do banco em 2009?
O exame das contas realizado pela CEF não detectou o buraco gigante?
Com a a palavra, a Caixa.
David Friedlander e Leandro Modé - O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - A descoberta de uma fraude contábil bilionária levou o Grupo Silvio Santos a fazer um aporte de R$ 2,5 bilhões no Banco Panamericano, que tem como sócia minoritária a Caixa Econômica Federal. O dinheiro foi obtido por meio de um empréstimo ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), criado em 1995 com objetivo de proteger os depósitos dos clientes do sistema financeiro no País.
Segundo o Estado apurou, o rombo é resultado de ativos e créditos fictícios registrados por diretores do Panamericano supostamente para inflar os resultados da instituição e, suspeita-se, melhorar os bônus dos executivos. Até agora, não foram encontrados indícios de desvio, mas o Banco Central (BC) vai encaminhar representações à Polícia Federal e ao Ministério Público para investigar as suspeitas.
Segundo apurou a reportagem, o rombo foi descoberto há cerca de um mês pelo Banco Central. Tinha passado despercebido pelos controles internos do Panamericano, seus auditores independentes e pelo pente-fino feito pela Caixa quando comprou uma participação de 49% do capital votante do banco, no fim de 2009. O patrimônio do empresário Silvio Santos foi colocado como garantia para o empréstimo concedido pelo FGC.
O Panamericano abre as portas nesta quarta-feira com nova diretoria, nomeada em conjunto pelo Grupo Silvio Santos e pela Caixa. Os antigos executivos foram demitidos ontem. O diretor superintendente passa a ser Celso Antunes da Costa, ex-diretor de Integração do Banco Nossa Caixa.
O Conselho de Administração será escolhido na próxima semana, também por meio de acordo entre os acionistas.
Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o próprio Panamericano afirma que "inconsistências contábeis não permitem que as demonstrações financeiras reflitam a real situação patrimonial da entidade".
Durante esta terça-feira, circularam rumores no mercado, dando conta de que o Banco Central interviria em alguma instituição financeira após o encerramento dos negócios, como antecipou a colunista do Estado Sonia Racy.
Nas mesas de operação, o principal "candidato" era o Panamericano. Por isso, os papéis preferenciais (PN) do banco desabaram. Caíram 6,75% e, no ano, já acumulam perdas de 35%. No chamado pós-mercado, as ações recuaram ainda mais: 8,54%.
Segundo o fato relevante, o dinheiro "destina-se a restabelecer o pleno equilíbrio patrimonial e ampliar a liquidez operacional da instituição, de modo a preservar o atual nível de capitalização".
Inédito.
O crédito para o Panamericano equivale a cerca de 10% do patrimônio do FGC, que somava R$ 25,8 bilhões no fim de setembro. É uma saída inédita no País. Um especialista explicou que o banco provavelmente não encontrou no mercado um interessado (nem mesmo a Caixa) justamente por causa do rombo recém-descoberto.
Os R$ 2,5 bilhões que estão sendo aportados superam o atual patrimônio líquido da instituição, de R$ 1,6 bilhão. O Panamericano é o 21.º do ranking nacional, com ativos de R$ 11,9 bilhões ao fim de junho. Em dezembro de 2009, a Caixa comprou 35% do capital total do banco. Pagou R$ 740 milhões.
Um analista explicou que, caso o aporte não fosse feito, o Panamericano ficaria fora das regras do BC e teria de sofrer uma intervenção. Apesar do aporte, o BC, segundo apurou o jornal, não descarta intervir no banco.
Setor financeiro era maior aposta do Grupo Silvio Santos
O banco Panamericano faz parte de um grupo que faturou R$ 4,7 bilhões no ano passado e que projetava para este ano um crescimento de 26%, que levaria essa receita para R$ 5,8 bilhões. Além do banco, o Grupo Silvio Santos também é dono de empresas como a rede de lojas Baú da Felicidade Crediário, a fabricante de cosméticos Jequiti, a Liderança Capitalização e, a mais visível de todas, a rede de televisão SBT, entre várias outras - no total, são 30 empresas.
Em entrevista recente ao Estado, Luiz Sandoval, presidente do grupo há 26 anos, disse que, para atingir esse crescimento, as apostas seriam nas áreas cosmética e imobiliária, mas que o foco seria mesmo o setor financeiro, com o Panamericano, que responde pela metade das receitas do grupo.
Sandoval mostrava-se entusiasmado com o setor financeiro depois do acordo fechado com a Caixa Econômica Federal, que comprou 35% do Panamericano por R$ 740 milhões no final do ano passado. Para o executivo, esse acordo representava um passo estratégico para o banco, pois permitiu equacionar uma dívida de cerca de R$ 450 milhões.
Além disso, segundo o executivo, o acordo permitiu à instituição acesso a linhas de crédito mais baratas e a entrada em novas modalidades de financiamento, como o crédito a automóveis novos. Antes, o banco financiava apenas carros usados.
O Grupo Silvio Santos fechou o ano passado com um prejuízo líquido de R$ 7,9 milhões, depois de um lucro de R$ 73,6 milhões em 2008. Para este ano, o grupo projetava um lucro de R$ 100 milhões. A perda do ano passado foi atribuída, em grande parte, ao processo de maturação de unidades como a Sisan, de investimento imobiliário, e na própria Jequiti, empresas consideradas, no início do ano, ainda grandes demandadoras de investimentos.
O grupo também fez investimentos no ano passado na expansão da rede de lojas Baú da Felicidade Crediário. Comprou a endividada rede Dudony, do Paraná, com 110 lojas - sendo 99 no Paraná e 11 em São Paulo -, por R$ 33 milhões. Com a aquisição, a rede saltou, de uma só vez, para 130 lojas. Os planos do grupo eram de chegar a 150 lojas até dezembro e a 250 até o final do ano que vem. No ano passado, o grupo havia desativado as operações do Carnê do Baú, um sucesso de vendas criado há 50 anos, mas que vinha perdendo espaço.
No caso da Jequiti, criada em 2006, a aposta do grupo era de quase dobrar as vendas este ano, chegando a R$ 380 milhões, e com um exército de 160 mil vendedoras. Os planos para essa área incluem o investimento em duas fábricas próprias, uma em Osasco (SP) e outra em lugar ainda a ser definido - até agora, a produção é terceirizada - e em dois novos centros de distribuição, um em Porto Alegre e outro no Nordeste.
Estranha, a vida
Dúvida pelo mercado financeiro depois que o Grupo Silvio Santos anunciou o aporte de R$ 2,5 bilhões no seu Banco Panamericano.
O que aconteceu na due dillegence feita pela Caixa Econômica Federal antes de comprar parte minoritária do banco em 2009?
O exame das contas realizado pela CEF não detectou o buraco gigante?
Com a a palavra, a Caixa.
BOMBA: Banco Panamericano foi vítima de fraude de R$ 2,5 bilhões
Segundo pessoas que acompanham o processo, rombo é resultado de ativos e créditos fictícios registrados por diretores do Panamericano supostamente para inflar os resultados da instituição
Difícil de acreditar que o BACEN desconhecia e que os demais orgãos reguladores também. Agora injetaram dinheiro público para cobrir o rombo. Minha nossa que escândalo.
Eis a matéria
David Friedlander - Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - O Grupo Silvio Santos anunciou agora na noite desta terça-feira, 9, um aporte de R$ 2,5 bilhões no Banco Panamericano, do qual é o principal acionista, com recursos emprestados pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O objetivo foi cobrir um rombo de R$ 2,5 bilhões descoberto cerca de um mês atrás pelo Banco Central, segundo o Estado apurou.
Segundo pessoas que acompanham o processo, o rombo é resultado de ativos e créditos fictícios registrados por diretores do Panamericano supostamente para inflar os resultados da instituição.
A operação de empréstimo junto ao FGC foi fechada no último fim de semana, depois que os técnicos do BC conseguiram dimensionar o tamanho do rombo. A fraude passou despercebida pelos controles internos do Panamericano, seus auditores independentes e até pelo pente fino da Caixa Econômica Federal, que no ano passado comprou 35% do capital total do Panamericano.
Difícil de acreditar que o BACEN desconhecia e que os demais orgãos reguladores também. Agora injetaram dinheiro público para cobrir o rombo. Minha nossa que escândalo.
Eis a matéria
David Friedlander - Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - O Grupo Silvio Santos anunciou agora na noite desta terça-feira, 9, um aporte de R$ 2,5 bilhões no Banco Panamericano, do qual é o principal acionista, com recursos emprestados pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O objetivo foi cobrir um rombo de R$ 2,5 bilhões descoberto cerca de um mês atrás pelo Banco Central, segundo o Estado apurou.
Segundo pessoas que acompanham o processo, o rombo é resultado de ativos e créditos fictícios registrados por diretores do Panamericano supostamente para inflar os resultados da instituição.
A operação de empréstimo junto ao FGC foi fechada no último fim de semana, depois que os técnicos do BC conseguiram dimensionar o tamanho do rombo. A fraude passou despercebida pelos controles internos do Panamericano, seus auditores independentes e até pelo pente fino da Caixa Econômica Federal, que no ano passado comprou 35% do capital total do Panamericano.
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