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Após crise, Obama troca comando de tropas dos EUA no Afeganistão

General McChrystal sai após dar declarações contra membros do governo. Ele será substituído por David Petraeus, ex-chefe dos EUA no Iraque.

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou nesta quarta-feira (23) a troca do comando militar no Afeganistão.

O general Stanley McChrystal, que renunciou, será substituído pelo general David Petraeus, chefe do Comando Central dos EUA e ex-comandante das tropas americanas no Iraque.

A demissão ocorre depois da polêmica provocada por declarações do militar e de seus assessores à revista "Rolling Stone", em que eles criticavam vários integrantes da administração Obama.

Em declaração na Casa Branca, Obama disse que a saída não ocorre por discordâncias em relação à política americana no país invadido nem por conta de "insultos pessoais", mas porque McChrystal quebrou o código militar de conduta com suas declarações.

Obama anuncia Petraeus nesta quarta-feira (23) em pronunciamento na Casa Branca. (Foto: AP)

O democrata disse que apoia debates entre seus assessores, mas não vai tolerar divisões. Eleacrescentou que a substituição do General McChrystal representa uma mudança de pessoal, e não de política.

Obama também reafirmou a confiança em que a ação americana e dos países aliados no país vai derrotar o Talibã e a rede terrorista da al-Qaeda.

A guerra no Afeganistão foi iniciada pelo governo Bush em 2001, após o 11 de Setembro, e é bastante contestada nos EUA. Obama afirmou que se tratou de uma decisão difícil e agradeceu a McChrystal pelo trabalho feito no front afegão.

Mais cedo, o presidente havia se reunido com McChrystal na Casa Branca durante cerca de 30 minutos para discutir o caso. Segundo assessores, Obama deixou claro a McChrystal que tinha ficado "furioso" com as declarações.

Karzai

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse respeitar a decisão de Obama, segundo um porta-voz.

"É uma decisão interna do governo americano e, portanto, a respeitamos", declarou Waheed Omar, por telefone. "Seu substituto, o general David Petraeus, é alguém que conhece muito bem o Afeganistão, e a região; é um militar de muita experiência."

Interino

O general britânico Nick Parker assumiu interinamente o comando, até que Petraeus seja oficialmente indicado.

"Não vou tolerar divisões"

Após aceitar a renúncia do general Stanley McChrystal do cargo de comandante das tropas Estados Unidos no Afeganistão e substitui-lo por David Petraeus, chefe do Comando Central dos EUA, o presidente americano, Barack Obama, disse em discurso oficial da Casa Branca que não irá tolerar divisões dentro do Exército americano.

"Hoje aceitei a renúncia do general McChrystal como chefe das tropas dos EUA no Afeganistão. Lamento, mas tenho certeza de que é a melhor opção para nosso país. Aproveito para nomear David Petraeus como o novo chefe de nossas tropas", disse Obama.

De acordo com o presidente, a medida é necessária para manter a estratégia americana no país. "Agora é hora de todos se unirem. Não posso tolerar divisões (...), precisamos nos lembrar do que se trata [o conflito], nossa nação está em guerra. Vamos quebrar o poder do Taleban e incentivar o Afeganistão e o Paquistão a fazer o mesmo", acrescentou.

No discurso, o presidente disse ainda que, apesar da decisão "continua a admirar" McChrystal. "Nos últimos 9 anos, com os EUA lutando guerras no Iraque e no Afeganistão, ele ganhou nossa admiração como um dos melhores soldados dos EUA".

No entanto, segundo Obama, os comentários "não deveriam ter sido publicados". "Tenho uma responsabilidade pelos militares que servem nesta missão vital. Devo manter o rigor de um código de conduta, tanto para novos integrantes como para o general que comanda todos".

Anteriormente nesta quarta-feira, McChrystal havia deixado a Casa Branca após reunir-se a portas fechadas com Obama. Ele havia sido convocado com urgência a Washington para reuniões no Pentágono e na Casa Branca, após a publicação de uma entrevista que concedeu à revista "Rolling Stone", na qual fez duras críticas à Obama e a atuação de outros altos funcionários do governo americano.

A última vez que Washington enfrentou um contratempo tão significativo entre um presidente e um comandante durante uma operação de guerra ocorreu quando Harry Truman demitiu o general Douglas MacArthur há mais de 50 anos, em decorrência de críticas na estratégia da guerra da Coreia.

Ontem, Obama havia dito que McChrystal teria cometido um "erro de julgamento" ao fazer as críticas, mas que que desejava conversar com ele antes de tomar uma decisão sobre seu futuro.

Entrevista

No artigo publicado pela "Rolling Stone", o general se mostrou muito crítico em relação ao enviado especial dos EUA para o Afeganistão e Paquistão, Richard Holbrooke, a quem descreve como um "animal ferido", e que teme até mesmo ler os e-mails que recebe dele.

Ele também atacou o embaixador dos EUA em Cabul, Karl Eikenberry, por duvidar da necessidade do envio de mais tropas ao Afeganistão, e o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, James Jones, a quem qualificou de "palhaço".

McChrystal assumiu o comando das tropas no Afeganistão há um ano, substituindo o general David McKiernan, que discordava da estratégia adotada pelo governo americano no país.

Apesar do recente envio de reforços dos EUA, elevando a 150 mil o contingente de soldados estrangeiros, a insurgência do Taleban está no seu momento de maior força desde a queda do regime do grupo radical islâmico, em 2001.

Saiba mais sobre o novo chefe militar dos EUA no front do Afeganistão



 O general David Petraeus em foto de 16 de junho. (Foto: AP)

O general David H. Petraeus, novo comandante das tropas americanas no Afeganistão, nasceu em 7 de novembro de 1952.

Ele foi chefe do Comando Central dos EUA de setembro de 2008 até agora. Antes, chefiou as tropas internacionais no Iraque, entre 2007 e 2008.

Formado na academia militar em 1974, obteve grau de mestre na Universidade Princeton em 1985 e fez doutorado em 1987 na mesma universidade.

É casado com Holly e tem dois filhos.

O militar, de 57 anos, recebeu muitos créditos por retirar o Iraque da beira de uma guerra civil sectária e é considerado por muitos um herói de guerra. Como chefe do Comando central dos EUA desde 2008, Petraeus era comandante de McChrystal supervisionando as problemáticas regiões do Afeganistão, Iraque, Paquistão e Iêmen.

Um queridinho do partido Republicano, Petraeus costuma ser mencionado como possível candidato à Presidência, mas diz que não tem interesse no cargo. Embora já tenha sido filiado ao partido, o militar reforça sua independência e não vota há anos. Mas suspeitas pairam sobre ele na Casa Branca. Os Democratas acham que Petraeus possa ter ambições políticas secretas e possa ser um dia um adversário para eles.

Conhecido como um "guerreiro acadêmico", Petraeus concluiu seu doutorado na Universidade de Princeton, com uma dissertação sobre a Guerra do Vietnã (1959-1975). Ele supervisionou o desenvolvimento do manual de campo de contra insurgência das Forças Armadas dos EUA no Iraque e no Afeganistão, que serve de espinha dorsal para estratégia de guerra no Afeganistão.

Petraeus sobreviveu a problemas físicos. Ele superou com sucesso um tratamento de câncer de próstata no ano passado. Sua pélvis já se quebrou em um acidente de paraquedas e ele também já levou um tiro acidental no peito durante um treinamento.

Ferozmente competitivo e extremamente preocupado com a saúde, o general já foi conhecido por desafiar soldados para competições de flexões. Ainda sim, neste mês ele desmaiou durante uma audiência do Congresso americano. Ele diz que ficou desidratado.


Fontes: FOLHA - G1- Agências

Após críticas, Obama se reúne com comandante dos EUA no Afeganistão

Críticas de Stanley McChrystal a presidente e assessores iniciou crise. Obama o convocou para reunião antes de decidir se o afasta do cargo.

O general McChrystal, em foto de 2009 (Foto: AP)

Com o futuro do comandante das tropas dos Estados Unidos no Afeganistão incerto, o general Stanley McChrystal chegou nesta quarta-feira (23) à Casa Branca para explicar ao presidente Barack Obama as declarações que deu à revista "Rolling Stone" e deram início a uma crise com o governo.

O encontro entre o general e Obama acontece no Salão Oval da Casa Branca, antes da reunião mensal do presidente sobre o conflito no país. McChrystal participa geralmente do encontro por video-conferência.

Antes do presidente, o general se encontrou nesta quarta com o secretário de Defesa, Robert Gates, e com Mike Mullen, comandante do Pentágono.

McChrystal foi convocado a Washington para explicar as declarações dadas à revista contendo críticas diretas a Obama, e a sua equipe de segurança nacional.

Apoio afegão

Oficiais afegãos disseram nesta quarta-feira que a demissão do general americano acabaria com os progressos na guerra e poderia ameaçar a principal operação de segurança atualmente em curso nos territórios de atuação do Talibã, ao sul do Afeganistão.

Ao final de uma hora de videoconferência na noite de terça-feira com Obama, o presidente afegão, Hamid Karzai, expressou sua confiança no chefe das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no país, informou o porta-voz de Karzai.

Enquanto o general era repreendido por seus superiores nos EUA, oficiais afegãos saíram em sua defesa, dizendo que ele aumentou a cooperação entre os afegãos e as tropas internacionais, trabalhou para diminuir as casualidades civis e ganhou a confiança dos afegãos.

"O presidente acredita que estamos em uma ligação muito sensível na parceria, na guerra ao terror e no processo de trazer paz e estabilidade ao Afeganistão, e qualquer buraco neste processo não vai ajudar", disse o porta-voz de Karzai. "Esperamos que não haja mudança na liderança das forças internacionais aqui no Afeganistão e que nós continuemos com a parceria do general McChrystal."

O general McChrystal chega à Casa Branca para reunião com Obama, nesta quarta-feira (23) (Foto: AP)

Ataques a bomba

O caso aparece no mês que está para se tornar um dos mais mortais para as forças estrangeiras na guerra que já dura quase nove anos. O comando militar informou nesta quarta que dois membros do serviço americano morreram nesta terça em ataques a bombas separados no sul do país, aumentando para 69 o número de vítimas das tropas internacionais em junho - 43 deles eram americanos.

O episódio também ocorre no momento em que as forças da Otan e afegãs aumentam a segurança no sul da cidade de Kandahar, o lugar de nascimento do Talibã.

O meio-irmão mais novo de Karzai, Ahmad Wali Karzai, chefe do conselho provincial de Kandahar, deu a McChrystal um toque de apoio, dizendo a repórteres que a liderança do general americano seria sentida com pesar. "Se ele for demitido, irá atrapalhar a operação", disse Ahmad Karzai. "Definitivamente irá afetá-la. Ele começou tudo isso, ele tem uma boa relação com as pessoas. O povo confia nele e nós confiamos nele. Se perdermos essa importante pessoa, não acho que a operação acontecerá de uma forma positiva."

Em Cabul, o porta-voz do ministro da Defesa afegão também falou publicamente em favor do general, que está preparado para colocar seu cargo à disposição, segundo oficiais militares que falaram no anonimato à agência de notícias Associated Press.

Racha

O texto da revista, que cita anonimamente vários assessores de McChyrstal, aponta um racha entre os militares dos EUA e os assessores de Obama, num momento delicado para o Pentágono, que enfrenta críticas à sua estratégia na guerra do Afeganistão.

Segundo a reportagem, membros da equipe de McChrystal fazem piada do vice-presidente Joe Biden, que estaria contra os esforços do general para intensificar o combate à militância islâmica.

Outro assessor chamou o almirante da reserva Jim Jones, assessor de Segurança Nacional de Obama, de "palhaço" que "parou em 1985".

O próprio McChrystal é citado na reportagem como tendo se sentido "traído" pelo vazamento de uma comunicação sigilosa do embaixador dos EUA no Afeganistão, Karl Eikenberry, no ano passado. O telegrama manifestava dúvidas sobre o envio de reforços militares para apoiar um governo afegão sem credibilidade.

Página da revista 'Rolling Stone' com a polêmica reportagem com McChrystal (Foto: Reprodução / AP)


Fontes: G1- Agências

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