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Senado rejeita ouvir Erenice e Dilma

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), considerou o assunto "matéria vencida"
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado rejeitou nesta quarta-feira requerimento convidando a ex-ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra a prestar esclarecimentos sobre o suposto esquema de favorecimento de empresas privadas em negociações com órgãos públicos durante sua gestão na pasta. Com isso, o requerimento que convidava a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) a falar sobre as denúncias foi retirado da pauta pelo autor do primeiro pedido, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).


O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), considerou o assunto "matéria vencida". Ele lembrou que há um inquérito na Polícia Federal sobre as acusações e que a audiência com a ex-ministra "seria uma tentativa de criar um fato político".

A comissão instaurada na Casa Civil para apurar as denúncias teve seus trabalhos prorrogados por mais 20 dias. O prazo inicial terminaria nesta quarta.

O filho da ex-ministra, Israel Guerra, é acusado de usar a influência da mãe para cobrar propina em negociações entre empresas privadas e o governo.

Após as denúncias, Erenice Guerra pediu demissão do cargo. Mais dois funcionários da Casa Civil deixaram o órgão após denúncias de que também estariam envolvidos no suposto tráfico de influência.

Comentário

Sempre há quem facilite a vida daqueles que estão em apuros

Fonte: Terra

Adiar o inadiável

A tática não está dando certo. O governo adiou a conclusão da sindicância sobre Erenice Guerra, nem ouviu a própria Erenice, mas novos indícios surgem. 

A Fazenda tentou embrulhar a quebra do sigilo fiscal de adversários políticos na Receita como crime comum, mas novos indícios surgem. Dilma Rousseff chamou de “fofoca” a queixa judicial de um banco do governo alemão, mas a dúvida continua.

O governo quer deixar para divulgar tudo depois das eleições para evitar marolinhas, mesmo assim está sendo difícil adiar o esclarecimento das graves questões que surgiram durante o processo eleitoral.

Há 60 anos o KfW financia o desenvolvimento brasileiro, é parceiro estratégico. É uma espécie de BNDES alemão, não pode ser tratado como um bancorete que quer fazer “fofoca” no Brasil.

O próprio banco divulgou nota deixando claro que não quer influir na disputa eleitoral brasileira. O que ele tem é uma disputa judicial e financeira. A instituição diz que recebeu a confirmação de que a Eletrobrás poderia ser o avalista de um empréstimo privado que estava sendo concedido. Entre os que garantiam isso estava o homem que é diretor da Eletrobrás e presidente do conselho de administração da Eletrosul, Valter Luiz Cardeal de Souza. Ele foi para o governo federal levado por Dilma Rousseff e foi mantido em seus postos mesmo após ser denunciado por gestão fraudulenta na operação Navalha, em 2007.

O empréstimo dado aos projetos não foram pagos e os projetos não foram feitos. O dinheiro sumiu. E agora? É que o banco quer saber.

A candidata Dilma Rousseff está repetindo nesse caso o mesmo comportamento que teve no caso Erenice: o de desprezar a informação como falsa. Primeiro, ela disse que o caso Erenice era “factóide”. Hoje, gasta energia se esgueirando da pergunta óbvia: como não sabia de nada já que Erenice era seu braço direito? Diante do escândalo do Cardeal, ela usa a palavra “fofoca”. E os fatos estão exigindo uma explicação mais sólida e consistente.

Está na hora de saírem de cena as respostas preparadas pelos marqueteiros. A candidata Dilma Rousseff precisa responder com sinceridade ao povo brasileiro sobre os vários casos que se acumulam. Dilma tem reconhecidas qualidades, mas ao mesmo tempo há sombras assustadoras levantadas em cada um desses casos. As manobras protelatórias, o ato de varrer para debaixo do tapete as dúvidas e indícios, as negativas desqualificadoras do tipo “é factóide” ou “é fofoca” só vão tirar dela credibilidade antes mesmo de ela assumir, caso seja eleita.

Um banco como o KfW não pode ser tratado com esse desprezo pelo que está reclamando. Ele já financiou inúmeros empreendimentos no Brasil nos últimos 60 anos, inclusive as centrais nucleares. Certamente será necessário no futuro. Pode-se provar na Justiça que ele está errado em sua queixa e que nunca alguém do governo brasileiro deu qualquer garantia estatal para empréstimos ao setor privado, mas o que não se pode é fazer pouco de uma ação judicial impetrada pelo banco alemão como fez a candidata Dilma Rousseff.

Ela teria que ser ainda mais cuidadosa porque quem está envolvido no caso é uma pessoa nomeada por ela mesma para cargos no governo Federal. Se o seu critério não funcionou no recrutamento de Erenice Guerra, mais um motivo para que o assunto seja levado a sério, porque Dilma está pedindo aos eleitores que confie o país ao seu comando, por quatro anos.

A “Folha de S.Paulo” publicou que o esquema de tráfico de influências montado pela família de Erenice Guerra no Planalto usava também dois outros órgãos da presidência, a Secretaria de Assuntos Estratégicos e o Gabinete da Segurança Institucional. E que um desses supostos elos é Gabriel Laender, um dos responsáveis pelo Programa Nacional de Banda Larga. Ele foi advogado da Unicel, empresa na qual o marido de Erenice foi diretor. Ou seja: mais uma volta no enrolado novelo da Casa Civil.

O caso da Receita, que antes da hora o órgão tentou dar por encerrado, tem novas suspeitas de que os dados acessados tinham objetivo de serem usados politicamente. A suspeita de uso da máquina pública contra adversários continua pairando sobre a Receita. A conclusão do corregedor do órgão havia sido de que houve compra e venda de informações, mas que não haveria indícios de que as informações foram acessadas para uso político, apesar de as vítimas serem quatro pessoas ligadas diretamente à cúpula do PSDB ou ao candidato José Serra. É preciso ter uma enorme capacidade de abstração para não ver as suspeitas de uso político. Felizmente, a Polícia Federal continua investigando e apareceram agora novos dados e suspeitas.

O importante para a Receita Federal era lutar por sua própria reputação. O órgão, respeitado por sua seriedade, aceitar fazer parte de uma tentativa de acobertamento é assustador.

Ao Jornal Nacional, esta semana, Dilma Rousseff disse o seguinte: “a gente tem que ser muito claro com o eleitor e não tentar enganá-lo. Erros e pessoas que erram acontecem em todos os governos. O que diferencia os governos é a atitude em relação ao erro. Nós investigamos e punimos.”

É. Pois é. Então é preciso não adiar as informações do caso Erenice, não enganar os eleitores no caso da Receita, incluir Erenice na investigação porque até agora ela não foi incluída, não desprezar a queixa judicial feita pelo banco alemão. Em suma: falar claro.


Fonte: Mírima Leitão/ O Globo

Casa Civil prorroga investigação sobre Erenice Guerra

Ex-ministra deixou o cargo após denúncias de tráfico de influência. Filho de Erenice teria promovido lobby no governo em troca de comissões.

A Casa Civil prorrogou por 30 dias os trabalhos da comissão instaurada para investigar o suposto envolvimento da ex-ministra Erenice Guerra em tráfico de influência no órgão. A portaria que prorroga o prazo de investigação foi publicada nesta segunda-feira (18) no "Diário Oficial da União".

Erenice pediu demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 16 de setembro, após ter sido envolvida em denúncias de tráfico de influência na Casa Civil.

Saulo e Israel Guerra, filhos de Erenice, teriam utilizado a influência da mãe na Casa Civil para facilitar a negociação de contratos públicos com empresas privadas. Ambos atuavam na empresa Capital Assessoria e Consultoria.

O prazo aberto para a comissão instalada na Casa Civil concluir a apuração do caso terminou neste domingo (17). Com a prorrogação dos trabalhos por mais um mês, o resultado só será conhecido após o segundo turno das eleições. O resultado dos trabalhos será apresentado ao ministro interino da Casa Civil, Carlos Eduardo Esteves Lima.

Além de Erenice Guerra, os funcionários da Casa Civil Vinicius Castro e Stevan Knezevic também deixaram o órgão após as denúncias de suposto tráfico de influência. A Polícia Federal (PF) também investiga o caso e encaminhou pedido de prorrogação do prazo de investigação à Justiça Federal no Distrito Federal.



Fontes: G1 - TV Globo

Nova denúncia envolve turma de Erenice nos Correios

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, direção indicada por ela aprovou um contrato com uma empresa aérea superfaturado em 2,8 milhões de reais

O presidente dos Correios, David José de Matos, e a diretoria da estatal aprovaram um contrato superfaturado em 2,8 milhões de reais para favorecer uma empresa de carga aérea. A contratação, feita pela nova direção da estatal nomeada pela então ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, manobrou para ressuscitar, em agosto, uma licitação que havia sido cancelada três meses antes pelo comando demitido da estatal. Os documentos que registram a transação foram obtidos pelo jornal O Estado de S.Paulo e estão publicados em sua edição deste domingo.

Os documentos obtidos pelo jornal paulista mostram que a nova diretoria, empossada no dia 2 de agosto, entregou para a Total Linhas Aéreas um contrato de R$ 44,3 milhões. E concluiu o negócio em apenas duas semanas, em meio à crise que derrubou Erenice da Casa Civil da Casa Civil depois das revelações feitas por VEJA de que um esquema de tráfico de influência operava dentro do ministério.

A licitação nos Correios foi assinada pelo presidente Davi de Matos e seus diretores aprovarem no dia 15 de setembro. Um dia depois, Erenice foi forçada pelo Palácio do Planalto a pedir demissão. O contrato foi publicado no Diário Oficial da União de 4 de outubro, um dia depois do primeiro turno da eleições. No período de um ano, a Total vai transportar cargas dos Correios no trecho Fortaleza-Salvador-São Paulo-Belo Horizonte.

Histórico 

A Total havia sido desclassificada da licitação em 2 de junho, quando o pregão para o serviço estipulava o pelo preço máximo de 41,5 milhões de reais. A única empresa a se apresentar foi a Total, mas com uma oferta de 47 milhões de reais, que foi recusada pelos Correios. Como a Total não aceitou baixar o preço, a licitação foi anulada.

Já em agosto, com a ajuda do Coronel Eduardo Artur Rodrigues da Silva, então nomeado diretor de operações e um dos personagens principais na crise dos Correios, a Total conseguiu o contrato por 44,3 milhões de reais.

O artigo 48 da Lei de Licitações determina que sejam desclassificadas "propostas com valor global superior ao limite estabelecido". Já o artigo 40 veda faixas de variação em relação a preços de referência.

O coronel Artur, no entanto, à frente da Diretoria de Operações, recomendou a contratação por um preço 2,8 milhões de reais acima do primeiro valor estipulado. Num relatório de 13 páginas para justificar sua posição, ele afirma que os métodos dos Correios para chegar a uma estimativa "não são absolutamente precisos". "Fato este que permite a homologação excepcional de licitações por valor acima do previamente estimado em decorrência da variação normal de mercado e desde que haja interesse público", diz.

O parecer do ex-diretor foi submetido em 15 de setembro ao comando dos Correios. David José de Matos, amigo e colega de Erenice desde os tempos em que trabalharam na Eletronorte, dirigiu a reunião que aprovou a contratação da Total por 44,3 milhões de reais, vigorando por 12 meses. O contrato foi publicado na semana passada. Na ata estão os nomes dele, do coronel Artur e dos diretores Décio Braga de Oliveira, Ronaldo Takahashi de Araújo, José Osvaldo Fontoura e Nelson Luiz de Freitas.

No dia seguinte à assinatura, Erenice Guerra pediu demissão da chefia da Casa Civil, em meio ao escândalo envolvendo assessores e parentes dentro do governo. O coronel Artur demitiu-se no dia 19 de setembro, depois de vir a público que ele era testa de ferro de um empresário argentino na empresa aérea MTA, que também mantém contratos com os Correios.

Fontes: Veja - O ESTADO DE S PAULO

PF e TCU vão investigar nova suspeita de tráfico de influência na Casa Civil

Para procurador, 'é difícil que cada fato seja apenas uma mera coincidência'. Segundo revista, houve propina na compra de medicamento; governo nega.

Marinus Marsico, procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União/Imagem:Reprodução: TV Globo

A denúncia, segundo a revista, partiu de Marco Antônio Oliveira, tio de Vinícius, e ex-diretor dos Correios, demitido do cargo por Erenice. A declaração de Marco Antônio foi gravada, segundo a “Veja”.

Neste sábado, no Rio de Janeiro, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, negou qualquer irregularidade na aquisição do medicamento e disse que a Casa Civil não teve participação na negociação. Mesmo

A Polícia Federal e o Tribunal de Contas da União vão investigar uma nova denúncia, divulgada pela revista “Veja” deste final de semana, envolvendo parentes e amigos da ex-ministra Erenice Guerra. O procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) disse que vai pedir que as novas denúncias sejam investigadas

“Pela sucessão de indícios, observamos que há realmente tráfico de influência. É difícil que cada fato desses seja apenas uma mera coincidência", afirmou o procurador Marinus Marsico.

Segundo a revista, funcionários da Casa Civil teriam recebido no ano passado propina pelo contrato emergencial de compra do medicamento Tamiflu, usado para combater a gripe H1N1, entre eles, Vinicius de Oliveira Castro, compadre e apontado como sócio do filho da ex-ministra Erenice Guerra.

A denúncia, segundo a revista, partiu de Marco Antônio Oliveira, tio de Vinícius, e ex-diretor dos Correios, demitido do cargo por Erenice. A declaração de Marco Antônio foi gravada, segundo a “Veja”.

Neste sábado, no Rio de Janeiro, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, negou qualquer irregularidade na aquisição do medicamento e disse que a Casa Civil não teve participação na negociação. Mesmo assim, pediu investigação da Policia Federal.


“Todo o processo de aquisição desse medicamento foi realizado diretamente entre o Ministério da Saúde e o único laboratório produtor desse medicamento no mundo. A Casa Civil não teve nenhuma interferência nesse processo, nenhuma participação”, disse.

A oposição não ficou satisfeita com as explicações. Quer que Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, vá ao Senado falar sobre estas e outras denúncias de tráfico de influência contra Erenice Guerra. Alega que Dilma era a ministra na época das denúncias contra Erenice, que ocupava a secretaria executiva da pasta.

"Ela deve explicações, ela tem que explicar. Ela não pode se esconder. Os fatos ocorreram quando a ministra da Casa Civil era Dilma Rousseff. A ela cabe dar explicações", disse o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), vice-líder do partido no Senado.

O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse que a oposição quer tirar proveito eleitoral das denúncias e que o governo vai investigar tudo.


“A população brasileira vai ter oportunidade de saber a verdade sobre isso porque a Polícia Federal vai até o fim sobre essas denúncias. A oposição ao presidente Lula, desde o começo, vem tentando, através da tática da acusação de denúncias sem provas, mudar o quadro eleitoral”, afirmou.

Além da Polícia Federal, a Comissão de Ética Pública da Presidência, o Tribunal de Contas e a Controladoria-Geral da União investigam denúncias de tráfico de influência supostamente praticado por parentes e amigos de Erenice Guerra junto a órgãos públicos. Não há prazo para a conclusão das investigações.


Fontes: G1 - TV Globo

Assessor de Erenice recebeu propina na Casa Civil, diz revista

'Veja' diz que advogado, que já deixou o governo, levou R$ 200 mil em operação de compra de Tamiflu quando Dilma era ministra

BRASÍLIA - Em nova denúncia envolvendo pessoas ligadas à ex-ministra Erenice Guerra, que deixou na quinta-feira a Casa Civil, o advogado Vinícius de Oliveira Castro - também afastado da função - foi apontado neste sábado, 18, pela revista Veja, como beneficiário de uma propina de R$ 200 mil, numa operação de compra, pelo governo, de remédio contra a gripe suína.

O episódio, diz a revista, aconteceu em julho do ano passado, quando Erenice Guerra era ainda secretária-executiva da ministra Dilma Rousseff. Vinícius, parceiro de vários negócios de Israel Guerra, filho de Erenice, surpreendeu-se um dia ao chegar à sua mesa de trabalho e encontrar na gaveta um envelope fechado com o dinheiro. "Caraca! Que dinheiro é esse? Isso aqui é meu mesmo?", perguntou. Um colega explicou: "É a PP do Tamiflu, é a sua cota. Chegou para todo mundo". "PP" é a sigla para os pagamentos oficiais do governo - mas, naquele diálogo, queria dizer propina. Tamiflu é um antiviral que o Ministério da Saúde comprou do Laboratório Roche, para combater a gripe H1N1.

A reação do Planalto à nova denúncia foi imediata. Além de se informar que a Polícia Federal investigará o caso, o ministro da Saúde, José Temporão, teve uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pediu explicações e recomendou que falasse à imprensa. Na entrevista, no Rio, Temporão garantiu que seu ministério tem plena autonomia para compras emergenciais e nada fez de irregular.

"Isso não existe", garantiu. Ele lembrou que o Roche era o único fornecedor do produto, o antiviral fosfato de oseltamivir (o Tamiflu). O governo tinha naquele momento (julho de 2009) um estoque de 9 milhões de doses e comprou mais 14,5 milhões, numa operação emergencial em que foram gastos R$ 34,7 milhões.

Estratégico. 

"O Ministério julgou a quantidade necessária para compor o estoque estratégico por critérios técnicos balizados por parâmetros internacionais", defendeu-se o ministro. Quanto a eventual propina, sustentou que "não há hipótese" de alguém da Casa Civil ter entrado na negociação. "Só há um produtor e tínhamos uma pandemia. Qual seria a necessidade de alguém intermediar?"

Um especialista de compra de produtos de saúde ouvido pelo Estado disse, no entanto, estranhar a estratégia adotada para a compra do antiviral. Segundo ele, o estoque de 9 milhões de doses era suficiente, na época, para atender a 5% da população. Nessas condições, seria mais lógico usar a matéria-prima, mandando processá-la "o mais rapidamente possível, em laboratórios públicos".

O que o governo fez, para o especialista, foi comprar demais, num momento em que a demanda, e também os preços, estavam no pico. Faria mais sentido, em sua avaliação, usar o estoque disponível e reforçá-lo mais tarde, a preços menores. Corre-se o risco, agora - prosseguiu -, de o estoque adquirido em 2006, cuja validade termina em 2016, não ser usado a tempo e o produto ser "jogado ao mar".

Antes da coletiva de Temporão, o Ministério da Saúde divulgou nota negando a denúncia e argumentando que o medicamento foi comprado por preço 76% inferior ao do mercado. O laboratório Roche também negou a intermediação.

A reportagem da Veja afirma, sobre essa intermediação, que Vinícius de Castro, o beneficiário da propina, confidenciou o episódio a pelo menos duas pessoas: seu tio, Marco Antônio de Oliveira, diretor dos Correios, e outro amigo que trabalhava no governo. A revista diz ter depoimentos gravados dos dois confirmando o teor da confissão. Vinícius teria informado que outros três funcionários da Casa Civil teriam recebido os mesmos R$ 200 mil que ele achou na gaveta.

Caso Unicel. 

A denúncia da Veja menciona uma segunda operação que envolve, desta vez, o marido de Erenice Guerra, o engenheiro elétrico José Roberto Camargo Campos. Ele teria sido favorecido dentro do governo, em 2005, quando uma pequena empresa de comunicações da qual era diretor, a Unicel, conseguiu uma concessão da Anatel para operar telefonia celular em São Paulo.

No caso, Camargo convenceu dois amigos, donos da empresa de comunicações, a disputar o mercado da telefonia. A autorização para a Unicel atuar no ramo, mesmo exibindo condições modestas, teria sido uma decisão pessoal do então presidente da Anatel, Elifas Gurgel.

Durante a negociação, segundo a reportagem, técnicos da agência reguladora teriam vetado a autorização, mas Erenice Guerra teria pressionado para que os pareceres fossem revistos. Um técnico que teria mudado seu parecer seria Jarbas Valente, em seguida promovido a conselheiro da Anatel. Valente garantiu, ao Estado, que jamais alterou seu voto, contrário à concessão da outorga. Ele explicou ainda que a redução do valor da licença, de 10% para 1%, obtida pela empresa, deveu-se a uma liminar judicial, e não ao conselho da Anatel.

Comentário

Para onde se olha, acha-se indícios de corrupção e irregularidades na máquina pública federal. Uma vergonha mesmo, mas acima de tudo, uma tragédia nacional. Agora, a imprensa deveria ter ido a fundo nestas questões, desde sempre e não somente agora, em período eleitoral.


Fontes: Lígia Formenti e Andrea Jubé Vianna - O Estado de S.Paulo

Presidência dá aval a empresa ligada a marido de Erenice

A Presidência da República deu atestado único de capacidade técnica à Unicel do Brasil Telecomunicações, empresa que tem como consultor o marido da ex-ministra Erenice Guerra.

Foi a primeira e única vez que a Diretoria de Telecomunicações da Presidência avalizou um serviço experimental, o que causou surpresa às empresas do setor por não ser de praxe órgãos públicos atestarem capacidade baseados somente em testes.

O documento a que a Folha teve acesso é de janeiro de 2007, quando Erenice era secretária-executiva da Casa Civil e a candidata Dilma Rousseff (PT), ministra.

A Unicel brigava na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) por uma licença para implantar serviço de comunicação via rádio, que atenderia as Forças Armadas, a Presidência da República e a Polícia Federal --pedido ainda em análise.

Assinado por um diretor da Presidência, o atestado especifica a capacidade do sistema e diz que ele foi instalado e operado de "maneira satisfatória".

No entanto, não consta o período em que a rede funcionou nem que ela se baseou apenas em teste.
O presidente da Unicel, José Roberto Melo da Silva, disse que documento foi usado em processos na Anatel e no Tribunal de Contas da União.

PADRINHO
 
Silva é amigo do marido de Erenice, José Roberto Camargo Campos, e padrinho de casamento do casal. Campos foi contratado pela Unicel para prestar serviços de implantação de rede.

De acordo com relato de Silva à Folha, o marido de Erenice foi o responsável por instalar, de forma gratuita, equipamentos chineses no Ministério da Defesa e na Presidência, em 2004.

Batizado entre os militares de ''Projeto Contato", o teste contou com autorização da Anatel, mas ainda sem ter licença para implantar comercialmente o serviço.

Ainda em 2004, a Unicel participou de chamamento público na Anatel para interessados em explorar a faixa frequência não usada pelas operadoras de celular.

O elo da empresa com os militares aumentou em 2005, quando o coronel da reserva Elifas Gurgel foi nomeado presidente da Anatel e autorizou a Unicel a explorar comercialmente a frequência, com dispensa de licitação. A medida foi contestada pela área técnica do órgão regulador, favorável à realização de licitação. A Unicel recorreu à Justiça.

A discussão só acabou no ano passado, quando o TCU confirmou o entendimento de que era dispensável a licitação, mas ordenou que a Anatel convocasse todas as empresas que haviam manifestado o interesse em 2004, e não apenas a Unicel.

Segundo a "Veja", Erenice e o marido fizeram pressão na agência para que técnicos revissem pareceres e conselheiros mudassem os votos, e teriam conseguido reduzir em R$ 8,4 milhões o valor da concessão prevista em lei.

Após deixar o comando da Anatel, Elifas Gurgel tornou-se consultor da Unicel. Ele confirmou à Folha que representa a empresa em processos na agência reguladora e que participou de reuniões na Defesa para discussão do projeto testado em 2004.

Caminho inverso fez o advogado da empresa Gustavo Laender, que deixou a Unicel e foi nomeado em janeiro deste ano assessor da Secretaria Executiva da Casa Civil.

Há dois anos, a empresa tornou-se operadora de telefonia celular na Grande São Paulo, com a marca "aeiou". A implantação da rede foi feita pelo marido de Erenice.

OUTRO LADO
 
A Casa Civil confirmou, por meio de sua assessoria, que a Unicel foi a única prestadora de serviços da Presidência a obter, em caráter experimental, atestado de capacidade técnica.

Informou ainda que a Unicel testou gratuitamente um serviço de telefonia móvel em 2004, quando Erenice Guerra auxiliava Dilma Rousseff no Ministério de Minas e Energia. Negou a participação de Erenice no convênio firmado com a empresa e na emissão do atestado.

O presidente da Unicel, José Roberto Melo da Silva, nega ter sido beneficiado: diz que pediu o atestado para disputar licitação nos jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio, mas desistiu.

Segundo Silva, o marido de Erenice, José Roberto Camargo Campos, prestou serviço à Unicel do primeiro trimestre de 2008 a fevereiro de 2009, mas não ocupou cargo. Em 2007, porém, a Casa Civil solicitou ao Itamaraty carta de apresentação de Campos para agilizar vistos de entrada na China e nos EUA, referindo-se a ele como diretor de telecomunicações da Unicel, como revelou a Folha.

Segundo a empresa, Campos, que não foi localizado pela reportagem, foi à China ''como integrante de comitiva de profissionais enviados para visitas a fornecedores, contatos com fabricantes de equipamentos específicos''. 

Em nota, o presidente da empresa afirma conhecer o marido de Erenice desde os anos 90 e o define como um profissional de reconhecida capacidade técnica, que prestou serviços à Unicel em diferentes oportunidades.

Por telefone, Silva disse que Campos foi responsável pelas redes de telefonia móvel testada pelo Ministério da Defesa e pela Presidência e de telefonia celular em SP. Mas, por escrito, afirma que Campos não tem relação com o projeto testado pelos militares ''especificamente''.

Registrada no nome das duas filhas de Silva, há dois anos a empresa foi cindida em duas: a Unicel, responsável apenas pela telefonia celular em SP, e a Banda Larga do Brasil Telecomunicações.


Fonte: FOLHA

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