Mostrando postagens com marcador medicina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador medicina. Mostrar todas as postagens

Cientistas descobrem como transformar células da pele em sangue

Uma equipe de cientistas indicou a possibilidade de se obter uma fonte interminável de sangue a partir de uma técnica, publicada na revista "Nature", que permite transformar diretamente células da pele de adultos em sangue.

Segundo os pesquisadores, antes de partir para os resultados práticos da descoberta, o estudo terá que passar por outras etapas, especialmente para verificar a segurança dessa medida, mas as possibilidades que se abrem são promissoras.


"Vemos muitos caminhos. Estamos pensando especialmente em pacientes com leucemia. Nesses casos, o sistema sanguíneo sofre uma mudança genética (e os pacientes precisam de células sanguíneas que não sofram rejeição)", destacou Mick Bathia, coordenador do grupo que pertence ao Instituto McMaster de Pesquisas sobre Câncer e Células-tronco, da Escola de Medicina Michael G. DeGroote em Hamilton, na província de Ontário, no Canadá.

"Essencialmente revelamos o método que nos permite transformar células da pele de adultos em células sanguíneas, sem que tenham que passar por uma etapa intermediária que são as células-tronco pluripotentes induzidas", disse.

O estudo representa um avanço no tratamento do câncer e de outras doenças: a perspectiva de poder criar sangue para um paciente com sua própria pele permite pensar que algum dia eles não tenham que depender da transfusão sanguínea de bancos de coleta.

Também permitiria que os doentes suportem tratamentos mais longos de quimioterapia, sem as interrupções que atualmente são necessárias para que o corpo possa se regenerar.

"Acreditamos que no futuro poderemos gerar sangue de forma muito mais eficiente", disse Bhatia.


Fonte: FOLHA - Agências

Conselho de Medicina defende testamento vital

Documento registra vontade do paciente sobre a assistência no caso de doença incurável

O Conselho Federal de Medicina (CFM) quer instituir no Brasil o testamento vital, documento que registra a vontade do paciente em relação à assistência médica no caso de uma doença incurável. Por exemplo, a decisão de não receber tratamentos dolorosos, que não trarão mudança significativa do quadro. Para isso, o órgão prepara um amplo fórum sobre o assunto no fim de agosto, de onde pretende retirar uma resolução sobre o tema.


"É um ponto de partida no sentido de amadurecer uma posição nacional", diz Carlos Vital Correa Lima, primeiro-vice-presidente do CFM, que prefere o termo "diretriz antecipada de vontade" para o testamento. "Precisamos de um documento que dê amparo ao médico, que dê orientação", afirma José Eduardo de Siqueira, especialista em Bioética da Universidade Estadual de Londrina e integrante da câmara de terminalidade do CFM. O fórum ocorrerá em São Paulo.

Instituído em 1971 na Califórnia (EUA), no início da década passada na Espanha e prestes a ser aprovado em Portugal, o documento foi utilizado por figuras históricas como a ex-primeira-dama dos EUA, Jaqueline Kennedy, diante do diagnóstico de um linfoma (um tipo de câncer) em estágio avançado.

No Brasil, ninguém é impedido de registrar sua vontade em um cartório em relação à assistência médica no caso de doença sem cura, mas não há legislação que garanta que o médico vá cumprir o desejo do doente. Por isso, o direito é pouco exercido.

Alguns Estados têm legislações específicas sobre o direito a uma morte digna, sem terapias inúteis. Em São Paulo, em 1999, vítima de câncer, o ex-governador Mário Covas promulgou uma lei dos direitos do paciente - ele mesmo, antes de morrer, recusou tecnologias que só prolongassem o sofrimento.

Ética médica. 

Somente em abril deste ano o CFM ratificou em seu novo código de ética médica que os profissionais não devem mais praticar tratamentos desnecessários em doentes terminais, reconhecendo a importância dos cuidados paliativos. Na época, o CFM afirmou que não havia dado tempo de incluir o testamento vital. De acordo com Siqueira, era preciso uma norma específica.

Também ficou de fora a ortotanásia, que permitiria o desligamento de aparelhos, como respiradores artificiais em casos incuráveis, proposta em 2006, mas suspensa por ordem judicial a pedido do Ministério Público.

Segundo Siqueira, será preciso construir resolução sobre o testamento vital que não colida com a legislação nacional. Por exemplo, jamais um paciente poderá registrar que não quer que o alimentem em caso de doença terminal porque isso colide com a lei brasileira, explica.

Também não é descartada a possibilidade de a proposta necessitar de aprovação não só no conselho, mas no Congresso. Atualmente a Câmara Federal avalia projeto que define e autoriza a ortotanásia no País, já aprovado no Senado.

Direito de morrer

Doenças terminais

Em vez de ações "inúteis ou obstinadas", o código de ética dos médicos brasileiros diz que é aconselhada a adoção de cuidados paliativos, que reduzem o sofrimento do doente.

Ortotanásia

A cessação do uso de máquinas, como respiradores artificiais, proposta pelo CFM em 2006, foi vetada no Brasil por força de ordem judicial obtida pelo Ministério Público.

Eutanásia

O uso, pelo médico, de recursos para abreviar a vida de um paciente terminal, como a injeção de uma droga, não é permitido nem defendido pelo conselho.


Fonte: O ESTADO DE S PAULO/Fabiane Leite

Lisa Sanders , a médica do Dr. House

Consultora da série de TV House, Lisa Sanders fala sobre a realidade da medicina por trás da série

Lisa Sanders, a consultora da série House no Waterbury Hospital Health Center/Don Hamerman

O diagnóstico pode ser a etapa mais frustrante de uma consulta médica. Médicos pressionados pelo tempo - que às vezes atendem mais de 20 pessoas por dia - e pacientes com dor e atrás de uma resposta rápida não resultam em finais felizes. É contra essa situação que a médica americana Lisa Sanders luta.

Consultora da série de TV House - que se tornou popular justamente por trazer um médico capaz de identificar qualquer doença - e autora do livro Todo Paciente Tem uma História para Contar (Editora Zahar, 328 pág, 36 reais), Lisa acredita que a conversa entre o médico e o paciente é essencial para o diagnóstico correto. “A maioria das doenças não se parecem com um tiro no braço, elas são invisíveis do lado de fora do corpo. Se você não conversar e ouvir o que o paciente tem a dizer, você nunca vai saber”, afirma.

A médica ainda faz um paralelo da realidade atual da medicina com a série. “House diz que todo mundo mente. A verdade é que todo mundo mente para o House porque os pacientes não possuem um bom relacionamento com ele. Se você não tem uma boa relação com o seu médico, se você não confia nele, será difícil dizer a verdade”. Leia abaixo a entrevista que a professora de medicina clínica da Faculdade de Yale concedeu por telefone à VEJA.com.

Em seu livro Todo Paciente Tem uma História para Contar, você escreveu sobre o fato de poucos médicos se preocuparem para ouvir a história do paciente. Por que isso acontece?

É uma situação complicada. Eu acho que os médicos americanos e os americanos em geral estão apaixonados por tecnologia. Eles acreditam que os exames tecnológicos poderão dar todas as respostas. Mesmo tendo o conhecimento que a tecnologia não substitui a conversa, as pessoas têm a tendência de pensar que o novo é melhor. Além disso, acredito que os médicos não ensinamos aos estudantes de medicina como conversar com seus pacientes.

Só assumimos que isso é uma coisa que deve acontecer, pensando que é só uma simples conversa. As pessoas não valorizam o fato de que a habilidade de conversar pode ajudar a diagnosticar as pessoas. O tempo também é um fator importante. Não temos tempo, ou sentimos que não temos. O período de uma consulta é bastante curto. E vivemos com a pressão dos seguros de saúde para ver mais e mais pacientes. São muitas razões, mas, fundamentalmente, não conseguimos acreditar que conversar é tão importante quanto examinar – quando na verdade, pode ser muito melhor.

Podemos dizer que atender mais de 20 pacientes por dia seria responsável por parte do problema?

Com certeza é parte do problema. Pelo menos nos Estados Unidos, o problema é que a maioria dos médicos não é paga para pensar e sim para fazer. Se você precisa atender um paciente com uma situação complicada, que exige pensamento, mas não cirurgia, você não recebe tanto por isso. Por esse motivo, médicos são “pequenas empresas”. Ou seja, se você é pago por quantidade, os especialistas acabam vendo muitos pacientes. Eu espero que a reforma no sistema de saúde americano mude isso.

Qual a importância de ouvir o paciente? O que pode acontecer se o médico não der o tempo para o paciente falar?

Ele pode não descobrir o problema. Há 100 anos, um médico muito inteligente chamado William Osler já dizia “ouça seu paciente e ele dirá a você o que ele tem”. É extremamente verdade. Se você não escuta, não há como saber. Doenças podem ser consideradas um fenômeno subjetivo. Você não pode saber o que está acontecendo no corpo de uma pessoa se você não perguntar a ela. Porque normalmente, não aparece. Se alguém leva um tiro no braço, o médico com certeza vê isso e não será necessária muita conversa. Mas a maioria das doenças não se parecem com um tiro no braço, elas são invisíveis do lado de fora do corpo. Se você não conversar e ouvir o que o paciente tem a dizer, você nunca vai saber.

Mas por que os médicos costumam interromper o paciente antes que eles terminem de contar o que se passa?

Quando você atende um paciente e você não sabe o que ele tem, há uma certa ansiedade. Em primeiro lugar, o médico quer que as pessoas melhorem. Eles acreditam que é uma tendência do paciente omitir o que está acontecendo e não contar o que eles precisam saber. Por isso, eles sentem que é preciso fazer uma série de questões, pensando que é a forma mais direta e eficiente de encontrar a cura para o problema. Nem sempre é esse o caso, mas os médicos são inclinados a acreditar nisso.

Você acha que as faculdades de medicina ensinam aos estudantes a importância de ouvir o paciente?

Sim, os cursos de medicina se preocupam em ensinar isso. Na escola, eles ensinam a medicina em série e, depois, é necessário aplicar os conhecimentos, treinar e atender pacientes nos hospitais. É durante a prática clínica que eles veem que muitos médicos não conversam ou escutam os doentes. Eles veem o que os outros médicos fazem e assim fazem o mesmo.

Lisa Sanders/Ben Stechschulte

Custa caro não ouvir o que o paciente tem a dizer?

Eu diria que às vezes não faz diferença. Francamente, as pessoas são fortes e saudáveis o suficiente para conseguirem melhorar - independentemente do que o médico fizer. Mas, em outros casos, o diagnóstico correto é muito importante e se você não dá o tratamento, o paciente pode morrer ou ter complicações graves.

Qual é o preço do diagnóstico errado?

Tenho um caso de um paciente que chegou com uma aparência terrível e com o ritmo cardíaco muito baixo ao hospital. Ele foi para a emergência, passou pela UTI, quase fez uma cirurgia para colocar um marcapasso cardíaco e no fim das contas descobriram que era um problema na próstata – ele não precisava de marcapasso. Depois de muitas horas de investigação, perceberam o problema e colocaram um tubo em sua uretra e toda a urina saiu. Assim os rins voltaram a funcionar e ele melhorou. Isso poderia ter sido diagnosticado se os médicos tivessem ouvido o que ele tinha a dizer.

Na verdade, segundo o prontuário, ele deu à enfermeira uma pista do que poderia ser o problema – ele tinha dificuldades para urinar - mas ninguém ouviu ou questionou. O paciente provocou um custo de US$ 50.000 de internação, sendo que o problema dele poderia ter sido diagnosticado e tratado no setor de emergência. Seria muito menos traumático para ele e muito menos caro para o hospital.

No começo da nossa conversa, você falou sobre a preferência dos médicos pela tecnologia. Você acredita que o diagnóstico digital está substituindo o contato entre médico e paciente?

Nós estamos tentando, mas a verdade é que nenhuma tecnologia é melhor do que a conversa entre o médico e o paciente. Se as máquinas fossem melhores, ninguém ficaria infeliz com o fato de estarmos perdendo a capacidade de comunicação. A parte mais importante não é que eles gostem um dos outros, mas que o paciente seja bem cuidado. Se uma máquina pudesse fazer isso, seria ótimo. O problema é que o uso somente de máquinas não é eficiente e não é assim que se consegue o diagnóstico correto.

Falamos muito sobre o papel dos médicos, mas como os pacientes podem ajudar a si mesmos a obter um bom diagnóstico?

Antes de tudo, eles precisam contar a história. Eu digo aos meus pacientes que algum pedaço da sua história pode ser muito importante. Normalmente, você não sabe qual parte é importante e necessária para o seu diagnóstico. Certamente o médico saberá que trecho poderá ser usado para compor a análise. Mas isso não acontecerá se não ouvir até o final. Por isso, os pacientes precisam perceber a importância de contar sua história aos médicos.

Quando o médico interrompe para fazer uma pergunta, acho que o paciente deve responder e dizer “Doutor, eu preciso terminar de contar a minha história”. Ao gravar consultas médicas, foi possível perceber que quase nunca os médicos deixavam os pacientes terminarem suas histórias e a interrupção raramente vinha acompanhada de um pedido para continuar a contar os fatos. Os pacientes precisam acreditar que contar a história é importante.

E o que perguntar?

Quando o médico disser que você tem uma determinada doença, é preciso perguntar “O que mais poderia ser?”. Porque, em geral, os médicos não têm apenas uma resposta para uma série de sintomas. Eles só pegam a mais provável. Na maioria das vezes, o diagnóstico vai estar certo. Mas não em todas as vezes, porque o corpo tem uma grande variação de sintomas e formas de responder às diversas doenças. Ou seja, os seus sintomas não sugerem apenas uma doença. Por isso, os médicos normalmente têm duas ou três idéias sobre qual é o problema. Ao perguntar, você pelo menos sabe o que o seu médico está pensando. E você sabe que ele realmente está pensando.

A senhora acredita que, no futuro, a relação entre os médicos e pacientes se tornará mais humana, menos impessoal?

Deveria. Saúde é extremamente pessoal. Acho que uma boa relação entre médico e paciente não é importante apenas para o diagnóstico, mas para o tratamento em si. Essa relação tem que ser pessoal, nunca impessoal. É a essência de todo o processo.

Você assiste à série House?

Sim. House diz que todo mundo mente. A verdade é que todo mundo mente para o House porque os pacientes não possuem um bom relacionamento com ele. Se você não tem uma boa relação com o seu médico, se você não confia nele, será difícil dizer a verdade. Saber a história do paciente é essencial para entender o que está acontecendo. Então a verdade também é importante para o diagnóstico.

Na série, House não tem o hábito de ouvir o que os pacientes têm a dizer, mas a sua equipe de residentes, sim. Eles discutem muito sobre diagnóstico de um paciente. Isso acontece na vida real?

Você precisa pensar em House e a sua equipe como um só médico. Cada um deles representa um aspecto de um médico: racional, questionador, humanitário e investigador. Se você juntar todas essas partes, você tem um só médico. É como se você tivesse um especialista para conversar, outro para investigar e mais um para pensar sobre o diagnóstico: mas eles são a mesma pessoa.

E os médicos conseguem ser esse conjunto: House e a equipe? Os especialistas da vida real são como o Dr. Gregory House, são gênios que conhecem todas as doenças – até as mais sombrias?

Não existem médicos como o House, que conhecem todas as doenças e cada manifestação de um problema. Mas, sim, existem médicos que sabem mais que outros. Se você perguntar a um médico qual o melhor especialista que ele conhece, ele vai dizer um nome, o melhor que ele tem conhecimento.

Nós todos conhecemos três ou quatro médicos sensacionais, que conhecem quase tudo. Mas mesmo esses médicos não são perfeitos. Por isso, é importante que haja colaboração. Até o médico mais inteligente pode cometer erros. Quando não sabemos o que está acontecendo, a primeira coisa que fazemos é pegar o telefone e ligar para o médico mais inteligente que conhecemos. Para perguntar “o que você acha que poderia ser?”.

Você acha que o House dá uma impressão ruim da profissão?

Não acredito que as pessoas realmente achem que os médicos são como o House. Acredito que o público pensa que só as partes boas do House são verdadeiras. Como, por exemplo, que existem médicos gênios e capazes de saber qualquer coisa. Mas não acho que as pessoas acreditem que é normal um médico ser rude, arrogante e viciado em drogas. Existem médicos arrogantes e viciados em droga, mas as pessoas sabem que isso não é normal e nem o desejável. Acho que quem assiste a série é mais inteligente que isso.

Em sua opinião, por que as séries médicas fazem tanto sucesso?

Porque medicina é incrivelmente interessante. Nós sabemos que não é do jeito que aparece na televisão. As pessoas amam as séries médicas pelo mesmo motivo que eu amo a medicina. Por que você está lá com as pessoas no momento mais importante da vida delas. Eu falo aos meus residentes que para nós, médicos, ir ao hospital é como qualquer outro dia de escritório. Mas para todas as pessoas que estão lá, precisando de atendimento, é o pior dia da vida delas. Então é um privilégio fazer parte disso, além de ser muito interessante estar lá.

Fonte: VEJA/Natalia Cuminale

Quem acorda de madrugada deve tirar cochilo após o almoço

O hábito da sesta já foi confundido com preguiça, mas hoje muitas empresas entendem esta necessidade. Existe uma explicação científica para esse cochilo depois do almoço.

A lua ainda está alta na noite de Goiânia. Às 3h30, a cidade está dormindo. E o motorista de ônibus João Tibúrcio da Silva já está pronto para ir trabalhar. Ele se junta a muitos outros colegas no carro da empresa.

O ônibus recolhe funcionários durante a madrugada, em vários pontos da cidade. O problema é que, para conseguir pegar todo mundo sem atrasar ninguém, o serviço de transporte começa muito cedo.

O motorista de ônibus João Tibúrcio da Silva trabalha na madrugada há 15 anos, mas a sua vida só melhorou, quando a empresa resolveu criar o Espaço Soneca.

Na sala climatizada, escurinha e silenciosa, as camas estão cheias. Os motoristas tentam complementar o sono interrompido durante a madrugada. Aos poucos, eles vão se levantando, mais refeitos para enfrentar o dia puxado que têm pela frente. “Esse pouquinho que a gente dorme aqui ajuda muito”, afirma o motorista de ônibus Fernando Carvalho.

Quarenta minutos depois, Tibúrcio acorda. “Tem um determinado horário no trânsito em que o sono bate. Entre 6h e 8h que é um horário em que você tem que estar muito atento parece que é quando o sono te aperta mais. Então, isso ajudou bastante”, declara.

O dia amanhece e encontra outra turma já de olho nas máquinas. A produção de biscoitos em uma indústria acontece em tempo integral e exige muita atenção.

Maria Criseide e Jordina Ribeiro operam máquinas a partir de 6h e, para isso, levantam bem cedo. Nas duas horas de almoço, primeiro, elas comem no refeitório lotado. Mas a ideia é gastar a maior parte desse tempo livre em um cantinho especial, batizado de Durmódromo. É o espaço preferido da maioria.

O hábito da sesta é herança da cultura européia. A tela “A Sesta” Van Gogh, de 1890, retratou e imortalizou o costume de fazer a digestão em repouso. No Brasil, esse já foi um hábito confundido com preguiça. Mas agora começa a ser resgatado.

A sesta está longe de ser apenas um passatempo. Na verdade, todas as pessoas no Durmódromo estão atendendo a uma exigência do organismo, porque existe uma explicação científica para esse cochilo depois do almoço. Durante a digestão, o sistema digestivo libera algumas substâncias que provocam sono. Além disso, independentemente de ter comido ou não, por volta do meio do dia, a temperatura corporal cai, o que também causa sonolência. E muitas empresas já entendem isso.

Quem alerta o cérebro para a hora do sono é um hormônio chamado melatonina, produzido pela glândula pineal. Durante o dia, a produção de melatonina é suprimida pela luz, seja ela qual for. Já a escuridão da noite libera o hormônio, e o corpo começa a se desligar para o repouso.

“Se o individuo não está deitado dormindo, a partir da madrugada, por exemplo, diversos hormônios não serão mais produzidos de maneira conveniente. Não haverá aquela restauração que o sono produz, e isso pode repercutir na saúde global do individuo“, explica o neurologista Nonato Rodrigues.

Quem não obedece a essa ordem natural, precisa fazer ajustes durante o dia, como a sesta. Não é que esse cochilo de meia hora faz essa turma acordar cheia de energia? “Ajuda bem mais eu estar descansada, recuperada. Então, é bem melhor e bem mais produtivo”, destaca a maquinista Jordina Ribeiro.

A operadora de máquinas Maria Criseide diz que a sesta faz bem para a saúde. Ela leva até lençol para a empresa e usa a bolsa como travesseiro.

O almoxarife Santos Malveste dorme como se estivesse em casa e quase perde a hora. A sesta, na família dele, é herança passada de pai para filho. “Meu pai que era descendente de italiano acabava de almoçar, se enfiava debaixo de um pé de café e já dava aquele cochilo”, revela.

E olha que a sesta nem precisa ser muito longa. “Essa soneca depois do almoço não deve exceder os 15, 20 minutos, meia hora no máximo, porque se torna mais difícil de acordar, e o individuo pode, quando acordar, sentir uma sensação subjetiva de cansaço, até de mau humor. Então, quanto mais curta, ela é melhor”, afirma o neurologista Nonato Rodrigues.

Mas e quando a necessidade de ganhar dinheiro é maior do que a precisão do descanso? É o caso dos motoristas de táxi. Eles vivem um dilema, entre dar uma parada no meio do dia e descansar ou continuar trabalhando, mesmo cansados, por causa das dívidas que têm para pagar. Alguns deles nem pensam duas vezes e preferem dar uma cochilada.

Às 5h, o taxista Rogério Moraes conta que, logo depois do almoço, a sesta é sagrada, mesmo que não tenha conseguido fazer boas corridas. “Eu acho que é muito mais importante a soneca, porque o dinheiro é importante, mas quantas vezes eu vou para casa sem esse dinheiro? Agora, também não vou colocar minha saúde em jogo, eu não consigo fazer isso”, diz. Rogério revela que já cochilou ao volante.

Sob o cenário de cartão postal, o taxista Ronaldo Dutra tira o seu cochilo depois da refeição. “Chega uma hora em que você tem que parar mesmo. Tem uma hora em que você vê duas estradas, você vê duas calçadas. Então, não dá para insistir. É perigoso”, comenta.

“Uma das primeiras coisas que o sono desliga é a atenção. Logo depois, a memória. Então, são duas qualidades fundamentais para quem opera a máquina, qualquer que seja”, aponta o neurologista Nonato Rodrigues.

Essa é uma sabedoria que o almoxarife Santos Malveste se orgulha de ter adotado há muito tempo. “Nos meus 70 anos, eu acho que tenho uns 50 de tirar cochilo depois do almoço”, afirma. Ele aposta que a sesta garantiu a saúde dele e afirma que está inteiro aos 71 anos.

Fonte: G1/ LÍLIA TELES

Especialistas explicam o que pensam e como agem os psicopatas

De acordo com estudiosos do tema, 30% das pessoas são psicopatas. Elas costumam transgredir regras, ser agressivas e de humor inconstante.

Laudo de psicólogos sobre o pedreiro Adimar Jesus da Silva, de 40 anos, feitos antes de o homem ser beneficiado pela progressão de regime e libertado, indicava que ele era agressivo e dava sinais de ser um psicopata. O pedreiro é suspeito das mortes de seis jovens em Luziânia (GO), cidade a 70 km de Brasília, ocorridas depois que ele deixou a prisão. Mas, afinal, o que é um psicopata?


Quando vemos cenas de violência, nosso corpo reage. O coração acelera, a pele transpira, sentimos um frio na barriga. São essas sensações que nos diferenciam dos psicopatas. O cérebro deles não apresenta alterações estruturais, mas funciona de forma diferente. Para o professor de neurologia Benito Damasceno, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é possível dimensionar falhas em uma região do cérebro considerada um marcador corporal da emoção.

“Pode existir uma falha na transmissão química entre os neurônios, uma falha da atividade elétrica dos neurônios. Esse indivíduo tem uma linguagem normal, uma memória normal, raciocínio lógico normal. O problema é que ele viola as normas morais e sociais”, afirma. Os cientistas ainda não descobriram o que causa essa deficiência no funcionamento cerebral.

O ser humano nasce ou não com uma tendência biológica a psicopatia, mas o que define se ela vai se manifestar, e em que grau, é o tipo de criação. A estrutura da nossa personalidade é formada até os 8, 10 anos de idade, principalmente. Nessa fase, a criança precisa se sentir amada, protegida e, acima de tudo, receber limites e aprender a seguir regras.

“Pais que não colocam limites nos filhos, que deixam os filhos fazerem tudo o que querem, que vêem a criança destruindo objetos e não se importam, esses pais estão criando futuros psicopatas”, afirma a psicóloga Maria de Fátima dos Santos. Por 20 anos, a psicóloga trabalhou no sistema prisional e avaliou criminosos que haviam cometido estupros e assassinatos em série.

Segundo ela, 95% deles são psicopatas e a grande maioria sofreu violência na infância. “É porque ele teve lá na infância alguma coisa que o fez se tornar insensível”, diz ela.

De acordo com os especialistas, 30% das pessoas são psicopatas. Gente que transgride regras, costuma ser agressiva, de humor inconstante e tem dificuldade para controlar seus impulsos.

Fontes: G1 - TV Globo

Austrália anuncia "olho biônico" para devolver visão a cegos

O governo da Austrália apresentou nesta terça-feira (30) um protótipo de "olho biônico", cujos responsáveis esperam que seja capaz de devolver a visão a muitos cegos. 

Os responsáveis divulgam o projeto como "o maior marco" desde o desenvolvimento do alfabeto Braille.

A iniciativa, na qual Canberra investiu 42 milhões de dólares australianos (US$ 38,6 milhões), "pode ser um dos avanços médicos mais importantes de nossa geração", afirmou o primeiro-ministro, Kevin Rudd.

"O projeto do olho biônico permitirá à Austrália se manter na vanguarda desta linha de pesquisa e comercialização, e pode devolver a vista a milhares de pessoas no mundo todo", disse Rudd.

Austrália apresentou nesta terça-feira (30) um protótipo de "olho biônico", que terá a capacidade de devolver visão a cegos/SXC

Segundo os cientistas australianos, a invenção se implanta parcialmente no globo ocular e foi projetada especialmente para pacientes que sofrem uma perda de visão degenerativa e hereditária causada por uma condição genética conhecida como retinitis pigmentosa.

Wireless

O "olho biônico" dispõe de uma pequena câmera, montada sobre um par de óculos, que captura imagens e as envia a um processador que pode ser guardado no bolso.

O dispositivo transmite um sinal de forma wireless (sem fio) à unidade dentro da retina, que estimula os neurônios vivos e ainda ativos dentro desta, mandando as imagens ao cérebro.

Os usuários do sistema não voltarão a ter vista perfeita, mas espera-se que sejam capazes de distinguir pontos de luz que o cérebro poderá transformar em imagens.

O pesquisador Anthony Burkitt, diretor da Bionic Vision Australia, que produziu o protótipo, disse que o aparelho poderá mudar as vidas das pessoas.

"Nós antecipamos que este implante na retina vai fornecer a usuários mobilidade e independência, e que futuras versões dele vão por fim permitir que se reconheça faces e ler textos em grande quantidade", disse ele.

O olho biônico está sob testes, para o primeiro implante em humanos em 2013.

Fonte: FOLHA - Agências

Cientistas descobrem como envelhecer e matar células do câncer

Bloqueio de gene causador de tumores desencadeia o envelhecimento das células cancerígenas.

Nova droga já se encontra na primeira fase de experimento clínicoem humanos/Arquivo/AE

Em vez de matar células cancerígenas com drogas tóxicas, os cientistas descobriram um caminho molecular que as força a envelhecer e morrer, informaram nesta quarta-feira, 17.

As células cancerígenas se espalham e crescem porque podem dividir-se indefinidamente. Mas um estudo em ratos mostrou que o bloqueio de um gene causador do câncer chamado Skp2 forçou células cancerígenas a passar por um processo de envelhecimento conhecido como senescência, o mesmo processo envolvido na ação de livrar o corpo de células danificadas pela luz solar.

Se você bloqueia o Skp2 em células cancerígenas, este processo é desencadeado, relatou Pier Paolo Pandolfi da Harvard Medical School, em Boston, e colegas na revista Nature.

E a droga experimental contra o câncer MLN4924, da Takeda Pharmaceutical Co's --já na primeira fase de experimento clínico em humanos-- parece ter o poder de fazer exatamente isso, disse Pandolfi em uma entrevista por telefone.

A descoberta pode significar uma nova estratégia para o combate ao câncer. "O que descobrimos é que se você danifica células, as células têm um mecanismo de adensamento para se colocar fora de ação", disse Pandolfi. "Elas são impedidas irreversivelmente de crescer."

A equipe usou para o estudo ratos geneticamente modificados que desenvolveram uma forma de câncer de próstata. Em alguns deles, os cientistas tornaram inativo o gene Skp2. Quando o rato atingiu seis meses de vida, eles descobriram que os portadores de um gene Skp2 inativo não desenvolveram tumores, ao contrário dos outros ratos da pesquisa.

Quando eles analisaram os tecidos de nódulos linfáticos e da próstata, descobriram que muitas células tinham começado a envelhecer, e também encontraram uma lentidão na divisão de células.

Este não era o caso em ratos com a função normal do Skp2. Eles obtiveram efeito semelhante quando usaram a droga MLN4924 no bloqueio do Skp2 em culturas de laboratório de células de câncer da próstata.

Fonte: O ESTADO - Reuters

Comissão do Parlamento britânico diz que remédio homeopático não funciona

Homeopatia custa aos cofres públicos da Grã-Bretanha R$ 500 mil por ano. Terapia, considerada sem eficácia, foi criada por médico alemão no séc. 18.

O Parlamento da Grã-Bretanha anunciou nesta segunda-feira (22) o resultado da análise de eficácia de remédios homeopáticos.

O relatório da comssão de ciência e tecnologia do parlamento britânico afirma que os remédios homeopáticos são tão eficazes quanto placebo - substância sem ação, geralmente receitada por alguns médicos apenas para criar efeito psicológico nos pacientes.

A comissão concluiu que as explicações científicas para a homeopatia não são convincentes e recomendou que o governo britânico pare imediatamente de oferecer esse tipo de remédio no serviço público de saúde.


A homeopatia custa aos cofres públicos da Grã-Bretanha o equivalente a R$ 500 mil por ano. A quantia pode ser considerado irrisória dentro de um orçamento de R$ 300 bilhões destinados à área da saúde, mas os parlamentares afirmam que não é o dinheiro que está em jogo. O que eles querem é evitar que os doentes busquem a cura com medicamentos sem eficácia comprovada.

O deputado Phil Willis, presidente da comissão de ciência e tecnologia, afirma que nenhum estudo comprovou que as pílulas homeopáticas têm poder medicinal. Segundo ele, a homeopatia nem deve mais ser licenciada pelo departamento do governo que regula a fabricação de remédios. O deputado afirma que os remédios homeopáticos não passam de pílulas de açúcar.

A homeopatia, que foi criada por um médico alemão, no século 18, é a chamada medicina natural. e segundo os médicos homeopatas não tem contraindicação. A homeopatia se propõe a curar com substâncias que normalmente provocam efeitos semelhantes aos das doenças. Por exemplo, o remédio homeopático para insônia contém uma substância extraída do café para ajudar o paciente a dormir.

Medalha comemorativa - O médico alemão Christian Friedrich Samuel Hahnemann fundou a homeopatia (Foto: Ann Ronan Picture Library / Photo12 via AFP)

A doutora Charlote Mendes da Costa, da Associação Britânica de Homeopatia, não entende por que a comissão parlamentar não aceitou como evidência de eficácia dos produtos homeopáticos um estudo científico feito com 6.500 pessoas com diversas doenças. Segundo Charlote, elas se trataram apenas com remédios naturais, e mais de 60% dos pacientes ficaram curados.

A associação afirma que a homeopatia representa economia para o Ministério da Saúde porque custa menos de um décimo do preço de remédios industriais. Mesmo sem o apoio do governo, a associação de homeopatia vai continuar incentivando esse tipo de tratamento.

Fontes: G1 - TV Globo

Médicas de SP inovam ao aderir ao jaleco fashion

Dermatologistas contaram com uma estilista para desenhar a peça. Médico usa conjunto de calça e camisa que dá nome a série de TV.

As dermatologistas Marcella Delcourt e Marjorie Melo se cansaram de olhar torto para o jaleco sem graça de todo dia e decidiram personalizar a peça, que é indispensável em consultórios e hospitais. Para isso, elas trocaram o tradicional modelo unissex por um jaleco confeccionado sob medida e desenhado especialmente para elas por um badalado casal de estilistas de São Paulo.


O jaleco das dermatologistas Marcella Delcourt e Marjorie Melo foi desenhado por um casal de estilistas(Foto: Daigo Oliva)

“A gente queria uma peça mais acinturada e mais feminina também”, conta Marcella, que acabou ganhando uma peça exclusiva e sofisticada. “Eu já tinha visto alguns lugares que vendiam jalecos diferentes, mas nenhum se destacava pela beleza”, acrescenta Marjorie.

O jaleco feito sob medida para as dermatologistas se diferencia pelo formato e quantidade de bolsos e pela faixa na cintura. “Quando nós fomos ver o desfile de nova coleção da estilista, tinha algumas peças muito parecidas com o jaleco. Ele era um piloto”, conta Marcella.

A ginecologista Rosa Neme, também de São Paulo, não teve a ajuda de uma estilista para mudar a cara do jaleco, mas passou a personalizar o modelo por conta própria. A médica relembra que começou trocando uma gola aqui, mexendo nos botões ali, até que chegou a um modelo bem feminino.

A ginecologista Rosa Neme personaliza o próprio jaleco

“Não dá nem para comparar. Ao vestir um modelo bonito, bem desenhado, eu sinto que estou vestindo uma roupa e não um saco de batatas”, brinca a ginecologista, que gosta de se vestir bem no dia-a-dia e leva o hábito para dentro do consultório. “Um jaleco ajustado ao corpo fica bonito, e a pessoa se sente bem, elegante e confortável”, descreve.





A preocupação das médicas com a aparência do jaleco é porque a peça é indispensável durante o atendimento. “A gente lida com secreções e produtos e precisa se proteger”, afirma a ginecologista Rosa.

Preço

Assim como o modelo varia, o preço de um jaleco personalizado não tem limite. O modelo desenhado e confeccionado com exclusividade no ateliê de uma estilista para as dermatologistas Marcella e Marjorie saiu quase dez vezes mais caro que um modelo comum.

A ginecologista Rosa dá a dica para quem quer inovar no consultório: um jaleco “quadradão”, como ela batizou o mais sem graça de todos, custa cerca de R$ 50. Mexer na gola, no comprimento ou nos botões pode sair por uns R$ 25 a R$ 50 a mais. “Personalizar não é tão caro, mas o preço vai depender do tecido também”, diz a ginecologista.

Algodão e microfibra são alguns dos tecidos mais comuns, mas há também modelos em satin, que tem um aspecto brilhante e textura bem lisa.

Mudança de comportamento

A empresária Andréa Fischer trabalha com jalecos e aventais na Medical Fashion há quase oito anos e observa que a procura por modelos personalizados e sofisticados vem crescendo “há mais ou menos um ano ou dois”.

Formada em moda e responsável pelo departamento de criação da grife médica, ela conta que os homens costumam procurar por modelos mais sociais em que os botões fiquem escondidos. “Eles usam por cima do terno, e só uma parte da gravata fica aparecendo”, diz. Já as mulheres prestam mais atenção aos detalhes, como gola e bolsos.

Mas não são apenas os médicos que procuram vestir um jaleco diferenciado. Andrea conta que nutricionistas e dentistas já pediram peças em cores que vão além do branco, bege ou algum tom pastel. “Já fiz avental laranja, pink, azul-royal e até preto”, conta.

Jaleco não, scrubs

Conjunto de calça e camisa conhecido como scrubs deu nome a seriado de TV paga. Na foto, os personagens Donald e Zach

Mas a aversão do dermatologista e cirurgião capilar Arthur Tykocinski não é por causa do modelo ou da cor, mas por causa da “caretice” do jaleco comum. O médico acredita que, se os seu pacientes - a maioria homens bem-sucedidos - se rebelam contra o paletó e a gravata, nada melhor que abolir o jaleco nas consultas do dia-a-dia para “se aproximar do paciente”.

No lugar do jaleco, o cirurgião adotou o scrubs, um tipo de uniforme hospitalar formado por calça e camisa de manga curta. “O scrubs é muito usado por médicos e enfermeiras nos Estados Unidos. É uma roupa simples e muito confortável”, detalha. A vestimenta virou até nome da série médica e cômica, “Scrubs”, que é exibida na TV a cabo.

Faz pouco mais de um ano que Tykocinski adotou a vestimenta em sua clínica, e o jaleco foi esquecido no fundo do armário. “No começo, eu me sentia meio estranho por atender aos pacientes sem o jaleco. Acho que era porque eu estava acostumado a trabalhar com calor e sufocado por causa da camisa, da gravata e do jaleco”, relembra.

Apesar de ser confortável, o scrubs tem uma desvantagem: não adianta enjoar dele porque não tem como mudar o modelo. O conjunto deve ser o mais simples possível, inclusive, para ser jogado fora sem dó, caso fique velho, se rasgue ou sofra qualquer outro dano.

Mas há pelo menos uma vantagem: dá para fugir do branco e do bege porque os scrubs costumam ser de cores fortes, como azul, verde e até rosa.

Instituto do Coração testa nova cirurgia cardíaca

Cerca de 20 pacientes do InCor (Instituto do Coração) já receberam um novo tipo de enxerto para a cirurgia de revascularização do miocárdio. O procedimento é popularmente conhecido como ponte de safena, pois, quando começou a ser feito, nos anos 60, usava a veia safena, localizada na perna.

O problema é que essa veia sofre uma deterioração com o tempo. Agora, pesquisadores da instituição avaliam se a utilização de uma artéria, também localizada na perna, pode trazer resultados melhores do que os obtidos com a safena.

A cirurgia de revascularização do miocárdio trata a obstrução das artérias coronárias e consiste na criação de um desvio para que o sangue flua normalmente. O sangue arterial, porém, flui numa pressão maior do que o venoso, e a safena se desgasta com mais facilidade quando em contato com ele -estima-se que de 20% a 30% das pontes feitas com safena se fechem em dez anos.

A melhor opção de enxerto hoje são as duas artérias mamárias. A vantagem, explica o cirurgião Fabio Gaiotto, do InCor, é que elas sofrem uma remodulação -respondem ao esforço exigido e ajustam sua dilatação ao fluxo de sangue.

A proposta de Gaiotto é checar se a artéria da perna é capaz de passar pela mesma transformação. "Se ela remodelar, teremos três 'mamárias'. A artéria da perna passará a ser um enxerto de primeira escolha", diz.

Segundo ele, o procedimento já vem sendo feito por cirurgiões italianos e é seguro. Ele afirma que a cirurgia não afeta os movimentos da perna e não faz falta à irrigação sanguínea do membro porque serve como um "estepe" para a vascularização da região. "Ela só fará falta se o paciente tiver uma insuficiência arterial periférica."

Gaiotto pretende operar 30 pacientes com o novo enxerto. Após o procedimento, cada um passará por uma tomografia da coronária com uma semana, um mês e três meses. O exame permite avaliar o diâmetro do enxerto, que é, então, comparado ao de uma artéria mamária remodelada.

Até agora, uma das cirurgias não foi bem-sucedida, mas isso não trouxe danos ao paciente. Segundo ele, é normal uma perda de 1% a 5% dos enxertos.



Opção

Atualmente, outros tipos de artéria também são utilizados na revascularização do miocárdio. Uma das principais é a radial, retirada do braço. Porém, ela é curta, e estudos mostram que ela não tem durabilidade superior à de uma veia safena, diz o cirurgião Renato Kalil, diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia e professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

A artéria da perna leva vantagem na extensão. Segundo Gaiotto, um bom comprimento para enxerto é acima de 12 cm. A artéria da coxa tem de 8 a 18 cm, dependendo da altura da pessoa.

"Em geral, consegue-se tratar tudo com as mamárias e a safena", afirma Kalil. "Trata-se de mais uma opção, mas ela não tomará o lugar das outras antes de mostrar que é superior." Para confirmar essa superioridade, diz, é necessário que ela seja usada extensamente e por muito tempo. "Não se prevê um impacto imediato no tratamento."

Gaiotto afirma que o novo enxerto pode ser importante para pacientes para os quais o uso da artéria mamária não é recomendado, como diabéticos, obesos mórbidos e idosos. Isso porque a artéria mamária irriga o osso esterno, que é cortado para a cirurgia e pode infeccionar. "Nos jovens, formam-se desvios e a irrigação sanguínea continua a ser feita. Já nos diabéticos, por exemplo, há uma pobreza capilar e a cicatrização não é tão boa."

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails