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Secretário de Defesa dos EUA chega ao Afeganistão para visita-surpresa

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, chegou nesta quinta-feira ao Afeganistão para uma visita não anunciada.

Secretário Gates, ao desembarcar em Cabul/AP

Gates deve se encontrar com o presidente afegão, Hamid Karzai, e com o general americano, David Petraeus, um dia depois de anunciar o fim dos combates no Iraque.

Gates desembarcou no Afeganistão no momento em que os soldados americanos registram o maior número de mortes em nove anos de guerra contra os militantes do grupo islâmico Taleban.

Chega ainda em meio a denúncias do governo afegão contra um bombardeio das forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que teria matado dez pessoas que participavam de campanhas eleitorais no norte do país. Karzai condenou fortemente o ataque, em um comunicado do palácio presidencial.

A Otan disse que está investigando se o ataque foi de suas forças. Não há tropas estrangeiras estacionadas em Takhar, segundo um mapa da Isaf (www.isaf.nato.int), as forças da Otan no país.

O suposto ataque de quinta-feira ocorreu na Província de Takhar, uma área relativamente pacífica, perto do Tadjiquistão, segundo um porta-voz do governo local. Há ali pouca atividade do Taleban, que se concentra mais no sul e leste do Afeganistão.

O ataque, perpetrado por dois helicópteros e dois aviões, teria deixado ainda o candidato Abdul Wahid e alguns de seus seguidores feridos.

No sudeste do Afeganistão, forças locais e estrangeiras repeliram um ataque a um posto avançado de combate no distrito de Bermel, província de Paktika, perto da fronteira com o Paquistão, matando pelo menos 20 insurgentes em bombardeios, segundo a Isaf.

A violência no Afeganistão está em seu pior nível desde o começo da atual guerra, em 2001 e já ameaça a segurança das eleições parlamentares do próximo dia 18. Nas últimas semanas, quatro candidatos e até 13 cabos eleitorais e simpatizantes foram mortos por supostos insurgentes.

No mês passado, um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) assinalou que o número de vítimas entre os civis subiu mais de 31 por cento no primeiro semestre de 2010, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Mais de três quartos das mortes foram causadas por insurgentes.

O número de vítimas causadas por forças pró-governo caiu drasticamente, segundo o relatório da ONU, principalmente por causa de uma redução nas mortes provocadas por bombardeios aéreos, após uma revisão das regras militares para esses procedimentos.


Fontes: FOLHA - Agências

Casa Branca estuda dialogar com Taleban no Afeganistão, diz jornal

Os EUA teriam imposto condições para qualquer grupo que busque o diálogo, que seriam: fim do elo com a Al Qaeda, fim da violência e aceitação da Constituição afegã.
O governo de Barack Obama revisa sua estratégia no Afeganistão e considera dialogar com líderes da milícia xiita Taleban por meio da mediação de uma terceira parte, uma política que anteriormente havia enfrentado resistência. A informação é do jornal britânico "Guardian".

Negociações com o Taleban são defendidas há um longo tempo pelo presidente afegão, Hamid Karzai, e pelos governos do Paquistão e do Reino Unido, mas rejeitadas pelos EUA.

De acordo com o "Guardian", que cita fontes da Casa Branca que falaram em condição de anonimato, há uma mudança em curso na posição de algumas lideranças em Washington.

Segundo as fontes, acredita-se que a solução para o conflito "não pode ser exclusivamente militar" e que haveria "algo faltando" na política dos EUA, que seria o diálogo com o Taleban.

Uma revisão da estratégia para o Afeganistão está em curso e deve ser finalizada em dezembro. As negociações são confidenciais e envolvem governos de países como o Paquistão e a Arábia Saudita, além de organizações que mantêm vínculos com o Taleban.

A mudança ocorre durante durante a maior cúpula internacional na capital afegã, Cabul, em 40 anos. Representantes de 60 países --entre eles a secretária de Estado americana, Hillary Clinton e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, participam do evento.

O tema central da reunião em Cabul tem sido, até o momento, a "reintegração", que envolveria o contato com insurgentes menos radicais para convencê-los a deixar as armas.

MUDANÇA DE CÚPULA

A revisão também ocorre após a demissão do general Stanley McChrystal, que foi afastado após criticar a administração Obama em uma entrevista para a a revista "Rolling Stone".

No seu lugar, assumiu o general David Petraeus, grande nome da retirada das tropas americanas no Iraque.

Ele assumiu em junho, mês que se tornou o mais violento para as tropas internacionais desde o início da guerra, com 102 mortes, contra pouco mais de 70 em agosto de 2009.

Os Estados Unidos lideraram uma invasão ao Afeganistão para derrubar o Taleban depois dos ataques de 11 de setembro de 2001. Nos últimos dois anos, no entanto, o Taleban tem aumentado a frequência dos ataques, e a pressão por uma estratégia de retirada das tropas vem crescendo.

Recentemente, Obama disse em entrevista ao jornal italiano "Corriere dela Sera" que uma redução gradativa da presença norte-americana no Afeganistão começaria em meados de 2011. "Até o final do próximo ano devemos começar a transição, mas isso não significa que nossa presença irá desaparecer da noite para o dia", disse ele.

ACORDO

Segundo o "Guardian", ainda não há um consenso sobre a forma como o diálogo com a insurgência seria conduzido, nem sobre quem poderia ser indicado para mediar o diálogo.

Um diálogo com o líder do Taleban, Mullah Omar, seria muito improvável, considerando que ele apoiou o líder da rede Al Qaeda, Osama bin Laden, na época dos ataques de 11/9.

De acordo com o jornal, apesar de não haver um consenso, haveria uma tendência a deixar que Karzai liderasse o processo.

Os EUA teriam imposto condições para qualquer grupo que busque o diálogo, que seriam: fim do elo com a Al Qaeda, fim da violência e aceitação da Constituição afegã.

Fontes: FOLHA - Agências

General McChrystal pensa em deixar Exército dos EUA

Comandante das forças americanas no Afeganistão caiu após entrevista à imprensa


President Obama e McChrystal no Salão Oval, em maio de 2009/Pete Souza

O general Stanley McChrystal, que renunciou na semana passada à frente das tropas dos Estados Unidos no Afeganistão, após declarações polêmicas, prevê deixar o Exército, segundo disse nesta segunda-feira (28) o porta-voz das Forças Armadas, Gary Tallman.

Por enquanto a data para a aposentadoria do general ainda não foi fixada, disse Tallman a rede de TV CNN. McChrystal assumiu o cargo de comandante das tropas dos Estados Unidos e Otan no Afeganistão ano passado, recomendado pelo secretário de Defesa, Robert Gates, como alguém que poderia fornecer "uma nova visão" para uma guerra que já dura nove anos.

No entanto, McChrystal foi substituído na última quarta-feira pelo presidente Barack Obama, depois da divulgação de uma reportagem na revista Rolling Stone, em que criticava altos cargos do Governo como o vice-presidente Joseph Biden e o conselheiro de Segurança Nacional, Jim Jones.

Na quarta-feira Obama aceitou a renúncia do general que foi substituído pelo general David Petraeus, comandante do Comando Central dos Estados Unidos, que abrange uma área que se estende desde o leste da África até o Afeganistão, incluindo a responsabilidade de supervisionar as guerras do Irã e Afeganistão.

Obama elogiou o serviço prestado às Forças Armadas por McChrystal, mas lamentou a "falta de critério" do general nas declarações à revista.

Nesta terça-feira (29) o general Petraeus comparecerá perante o Comitê de Serviços Armados do Senado em sua primeira audiência de confirmação do cargo. Segundo uma pesquisa realizada pela CNN, 53 % dos entrevistados consideraram que Obama fez a coisa ao substituir McChrystal.

Fontes: R7- Agências

Afeganistão: A guerra perdida?

João Pereira Coutinho

Tempos houve em que a guerra do Afeganistão era a "guerra boa": os Estados Unidos tinham sido atacados no 11 de setembro. E, excetuando as franjas lunáticas que não contam para a história, o mundo aplaudiu o esforço norte-americano para limpar o Afeganistão de uma quadrilha fanática que oferecia santuário a Osama Bin Laden.

A guerra do Afeganistão, e a tentativa ocidental de tornar o país um espaço mais habitável, era o contraponto à "guerra má" no vizinho Iraque: uma guerra sem sentido nem justificação, motivada pela ganância petrolífera de Washington - ou, em reatualização freudiana, uma forma do filho superar o pai.

Essa distinção entre "guerra boa" e "guerra má" começou a ser diluída pelo tempo. Hoje, ninguém chora Saddam Hussein e, contra todas as expectativas, o Iraque conseguiu um mínimo de ordem e segurança, ainda que esse mínimo, sempre precário, tenha determinado a destruição da estrutura política sunita do país, ou seja, a emergência do Irã como ator principal no palco do Oriente Médio.

Mas se existem motivos de tímido alívio no Iraque, a "guerra boa" do Afeganistão corre o risco de se tornar na guerra perdida. Ou, mais propriamente, na guerra abandonada. Porque existem sinais de que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha estão dispostos a esse "harakiri".

Barack Obama, no mais insensato discurso do seu mandato, já avisou que julho de 2011 será a data da despedida. Não sou especialista militar, mas qualquer pessoa racional formula a questão funesta que o "Sunday Telegraph" coloca no editorial de ontem: e se até julho de 2011 o Taleban conceder uma "ilusão de estabilidade" para atacar depois? Não será o estabelecimento de datas, sem qualquer concessão ou referência à situação real no terreno, uma rendição estratégica perante o inimigo?

David Cameron, premiê britânico, diz que não. E embora seja mais generoso do que Obama, Cameron repete a posição oficial do G8 para estabelecer um ultimato: cinco anos, máximo, eis o tempo que o presidente afegão Hamid Karzai tem para colocar a casa em ordem.

O ultimato é interessante por dois motivos, ambos lamentáveis.

Primeiro, porque sinaliza a vontade irreprimível da Otan em deixar o Afeganistão a qualquer preço, uma disposição que não anima as tropas e só fortalece os inimigos.

Mas, sobretudo, porque coloca Karzai com uma bomba nas mãos: um convite para lutar o Taleban; e, em caso de falhanço nos próximos cinco anos, a certeza de que será devorado por ele quando as tropas da Otan abandonarem Cabul. Será esse o melhor incentivo para que o governo afegão possa ser implacável com a insurgência?

O 11 de setembro, contrariamente ao que foi dito ou escrito, não significou o início de uma nova era. Significou, pelo contrário, o fim de um longo ciclo de recuos ocidentais face aos inimigos islamitas - um ciclo que começou com a chegada do aiatolá Khomeini ao poder em 1979 e que se foi multiplicando, em renovados atos de terror, em Mogadíscio, Cabul, Nairói. E finalmente Nova York.

Retirar do Afeganistão, entregando o país aos seus antigos carniceiros, não será apenas mais um derrota do Ocidente e uma traição indesculpável aos dois mil homens que lutaram no terreno e não regressaram mais.

Será a certeza de que a guerra que não se venceu no Oriente Médio acabará, cedo ou tarde, por nos visitar dentro de casa.


João Pereira Coutinho, 33 anos, é colunista da Folha. Reuniu seus artigos para o Brasil no livro "Avenida Paulista" (Record). Escreve quinzenalmente, às segundas-feiras, para a Folha.com.


Fonte: FOLHA

General apoia retirada do Afeganistão em 2011

Em entrevista à TV, David Petraeus mostra-se de acordo com plano de Obama e frustra republicanos, que defendiam intensificação do conflito

O general David Petraeus disse ontem à CNN que apoia o cronograma do presidente dos EUA, Barack Obama, de começar a retirar os soldados dos EUA do Afeganistão a partir de julho de 2011. A questão é motivo de controvérsia entre o líder americano e seus críticos republicanos no Congresso, que acreditavam que o general se oporia à retirada e pediria mais tropas.

Petraeus foi indicado por Obama para substituir o general Stanley McChrystal no posto de principal comandante das forças dos EUA e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão. McChrystal foi destituído do cargo por causa de reportagem publicada pela revista Rolling Stone em que ele ridiculariza integrantes do governo e o próprio presidente dos EUA.

Na entrevista à CNN - suas primeiras declarações públicas após sua indicação como substituto de McChrystal -, o general Petraeus expressou seu respeito e apreço pelo trabalho de seu antecessor, afirmando que as circunstâncias que causaram a mudança de comando eram "tristes".

Apoio a Obama. "Apoio a política do presidente e também darei os melhores conselhos militares que puder ao conduzirmos nossas análises", disse Petraeus. "É um privilégio servir ao país. Obviamente, é uma missão muito importante."

Segundo fontes do Pentágono, a decisão de trocar McChrystal por Petraeus foi resultado de um duro debate entre Obama e dois de seus principais subordinados: o secretário de Defesa, Robert Gates, e o almirante Mike Mullen, chefe das Forças Armadas.

Obama queria a demissão de McChrystal, enquanto Gates defendia a permanência do general, argumentando que ele era vital para o esforço de guerra americano no Afeganistão.

De acordo com militares ligados a Petraeus, o general pretende rever algumas estratégias no Afeganistão, incluindo as regras de combate. Sob o comando de McChrystal, essas regras eram mais duras e restritas para evitar vítimas civis.

Confirmação. 

Diversas fontes militares, tanto da Otan quanto dos EUA, disseram ontem que esperam agora a demissão de muitos subordinados de McChrystal que também foram citados na reportagem da Rolling Stone. Isso deve ocorrer assim que Petraeus for confirmado no cargo.

Para ser oficializado como novo comandante dos EUA e da Otan no Afeganistão, o general Petraeus deve passar por uma sabatina no Comitê de Serviços Armados do Senado. A audiência está marcada para terça-feira.

Fontes: O ESTADO DE S PAULO - Agências

Após crise, Obama troca comando de tropas dos EUA no Afeganistão

General McChrystal sai após dar declarações contra membros do governo. Ele será substituído por David Petraeus, ex-chefe dos EUA no Iraque.

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou nesta quarta-feira (23) a troca do comando militar no Afeganistão.

O general Stanley McChrystal, que renunciou, será substituído pelo general David Petraeus, chefe do Comando Central dos EUA e ex-comandante das tropas americanas no Iraque.

A demissão ocorre depois da polêmica provocada por declarações do militar e de seus assessores à revista "Rolling Stone", em que eles criticavam vários integrantes da administração Obama.

Em declaração na Casa Branca, Obama disse que a saída não ocorre por discordâncias em relação à política americana no país invadido nem por conta de "insultos pessoais", mas porque McChrystal quebrou o código militar de conduta com suas declarações.

Obama anuncia Petraeus nesta quarta-feira (23) em pronunciamento na Casa Branca. (Foto: AP)

O democrata disse que apoia debates entre seus assessores, mas não vai tolerar divisões. Eleacrescentou que a substituição do General McChrystal representa uma mudança de pessoal, e não de política.

Obama também reafirmou a confiança em que a ação americana e dos países aliados no país vai derrotar o Talibã e a rede terrorista da al-Qaeda.

A guerra no Afeganistão foi iniciada pelo governo Bush em 2001, após o 11 de Setembro, e é bastante contestada nos EUA. Obama afirmou que se tratou de uma decisão difícil e agradeceu a McChrystal pelo trabalho feito no front afegão.

Mais cedo, o presidente havia se reunido com McChrystal na Casa Branca durante cerca de 30 minutos para discutir o caso. Segundo assessores, Obama deixou claro a McChrystal que tinha ficado "furioso" com as declarações.

Karzai

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse respeitar a decisão de Obama, segundo um porta-voz.

"É uma decisão interna do governo americano e, portanto, a respeitamos", declarou Waheed Omar, por telefone. "Seu substituto, o general David Petraeus, é alguém que conhece muito bem o Afeganistão, e a região; é um militar de muita experiência."

Interino

O general britânico Nick Parker assumiu interinamente o comando, até que Petraeus seja oficialmente indicado.

"Não vou tolerar divisões"

Após aceitar a renúncia do general Stanley McChrystal do cargo de comandante das tropas Estados Unidos no Afeganistão e substitui-lo por David Petraeus, chefe do Comando Central dos EUA, o presidente americano, Barack Obama, disse em discurso oficial da Casa Branca que não irá tolerar divisões dentro do Exército americano.

"Hoje aceitei a renúncia do general McChrystal como chefe das tropas dos EUA no Afeganistão. Lamento, mas tenho certeza de que é a melhor opção para nosso país. Aproveito para nomear David Petraeus como o novo chefe de nossas tropas", disse Obama.

De acordo com o presidente, a medida é necessária para manter a estratégia americana no país. "Agora é hora de todos se unirem. Não posso tolerar divisões (...), precisamos nos lembrar do que se trata [o conflito], nossa nação está em guerra. Vamos quebrar o poder do Taleban e incentivar o Afeganistão e o Paquistão a fazer o mesmo", acrescentou.

No discurso, o presidente disse ainda que, apesar da decisão "continua a admirar" McChrystal. "Nos últimos 9 anos, com os EUA lutando guerras no Iraque e no Afeganistão, ele ganhou nossa admiração como um dos melhores soldados dos EUA".

No entanto, segundo Obama, os comentários "não deveriam ter sido publicados". "Tenho uma responsabilidade pelos militares que servem nesta missão vital. Devo manter o rigor de um código de conduta, tanto para novos integrantes como para o general que comanda todos".

Anteriormente nesta quarta-feira, McChrystal havia deixado a Casa Branca após reunir-se a portas fechadas com Obama. Ele havia sido convocado com urgência a Washington para reuniões no Pentágono e na Casa Branca, após a publicação de uma entrevista que concedeu à revista "Rolling Stone", na qual fez duras críticas à Obama e a atuação de outros altos funcionários do governo americano.

A última vez que Washington enfrentou um contratempo tão significativo entre um presidente e um comandante durante uma operação de guerra ocorreu quando Harry Truman demitiu o general Douglas MacArthur há mais de 50 anos, em decorrência de críticas na estratégia da guerra da Coreia.

Ontem, Obama havia dito que McChrystal teria cometido um "erro de julgamento" ao fazer as críticas, mas que que desejava conversar com ele antes de tomar uma decisão sobre seu futuro.

Entrevista

No artigo publicado pela "Rolling Stone", o general se mostrou muito crítico em relação ao enviado especial dos EUA para o Afeganistão e Paquistão, Richard Holbrooke, a quem descreve como um "animal ferido", e que teme até mesmo ler os e-mails que recebe dele.

Ele também atacou o embaixador dos EUA em Cabul, Karl Eikenberry, por duvidar da necessidade do envio de mais tropas ao Afeganistão, e o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, James Jones, a quem qualificou de "palhaço".

McChrystal assumiu o comando das tropas no Afeganistão há um ano, substituindo o general David McKiernan, que discordava da estratégia adotada pelo governo americano no país.

Apesar do recente envio de reforços dos EUA, elevando a 150 mil o contingente de soldados estrangeiros, a insurgência do Taleban está no seu momento de maior força desde a queda do regime do grupo radical islâmico, em 2001.

Saiba mais sobre o novo chefe militar dos EUA no front do Afeganistão



 O general David Petraeus em foto de 16 de junho. (Foto: AP)

O general David H. Petraeus, novo comandante das tropas americanas no Afeganistão, nasceu em 7 de novembro de 1952.

Ele foi chefe do Comando Central dos EUA de setembro de 2008 até agora. Antes, chefiou as tropas internacionais no Iraque, entre 2007 e 2008.

Formado na academia militar em 1974, obteve grau de mestre na Universidade Princeton em 1985 e fez doutorado em 1987 na mesma universidade.

É casado com Holly e tem dois filhos.

O militar, de 57 anos, recebeu muitos créditos por retirar o Iraque da beira de uma guerra civil sectária e é considerado por muitos um herói de guerra. Como chefe do Comando central dos EUA desde 2008, Petraeus era comandante de McChrystal supervisionando as problemáticas regiões do Afeganistão, Iraque, Paquistão e Iêmen.

Um queridinho do partido Republicano, Petraeus costuma ser mencionado como possível candidato à Presidência, mas diz que não tem interesse no cargo. Embora já tenha sido filiado ao partido, o militar reforça sua independência e não vota há anos. Mas suspeitas pairam sobre ele na Casa Branca. Os Democratas acham que Petraeus possa ter ambições políticas secretas e possa ser um dia um adversário para eles.

Conhecido como um "guerreiro acadêmico", Petraeus concluiu seu doutorado na Universidade de Princeton, com uma dissertação sobre a Guerra do Vietnã (1959-1975). Ele supervisionou o desenvolvimento do manual de campo de contra insurgência das Forças Armadas dos EUA no Iraque e no Afeganistão, que serve de espinha dorsal para estratégia de guerra no Afeganistão.

Petraeus sobreviveu a problemas físicos. Ele superou com sucesso um tratamento de câncer de próstata no ano passado. Sua pélvis já se quebrou em um acidente de paraquedas e ele também já levou um tiro acidental no peito durante um treinamento.

Ferozmente competitivo e extremamente preocupado com a saúde, o general já foi conhecido por desafiar soldados para competições de flexões. Ainda sim, neste mês ele desmaiou durante uma audiência do Congresso americano. Ele diz que ficou desidratado.


Fontes: FOLHA - G1- Agências

Após críticas, Obama se reúne com comandante dos EUA no Afeganistão

Críticas de Stanley McChrystal a presidente e assessores iniciou crise. Obama o convocou para reunião antes de decidir se o afasta do cargo.

O general McChrystal, em foto de 2009 (Foto: AP)

Com o futuro do comandante das tropas dos Estados Unidos no Afeganistão incerto, o general Stanley McChrystal chegou nesta quarta-feira (23) à Casa Branca para explicar ao presidente Barack Obama as declarações que deu à revista "Rolling Stone" e deram início a uma crise com o governo.

O encontro entre o general e Obama acontece no Salão Oval da Casa Branca, antes da reunião mensal do presidente sobre o conflito no país. McChrystal participa geralmente do encontro por video-conferência.

Antes do presidente, o general se encontrou nesta quarta com o secretário de Defesa, Robert Gates, e com Mike Mullen, comandante do Pentágono.

McChrystal foi convocado a Washington para explicar as declarações dadas à revista contendo críticas diretas a Obama, e a sua equipe de segurança nacional.

Apoio afegão

Oficiais afegãos disseram nesta quarta-feira que a demissão do general americano acabaria com os progressos na guerra e poderia ameaçar a principal operação de segurança atualmente em curso nos territórios de atuação do Talibã, ao sul do Afeganistão.

Ao final de uma hora de videoconferência na noite de terça-feira com Obama, o presidente afegão, Hamid Karzai, expressou sua confiança no chefe das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no país, informou o porta-voz de Karzai.

Enquanto o general era repreendido por seus superiores nos EUA, oficiais afegãos saíram em sua defesa, dizendo que ele aumentou a cooperação entre os afegãos e as tropas internacionais, trabalhou para diminuir as casualidades civis e ganhou a confiança dos afegãos.

"O presidente acredita que estamos em uma ligação muito sensível na parceria, na guerra ao terror e no processo de trazer paz e estabilidade ao Afeganistão, e qualquer buraco neste processo não vai ajudar", disse o porta-voz de Karzai. "Esperamos que não haja mudança na liderança das forças internacionais aqui no Afeganistão e que nós continuemos com a parceria do general McChrystal."

O general McChrystal chega à Casa Branca para reunião com Obama, nesta quarta-feira (23) (Foto: AP)

Ataques a bomba

O caso aparece no mês que está para se tornar um dos mais mortais para as forças estrangeiras na guerra que já dura quase nove anos. O comando militar informou nesta quarta que dois membros do serviço americano morreram nesta terça em ataques a bombas separados no sul do país, aumentando para 69 o número de vítimas das tropas internacionais em junho - 43 deles eram americanos.

O episódio também ocorre no momento em que as forças da Otan e afegãs aumentam a segurança no sul da cidade de Kandahar, o lugar de nascimento do Talibã.

O meio-irmão mais novo de Karzai, Ahmad Wali Karzai, chefe do conselho provincial de Kandahar, deu a McChrystal um toque de apoio, dizendo a repórteres que a liderança do general americano seria sentida com pesar. "Se ele for demitido, irá atrapalhar a operação", disse Ahmad Karzai. "Definitivamente irá afetá-la. Ele começou tudo isso, ele tem uma boa relação com as pessoas. O povo confia nele e nós confiamos nele. Se perdermos essa importante pessoa, não acho que a operação acontecerá de uma forma positiva."

Em Cabul, o porta-voz do ministro da Defesa afegão também falou publicamente em favor do general, que está preparado para colocar seu cargo à disposição, segundo oficiais militares que falaram no anonimato à agência de notícias Associated Press.

Racha

O texto da revista, que cita anonimamente vários assessores de McChyrstal, aponta um racha entre os militares dos EUA e os assessores de Obama, num momento delicado para o Pentágono, que enfrenta críticas à sua estratégia na guerra do Afeganistão.

Segundo a reportagem, membros da equipe de McChrystal fazem piada do vice-presidente Joe Biden, que estaria contra os esforços do general para intensificar o combate à militância islâmica.

Outro assessor chamou o almirante da reserva Jim Jones, assessor de Segurança Nacional de Obama, de "palhaço" que "parou em 1985".

O próprio McChrystal é citado na reportagem como tendo se sentido "traído" pelo vazamento de uma comunicação sigilosa do embaixador dos EUA no Afeganistão, Karl Eikenberry, no ano passado. O telegrama manifestava dúvidas sobre o envio de reforços militares para apoiar um governo afegão sem credibilidade.

Página da revista 'Rolling Stone' com a polêmica reportagem com McChrystal (Foto: Reprodução / AP)


Fontes: G1- Agências

Austrália deve encerrar missão no Afeganistão em três anos

Medida é anunciada após soldados serem mortos no país

A Austrália deve encerrar sua missão no Afeganistão e retirar suas tropas do país em três anos, anunciou nesta quarta-feira (23) o ministro da Defesa, John Faulkner.

Faulkner explicou que as forças australianas terminarão de treinar o Exército afegão entre 2012 e 2014, e a partir daí os soldados ficarão outros doze meses no país para supervisionar os efetivos locais.

- Em algum momento dentro deste período veremos uma transição da missão de treino a um papel de reconhecimento, e obviamente isso significa que teremos uma redução no número de tropas australianas no Afeganistão - explicou.

O ministro revelou a retirada parcial depois que cinco soldados australianos morreram este mês no país da Ásia Central, três em um acidente de helicóptero e outros dois pela explosão de uma bomba.

O ministro também confirmou que a Austrália assumirá em agosto o comando das equipes de reconstrução na província de Uruzgan, quando recuarem os soldados da Holanda.

Cerca de 1.550 soldados australianos se encontram desdobrados desde 2002 no Afeganistão, onde participam de operações de combate e formação do Exército afegão dentro da Força Internacional de Assistência para a Segurança e sob comando da Otan. Seu contingente é o maior fora dos membros da Aliança Atlântica.

Fontes: R7 - Efe

Após críticas públicas, Obama convoca chefe militar dos EUA no Afeganistão

General tem apoio da OTAN, mas suas idéias não estão sendo levadas em conta pelos EUA

Após críticas diretas ao presidente dos EUA, Barack Obama, o general McChrystal foi convocado a Washington para dar explicações sobre entrevista/Carolyn Kaster/AP

O chefe das tropas dos Estados Unidos no Afeganistão, o general Stanley McChrystal foi chamado a Washington para dar explicações sobre seus comentários polêmicos em entrevista à revista americana "Rolling Stone".

Mesmo após o pedido público de desculpas pelas opiniões expressas na reportagem, McChrystal deverá conversar com o presidente dos EUA, Barack Obama, e a cúpula do Pentágono nesta quarta-feira (23), durante a reunião mensal da administração sobre as guerras no Afeganistão e no Paquistão.

O perfil de McChrystal publicado na "Rolling Stone" diz que o general é "incapaz" de convencer seus próprios soldados de que a estratégia americana pode levar os EUA a vencerem a guerra no Afeganistão e que ele teria saído "desapontado" de uma primeira reunião com Obama.

A revista diz que apesar de o general ter votado em Obama, os dois não conseguiram "entrar em sintonia" desde o início da administração.

O presidente americano já havia repreendido McChrystal no passado por falar muito agressivamente sobre a necessidade de enviar mais tropas ao Afeganistão.

"Aquela época foi muito dolorosa para mim. Eu estava defendendo uma posição indefensável", disse o general no artigo.

Mais cedo, em Cabul, McChrystal pediu desculpas pelos argumentos defendidos durante a entrevista. "Eu peço minhas mais sinceras desculpas pelo perfil. Foi um erro e um julgamento inadequado que nunca deveria ter acontecido", disse.

Otan apoia general

A Otan (Organização do Tratado para o Atlântico Norte) considerou "bastante infeliz" uma matéria no qual o chefe das operações no Afeganistão, general Stanley McChrystal, e seus auxiliares criticam o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mas reiterou sua "plena confiança" no militar americano.

Comandante dos EUA e da Otan no Afeganistão, McChrystal falou à revista Rolling Stone/Denis Sinyakov/Reuters

A edição americana da revista "Rolling Stone" sairá na sexta-feira com uma matéria elaborada durante semanas de viagens com McChrystal e seus auxiliares mais diretos. Todos eles fazem críticas a Obama, ao vice-presidente americano, Joe Biden; ao enviado especial dos EUA para o Afeganistão e Paquistão, Richard Holbrooke; e outros altos funcionários.

"A matéria da 'Rolling Stone' é bastante infeliz, mas é apenas uma matéria", declarou o porta-voz da Otan, James Appathurai, em comunicado.

"Estamos em meio de um conflito muito real, e o secretário-geral tem plena confiança no general McChrystal e em sua estratégia", acrescentou.


Fontes: FOLHA - Agências

EUA financiam grupos armados afegãos de forma indireta, diz Câmara

Financiamentos causam causam furor em Washington

Os Estados Unidos pagam indiretamente dezenas de milhões de dólares a grupos armados afegãos e talvez até ao Taleban, em troca de proteção aos comboios que levam mantimentos a tropas norte-americanas no país, segundo investigadores ligados à Câmara dos Deputados dos EUA.

A prática do Pentágono de terceirizar o deslocamento de bens no Afeganistão, deixando as próprias empresas encarregadas da sua segurança, libera tropas para o combate à insurgência.

Mas os "efeitos colaterais" dessa atitude podem prejudicar o combate à corrupção e o fortalecimento das instituições, segundo o relatório, a ser examinado numa audiência parlamentar na terça-feira.


"Este arranjo tem alimentado um vasto esquema de proteção mantido por uma rede obscura de senhores da guerra, homens fortes, comandantes, autoridades afegãs corruptas e talvez outros", disse em nota o deputado democrata John Tierney, presidente de uma subcomissão de segurança nacional da Câmara.

O relatório, preparado por assessores democratas da subcomissão, diz que os pagamentos em troca de proteção representam "uma fonte potencialmente significativa de financiamento para o Taleban". O texto cita vários documentos, incidentes e emails que mencionam tentativas de extorsões do Taleban.

Contrato

O contrato, conhecido pela sigla HNT (de "Transporte por Caminhões na Nação Anfitriã", na sigla em inglês), e envolve uma cifra de 2,16 bilhões de dólares e abrange 70% do transporte de combustível, alimentos, munições e outros itens para as tropas dos EUA. A investigação começou em novembro de 2009.

Segundo o relatório, as empresas de transporte e suas subcontratadas "pagam dezenas de milhões de dólares anualmente a senhores da guerra locais em todo o Afeganistão, em troca de "proteção" para os comboios de abastecimento do HNT que apoiam tropas dos EUA".


"Os contratados do HNT frequentemente se referiam a tais pagamentos como 'extorsão', 'subornos', 'segurança especial' e/ou 'pagamentos por proteção'", acrescenta o documento.

Os investigadores disseram que várias empresas já se queixaram ao Pentágono, mas que não houve providências adequadas.

O relatório sugere que o Departamento de Defesa acompanhe mais de perto o transporte das suas cargas e assuma a responsabilidade direta pelas ações das empresas contratadas.

O texto recomenda também uma avaliação detalhada dos efeitos secundários do contrato HNT, inclusive a respeito da corrupção gerada e do impacto sobre a política afegã.

Comentário

Este arranjo incentiva aos senhores da guerra, a manuntenção do conflito para que a fonte de dinheiro não cesse. No mínimo, um arranjo muito burro, um tiro no próprio pé.


Fonte: FOLHA - Reuters

Morre o 300º soldado britânico no Afeganistão; premiê avalia sacrifício

O premiê britânico David Cameron disse que os soldados do Reino Unido só deixarão o país quando os afegãos puderem se defender sozinhos

Soldados britânicos atuam em operação na Província de Helmand, no Afeganistão (arquivo)/Barry Lloyd/Reuters

O número de mortos entre as tropas britânicas no Afeganistão atingiu a marca dos 300 depois que um soldado morreu neste mês durante um ataque, informou o ministério da Defesa do Reino Unido nesta segunda-feira. Segurança do país vem a "custo alto", disse o premiê britânico, David Cameron.

O soldado do 40º Comando dos Fuzileiros Reais morreu no hospital New Queen Elizabeth, em Birmingham, neste domingo. Ele tinha sido ferido durante uma explosão no distrito de Sangin, na Província de Helmand, no sul do Afeganistão, no dia 12 de junho.

"Sua coragem e sacrifício não serão esquecidos. Vamos lembrar dele", disse o porta-voz do Exército, o major Renny Bulmer.

O Reino Unido tem 9.500 tropas no Afeganistão, o segundo maior contingente no país, mas ainda pequeno com relação às 100 mil tropas dos Estados Unidos.

Após nove anos na guerra, o crescente número de mortos vem diminuindo o apoio da opinião pública britânica à missão do país na "Guerra ao Terrorismo".

Alto preço e sacrifícios

O premiê britânico David Cameron disse que os soldados do Reino Unido só deixarão o país quando os afegãos puderem se defender sozinhos, em alusão à ameaça dos militantes do Taleban.

"Estamos pagando um preço alto para manter nosso país seguro, para fazer do mundo um lugar seguro", disse.

O premiê disse ainda que as tropas britânicas estão no Afeganistão porque "os afegãos ainda não estão prontos para manter o próprio país seguro e mater os terroristas e campos de treinamento de terroristas fora de seu país".

Ainda tentando justificar a permanência na missão militar, Cameron indicou que "assim que eles [os afegãos] tiverem condições de manter a segurança de seu próprio país" o Reino Unido poderá terminar as operações militares na região.

A imprensa britânica deu destaque ao assunto, em meio à crescente desaprovação da população em relação à presença das tropas no Afeganistão.

O jornal "The Guardian" citou o premiê britânico defendendo o sacrifício necessário para manter a segurança do Reino Unido.

"É claro, a 300ª morte não é mais nem menos trágica do que as 299 que ocorreram antes. Mas é um momento para o país inteiro refletir sobre o serviço, sacrifício e dedicação que as forças armadas estão dando em nosso nome".

O secretário de Defesa britânico, Liam Fox, reconheceu a reprovação da opinião pública frente às mortes, mas defendeu o envolvimento do Reino Unido.

"Nossas forças armadas são as melhores do mundo, operando diariamente sob as condições mais perigosas e exigentes. Alguns fizeram o sacrifício extremo para garantir o sucesso da missão essencial", disse Fox ao "Guardian".

Governo australiano confirma morte de três soldados

O governo da Austrália confirmou hoje a morte de três soldados do contingente que tem desdobrado no Afeganistão em um incidente no qual houve mais vítimas, segundo um comunicado de imprensa.

O chefe do serviço Aéreo de Defesa, Angus Houston, disse em uma nota de imprensa que o próprio ministro da Defesa, John Faulkner, dará mais detalhes sobre o ocorrido "em breve".

Por sua parte, a Isaf (Força de Assistência para a Segurança) informou hoje que quatro soldados morreram na queda de um helicóptero no sul do país.


Fontes: FOLHA - Reuters

EUA descobrem R$ 1,8 trilhão em reservas minerais no Afeganistão

Imensas riquezas minerais são descobertas

Os Estados Unidos descobriram quase US$ 1 trilhão (cerca de R$ 1,8 trilhão) em reservas minerais inexploradas no Afeganistão, bem longe de quaisquer reservas já conhecidas e grandes o suficiente para mudar a economia e até o destino da guerra nesse país da Ásia, segundo autoridades de alto escalão do governo americano ouvidas pelo jornal "The New York Times".

O valor das reservas descobertas é gigantesco se comparado à atual economia afegã destroçada pela guerra, altamente dependente da produção de ópio e do tráfico de narcóticos, bem como de ajuda dos EUA e de outros países, diz o jornal. O produto interno bruto atual do Afeganistão é de apenas cerca de US$ 12 bilhões (R$ 21,6 bilhões).

As reservas minerais descobertas estão espalhadas pelo país, incluindo nas regiões sul e leste ao longo da fronteira com o Paquistão, onde ocorreram a maior parte dos piores combates contra a insurgência taleban.

A descoberta envolve depósitos tão grandes de ferro, cobre, cobalto, ouro e metais fundamentais para a indústria, como o lítio, que poderiam transformar o Afeganistão em um dos principais centros de mineração do mundo, afirmaram as autoridades dos EUA ao "NYT".

Segundo um documento interno do Pentágono, por exemplo, o Afeganistão poderia se tornar a "Arábia Saudita do lítio", um material extremamente importante para a fabricação de baterias para laptops e celulares, segundo o jornal.

Wikipedia

Indústria de mineração

A descoberta foi fruto do trabalho de uma pequena equipe de oficiais do Pentágono e geólogos americanos, e o governo afegão teria sido recentemente comunicado superficialmente sobre o assunto, segundo as autoridades ouvidas pelo "NYT".

Ainda que possa levar anos para que uma indústria de mineração se desenvolva no país, o potencial é tão bom que autoridades e executivos da área acreditam que poderia atrair grandes investimentos mesmo antes de as minas se tornarem rentáveis, gerando empregos após gerações de guerra, informa o jornal.

Virtualmente com nenhuma indústria ou infraestrutura de mineração em operação atualmente, levaria décadas para o Afeganistão conseguir explorar esse potencial completamente.

"Há um potencial formidável aqui", disse o general David H. Petraeus, chefe do Comando Central dos EUA, em entrevista neste sábado. "Há vários 'se', claro, mas eu acho que potencialmente é enormemente significativo."

Uma força-tarefa do Pentágono já começou a tentar ajudar o governo afegão a estabelecer um sistema para lidar com o desenvolvimento da mineração.

Empresas internacionais de contabilidade com experiência em contratos de mineração foram contratadas para prestar consultoria junto ao Ministério de Minas do Afeganistão, informa o jornal americano. Informações técnicas estão sendo preparadas para serem entregues a multinacionais de mineração e outros potenciais investidores.

Efeitos colaterais

As autoridades dos EUA e Afeganistão concordaram em discutir a descoberta em meio a um difícil momento da guerra no país asiático. A ofensiva liderada pelos americanos no sul do país conseguiu apenas resultados limitados e acusações contra o presidente Hamid Karzai tiram a credibilidade do governo.

Os EUA, no entanto, reconhecem que a novidade pode ser uma "faca de dois gumes": pode levar o Taleban a lutar ainda mais intensamente para conquistar o comando e pode aumentar a corrupção no país, segundo o "NYT".

Fonbte: FOLHA - THE NEW YORK TIMES

Príncipe Charles visita tropas britânicas no Afeganistão

Herdeiro do trono reuniu-se com comandantes do Reino Unido e dos EUA. Front afegão tem cerca de 10 mil soldados britânicos.

O herdeiro do trono britânico, príncipe Charles, fez nesta quinta-feira (25) sua primeira visita às tropas britânicas na linha de frente no Afeganistão, e agradeceu aos soldados que avançaram fundo em território controlado pelo movimento fundamentalista do Talibã.

Durante sua visita de dois dias ao Afeganistão, Charles se reuniu com os comandantes americanos e britânicos da Força Internacional de Assistência à Segurança, liderada pela Otan, e visitou um projeto de renovação na cidade velha de Cabul, administrado por uma organização beneficente que ele patrocina.

O prínciple Charles deixa barraca no campo Pimon, das tropas britânicas na província afegã de Helmand, nesta quinta-feira (25). (Foto: Reuters)

Falando com jornalistas em uma base militar na província de Helmand, Charles, cujo filho mais jovem, o príncipe Harry, combateu no Afeganistão como oficial do Exército britânico, disse: "Admiro profundamente as forças armadas e apoio o trabalho delas de todas as maneiras possíveis."

"Eu quis vir aqui e dizer obrigado, vocês estão de parabéns."

Charles visitou o distrito de Nad Ali, na província de Helmand, onde, no mês passado, forças britânicas e marines dos EUA participaram da maior ofensiva na guerra, que já dura oito anos.

"Assistimos a uma redução muito acentuada na violência, ao ponto de estarmos recebendo alguns sinais de talibans que querem se render", disse ao príncipe o oficial comandante da área, o major Ian Lindsay-German, da Guarda Escocesa.

A Grã-Bretanha tem cerca de 10 mil soldados no Afeganistão -- o segundo maior contingente depois dos Estados Unidos, que está aumentando seu contingente para 100 mil este ano, sob uma estratégia de escalada ordenada pelo presidente Barack Obama.

Fontes: Reuters - G1

Obama chega ao Afeganistão em visita surpresa

É a primeira visita do presidente americano ao país como chefe de Estado; ele se reuniu com Hamid Karzai

Obama discursando às tropas/Reprodução CNN

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou neste domingo, 28, ao Afeganistão em uma visita não anunciada para se reunir com o presidente afegão, Hamid Karzai.

Segundo a Casa Branca, Obama chegou às 19h25 (11h55, Brasília) à Base Aérea de Bagram, onde foi recebido pelo general Stanley McChrystal, chefe das forças internacionais no Afeganistão, e pelo embaixador americano Karl Eikenberry. De lá, foi de helicóptero diretamente para Cabul.

É a primeira visita de Obama ao Afeganistão como presidente dos Estados Unidos, a sua segunda como comandante-em-chefe das Forças Armadas a uma zona de guerra. No ano passado, o líder fez uma viagem, também surpresa, ao Iraque.

Obama, que ficará no Afeganistão apenas por algumas horas, viaja acompanhado de alguns assessores, como o conselheiro de Segurança Nacional, o general James Jones, e seu principal auxiliar político, David Axelrod.

Como antecipou o general Jones a bordo do avião presidencial, Obama encorajará Karzai a alcançar os objetivos que não conseguiu durante o primeiro mandato. Ambos conversarão, entre outros temas, sobre o processo de reintegração e reconciliação.

Jones explicou que o objetivo é "fazê-lo entender" que em seu segundo mandato houve certas coisas que não receberam a devida atenção. Concretamente, fez referência à necessidade de um sistema baseado nos méritos para a nomeação de funcionários importantes no Governo e de lutar contra a corrupção e os traficantes de drogas.

A viagem, mantida em segredo por razões de segurança, acontece dois dias depois de o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, enviar uma mensagem ameaçando assassinar reféns americanos. Acredita-se que o terrorista esteja escondido na fronteira entre Afeganistão e Paquistão.

Segundo a Casa Branca, o presidente queria fazer a viagem há muito tempo, mas as condições meteorológicas e outros obstáculos logísticos não tinham permitido. É a segunda vez que Obama visita o Afeganistão. A primeira foi em 2008, na época como senador e candidato a presidente, com uma delegação do Congresso americano.

Desde que chegou ao Governo, Obama centrou o foco de sua política externa no Afeganistão, com objetivo de acabar com a insurgência taleban após oito anos de guerra. Em dezembro, ordenou o envio de mais 30 mil soldados.

Obama elogia progressos no Afeganistão, mas diz que EUA querem mais

Os Estados Unidos estão entusiasmados com os progressos do governo afegão, mas esperam ver mais melhorias, especialmente no combate às drogas e à corrupção, afirmou o presidente Barack Obama neste domingo (28) em visita ao país.

"O povo americano se encontra encorajado pelo progresso que foi feito", afirmou Obama a Karzai diante da imprensa após uma reunião a portas fechadas.

Presidente dos EUA Barack Obama cumprimenta membros de suas tropas na base aerea de Bagram, no Afeganistão, durante visita surpresa realizada neste domingo (28). (Foto: Charles Dharapak/AP)

Contudo, ele pressionou Karzai para que "continue a fazer progressos junto aos civis, em termos de boa governança e, luta contra a corrupção."

Também disse que fez um dramático esforço de voar para o Afeganistão no meio da noite para agradecer às tropas americanas por seus "esforços incríveis e seus tremendos sacrifícios" tão longe de casa.

Karzai, por sua vez, disse que queria agradecer aos contribuintes americanos por sua ajuda para "reconstruir as instituições civis e o governo do Afeganistão".

Presidente Obama caminha ao lado do Presidente afegão Hamid Karzai, após chegar à Cabul, Afeganistão

Na reunião com o presidente Karzai, também ficou acertado que o chefe de Estado afegão viajará a Washington em 12 de maio.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, que viajou com o Obama para o Afeganistão, anunciou a próxima visita de Karzai a Washington no Twitter.

O presidente Barack Obama aterrissou neste domingo no Afeganistão para uma visita surpresa, a primeira desde que assumiu o cargo, e para se reunir com o presidente afegão e as tropas americanas posicionadas nesse país, constatou um fotógrafo da AFP.

A viagem de Obama foi cercada de segredo por razões de segurança. Ele deixou Camp David sem anúncios no sábado e viajou sem escalas no meio da noite a bordo do Air Force One, pousando na base aérea de Bagram, no norte de Cabul.

Ele foi recebido pelo comandante americano, general Stanley McChrystal, e o embaixador americano para o Afeganistão, Karl Eikenberry.

O presidene, que ordenou um reforço de tropas no país em dezembro passado, depois partiu num helicóptero com direção ao palácio presidencial de Cabul.

Mais informações

O presidente dos EUA, Barack Obama, que chegou a Cabul para visita surpresa ao Afeganistão, com o colega Hamid Karzai/Charles Dharapak/AP

Uma autoridade da Casa Branca, falando antes da viagem de Obama, disse que ele pretende obter do general Stanley McChrystal, comandante dos EUA e da Otan, e do embaixador norte-americano, Karl Eikenberry, uma atualização da guerra.

Em dezembro, Obama determinou o envio de um contingente extra de 30 mil soldados ao Afeganistão e estabeleceu o prazo de meados de 2011 para iniciar a retirada das tropas. A elevação do contingente está em andamento.

A vitória doméstica de Obama, ao conseguir a aprovação da reforma de saúde dos Estados Unidos, lhe dá espaço político para voltar sua atenção à guerra no Afeganistão, que tem dividido opiniões nos EUA por conta das baixas, dos custos e da corrupção de líderes afegãos.

Mortes

A visita ocorre no mesmo dia em que pelo menos seis civis morreram e sete ficaram feridos em várias explosões no sul e no oeste do Afeganistão, informou o Ministério do Interior.

Três das vítimas morreram na explosão ontem de uma mina no distrito de Sangin, na província de Helmand (sul), um dos redutos dos talibãs.

Os outros três morreram numa explosão no sábado no distrito de Nawa, também em Helmand, que deixou duas pessoas feridas. Além disso, cinco crianças ficaram feridas após uma explosão, também ontem, na província de Herat (oeste).

Minas e bombas de fabricação caseira são um dos métodos mais utilizados por talibãs para ameaçar as tropas internacionais no Afeganistão, embora costumem atingir mais os civis.

Os talibãs lutam para derrubar o governo afegão, expulsar do país as tropas internacionais e implantar a lei islâmica.

Vídeo Relacionado


Fontes: O ESTADO - FOLHA - G1 - Efe- AFP - Reuters  - CNN

EUA enviarão mais soldados ao norte do Afeganistão

Reforço na região chegará a 2.500 soldados. Mas mais da metade será formada por 'treinadores'.

Os comandantes norte-americanos no Afeganistão planejam o envio de mais 2.500 soldados e treinadores ao norte do país devido às preocupações com a crescente presença do Taliban na região, disseram nesta sexta-feira (19) funcionários da Defesa.

Os reforços fazem parte do incremento de 30 mil efetivos autorizado em dezembro pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

"Estão ficando mais violentos do que eram", disse um funcionário sobre o plano. Os comandantes norte-americanos estão consultando seus colegas alemães e afegãos na região sobre os níveis de forças e detalhes logísticos, acrescentou.

Uma parte importante dos soldados adicionais - mais da metade, segundo estimativas - seria formada por treinadores destinados a ajudar a melhorar o Exército afegão.

O norte do país, visto como pacífico por muito tempo, testemunhou uma crescente violência nos últimos meses, e Washington teme que a chegada de suprimentos para as forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) possa ser interrompida.

Um alto oficial militar norte-americano reconheceu que qualquer envio de tropas ao norte do país poderia complicar a prioritária campanha do sul devido à limitada quantidade de efetivos disponíveis.

Fontes: G1- REUTERS

Rodovia no Afeganistão apresenta cenas de beleza e morte

Acidentes já não assustam em estrada que liga Cabul e Jalalabad. Num único dia, 13 acidentes ocorreram em apenas duas horas.

Dexter Filkins Do New York Times, em Sarobi, Afeganistão

Mesmo num país atormentado pela guerra e bombardeios suicidas, é difícil encontrar algo tão aterrorizante quando a estrada nacional que passa por um desfiladeiro em Cabul.

O trecho de 65 quilômetros, um precipício impressionante de montanhas e abismos entre Cabul e Jalalabad, toma vidas com tanta frequência que a maioria das pessoas parou de contar há muito tempo. Carros viram e se achatam. Caminhões despencam no vale. Ônibus se arriscam e batem.

Vista da estrada que liga Cabul a Jalalabad: trecho é emoldurado por abismos de rochas a mais de 600 metros acima do rio Cabul (Foto: Moises Saman / New York Times)

O caos se desdobra num dos cenários mais encantadores do mundo. O desfiladeiro, em alguns lugares com não mais que poucos metros de largura, é emoldurado por abismos de rochas a mais de 600 metros acima do rio Cabul. A maioria das pessoas morre, e a maioria dos carros bate, enquanto passam por uma das curvas impossíveis que oferecem visões mais incríveis das fissuras e colinas.

De fato, dirigir sobre o desfiladeiro de Cabul é uma experiência especialmente afegã, uma dança complexa envolvendo beleza e morte.

“Fico aqui vendo pessoas batendo o carro o dia todo”, disse Mohammed Nabi, que vende peixe frito numa barraca ao ar livre na beira da rodovia. “O curso da história provou que o povo afegão é valentão. Por isso não dirigimos com segurança”.

Recentemente, num único dia 13 acidentes ocorreram na estrada em apenas duas horas, todos eles catastróficos, quase todos fatais. A garoa constante tornou o dia mais calamitoso que os demais.

Numa cena, uma família ensanguentada chorava por parentes presos num carro amassado. Em outra, um micro-ônibus estava esmagado sob o peso de um caminhão. Em outra cena, o fundo de um desfiladeiro estava cheio de destroços contorcidos de carros.

Mesmo com esses acidentes se espalhando por toda a rodovia, os carros passavam por eles negligentemente. Os táxis e ônibus acenavam e ultrapassavam uns aos outros em velocidades assustadoras, com milímetros separando-os de uma catástrofe sangrenta.

“A luta com o Talibã dura apenas um dia ou dois, mas os acidentes ocorrem todo dia”, disse Juma Gul, dono de uma loja de tecidos em Sarobi, olhando diretamente para a estrada. “É tipo um teatro. Às vezes, um carro voa no ar”.

A fatalidade da rodovia vem da mistura única de geografia, da própria estrada, e da indiferença dos motoristas às leis da física.

Vale de 300 metros

A estrada de duas faixas mal tem espaço suficiente para dois carros passarem. Na faixa de dentro, menos de um metro fora da janela, fica uma parede de pedras sem árvores se erguendo quase perpendicularmente. Um aparador curto protege a faixa exterior – atrás dele, o chão de um vale com 300 metros de profundidade.

Para os motoristas, é claro, isso significa que praticamente não existe margem de erro. Ou eles batem de frente para a parede de pedras, ou caem da beirada, ou os carros colidem.

A única observação de alerta é fornecida por crianças, que moram nas pobres vilas ali perto. Geralmente com 4 ou 5 anos de idade, elas ficam nas beiradas, usando garrafas verdes de refrigerante amassadas como bandeiras, acenando para os motoristas quando o caminho está livre.

Soldado afegão desvia o tráfego após colisão envolvendo três veículos que deixaram pelo menos duas pessoas gravemente feridas (Foto: Moises Saman / New York Times)

Nessas circunstâncias, você imaginaria que os motoristas deveriam agir com cautela, lentamente, se arrastando e esticando o pescoço para se proteger contra o tráfego que vem na próxima curva. Na verdade, era assim durante grande parte da história.

Ao longo dos séculos, inúmeras forças invasoras passaram pelo desfiladeiro ou ali perto a caminho da passagem de Khyber. Entre elas estava um grupo de 17 mil soldados e civis britânicos que foram massacrados quando se retiravam de Cabul no fim da primeira guerra anglo-afegã, em 1842. Dr. William Brydon, que entrou em Jalalabad a cavalo, foi o único europeu sobrevivente.

História

A estrada de Cabul a Jalalabad foi pavimentada pela primeira vez pelo governo alemão em 1960. Na década de 1980 ela foi quase totalmente destruída durante a rebelião contra a invasão soviética. Na década seguinte, quando o Talibã e outros grupos armados lutaram pelo controle do país, a estrada foi bombardeada e ficou cheia de buracos. As crateras eram tão grandes que os táxis desapareciam durante minutos e só ressurgiam quando se esforçavam para sair do outro lado.

Era uma estrada difícil e tinha seus próprios perigos - trechos da estrada muitas vezes desmoronavam -, mas a velocidade não era um deles. Isso mudou em 2006, quando um projeto apoiado pela União Europeia finalmente pavimentou toda a estrada. Agora os afegãos podem finalmente dirigir na velocidade em que quisessem.

E eles querem. Os carros passam zunindo em velocidades assustadoras, muito mais depressa do que o permitido em uma estrada semelhante no Ocidente, se houvesse uma. Como pilotos de corrida, os afegãos disparam pelas curvas mais fechadas, puxando os carros de volta para suas pistas ao primeiro sinal de um desastre iminente. Na maior parte das vezes eles se safam.

O perigo é reforçado por outros fatores. Teoricamente, o governo do Afeganistão exige que os motoristas passem por um teste para obter a carteira de motorista, mas poucas pessoas aqui possuem uma.

Fonte: G1

Sem consenso sobre tropas no Afeganistão, premiê holandês dissolve governo

A missão holandesa no Afeganistão, que começou em 2006, está programada para terminar em agosto


Premiê holandês, Jan Peter Balkenende, apresentará a renúncia de seu governo / Sergei Ilnitsky /Efe

O premiê da Holanda, Jan Peter Balkenende, apresentará neste sábado a renúncia dos ministros e secretários de Estado de sua coalizão de governo depois que, após 15 horas de debate, os dois principais partidos não chegaram a um consenso sobre a retirada das tropas holandesas do Afeganistão, prevista inicialmente para este ano.

Dois dias antes do terceiro ano da coalizão no governo, a disputa sobre o destino dos 2.000 militares holandeses deve levar a novas eleições parlamentares e a retirada das tropas do Afeganistão, mesmo diante do pedido dos Estados Unidos e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) por um esforço renovado na batalha contra o grupo islâmico radical Taleban.

O colapso da coalizão, o quarto do gabinete liderado por Balkenende em oito anos, lança dúvidas ainda sobre a previsão de cortes orçamentários para o próximo ano, enquanto a economia holandesa luta para sair da crise econômica global.


"Eu infelizmente noto que não há mais um caminho frutífero para os Democratas Cristãos, Partido Trabalhista e União Cristã seguirem em frente", disse Balkenende, que lidera a coalizão de centro-direita.

O colapso ocorreu após mais de 15 horas de conversas, que se arrastaram até a manhã deste sábado, e a troca de declarações duras durante toda a semana.

Balkenende queria estender a permanência das tropas holandesas na missão da Otan além do prazo inicial previsto para acabar em agosto deste ano. O vice-premiê, Wouter Bos, do Partido Trabalhista, se opunha.

A Otan pediu a Holanda, que está entre as dez nações que mais contribuem com a missão, que investigue a possibilidade de uma permanência mais longa no Afeganistão.

Eleições

As novas eleições parlamentares podem ser realizadas no meio do ano, mas devem ser seguidas de meses de conversas entre os partidos para conseguir uma nova coalizão governante.

UIm novo acordo entre os partidos deve ser difícil de conseguir, já que as pesquisas de opinião apontam que serão necessários ao menos quatro partidos unidos para formar a maioria do Parlamento de 150 cadeiras.

O legislador da direita Geert Wilders, do Partido da Liberdade, que pediu o fim da missão afegã, pode sair como o grande vencedor das próximas eleições.

As pesquisas de opinião mostram ainda que o Partido da Liberdade, que baseia sua campanha nas críticas ao governo e em políticas contrárias à imigração, pode se tornar o maior ou segundo maior partido no Parlamento.

O Partido Trabalhista, do atual premiê, pode reconquistar parte do apoio eleitoral que precisa com sua posição sobre o Afeganistão, mas não deve ser o suficiente para garantir uma coalizão de esquerda.


"A retirada vai prejudicar a reputação do governo holandês como um parceiro confiável, que está disposto e é capaz de contribuir para importantes missões militares", disse Edwin Bakker, um pesquisador sênior do Instituto Clingendael, em Haia.

Medidas de austeridade

O colapso da coalizão de Balkenende efetivamente anula o acordo existente para adiar as medidas de austeridade econômica até 2011, e poderia levar a cortes mais profundos quando o orçamento do próximo ano for revelado em setembro.

Esta semana, o principal "think tank" do governo aumentou sua previsão de deficit orçamentário de 2010 para 6,1% do PIB (Produto Interno Bruto) e o de 2011 para 4,7%, o que implica que os cortes de gastos seriam necessários ainda neste ano.

Isso poderia prejudicar a economia holandesa, que, segundo dados da semana passada, acaba de entrar em uma recuperação frágil após quatro trimestres consecutivos de crescimento negativo.

A missão holandesa no Afeganistão, que começou em 2006, está programada para terminar em agosto, com a última das tropas saindo em dezembro. A maioria dos militares holandeses está alocada na Província de Uruzgan.

Fonte: FOLHA - Agências

Comandante taleban é capturado no Paquistão

Um dos mais importantes comandantes do grupo islâmico radical Taleban foi capturado no Paquistão em uma incursão secreta. A informação foi divulgada pelo jornal "The New York Times" nesta segunda-feira.

Segundo o jornal, Mullah Abdul Ghani Baradar é o mais importante líder taleban já capturado desde o início da guerra no Afeganistão. Ele ficou sob custódia no Paquistão e foi interrogado pelos serviços de inteligência do país e dos Estados Unidos.

A Casa Branca e a CIA (serviço de inteligência americano), no entanto, não se pronunciaram sobre as informações.

Conforme informações do "The New York Times", os oficiais norte-americanos esperam que a captura possa levá-los a outros líderes da organização.

O Taleban, no entanto, afirma que a informação é apenas um rumor. Segundo um porta-voz, Baradar está ativo no Afeganistão, organizando grupos militares e políticos. "Ele não foi capturado. Eles [os americanos] querem espalhar esse boato para desviar atenções e confundir o público", disse Zabihullah Mujahid.

Ainda de acordo com o jornal, oficiais descreveram Baradar como o segundo líder mais influente do Taleban, e muito próximo a Osama bin Laden antes dos ataques de 11 de Setembro. Segundo as fontes ouvidas, a participação do serviço de espionagem paquistanês na captura do comandante pode sugerir um novo nível de cooperação entre os líderes do país e os dos Estados Unidos.

Fontes: FOLHA - Agências

Especial Afeganistão: Megaofensiva da Otan no Afeganistão entra no segundo dia

Ao menos 27 militantes e dois soldados morreram. Próxima etapa se concentra na revista de casas.

Tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ocuparam a maioria da região de Marjah neste sábado (13), ao final do primeiro dia da megaoperação batizada de Mushtarak (que significa "juntos") das forças internacionais contra os insurgentes talibãs no sul do Afeganistão. Tiroteios foram registrados, e 27 militantes e dois soldados morreram. Sete civis estão feridos.

No segundo dia, a ofensiva se concentra em revistar casas. Alguns bairros concentram tiroteios. "Estamos na maioria da cidade neste momento", disse o porta-voz Josh Diddams dos fuzileiros navais. Segundo ele, a natureza da resistência mudou e os militantes estão lutando em solo em alguns bairros.

A Otan espera em poucos dias tomar o controle total de Marjah, a última cidade sob controle do Talibã e ponto chave do tráfico de ópio.

Militar americano cumpre missão na cidade afegã de Marjah (Foto: Patrick Baz/AFP)

O porta-voz da Casa Branca Tommy Vietor disse que o presidente Barack Obama está acompanhando de perto as operações.

O presidente afegão, Hamid Karzai, pediu às tropas que executassem o trabalho com "extremo cuidado para evitar danos aos civis". Em um comunicado ele também pediu aos insurgentes que usassem a oportunidade para reduzir a violência e se reintegrassem na vida civil. As forças da Otan alertaram os civis para que não saiam de casa, embora não esteja clara a intensidade que o conflito possa assumir.

A Mushtarak é a maior operação desde o começo da guerra no país, em 2001, e o grande teste da nova estratégia da Otan focada na proteção de civis. A ofensiva é também a primeira desde que o presidente Barack Obama ordenou o envio de mais 30 mil soldados americanos ao país.

A Operação Moshtarak

Correspondente da BBC em Helmand, Ian Pannell, explica o que está em jogo no Afeganistão.

"A operação Moshtarak marcará o início do fim da insurgência."

Com estas palavras, o general James Cowan, comandante das Forças britânicas na Província de Helmand, marcou o começo da maior operação militar no Afeganistão desde a derrubada do Talebã em 2001.

Milhares de soldados americanos, britânicos e afegãos, apoiados por dinamarqueses e estonianos, estão agora avançando por terra e ar em partes dos distrito de Nad Ali que há muito estavam nas mãos de insurgentes.

A bandeira do Talebã está hasteada sobre a cidade de Showal, no norte. É a sede do governo paralelo local e será um objetivo chave para as forças britânicas no norte da região, que contam com 4 mil soldados, apoiados por 1.650 militares afegãos.

A sudoeste fica a área de Marjah. Estrategistas militares acreditam que a região sirva de base para uma das maiores concentrações de insurgentes no Afeganistão e é aqui que milhares de soldados americanos estão operando.

Ajudando o povo afegão

"Logo vamos eliminar o Talebã de seus redutos no centro de Helmand. Onde chegamos, ficamos. Onde ficamos, construímos", disse o comandante Cowan.

Ele discursou para centenas de soldados reunidos numa área poeirenta, bem ao lado do local onde uma vigília acabava de ser observada em homenagem aos três últimos soldados britânicos mortos no Afeganistão.

O soldado Dale Vincent tem apenas 21 anos e já está no terceiro tour no Afeganistão. Ele sente saudades da avó que acompanha o noticiário com atenção e está sempre preocupada que Dale esteja em perigo.

Mas ele está confiante de que a Operação Moshtarak será bem-sucedida.

"Estamos ajudando o povo afegão e isso protege nosso território contra terroristas. Todos sabíamos que o Afeganistão seria perigoso antes de virmos, mas esta operação não vai ser mais perigosa que antes, é apenas algo em maior escala", diz ele.

"Casa" é a palavra mais ouvida. O soldado britânico Stephen Courtney tem um filho de dois anos e está noivo com casamento marcado para agosto.

"Eu tento não pensar nos perigos. Mal posso esperar para ir para casa e ver a família e os amigos."

Ameaça de bombas

Também há os mais jovens, os rapazes de 18 anos que não parecem ter idade suficiente sequer para estar longe da família. Rhys James é um deles.

"Tem sido assustador às vezes, mas é aí que o treinamento vem à mente", diz ele.

O que realmente o amedronta é trabalhar à frente dos batalhões, varrendo o caminho com um detector de metais em busca de bombas improvisadas, os dispositivos plantados por militantes que já mataram e amputaram tantos por aqui.

"Fazer a varredura é a parte assustadora. Pode haver uma bomba", diz Rhys.

A doutrina do comandante americano Stanley McChrystal diz que a prioridade é proteger a população e não derrotar o Talebã. Mas é claro que os insurgentes prepararam sua própria resposta à operação amplamente anunciada.

Em um aviso sombrio, o general Cowan alertou suas tropas: "Oferecemos um aperto de mão de amizade àqueles que não quiserem lutar. Aqueles que não apertarem nossas mãos encontrarão um punho fechado e serão derrotados".

Baixas são esperadas e o ministro da Defesa britânico, Bob Ainsworth, alertou à população para esperar derramamento de sangue.

"Este não é de forma alguma um ambiente seguro e não importa quanto equipamento nós ofereçamos a nossos soldados, nunca poderemos eliminar o risco dessas operações", disse ele.

Contendo o Talebã

Esta pode ser a maior operação já feita, mas é improvável que seja a última. Os militantes do Talebã já demonstraram ser capazes de evitar confronto direto, de desaparecer em meio à população sem deixar rastros, para voltar mais tarde quando e como os convier.

Os últimos nove anos viram um declínio contínuo de segurança no Afeganistão; milhares de civis e centenas de soldados das forças internacionais foram mortos e, no mesmo período, o Talebã se reagrupou e se transformou em uma poderosa guerrilha.

A missão no Afeganistão até agora fracassou em acabar com o clima favorável aos insurgentes.

De Londres a Washington, o apoio ao conflito está se dissipando e com eleições no horizonte tanto na Grã-Bretanha como nos Estados Unidos, a situação militar no Afeganistão chegou a uma encruzilhada fundamental.

Houve vitórias importantes em regiões como Garmsir e Nad Ali, mas as forças internacionais fracassaram até agora em controlar áreas suficientes para conter o Talebã. Este é o principal desafio.

Moshtarak significa "juntos" e é a primeira operação em que forças afegãs dividem o peso do combate.

Isso tornará necessário que as forças afegãs preencham o vácuo de segurança e mantenham o Talebã longe. Aí então, os locais devem ser persuadidos a colaborar com o governo.

Esta operação é a maior já realizada neste conflito e também a mais ambiciosa. No fim, ela pretende levar a algo que a maioria dos afegãos jamais conheceu: paz.


Talibã é fruto de vácuo de poder após anos de conflito no Afeganistão

Grupo islâmico radical surgiu em 1994 e tomou Cabul em 1996. Durante seu governo, direitos foram suprimidos, e o país se fechou.

Imagem de 1998 mostra soldados talibãs aguardando para lutar contra milícias opositoras em Bagram (Foto: AFP)

Até os atentados de 11 de Setembro de 2001, quase ninguém tinha ouvido falar nos militantes islâmicos radicais do Talibã, em Osama bin Laden e no papel que eles ocupavam no Afeganistão. A tragédia americana voltou os olhos do mundo para a árida região montanhosa da Ásia central e seus protagonistas, que lutam há séculos pelo controle do país islâmico.

Mas, afinal, quem está por trás do Talibã? Como o grupo surgiu e por onde anda agora, depois da tomada do país pelas tropas americanas em 2001?

Em março deste ano, o presidente Barack Obama afirmou que o combate ao Talibã e à al-Qaeda no Afeganistão e no Paquistão passaria a ser prioridade dos EUA, tirando o foco da luta antiterrorismo do Iraque. Em julho, as tropas lideradas pelos EUA iniciaram uma grande ofensiva contra o movimento na província de Helmand.

Saiba mais sobre os radicais islâmicos que governaram o Afeganistão por cinco anos e que, segundo os norte-americanos, ainda são uma ameaça à segurança do Ocidente.

Histórico

O Talibã surgiu em um momento de lutas internas dentro do país. Voltando um pouco no tempo: o Afeganistão foi unificado em 1747 e foi motivo de briga entre os impérios britânico e russo até sua completa independência, em 1919. Após experimentar a democracia, um golpe em 1973 inaugurou um período de conflitos que dura até hoje no país. Em 1978, um contragolpe comunista estabeleceu a República Democrática do Afeganistão.

De olho no país, a ex-União Soviética invadiu o território no ano seguinte, com 30 mil homens e ajudou os comunistas numa luta ferrenha contra os rebeldes tribais muçulmanos. O número de soviéticos no país chegou a 115 mil, e, nessa época, muitos refugiados foram para o Paquistão e para o Irã.

As guerrilhas rebeldes, conhecidas como Mujahideen (‘santos guerreiros’), não estavam unidas, e de nada adiantava a ajuda em armas e dinheiro enviada pelos EUA aos guerreiros, que estavam concentrados em sua maioria no Paquistão.

Foto de 1997 mostra afegãs cobertas pela burca - que já era um costume na região em épocas anteriores ao Talibã (Foto: Stefan Smith/AFP)

A saída dos soviéticos ocorreu em 1989, mas as diferenças entre os grupos fizeram com que a guerra civil continuasse. Em 1992, os Mujahideen tomaram o poder, e um acordo permitiu a governança até 1994, quando a crise entre as diferentes facções guerreiras explodiu novamente.

Ao mesmo tempo, no sul do Afeganistão, surgiu um outro grupo militante, liderado por Mullah Mohammed Omar e que envolvia aprendizes do Islã sunita que pegavam em armas: o Talibã.

Ele logo conquistou as cidades de Kandahar e Charasiab.

“Após ter conquistado Kandahar, eles entenderam as misturas sociais e étnicas da região e tentaram manipular essas diferenças étnicas para seus ganhos políticos e militares. Eles davam recompensas a quem cooperava e puniam quem ia contra eles. [...] Usavam armas roubadas e ajuda externa militar na formação de seu exército”, escreveu Neamatollah Nojumi no livro "The rise of the Taliban in Afghanistan" (A ascensão do Talibã no Afeganistão, Inédito em português).

Com financiamento paquistanês, eles foram derrotados na primeira tentativa de conquistar Cabul, mas continuaram os bombardeios à cidade, tomando-a por completo em setembro de 1996 e impondo um governo islâmico radical no país.

Apogeu e convivência com a al-Qaeda

Num país assolado por anos seguidos de guerras, a rigidez do Talibã trouxe uma certa calmaria à região. A maioria dos líderes tribais havia sido derrotada, e seus líderes foram enforcados. A população foi desarmada, e as ruas foram desbloqueadas, facilitando o comércio.

O grupo aplicou no país uma interpretação rígida da Sharia, a lei islâmica. Logo as escolas de meninas foram fechadas, e as mulheres foram proibidas de deixar suas casas até para fazer compras. Fontes de entretenimento como música, TV e esportes também foram banidas.

Na esquerda, foto de 1997 mostra uma das estátuas de Buda datadas dos séculos II e V, na província de Bamiyan. Eram os maiores monumentos do tipo, com cerca de 53 metros. Na foto da direita, de 2008, o local aparece sem o Buda, destruído em 2001 por ordem de Mullah Omar (Foto: Jean Claude-Chapon e Shah Marai/AFP)

A aproximação com o líder da rede terrorista da al-Qaeda, Osama bin Laden, não tardou. A princípio um opositor do Talibã, Bin Laden mudou de lado após um encontro com Mullah Mohammed Omar em 1996. Com o apoio de Omar, sua al-Qaeda estava segura para agir no Afeganistão.

“O Talibã teve inigualável sucesso, pois implementou uma teocracia austera e puritana às quais desejavam a al-Qaeda e outro grupos jihadistas. Apesar de só ser reconhecido por três países (Paquistão, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita), o minicalifado sob ordens de Mullah Omar reinou a vontade para realizar seus experimentos entre 1996 e 2001”, escreveu Abdel Bari Atwan no livro "Historia secreta da al-Qaeda".

Queda e dispersão

E o controle do território foi aumentando até que, pouco antes da invasão americana, em 2001, o Talibã controlava 90% do Afeganistão - embora nunca tenha sido reconhecido pela ONU. Aliás, os únicos países que reconheciam o governo eram a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Paquistão.

New York Times: Afeganistão é desafio para a Otan

O fim da administração do Talibã no Afeganistão está vinculado aos atentados de 11 de Setembro de 2001 nos EUA. O presidente americano à época, George W. Bush, revidou com uma invasão ao país que dava abrigo à rede al-Qaeda, responsável pelos ataques. Paquistão e Arábia Saudita se tornaram aliados na luta ao terror, e os talibãs continuaram a sua luta armada, agora na clandestinidade.

A guerra destituiu os radicais e impôs um novo governo ao país. Até hoje, as tropas americanas lutam contra a insurgência que se divide em diferentes grupos opositores - entre eles, o Talibã.

Em outubro de 2007, uma reportagem do jornal "The New York Times" estimou que o grupo tinha 10 mil combatentes, embora apenas 3 mil fossem soldados exclusivos.

O Talibã que hoje luta no Paquistão foi organizado de maneira distinta que o grupo que atuou no Afeganistão, emergindo em 2002 após ataques do Exército a regiões tribais. Hoje, o Paquistão empenha sua máxima força na luta contra os talibãs no vale do Swat.

Fontes: G1 -  BBC / Ian Pannell

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