Obama chega ao Afeganistão em visita surpresa

É a primeira visita do presidente americano ao país como chefe de Estado; ele se reuniu com Hamid Karzai

Obama discursando às tropas/Reprodução CNN

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou neste domingo, 28, ao Afeganistão em uma visita não anunciada para se reunir com o presidente afegão, Hamid Karzai.

Segundo a Casa Branca, Obama chegou às 19h25 (11h55, Brasília) à Base Aérea de Bagram, onde foi recebido pelo general Stanley McChrystal, chefe das forças internacionais no Afeganistão, e pelo embaixador americano Karl Eikenberry. De lá, foi de helicóptero diretamente para Cabul.

É a primeira visita de Obama ao Afeganistão como presidente dos Estados Unidos, a sua segunda como comandante-em-chefe das Forças Armadas a uma zona de guerra. No ano passado, o líder fez uma viagem, também surpresa, ao Iraque.

Obama, que ficará no Afeganistão apenas por algumas horas, viaja acompanhado de alguns assessores, como o conselheiro de Segurança Nacional, o general James Jones, e seu principal auxiliar político, David Axelrod.

Como antecipou o general Jones a bordo do avião presidencial, Obama encorajará Karzai a alcançar os objetivos que não conseguiu durante o primeiro mandato. Ambos conversarão, entre outros temas, sobre o processo de reintegração e reconciliação.

Jones explicou que o objetivo é "fazê-lo entender" que em seu segundo mandato houve certas coisas que não receberam a devida atenção. Concretamente, fez referência à necessidade de um sistema baseado nos méritos para a nomeação de funcionários importantes no Governo e de lutar contra a corrupção e os traficantes de drogas.

A viagem, mantida em segredo por razões de segurança, acontece dois dias depois de o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, enviar uma mensagem ameaçando assassinar reféns americanos. Acredita-se que o terrorista esteja escondido na fronteira entre Afeganistão e Paquistão.

Segundo a Casa Branca, o presidente queria fazer a viagem há muito tempo, mas as condições meteorológicas e outros obstáculos logísticos não tinham permitido. É a segunda vez que Obama visita o Afeganistão. A primeira foi em 2008, na época como senador e candidato a presidente, com uma delegação do Congresso americano.

Desde que chegou ao Governo, Obama centrou o foco de sua política externa no Afeganistão, com objetivo de acabar com a insurgência taleban após oito anos de guerra. Em dezembro, ordenou o envio de mais 30 mil soldados.

Obama elogia progressos no Afeganistão, mas diz que EUA querem mais

Os Estados Unidos estão entusiasmados com os progressos do governo afegão, mas esperam ver mais melhorias, especialmente no combate às drogas e à corrupção, afirmou o presidente Barack Obama neste domingo (28) em visita ao país.

"O povo americano se encontra encorajado pelo progresso que foi feito", afirmou Obama a Karzai diante da imprensa após uma reunião a portas fechadas.

Presidente dos EUA Barack Obama cumprimenta membros de suas tropas na base aerea de Bagram, no Afeganistão, durante visita surpresa realizada neste domingo (28). (Foto: Charles Dharapak/AP)

Contudo, ele pressionou Karzai para que "continue a fazer progressos junto aos civis, em termos de boa governança e, luta contra a corrupção."

Também disse que fez um dramático esforço de voar para o Afeganistão no meio da noite para agradecer às tropas americanas por seus "esforços incríveis e seus tremendos sacrifícios" tão longe de casa.

Karzai, por sua vez, disse que queria agradecer aos contribuintes americanos por sua ajuda para "reconstruir as instituições civis e o governo do Afeganistão".

Presidente Obama caminha ao lado do Presidente afegão Hamid Karzai, após chegar à Cabul, Afeganistão

Na reunião com o presidente Karzai, também ficou acertado que o chefe de Estado afegão viajará a Washington em 12 de maio.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, que viajou com o Obama para o Afeganistão, anunciou a próxima visita de Karzai a Washington no Twitter.

O presidente Barack Obama aterrissou neste domingo no Afeganistão para uma visita surpresa, a primeira desde que assumiu o cargo, e para se reunir com o presidente afegão e as tropas americanas posicionadas nesse país, constatou um fotógrafo da AFP.

A viagem de Obama foi cercada de segredo por razões de segurança. Ele deixou Camp David sem anúncios no sábado e viajou sem escalas no meio da noite a bordo do Air Force One, pousando na base aérea de Bagram, no norte de Cabul.

Ele foi recebido pelo comandante americano, general Stanley McChrystal, e o embaixador americano para o Afeganistão, Karl Eikenberry.

O presidene, que ordenou um reforço de tropas no país em dezembro passado, depois partiu num helicóptero com direção ao palácio presidencial de Cabul.

Mais informações

O presidente dos EUA, Barack Obama, que chegou a Cabul para visita surpresa ao Afeganistão, com o colega Hamid Karzai/Charles Dharapak/AP

Uma autoridade da Casa Branca, falando antes da viagem de Obama, disse que ele pretende obter do general Stanley McChrystal, comandante dos EUA e da Otan, e do embaixador norte-americano, Karl Eikenberry, uma atualização da guerra.

Em dezembro, Obama determinou o envio de um contingente extra de 30 mil soldados ao Afeganistão e estabeleceu o prazo de meados de 2011 para iniciar a retirada das tropas. A elevação do contingente está em andamento.

A vitória doméstica de Obama, ao conseguir a aprovação da reforma de saúde dos Estados Unidos, lhe dá espaço político para voltar sua atenção à guerra no Afeganistão, que tem dividido opiniões nos EUA por conta das baixas, dos custos e da corrupção de líderes afegãos.

Mortes

A visita ocorre no mesmo dia em que pelo menos seis civis morreram e sete ficaram feridos em várias explosões no sul e no oeste do Afeganistão, informou o Ministério do Interior.

Três das vítimas morreram na explosão ontem de uma mina no distrito de Sangin, na província de Helmand (sul), um dos redutos dos talibãs.

Os outros três morreram numa explosão no sábado no distrito de Nawa, também em Helmand, que deixou duas pessoas feridas. Além disso, cinco crianças ficaram feridas após uma explosão, também ontem, na província de Herat (oeste).

Minas e bombas de fabricação caseira são um dos métodos mais utilizados por talibãs para ameaçar as tropas internacionais no Afeganistão, embora costumem atingir mais os civis.

Os talibãs lutam para derrubar o governo afegão, expulsar do país as tropas internacionais e implantar a lei islâmica.

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Fontes: O ESTADO - FOLHA - G1 - Efe- AFP - Reuters  - CNN

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