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Mulher do Nobel da Paz é detida em Pequim

Liu Xia estava incomunicável desde a noite de sexta-feira, quando disse à AFP que policiais estavam em sua casa

A esposa do ativista chinês Lu Xiaobo, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2010, está detida em sua casa, declarou a porta-voz de uma organização de direitos humanos americana. "Lu Xia está, neste momento, sob prisão domiciliar em seu apartamento de Pequim", informou Beth Schwanke, conselheira legislativa do grupo Freedom Now.

Horas antes, uma outra ONG anunciou que Lu Xia tinha visitado o marido na prisão para contar que ele havia sido laureado com o Nobel. Citando a sogra de Xiaobo, o Centro de Informação dos Direitos Humanos e Democracia afirmou em um comunicado que o casal encontrou-se na tarde deste domingo, no horário local.

Liu Xia estava incomunicável desde a noite de sexta-feira, quando disse à AFP que policiais estavam em sua casa e explicaram que a levariam à província de Liaoning (nordeste), onde seu marido está preso, para que pudesse vê-lo.

 O dissidente chinês Liu Xiaobo e sua esposa, Liu Xia (STR/AFP)

O ativista 

Liu Xiaobo foi laureado como o Prêmio Nobel da Paz 2010, na última sexta-feira, "por seus esforços continuados e não violentos em prol dos direitos humanos na China", segundo o Comitê Nobel norueguês.

O dissidente, de 54 anos, cumpre uma pena de 11 anos em regime fechado por ter sido um dos autores da Carta 08, exigindo a democratização da China. Ele foi condenado por "subversão do poder do Estado".

Fonte: Veja - Agências

China prende dissidentes após Nobel da Paz para Liu Xiaobo

A dissidência chinesa celebrava neste sábado a atribuição do Nobel da Paz a Liu Xiaobo, mas agora teme uma nova onda de repressão após a detenção de militantes poucas horas depois do anúncio do prêmio.

A polícia prendeu dezenas de dissidentes em várias cidades, incluindo Pequim, Xangai e Jinan. De acordo com um advogado e uma organização de defesa dos direitos humanos, os partidários de Liu Xiaobo comemoravam sua premiação na noite de sexta-feira.

"Houve gente detida pela polícia durante a noite. Eles não querem que a gente se reúna ou celebre", declarou Teng Biao, advogado de militantes dos direitos humanos.


"É um verdadeiro quebra-cabeças para o governo, pois não querem que as pessoas saibam" que Xiaobo ganhou o prêmio Nobel da Paz, indicou.

A organização Defensores dos Direitos Humanos na China, com sede em Hong Kong, também denunciou as prisões. "Enquanto alguns se reuniam em pequenos grupos para comemorar este importante acontecimentos, dezenas de partidários de Liu foram detidos", afirmou a organização em comunicado.

O jornal oficial "Global Times" escreveu que o comitê Nobel havia se "desonrado", e que o prêmio da Paz foi "rebaixado a instrumento político a serviço de motivações antichinesas".

"Mais uma vez, o Comitê Nobel mostrou sua arrogância e seus preconceitos contra um país que fez progressos notáveis nas últimas três décadas no terreno econômico e social", acusa um editorial do diário, citando o prêmio Nobel da Paz de 1989, concedido ao Dalai Lama.

"Nenhum dos dois (Liu Xiaobo e o Dalai Lama) figuram entre aqueles que, nas últimas décadas, contribuíram para a paz e o crescimento na China", critica o jornal, controlado pelo Partido Comunista chinês.

"Evidentemente, o prêmio Nobel da Paz deste ano foi dado para irritar a China", continua o Global Times, "mas não conseguirá", e a China resistirá às tentativas insistentes de "imposição de valores ocidentais".

Liu Xia, mulher de Liu Xiaobo, por sua vez, chegou neste sábado à província de Liaoning (nordeste), onde o dissidente está preso, e espera poder vê-lo no domingo, segundo o Centro de Informação dos Direitos Humanos e da Democracia, também estabelecido em Hong Kong.

Em outro movimento, sete intelectuais chineses assinaram uma carta felicitando Liu Xiaobo, a quem qualificam de "estandarte da não-violência na China".

"A China deve evitar uma revolução violenta", afirmam. A carta pode ser lida no site www.peacehall.com.

Liu Xiaobo, de 54 anos, é considerado um criminoso por Pequim, que o condenou a 11 anos de prisão por "subverter o poder do Estado" ao assinar a Carta 08, manifesto dissidente pela abertura política na China.

Nos grandes portais da internet Sina e Sohu, as expressões "prêmio Nobel da Paz" e "Liu Xiaobo" não levam a lugar algum, e vários internautas, acostumados à censura onipresente, evocam Liu de maneira disfarçada.

Os canais da televisão oficial sequer mencionaram a premiação de Xiaobo, e reportagens sobre o assunto produzidas por emissoras estrangeiras como a americana CNN e a francesa TV5 foram censuradas.

Na noite de sexta-feira, mensagens de celular que continham o nome de Liu não chegavam a seus destinatários.

Ativista político chinês critica entrega do Nobel da Paz a Liu Xiaobo

Um importante ativista político chinês crítico ao regime comunista disse que outros mereciam mais o Nobel da Paz do que Liu Xiaobo, dissidente agraciado com o prêmio nesta sexta-feira.

Para Wei Jingsheng, que passou cerca de 20 anos na prisão pela atuação pró-democracia no país, Liu é um moderado que quer colaborar com o governo chinês.

Segundo o ativista, Liu foi por vezes autorizado a atuar e já fez críticas a outros opositores que propõem mudanças mais profundas do que as defendidas pelo Nobel da Paz.

"Na minha opinião, deram o Nobel da Paz a Liu porque ele é diferente da maioria dos opositores. Faz mais gestos de cooperação com o governo e é mais crítico com outros dissidentes", disse Wei à agência France Presse, em Washington, onde vive exilado.

Para ele, há "dezenas de milhares" de chineses que teriam merecido o prêmio, incluindo Hu Jia, um advogado de portadores do vírus da Aids, Chen Guangcheng, que denunciou a corrupção na política do "filho único", e o advogado defensor dos direitos humanos Gao Zhisheng, que está desaparecido.

O próprio Wei já foi mencionado como possível ganhador do Nobel da Paz no passado.

Em 2008, Liu aparece em frente ao túmulo do dissidente Bao Zunxin, preso após o massacre da Paz Celestial/AP

Liu Xiaobo, 54, o mais proeminente dissidente chinês, incomoda o governo desde 1989, quando aderiu a uma greve de fome estudantil dias antes da repressão militar ao movimento pró-democracia na Praça da Paz Celestial.

Mas, no últimos anos tem defendido uma mudança política pacífica e gradual, em vez da confrontação com Pequim. Há dois anos, ele foi coautor de um documento exortando o governo chinês a conceder mais liberdade ao país e a acabar com o domínio absoluto do Partido Comunista sobre a política chinesa.

Devido a essa carta, o Prêmio Nobel 2010 foi condenado no ano passado a 11 anos de prisão, pena que cumpre atualmente em uma penitenciária de Pequim. A sentença foi criticada pelos EUA, pela União Europeia e por grupos de direitos humanos.

Liu está entre os mais combativos críticos do regime unipartidário chinês.

Fontes: FOLHA - AFP - AP

Ativista chinês ganha Prêmio Nobel da Paz

Dissidente político, Liu Xiaobo foi escolhido pela academia norueguesa. Ele cumpre pena de 11 anos de prisão por manifesto por democracia.

Cartazes pedem a libertação do dissidente chinês Liu Xiaobo durante protesto por democracia na China (Foto: AP)

O ativista chinês Liu Xiaobo ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2010. Professor e defensor da democracia na China, Xiaobo está preso desde dezembro de 2008. Ele foi condenado a 11 anos de prisão por ter publicado um manifesto em defesa da liberdade de expressão e de eleições multipartidárias no país. Ele vai receber um prêmio de U$ 1,5 milhão (cerca de R$ 2,7 milhões).

Xiaobo é o mais famoso dissidente político chinês. Ele foi considerado um problema pelo governo do país desde 1989, quando se juntou aos protestos estudantis na Praça da Paz Celestial.

Ele tem sido um dos críticos mais combativos do Estado de partido único da China, e seus comentários públicos têm frequentemente irritado o governo, que insiste que a China é um país com o Estado de direito e que respeita os direitos humanos fundamentais.

Xiaobo tem 54 anos e foi condenado a 11 anos no Natal de 2009 por fazer campanha para as liberdades políticas. Sua condenação foi rejeitada internacionalmente por grupos de direitos humanos, Washington e muitos governos europeus.

Ao anunciar o prêmio, o presidente do Comitê Nobel, Thorbjoern Jagland, afirmou que a China, segunda maior economia mundial, deveria assumir "mais responsabilidades" devido a seu cada vez mais importante papel no cenário internacional. O Prêmio Nobel da Paz é tradicionalmente entregue em Oslo no dia 10 de dezembro.


'Obscenidade'

O governo da China condenou fortemente a concessão do Prêmio Nobel da Paz para o dissidente Liu Xiaobo, que está preso, qualificando-a de "uma obscenidade" que vai contra os objetivos da premiação.

A decisão vai prejudicar as relações sino-norueguesas, diz um comunicado do porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Ma Zhaoxu, colocado em seu website, www.mfa.gov.cn.

"Esta é uma obscenidade contra o prêmio da paz", disse Ma.

O regime chinês imediatamente bloqueou a notícias sobre o assunto na TV e na internet, censurando mensagens na rede com o nome do dissidente, e afirmou que a decisão põe em risco as relações entre a China e a Noruega, país-sede do instituto que confere o prêmio.

Nos últimos dias, diplomatas chineses já vinham pressionando o comitê do Nobel a não premiar Liu, advertindo que a decisão poderia comprometer as relações bilaterais entre a China e a Noruega, país que sedia o comitê organizador da premiação.

O instituto, no entanto, conferiu o prêmio recebido no ano passado pelo presidente americano, Barack Obama, ao dissidente e louvou a via pacifista adotada por ele nos protestos ao regime chinês.

ATIVISMO

Liu, 54, tem defendido uma mudança política pacífica e gradual, em vez da confrontação com Pequim. O dissidente participou dos protestos da Praça da Paz Celestial duramente reprimidos pelo governo em 1989.

Há dois anos, Liu foi coautor de um documento exortando o governo chinês a conceder mais liberdade ao país e a acabar com o domínio absoluto do Partido Comunista sobre a política chinesa.

Devido a essa carta, o Prêmio Nobel 2010 foi condenado no ano passado a 11 anos de prisão, pena que cumpre atualmente em uma penitenciária de Pequim.

O advogado de Liu, Shang Baojun, disse esperar que, "graças a essa decisão, ele seja liberado rapidamente, embora ainda seja muito cedo para se saber se será assim mesmo".

"Espero que nesta ocasião, a China se abra ainda mais, que se levantem as restrições à liberdade de expressão."

REAÇÃO

O Ministério das Relações Exteriores da China atacou a decisão e disse que o prêmio deveria, em vez disso, ser usado para a promoção da amizade internacional e do desarmamento.

"Liu Xiaobo é um criminoso sentenciado pela Justiça chinesa por violar as leis da China", disse a Chancelaria em Comunicado. "[A decisão] é completamente contrário ao próprio espírito do prêmio e é uma blasfêmia ao Nobel da Paz."

O anúncio em emissoras de TV como a americana CNN foi imediatamente censurado, e sites da internet que fazem a cobertura da premiação foram bloqueados. Tentativas de envio de mensagens de texto por celular com sobre "Liu Xiaobo" não eram possíveis.

Apesar da censura, em Pequim mais de uma dúzia de apoiadores de Liu se reuniram na entrada de um parque na região central da cidade para parabenizar o dissidente. Eles entoavam os gritos "Vida longa à liberdade de expressão, vida longa à democracia!".

Liu, no entanto, é conhecido na China apenas por ativistas políticos, e a maior parte das pessoas que passavam pelo local não paravam por não saber do que se tratava.

CRÍTICA

O presidente do comitê do Nobel, o norueguês Thorbjoern Jagland disse que "a China tem se tornado uma grande potência em termos econômicos e políticos, e é normal que grandes potências estejam sob críticas". Jagland disse que Liu é um símbolo da luta pelos direitos humanos na China.

O premiê norueguês, Jens Stoltenberg, afirmou não ver motivo para a China punir a Noruega como país pelo prêmio. "Eu acho que seria negativo para a reputação da China no mundo se eles decidissem fazer isso."



Ativista e dissidente Liu Xiaobo/Reuters



Veja a lista dos vencedores do Nobel da Paz nos últimos 10 anos:

* 2010: Liu Xiaobo.

* 2009: Barack Obama

* 2008: Martti Ahtisaari

* 2007: Intergovernmental Panel on Climate Change, Al Gore

* 2006: Muhammad Yunus, Grameen Bank

* 2005: Agência Internacional de Energia Atômica, Mohamed ElBaradei

* 2004: Wangari Maathai

* 2003: Shirin Ebadi

* 2002: Jimmy Carter

* 2001: ONU, Kofi Annan

* 2000: Kim Dae-jung

Fontes: G1 - TV Globo - FOLHA - Agências- CNN

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