Empresário se desespera e joga dinheiro pela janela ao avistar a Polícia Federal
A Polícia Federal em Boa Vista (RR) apreendeu nesta sexta-feira R$ 100 mil jogados de um carro que tinha acabado de sair do escritório do senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado e candidato à reeleição.
O dinheiro estava em poder do empresário e colaborador voluntário da coligação de Jucá Amarildo da Rocha Freitas, irmão do deputado Urzeni Rocha (PSDB), que disputa a reeleição.
Detido, Freitas prestou depoimento, ao qual a reportagem teve acesso. Nele, disse que recebeu um envelope das mãos de Jucá, momentos antes da abordagem da polícia, sem saber que se tratava de dinheiro nem que estava endereçado ao seu irmão.
Logo que saiu do escritório de Jucá, o colaborador disse que percebeu que estava sendo seguido pela PF. "Assustado pela situação", diz Freitas, no depoimento, jogou o envelope para fora do carro.
Jucá foi depois à PF, acompanhado do deputado federal Márcio Junqueira (DEM-RR). O senador negou envolvimento com o episódio.
Junqueira disse que estava "passando" pelo escritório quando ouviu os disparos, mas que não foram disparados por seguranças de Jucá.
Foi a segunda apreensão de dinheiro envolvendo Jucá nesta semana. Na quarta-feira, a PF apreendeu R$ 80 mil com um coordenador da campanha do senador.
Havia a suspeita de que a quantia seria usada para compra de votos. A campanha de Jucá nega e afirma que o dinheiro seria usado para pagar cabos eleitorais.
Jucá já foi também líder do governo Fernando Henrique Cardoso e ministro da Previdência de Lula.
OUTRO LADO
Jucá disse que a PF "fez uma fiscalização de rotina, motivada por denúncias infundadas da oposição". Ele afirmou que "não foi encontrado nada". "Nossas contas estão abertas." Ele disse que estava no escritório no momento.
Ele afirmou que os R$ 100 mil encontrados no matagal não eram seus, e disse desconhecer o depoimento de Amarildo da Rocha Freitas, que disse ter recebido o dinheiro de suas mãos.
"Não entreguei dinheiro a ninguém, não é dinheiro meu, não é dinheiro de campanha, todo o nosso dinheiro está declarado."
Comentário
Bom se o dinheiro não tem pai nem mãe, é porque é dinheiro para uso ilegal. A PF precisa ir a fundo nesta história.
Fonte: FOLHA/ ANDREZZA TRAJANO e JEAN-PHILIP STRUCK
A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira o governador do Amapá e candidato à reeleição, Pedro Paulo Dias (PP), e mais 17 pessoas acusadas de desviar recursos públicos do Estado e da União.
O governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), e o ex-governador Waldez Góes (PDT) foram presos pela PF/Reprodução
Entre os presos também está o ex-governador Waldez Góes (PDT), candidato ao Senado. Eles foram levados para o quartel do Exército, em Macapá.
A operação, batizada de Mãos Limpas, cumpriu 18 mandados de prisão temporária, 87 mandados de condução coercitiva e 94 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). O caso foi revelado pela Folha.
Segundo a PF, a organização criminosa é composta por servidores públicos, agentes políticos e empresários. As investigações iniciaram-se em agosto de 2009 e o esquema desviou recursos estimados em mais de R$ 300 milhões.
As apurações, de acordo com a PF, revelaram indícios de um esquema de desvio de recursos da União que eram repassados à Secretaria de Educação do Estado do Amapá, provenientes do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) e do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental).
Durante as investigações, foi constatado que a maioria dos contratos administrativos firmados pela Secretaria de Educação não respeitavam as formalidades legais e beneficiavam empresas previamente selecionadas. Apenas uma empresa de segurança e vigilância privada manteve contrato emergencial por três anos com a Secretaria de Educação, com fatura mensal superior a R$ 2,5 milhões, e com evidências de que parte do valor retornava, sob forma de propina, aos envolvidos.
Durante as investigações, constatou-se que o mesmo esquema era aplicado em outros órgãos públicos. Segundo a PF, foram identificados desvios de recursos no Tribunal de Contas do Estado do Amapá, na Assembleia Legislativa, na Prefeitura de Macapá, nas Secretarias de Estado de Justiça e Segurança Pública, de Saúde, de Inclusão e Mobilização Social, de Desporto e Lazer e no Instituto de Administração Penitenciária.
Além do Estado do Amapá, os mandados estão sendo cumpridos no Pará, Paraíba e São Paulo. Participam da ação 60 servidores da Receita Federal e 30 da Controladoria Geral da União.
Os envolvidos estão sendo investigados pelas práticas de crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, advocacia administrativa, ocultação de bens e valores, lavagem de dinheiro, fraude em licitações, tráfico de influência e formação de quadrilha.
A reportagem está tentando contato com o governo para comentar as prisões.
As transações foram reveladas domingo pelo jornal "O Estado de S. Paulo"
A Procuradoria da República em São Paulo comunicou ontem à Procuradoria-Geral da República a realização de "operações financeiras, a princípio ilícitas" entre o ex-controlador do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira, e a governadora do Maranhão e candidata à reeleição, Roseana Sarney.
As transações foram reveladas domingo pelo jornal "O Estado de S. Paulo". Segundo a reportagem, Roseana e Ferreira simularam empréstimo para lavar dinheiro no exterior.
O ofício foi assinado pelo procurador da República Sílvio Luís Martins de Oliveira, que atuou em um processo criminal contra os ex-administradores do Banco Santos.
Oliveira encaminhou o caso ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, porque Roseana tem direito a foro privilegiado, já que é governadora.
O procurador-geral agora vai decidir se abre uma nova investigação.
Segundo a reportagem de "O Estado de S. Paulo", documentos do arquivo do Banco Santos mostram que Roseana simulou um empréstimo no valor de R$ 4,5 milhões com Ferreira para resgatar US$ 1,5 milhão que estava depositado no exterior.
Em nota divulgada no domingo, Roseana negou as acusações e as qualificou como "falsa denúncia" realizada com o fim de prejudicar sua candidatura à reeleição.
De acordo com a governadora, o empréstimo foi "contraído e pago às claras".
Sindicalistas comunistas tomaram a Previ de Assalto
Ex-diretor e ex-assessor da presidência da Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil), Gerardo Xavier Santiago diz que o fundo funciona como "fábrica de dossiês" contra a oposição do governo Lula e máquina de arrecadação para o PT.
Gerardo foi gerente-executivo da Previ entre 2003 e 2007, sendo ligado diretamente ao ex-presidente do fundo Sérgio Rosa, que deixou o cargo em junho de 2010. Gerardo saiu da Previ após brigar com Rosa em 2007, quando deixou o PT.
As declarações sobre a espionagem foram feitas à revista "Veja" desta semana. À revista ele afirma que o fundo é "um bunker de um grupo do PT" e que "a Previ está a serviço de um determinado grupo muito poderoso, comandado por Ricardo Berzoini, Sérgio Rosa, Luiz Gushiken e João Vaccari Neto".
Segundo revelou a Folha neste mês, um dossiê sobre a filha do ministro Guido Mantega foi feito por essa ala do PT, ligada ao sindicalismo bancário. O Planalto atribui o dossiê ao grupo de Rosa, que perdeu espaço na campanha de Dilma Rousseff.
"Estranharia se na minha época tivessem me pedido coisa semelhante contra o Mantega. Uma coisa é fazer com o adversário. É uma involução do PT por causa da disputa interna", afirmou Gerardo à Folha. Ele também disse que concedeu a entrevista à "Veja" há dois anos e confirmou as acusações à revista nesta semana, antes da publicação.
O ex-diretor, que também já foi do Sindicato dos Bancários do Rio, disse à Folha que, além de montar dossiês, a Previ serviu a interesses do partido para aumentar a arrecadação. Segundo ele, a Previ montou uma rede de conselheiros ligados ao PT em empresas nas quais o fundo tem participação. A intenção era influenciar as doações das companhias para beneficiar o partido.
Santiago diz que o primeiro dossiê produzido por ele na Previ é de 2002, no governo FHC. O material deveria, diz ele, comprometer a gestão tucana e provar a ingerência do governo na Previ. "Dossiês com conteúdo ofensivo, para atingir e desmoralizar adversários políticos, só no governo Lula mesmo, na gestão do Sérgio Rosa", diz o ex-diretor à "Veja".
Santiago lista os oposicionistas que teriam sido investigados com base em dados sigilosos, cujo acesso teria sido ordenado por Rosa: o senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA), já morto, o governador José Serra (PSDB) e o então presidente do DEM Jorge Bornhausen.
O ex-diretor diz na entrevista que reuniu denúncias sobre eles em 2005, na CPI dos Correios, e que Rosa solicitou "informações sobre investimentos problemáticos da Previ que estivessem ligados a políticos da oposição".
O PT não se manifestou. A Previ disse que "a atual cúpula desconhece essa prática e está muito tranquila em relação a suas recentes práticas de governança". Rosa não comentou o assunto.
Comentário
Um partido político tomar de assalto as instituições públicas e utilizar-se delas para jogatinas polítcas é um fato vergonhoso. Esperamos que o povo brasileiro, expulse pelo voto, estas pessoas perniciosas, do governo da República. Chega de PT. Chega de sindicalismo comunista. Chega de conspirações do Foro São Paulo.
A Deputada Cidinha Campos fala sobre "os que mamam". Ela fala que todos os deputados são omissos. Critica, bate e xinga de ladrão o Deputado José Nader que se "auto" indicou para uma vaga no Tribunal de Contas.
Fonte: Youtube
Comentário
Ela tem razão quando diz que a corrupção está no DNA das pessoas. Nossa sociedade faliu completamente na categoria da moral e dos valores.
A Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) colocou o deputado e seu filho na difusão vermelha a pedido da Justiça de Nova York
O deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) e seu filho, Flávio, decidiram processar o promotor distrital de Nova York, Robert Morgenthau, após ele ter acusado o parlamentar brasileiro de usar bancos da cidade para esconder recursos desviados, que depois passaram por contas nas Ilhas Jersey e na Suíça para só então entrar no caixa da Eucatex, empresa que pertence à família Maluf.
"De uma maneira arbitrária e não condizente com o que rege o Direito Internacional e a soberania das nações livres, um promotor distrital de Nova Iorque decidiu acusar Cidadão Brasileiro, membro do Congresso Nacional, de supostos fatos que, por absurdo, teriam ocorrido no Brasil, com o fim de serem julgados pela Corte Americana, inclusive emitindo ilegalmente um alerta vermelho para a Interpol", diz Maluf em nota divulgada hoje.
A Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) colocou o deputado e seu filho na difusão vermelha a pedido da Justiça de Nova York --o que, na prática, impede que o ex-prefeito de São Paulo deixe o país e passe por qualquer um dos 188 países que são signatários da organização policial internacional.
Segundo o promotor Silvio Marques, do MPE-SP (Ministério Público Estadual) de São Paulo, o Grande Júri de Nova York --que já tinha indiciado Maluf em 2007 pelos crimes de conspiração em 4º grau, transferência de recursos de origem ilícita e roubo de fundos públicos-- pediu a inclusão do deputado na "lista vermelha" da Interpol no final do ano passado.
A defesa de Paulo e Flávio Maluf afirma que as acusações feitas pelos promotores distritais americanos ainda não foram julgadas por nenhuma instância do Poder Judiciário daquele país, não havendo qualquer decisão, liminar ou definitiva, sobre os fatos.
"Paulo e Flávio Maluf contrataram os advogados americanos Bryan Skarlatos e Sharon McCarthy do escritório Kostelanetz & Fink, LLP para processar o promotor, com o propósito de imediatamente interromper a ilegalidade perpetrada contra a família, encerrando-se essa ação ilegal, descabida e intempestiva, baixando-se inclusive o Alerta Vermelho da Interpol." Fonte: FOLHA
Defesa de Maluf diz que decisão é 'uma afronta ao Congresso brasileiro'. Promotor americano acusa deputado de roubar dinheiro da prefeitura.
Paulo Maluf durante entrevista à Rádio CBN em 2008 (Foto: Roney Domingos / G1)
O nome do deputado Paulo Maluf (PP-SP) foi incluído na difusão vermelha da Interpol - a polícia internacional que mantém representação em 181 países - a partir de solicitação dos Estados Unidos.
A informação foi divulgada ontem pelo Ministério Público Estadual de São Paulo. A defesa do ex-prefeito (1993-1996) declarou que já está providenciando ação específica para anular a medida, que classifica como "uma afronta ao Congresso brasileiro".
A difusão vermelha é o alerta máximo da Interpol e limita os deslocamentos do alvo. Se ingressar em território que integra a comunidade policial, Maluf pode ser imediatamente detido. Para derrubar essa restrição os advogados do ex-prefeito apresentaram em fevereiro medida que busca excluí-lo do índex da Organização Internacional de Polícia Criminal.
Maluf é acusado em ação da promotoria criminal dos Estados Unidos perante o Grande Júri de Nova York.
Robert Morgenthau, promotor público norte-americano, o denunciou por suposta "conspiração com objetivo de roubar dinheiro da cidade de São Paulo a fim de possuir fundos no Brasil, Nova York e outros lugares, e ocultar dinheiro roubado".
O processo aponta Maluf como artífice de suposto esquema de superfaturamento de obras na Prefeitura da capital paulista. Ele nega categoricamente a prática de desvios em sua gestão. Destaca que o Tribunal de Contas do Município aprovou todos os anos da administração, e afirma que nunca teve recursos no exterior. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo . Fontes: G1 - AE
Corte está reunida para decidir se concorda ou não com relator do inquérito
O ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Fernando Gonçalves, relator do inquérito da operação Caixa de Pandora, aceitou o pedido de prisão preventiva e afastamento do governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido) por tentativa de suborno. O pedido está sendo analisado pela Corte Especial do STJ na tarde desta quinta-feira (11) e, para que a prisão seja decretada, precisa da maioria dos votos dos 15 ministros que compõe o colegiado.
Além de Arruda, o ministro aceitou a prisão de Geraldo Naves (DEM), ex-deputado distrital; Wellington Moraes, ex-secretário de Comunicação do DF; Haroaldo de Carvalho, diretor da CEB (Companhia Elétrica de Brasília); Antônio Bento da Silva, servidor aposentado do governo do DF, que já está preso; e Rodrigo Arantes, sobrinho e assessor direto de Arruda.
De acordo com o ministro, a prisão preventiva será para garantir a ordem pública e a investigação do suposto esquema de corrupção no governo do DF. Após aceitar o pedido, feito pela subprocuradora Geral da República Raquel Dodge, o ministro convocou o colegiado para referendar a sua decisão.
A leitura do voto do ministro acabou por voltas das 16h30. Na decisão, o relator afirmou que Arruda tenta interferir nas investigações.
- Há fortes indícios da participação do governador no pagamento de recursos pecuniários para a coação de testemunhas. O episódio mostra total desprezo dos envolvidos ao Judiciário e necessita de severa punição.
Arruda é suspeito de participar da tentativa de suborno ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra. A tentativa foi flagrada em vídeo pela PF e, em depoimento, o servidor aposentado do governo Antônio Bento disse que agiu em nome de Arruda.
A Polícia Federal disse que soube pela imprensa da análise do pedido e já está mobilizada para cumprir a ordem de prisão caso ela seja aprovada pelos ministros.
A assessoria de Arruda informou que o governador está na residência oficial em Águas Claras, cidade satélite de Brasília e, que caso a prisão seja decretada, ele se apresentará à polícia espontaneamente.
No dia 27 de novembro, a PF deflagrou a operação Caixa de Pandora. Arruda e todos os envolvidos negam participação no esquema e rebatem as acusações. O esquema seria uma espécie de “pedágio” cobrado por Arruda para que empresas consigam contratos com o governo. O dinheiro arrecadado, segundo o inquérito da PF, era dividido entre Arruda, o vice-governador, Paulo Octávio, além de secretários e assessores da administração do DF.
Na surdina, evitou-se a exclusão de 5,8 milhões de pessoas.
Em 23 de dezembro passado, a dois dias do Natal, o governo modificou as regras do programa Bolsa Família.
Feita na surdina, a mudança evitou que fossem excluídas do programa 1,44 milhão de famílias. Algo como 5,8 milhões de pessoas.
Deve-se a revelação à repórter Laura Diniz. Ela levou a notícia às páginas de Veja
Abaixo, um resumo da encrenca em dez tópicos:
1. Pelas regras que vigiam até dezembro, perderiam o direito ao benefício as famílias cujos cadastros estivessem desatualizados há mais de dois anos.
No final de 2009, encontravam-se nessa situação cerca de 1 milhão de famílias. Tiveram os pagamentos bloqueados em novembro.
2. Rezavam também as normas antigas que deveriam ser excluídas do programa as famílias cuja renda per capita houvesse ultrapassado o limite de R$ 140.
Algo como 440 mil famílias haviam cruzado essa fronteira monetária no final de 2009.
3. Por meio de um ato administrativo, o Ministério do Desenvolvimento Social, que cuida do Bolsa Família, criou um inusitado “prazo de carência”.
Um período durante o qual as burlas às regras serão toleradas. Com isso, quem teve o benefício cancelado voltará a recebê-lo neste ano eleitoral.
4. Um detalhe pouco sutil injetou na mudança um quê de pragmatismo político. Fixou-se como fim do "prazo de carência" o dia 31 de outubro de 2010.
Não é uma data qualquer. Um domingo. Dia em que os brasileiros irão às urnas para escolher, em segundo turno, o próximo presidente da República.
5. Ou seja, para evitar o azedume de milhões de eleitores, o governo decidiu fechar os olhos para a burla até que as urnas da sucessão sejam abertas.
6. A regra da exclusão de famílias com os cadastros desatualizados visava impedir as fraudes.
A norma do limite de renda servia para evitar que famílias em condição de caminhar com as próprias pernas permanecessem penduradas no programa, impedindo o acesso de outras.
7. Principal programa do governo, o Bolsa Família teve seus méritos atestados nos indicadores sociais e na melhoria das disparidades de renda.
O programa convive, porém, com a pecha do assistencialismo eleitoral. Uma fama que o jeitinho do “prazo de carência” vem agora tonificar.
8. Ouça-se, a propósito, o que disse o cientista político Bolívar Lamounier:
"Os antigos coronéis do interior do Brasil pelo menos aliciavam votos com o próprio dinheiro. O governo atual faz isso com dinheiro público".
9. Criado em outubro de 2003, nas pegadas do fracasso do Fome Zero, o Bolsa Família atendia a 3,6 milhões de famílias. Custava, então, R$ 3,3 bilhões anuais.
Em 2009, o número de beneficiários já havia quadruplicado: 12,4 milhões de famílias. O custo anual alçara a casa dos R$ 12,4 bilhões.
10. O contingente é grande. O dinheiro aplicado, considerável. A anomalia eleitoreira da convivência com a irregularidade e a fraude, intolerável.
Fonte: FOLHA - Josias de Souza / Gravura: Orlandeli
O ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, declarou nesta segunda-feira (21) que é preciso alterar os códigos de Processo Penal e Civil, para que os casos envolvendo servidores federais suspeitos de irregularidades tenham desfecho justo e rápido. A afirmação foi feita durante entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.
Ele lembrou que vários setores são acionados quando se flagra uma fraude, dentre os quais a Justiça. A partir do Ministério Público, são encaminhados todos os relatórios que contenham indícios de irregularidades.
"E aí nós sabemos o sofrimento que começa, pois os processos judiciais demoram enormemente, porque as leis processuais brasileiras dão chances demais aos réus, aos bandidos de colarinho branco, de se defender. E o processo condenatório raramente chega ao fim."
O ministro ressaltou que é possível recuperar o dinheiro desviado em fraudes, mas que apesar dos esforços dos órgãos envolvidos, o índice de recuperação é muito pequeno, na maioria dos casos não passa dos 5% do total.
"A recuperação do dinheiro vai esbarrar novamente no problema da justiça. É possível sim, mas há demora no processo de execução, e recuperação das verbas é extremamente lenta. Aí é que eu me refiro a reforma das leis processuais civis também. Hoje o índice de recuperação é muito baixo, não passa de 5% do total, apesar dos esforços da AGU, da Advocacia Geral da União, da procuradoria, das procuradorias federais, o retorno ainda é muito lento."
Hage disse ainda que os casos encaminhados ao Tribunal de Contas da União (TCU) ou à própria CGU têm resultado mais rápido. Segundo ele, nos últimos seis anos cerca de 2.350 agentes federais flagrados em irregularidades foram excluídos da administração federal.
Fonte: Agência Brasil
Comentário do BGN
Temos 513 deputados federais e 81 senadores e nenhum é capaz de preparar e apreentar um projeto visando alterar os códigos penal e civil, visando o combate à corrupção e à criminalidade.
A indústria institucionalizada das incontáveis liminares e recursos, acaba por gerar a impunidade e a injustiça.
Será que nenhum deles é capaz de apresentar um projeto?
O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), divulgou nota hoje na qual afirma que apresentará provas "irrefutáveis" de sua inocência.
Arruda é suspeito de participar de um esquema de corrupção que envolveria a distribuição de dinheiro para políticos da base aliada.
A nota de Arruda foi divulgada pouco antes do início da reunião da Executiva Nacional do DEM, que se reúne hoje para decidir se expulsa o governador imediatamente da legenda ou se dá um prazo de dez dias para ele se defender primeiro.
Arruda critica o ex-secretário Durval Barbosa --que gravou supostos flagrantes do esquema em troca de redução de pena após acordo de delação premiada. Na nota, ele se diz "vítima de um complô urdido por um homem que tem mais de 30 processos por corrupção, todos nos governos anteriores, nenhum em seu governo, com a ajuda de adversários políticos, e que, para se livrar da lama, jogou lama em todas as direções".
O governador do DF nega ainda que tenha feito ameaças de retaliação contra integrantes do DEM na reunião de ontem para pressionar o partido a mantê-lo na legenda. Segundo ele, a reunião "transcorreu em um clima de elegância e respeito mútuo, sem nenhum tipo de pressão". "O que o governador do DF pediu foi que o partido desse a ele amplo direito de defesa, respeitando os prazos estatutários", afirma a nota.
Por fim, ele afirma que respeitará a decisão que for tomada pela Executiva Nacional do DEM. "O governador José Roberto Arruda confia na decisão serena do partido, e a respeitará, seja ela qual for."
O PSDB decidiu nesta terça-feira deixar o governo do Distrito Federal depois das denúncias contra o governador José Roberto Arruda (DEM), acusado de participar de um suposto esquema de pagamento de propina a deputados da base aliada na Câmara Legislativa.
José Roberto Arruda
É o quarto partido a deixar a base de Arruda. Ontem, PPS, PSB e PDT entregaram seus cargos no governo do DF.
Os tucanos cobram que o DEM ofereça respostas rápidas às denuncias para evitar danos na disputa presidencial de 2010.
O partido determinou que os dois secretários do PSDB no governo do DF entreguem os cargos. A medida também atinge os cerca de 100 tucanos que ocupam postos na administração de Arruda.
O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que os tucanos que não deixarem o governo do DF serão expulsos do partido. "Os que não saírem do governo não serão mais do PSDB. Os que saírem do governo e tiverem processos vão ser submetidos ao Conselho de Ética do partido", afirmou.
Guerra disse que a decisão do PSDB de desembarcar do governo Arruda foi tomada por unanimidade pela Executiva Nacional do partido. "O partido não terá mais representantes no atual governo de Brasília", disse.
O tucano, porém, evitou comentar as denúncias que envolvem o secretário de Obras do DF, Marcio Machado, suspeito de também integrar o esquema de propina no governo do DF. "Não cuidamos ainda do diretório de Brasília", afirmou.
Apesar de deixar o governo Arruda, a aliança nacional com o DEM está mantida. Guerra disse que PSDB e DEM estarão juntos em 2010 por considerar a crise no governo Arruda um "episódio local" e não nacional. O DEM deverá indicar o candidato a vice-presidente na chapa do PSDB.
"Não tem nada a ver com a aliança nacional com o DEM,que respeitamos. Sabemos que é um episódio local. Apenas tomamos uma decisão relacionada ao nosso papel", afirmou.
"O partido entende que os fatos são gravíssimos e exigem investigação com rigor. O DEM tem que ser afirmativo, não se deixando contaminar por este fato", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
O PDT, o PPS e o PSB anunciaram ontem a saída da base de apoio do governador Arruda. Os três partidos entregaram hoje cargos de confiança que detinham no governo e defenderam o afastamento de Arruda do cargo.
As medidas foram tomadas após a Polícia Federal começar a investigar um suposto esquema de corrupção no DF, que consistiria na distribuição de recursos para parlamentares da base aliada. O dinheiro viria de empresas que prestam serviços ao governo do DF.
DEM
A Executiva Nacional do DEM se reúne hoje para discutir a crise no DF. O partido deve discutir a expulsão de Arruda. Dividido, parte do partido defende a expulsão imediata do governador. No entanto, membros da Executiva argumentam que Arruda deve ter prazo para se defender.
Hoje, a bancada do DEM no Senado decidiu levar à Executiva Nacional a proposta de conceder prazo para o governador se defender.
O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (DEM-RN), é favorável à expulsão imediata de Arruda, mas disse que vai levar à reunião a proposta de concessão do prazo de dez dias. "O líder interpreta o pensamento da bancada. Há consenso em relação à abertura de processo disciplinar, e que o prazo entre a abertura de processo e a votação do relatório final não ultrapasse dez dias", afirmou.
Favorável à expulsão imediata de Arruda, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse que vai apresentar petição à Executiva sugerindo a expulsão imediata de Arruda --iniciativa que deve ser acompanhada por outros integrantes do partido.
A proposta de concessão de prazo para defesa ocorre um dia depois de Arruda fazer ameaças ao DEM.
Ontem, Arruda se reuniu com a cúpula do DEM. Participantes da reunião relataram que o governador teria feito ameaças a integrantes da legenda. Arruda teria dito que se o DEM radicalizasse, ele iria radicalizar no futuro também --o que foi entendido como ameaça.
A polícia investiga a suspeita de que o esquema era alimentado com dinheiro de empresários que atuam em Brasília, como José Celso Gontijo, dono da construtora JC Gontijo, que aparece nesse vídeo entregando dois pacotes de dinheiro a Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais. "Eu tentei vir cá algumas vezes, mas você tava cheio de problema, né Durval?" diz o empresário.
De acordo com a denúncia de Durval Barbosa, depois que o dinheiro era arrecadado com empresários, ele era distribuído para os integrantes do esquema. Segundo o inquérito, recebiam o governador José Roberto Arruda, o vice Paulo Octávio, secretários de governo, assessores e deputados da base aliada. Parte do dinheiro era entregue pelo próprio Durval Barbosa, que filmou alguns desses encontros.
Durval contou à polícia e ao Ministério Público que o esquema teria começado ainda no governo passado, de Joaquim Roriz. Em um vídeo, gravado em agosto de 2006, José Roberto Arruda, então candidato a governador, aparece recebendo R$ 50 mil das mãos de Durval Barbosa.
Um outro vídeo, gravado em 2006, mostra o atual presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Leonardo Prudente, do democratas, recebendo vários maços de dinheiro. Ele vai enchendo os bolsos um a um. E quando não há mais espaço, coloca uma parte nas meias.
A atual deputada distrital Eurides Brito, do PMDB, líder do governo na Câmara Legislativa, entra na sala de Durval Barbosa, tranca a porta, recebe o dinheiro e o guarda em uma bolsa grande. Outros deputados, como Júnior Brunelli, do PSC, também aparecem recebendo dinheiro. "Valeu, Durval. Valeu."
Propinas também teriam sido distribuídas a diretores de empresas públicas, como José Luis Naves, diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal, Odilon Aires, presidente do Instituto de Previdência dos servidores do GDF, e a assessores de integrantes do esquema.
A parte destinada ao vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octavio, segundo a denúncia, era entregue geralmente a Marcelo Carvalho, diretor da construtora Paulo Octávio, que aparece em imagens conversando com Durval.
Durval Barbosa, que gravou alguns dos vídeos sem autorização judicial, e outros com acompanhamento da polícia, agora está sob proteção policial. Ele fez as denúncias em troca de redução da pena em caso de condenação, porque responde a mais de 37 processos na justiça.
Outros lados
O ex-governador Joaquim Roriz e os deputados distritais Leonardo Prudente e Eurides Brito disseram que não vão se manifestar sobre a reportagem. Não foram localizados o empresário José Celso Gontijo; o presidente do Instituto de Previdência dos Servidores do GDF, Odilon Ayres; e o deputado distrital Júnior Brunelli.
O diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal, José Luis Naves, disse que nunca recebeu propina de pessoas do governo. Mas confirmou que recebeu dinheiro de Durval, provalmente em 2006, para pagar fotografias para pessoas carentes tirarem carteira de identidade.
O assessor Paulo Pestana disse que recebeu dinheiro porque trabalhou durante um ano no escritório político de Durval. Segundo ele, foram R$ 10 mil para pagamento de condomínio.
Comentário do BGN
Depois querem que acreditemos que este país tem jeito!!!!!!!!!
Pelo menos nove acordos firmados com a entidade, no valor de R$ 2,9 milhões, estariam em situação irregular
BRASÍLIA - Aliada do governo, a União Nacional dos Estudantes (UNE) fraudou convênios, forjou orçamentos e não prestou contas de recursos públicos recebidos nos últimos dois anos. A entidade chegou a apresentar documentos de uma empresa de segurança fantasma, com sede na Bahia, para conseguir aprovar um patrocínio para o encontro nacional em Brasília. Dados do Ministério da Cultura revelam que pelo menos nove convênios celebrados com a UNE, totalizando R$ 2,9 milhões, estão em situação irregular - a organização estudantil toma dinheiro público, mas não diz nem quanto gastou nem como gastou.
O Estado analisou dois convênios com prazo de prestação de contas expirado no ministério: o Congresso Nacional da UNE, realizado em julho, em Brasília, e o projeto Sempre Jovem e Sexagenária, celebrado em 2008, que tinha como meta produzir - até 4 de junho - 10 mil livros e um documentário sobre a história estudantil secundarista. O presidente da entidade, Augusto Chagas, de 27 anos, promete devolver o dinheiro, se forem comprovadas irregularidades.
Apesar de o governo ter repassado R$ 826 mil para os projetos, a entidade, mesmo cobrada, não entrega extratos bancários e notas fiscais, nem cumpre a “execução dos objetivos”, os livros e o documentário.
Sobre os livros, uma cláusula do contrato diz que a UNE teria 60 dias para prestar contas, a partir de junho, ou restituir em 30 dias as verbas não usadas. Não fez nem uma coisa nem outra.
EMPRESA FANTASMA
A UNE forjou orçamentos para obter dinheiro para o encontro em Brasília. Em 16 de julho, o ministério liberou R$ 342 mil para o evento, que teve a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). A entidade apresentou estimativa de gasto de R$ 70 mil com hospedagem, R$ 29 mil para segurança, R$ 26 mil em passagens aéreas, entre outros. O ministério cobrou três orçamentos.
Para explicar a despesa com segurança, a UNE entregou o orçamento de empresa fantasma, com sede em Salvador, a 1.400 quilômetros do evento. O outro orçamento também é de uma empresa baiana, que ocupa uma sala de 30 metros quadrados e não tem funcionários.
A empresa fantasma é a Patorg Segurança. Os documentos entregues pela UNE ao governo mostram que a empresa declarou à Receita Federal como endereço o sexto andar de um prédio na Avenida Estados Unidos, em Salvador. A reportagem esteve ali na quinta-feira. No local não há empresa de segurança. Os vizinhos desconhecem a Patorg. “Eu trabalho aqui há 19 anos e nunca teve esse tipo de empresa”, disse o porteiro Valdir Alexandre dos Santos.
A UNE anexou um orçamento de R$ 36,4 mil da Patorg. Seu dono, Genovaldo Costa, é desconhecido no endereço, vive em Camaçari e não foi localizado.
A outra empresa, a MG Serviços de Limpeza e Portaria, ocupa uma sala num pequeno sobrado na Baixa dos Sapateiros. A UNE entregou um orçamento de R$ 32,2 mil da empresa, que não tem funcionário registrado, mas fez uma proposta de 280 seguranças, por R$ 115 a diária. O Estado foi três vezes ao endereço, mas não havia ninguém. Pelo celular, o dono, Marcos Guimarães dos Santos, disse que já prestou serviços à UNE, mas não deu detalhes.
Como a entidade não entrega a sua prestação de contas, ainda é um mistério a relação de quem foi contratado. Sabe-se, porém, que a UNE usou fantasmas para aprovar o convênio.
Os R$ 435 mil do Sempre Jovem e Sexagenária foram liberados em 5 de junho de 2008. A UNE apresentou orçamento de R$ 90 mil com pesquisa, R$ 50 mil para alimentação e hospedagem, e R$ 35 mil para imprimir o livro. O governo enviou ofício em 18 de junho passado lembrando que o convênio está encerrado e cobrou informações. Cinco meses depois, a UNE não deu satisfação.
Comentário:
A UNE é um aparato burocrático dos comunistas e não presta contas a ninguém. Nem mesmo elege seus representantes de forma democrática. Agora então, torra o dinheiro dos contribuintes brasileiros de forma ilegal .
Quem sabe o Ministério Público Federal possa indiciar a direção deste aparato, nos crimes de formação de quadrilha e crimes de colarinho branco.
A Justiça de São Paulo condenou o deputado e ex-prefeito Paulo Maluf (PP-SP) a devolver cerca de R$ 15 milhões aos cofres públicos pelo superfaturamento de R$ 5.894.154,22 na construção do túnel Ayrton Senna, na zona sul da cidade.
Paulo Maluf
Na decisão, o juiz Wanderley Sebastião Fernandes, da 6ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, também suspendeu os direitos políticos do parlamentar por cinco anos. Ainda cabe recurso da decisão.
Além de Maluf, foram condenados pela mesma irregularidade o ex-secretário de Obras e Vias Públicas e ex-presidente da Emurb (Empresa Municipal de Urbanização) Reynaldo de Barros, os diretores da empresa Célio Rezende Bernardes, Carlos Takashi Mitsuse e o ex-diretor Reinaldo José de Barbosa Lima, além das empreiteiras CBPO e Constran, que construíram o túnel.
Em nota, a assessoria de Maluf diz que os advogados de Maluf vão recorrer da decisão. A assessoria ressalta que a obra foi contratada na gestão do ex-prefeito Jânio Quadros e foi paralisada no governo da ex-prefeita Luiza Erundina, atual deputada pelo PSB.
"Na administração Paulo Maluf nada se fez além de continuar a obra com o preço já estabelecido pela prefeita Luiza Erundina. A cidade sabe a importância dessa obra para o trânsito de São Paulo. Além do mais, o túnel foi executado pela Emurb e não pela prefeitura de São Paulo. Não há no processo de construção uma só assinatura do ex-prefeito", diz a nota.
A reportagem não localizou os demais réus do processo para comentar a decisão.
Na decisão, o juiz determinou que Maluf e os demais réus terão de pagar, solidariamente, o valor de R$ 4.901.571,06 com atualização monetária e juros, além de multa civil equivalente ao dobro do valor do dano, cerca de R$ 10 milhões. Eles também estão proibidos de contratar com o poder público ou receber incentivos ficais.
Somália, Afeganistão e Iraque estão entre os piores; Brasil melhora 5 posições, diz Transparência Internacional
SÃO PAULO - Os países onde há conflitos armados em andamento continuam figurando entre os vistos como mais corruptos do mundo, informa o novo relatório anual da Transparência Internacional sobre corrupção. Somália, Afeganistão, Mianmar, Sudão e Iraque ocupam as piores posições no ranking, segundo o estudo, elaborado com base na percepção de corrupção no setor público em 180 países e em sondagens com empresários e especialistas.
"Esses resultados demonstram que os países percebidos como os mais corruptos são também aqueles afetados por antigos conflitos, que devastaram sua estrutura de governança", diz nota divulgada pela entidade. "Quando instituições essenciais são fracas ou inexistentes, a corrupção sai de controle e o despojo dos recursos públicos alimenta a insegurança e a impunidade", prossegue o comunicado.
Na outra ponta, Nova Zelândia, Dinamarca, Cingapura, Suécia e Suíça figuram entre os países considerados menos corruptos, segundo o documento intitulado"Barômetro Global de Corrupção 2009". A boa performance desses países é atribuída pela organização não-governamental "à estabilidade política, a controles efetivos sobre conflitos de interesse e a instituições públicas sólidas e funcionais". Os Estados Unidos caíram da 18ª posição em 2008 para a 19ª este ano.
Citada no comunicado divulgado junto com o estudo, Huguette Labelle, diretora da Transparência Internacional, adverte que os pacotes de estímulo elaborados em meio à mais recente crise financeira internacional tornam "essencial a identificação dos pontos nos quais a corrupção impede a boa governança e a prestação de contas".
Brasil melhora cinco posições
Segundo a BBC, o Brasil subiu cinco posições no ranking anual de corrupção. O país recebeu este ano 3,7 pontos, numa escala de 0 a 10, passando da 80ª colocação em 2008, para o 75º lugar entre 180 nações analisadas, posição compartilhada com Colômbia, Peru e Suriname. Apesar da melhora, o Brasil continua entre os países com índice alto de percepção de corrupção. O Brasil está apenas quatro posições à frente de Burkina Faso, China, Suazilândia e Trinidad e Tobago.
A situação do Brasil é comparável à da América Latina como um todo: 21 dos 31 países da região incluídos no levantamento receberam pontuação abaixo de 5, indicando problemas sérios de corrupção. Nove deles não passaram dos 3 pontos, marco indicativo de corrupção desenfreada. Com exceção da Guatemala, nenhum país da região registrou melhora significativa em sua pontuação.
Relatório da secretaria de SP aponta que Universal estaria por trás de firmas sem sede, mas com capital milionário
Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) estaria por trás de uma rede de 48 empresas, envolvendo 44 pessoas, que contaria com o uso de laranjas "contumazes" e de empresas supostamente de fachada, porque, apesar de capital social milionário, não teriam sede nem telefone. Esse levantamento na estrutura paulista supostamente mantida pela igreja foi feito pela Diretoria Executiva de Administração Tributária (Deat), da Secretaria da Fazenda de São Paulo.
A Receita Estadual encaminhou no começo do ano o resultado da investigação em 42 páginas aos promotores do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). "Não é justificável que se descarte a hipótese de que algumas dessas empresas tenham existência simulada e sejam utilizadas para dissimular atos irregulares", afirma o diretor adjunto do Deat, Antônio Carlos de Moura Campos. A defesa da igreja nega qualquer irregularidade e diz ter sido alvo de fiscalizações da Receita Federal que nada encontraram de errado.
Para confirmar suas suspeitas, o diretor do Deat aconselha aos promotores que sejam recolhidos pelas autoridades competentes os contratos de aluguéis dessas empresas, os comprovantes de quitações de correntes de contratos de aluguéis, os registros dos funcionários e folha de pagamento e os registros contábeis e fiscais, principais fornecedores e clientes, entre outros documentos de controle de receitas e despesas.
Um dos casos que chamaram a atenção do Deat e dos promotores do Gaeco é o da empresa Unimetro Empreendimentos S/A. Acusada de servir de escoadouro dos recursos arrecados por meio do dízimo dos fiéis e enviá-los ao exterior, a empresa foi aberta em 13 de junho de 1994. Segundo a Deat, seu capital social era de R$ 26 milhões e foi aumentado em janeiro de 2008 para R$ 45 milhões. Ela teve em seu corpo diretor 7 dos 10 réus no processo por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha aberto pela 9ª Vara Criminal de São Paulo. Veríssimo de Jesus, seu atual diretor, é um dos réus.
Mas, ao mesmo tempo que seria uma empresa importante a tal ponto que o bispo Honorílton Gonçalves Costa, um dos membros do Conselho Episcopal - o órgão diretor da Universal - tenha sido um de seus diretores, a Unimetro não teria sede nem mesmo número de telefone. Agentes do Gaeco estiveram no edifício Miami Center, na Rua São Carlos do Pinhal, na Bela Vista, centro de São Paulo, atrás da sede da Unimetro e da Cremo Empreendimentos, outra empresa supostamente usada para lavagem de dinheiro desviado do dízimo dos fiéis.
No prédio de 14 andares, os agentes encontraram três empresas do suposto grupo da igreja - a Cremo, a Life Empresarial Saúde e a Clínica Santo Espírito. "Mas não a Unimetro", diz o documento do Gaeco, apesar de a empresa ter sua sede naquele endereço, segundo o cadastro da Receita Federal. A Unimetro teve crescimento de 60% em seu capital social entre 2001 e 2008, e a Cremo, um aumento de 120%. Esta teve seis diretores e ex-diretores entre os réus da ação na 9ª Vara, entre eles o bispo João Batista Ramos da Silva - flagrado pela Polícia Federal, em 2005, quando tentava embarcar em um jatinho com R$ 10 milhões no Aeroporto de Brasília.
O relatório do Deat analisou dez empresas do suposto núcleo financeiro do grupo, cujo capital social informado era de R$ 94,6 milhões. A Receita cruzou os dados dessas empresas com as 14 do núcleo de comunicação - entre elas três retransmissoras da TV Record, seis rádios e as Redes Família de Comunicação e Mulher de Televisão. Também foram analisadas a composição societária e os endereços de 24 empresas de ramos como alimentação - duas lanchonetes Bob?s e um Habib?s -, agrícola, aviação, médicas, gráficas, etc.
LARANJAS E CARROS
Entre as 44 pessoas investigadas pelo Deat, há 3 que são chamadas de laranjas. Trata-se de Claudemir Mendonça de Andrade, João Monteiro de Castro dos Santos e José Antônio Alves Xavier. Segundo o Deat, eles têm "atuação contumaz em nome de terceiros sem revelação de identidade do beneficiário dos recursos movimentados". Em nome dos três, segundo o Deat, o Conselho de Controle da Atividade Financeira (Coaf) encontrou "movimentações atípicas" em 2005.
Um quarto suposto laranja seria Waldir Abrão. Sobre ele, o Deat diz: "atuação de forma contumaz ou sem identificação da identidade do real beneficiário dos recursos movimentados". O órgão afirma que o Coaf detectou "movimentação atípica" de R$ 361,4 mil em nome de Abrão também em 2005.
O relatório do Fisco estadual rastreou ainda todas as aquisições de automóveis feitas sob o CNPJ da matriz da Universal. Entre 1998 e 2008, a igreja comprou 607 veículos ao custo total de R$ 18.664.483,02. Entre os carros comprados pela igreja, segundo a Deat, estão veículos como uma Mercedes-Benz C280 (avaliada em R$ 219 mil); um Cadillac Escalade (R$ 235 mil); uma BMW X5 (R$ 450 mil) e uma Mitsubishi Pajero (R$ 204 mil).
Em um discurso de nove minutos, o pastor pentecostal Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, atacou a Igreja Universal do Reino de Deus por conta da chamada "guerra das TVs".
Dizendo-se enviado por Deus na missão de defender o povo evangélico da guerra entre as emissoras, Malafaia comparou a Record com um "império do mal", diz a coluna. A Globo foi poupada no discurso do pastor.
"Como é que uma igreja investe milhões numa TV só pra ganhar audiência? Todo tipo de imoralidade numa TV bancada com dinheiro de oferta e de dízimo?", diz Malafaia durante o vídeo.
"Eu estou aqui abismado, e a igreja evangélica está sendo botada em uma guerra em que nós não temos nada com isso. Lá atrás, quando eu defendi vocês, nós tínhamos um ideal, porque a outra emissora era imoral, era contra a família, e qual é a diferença hoje?", continua o pastor.
Malafaia ainda aproveitou o vídeo para mandar um recado pessoal para Edir Macedo, líder da Universal. "Vou te dizer... Lúcifer, Satanás... Eles caíram por três motivos, irmão: soberba, multiplicação do seu comércio e poder. Estou vendo a história se repetir com vocês."
A "Ooops!" informa que a Igreja Universal foi procurada pela coluna para se manifestar sobre o vídeo mas, até o momento, não se pronunciou.
Documento mostra movimentações da Igreja Universal. Parlamentares comentaram investigação no Congresso.
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostra que dirigentes da Igreja Universal desviaram dinheiro do dízimo para comprar imóveis para empresas comerciais. O documento é a base da denúncia do Ministério Público de São Paulo contra Edir Macedo.
O jornal "Estado de S.Paulo" desta quinta-feira (13) mostra uma reportagem com detalhes sobre o relatório. O conselho descobriu que entre 1996 e 2007, o grupo Record movimentou de forma considerada atípica R$ 25 milhões para comprar imóveis acima de R$ 1
Os técnicos registraram cinco transações imobiliárias supostamente feitas pela empresa. A primeira delas teria ocorrido em 28 de junho de 1999, quando um prédio foi comprado em Salvador, por R$ 8 milhões.
Outro exemplo de movimentação atípica nas contas da emissora, segundo o Coaf, foram saques e depósitos em dinheiro de até R$ 300 mil. Este dinheiro, segundo o Ministério Público, teria como origem as doações de fiéis. Igrejas não pagam imposto, mas devem aplicar seus recursos somente em obras assistenciais e na reforma de templos.
Parlamentares
Os políticos disseram que a denúncia é grave e que precisa ser investigada. Alguns defenderam até que o Congresso também investigue. Já o senador Marcelo Crivella, do PRB, e bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, criticou a ação criminal.
“A denúncia é grave. Tem várias empresas envolvidas na questão. Então, é óbvio que é um impacto muito grande. Não se trata de prejulgar, se trata de dizer a Justiça tem que tomar uma decisão que é apurar e decidir”, disse o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP).
“É uma denúncia, sem dúvida, séria, importante. O Ministério Público está cumprindo a sua função constitucional de acompanhamento, de fiscalização, mas os esclarecimentos têm que ser dados, é o que todos nós no Brasil queremos em termo de qualquer iniciativa seja pública, particular, do Senado Federal, onde quer que seja”, afirmou o senador Flavio Arns (PT-PR).
“Essa apuração que é feita pelo Ministério Público tem que chegar até o Congresso também, o Poder Legislativo, porque existe essa discussão. A questão da justificativa de se dar isenção de impostos para trabalhos sociais, seja de qualquer igreja, de qualquer religião não justifica os gastos abusivos em outros setores”, apontou o vice-líder do PSB, deputado Julio Delgado.
“A denúncia é importante. Essa mistura da fé das pessoas com televisão, com política, isso não tinha como terminar bem. Não vai terminar bem até porque eu fico muito preocupado porque, como eu disse já, a base da democracia é a liberdade de imprensa”, comentou o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia.
“Essa tese de que pastores tenham pego dinheiro de ofertas, mandado para o exterior e assim financiado recursos para enriquecer, isso não é novo, isso já foi denunciado em 1993, com denúncia apócrifa, de lá pra cá a Polícia Federal, a Interpol, o FBI, a Receita Federal e, finalmente, o Supremo Tribunal Federal concluíram que as denúncias não tinham fundamento”, defendeu o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ).
O senador Marcelo Crivella é sobrinho de Edir Macedo.
MP vai pedir ajuda internacional na investigação contra Edir Macedo e mais 9
O Ministério Público de São Paulo vai pedir ajuda internacional para rastrear movimentações financeiras na investigação de lavagem de dinheiro contra Edir Macedo e mais nove pessoas.
A Promotoria concluiu que empresas de comunicação estão entre as que receberam ilegalmente dinheiro de doações de fiéis da Igreja Universal que deveriam ter sido usadas em obras de caridade.
O jornal “O Estado de S. Paulo” teve acesso a documentos que fazem parte da investigação sobre o fundador da Igreja Universal, Edir Macedo, e outras pessoas ligadas a ele e à igreja. As informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelam que o dinheiro dos fiéis, arrecadado para a manutenção da igreja e obras sociais, era desviado para a compra de empresas de comunicação.
O relatório faz parte da investigação de dois anos do Ministério Público de São Paulo que culminou na denúncia contra Edir Macedo e nove pessoas ligadas a ele por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Segundo a promotoria, em vez de aplicar o dinheiro dos fiéis em obras de assistenciais ou na manutenção dos templos, Edir Macedo e os outros acusados usaram os recursos em beneficio próprio.
Todos agora são réus no processo que apura desvio de dinheiro de fiéis para a compra de bens e empresas em nome de particulares próximos a Edir Macedo, inclusive emissoras de TV e de rádio.
A reportagem afirma que "oito empresas de comunicação, entre elas a Rádio e Televisão Record, estão entre as dez principais beneficiárias de transferências eletrônicas ou depósitos bancários que saíram da Igreja Universal do Reino de Deus".
Outras beneficiárias são Edminas SA, Rede Mulher de Televisão, Editora Gráfica Universal e Rede Família de Comunicação Ltda, todas ligadas ao grupo. Ainda de acordo com “O Estado de S. Paulo”, dos R$ 8 bilhões que passaram pela igreja e por empresas ligadas a ela em sete anos, R$ 300 milhões foram movimentados em cinco países: México, Venezuela, Estados Unidos, África do Sul e Chile.
Durante a fase de inquérito, a maior parte dos acusados foi intimada e se apresentou na delegacia, mas, por orientação do advogado, eles disseram que falariam apenas diante do juiz. Segundo a policia, Edir Macedo não compareceu. A intimação dele foi entregue à defesa já que o bispo mora nos Estados Unidos.
Segundo a promotoria, a investigação vai prosseguir agora, com um novo pedido de ajuda internacional para localizar valores que possam ter sido movimentados ilegalmente no exterior.
O indiciamento do bispo Edir Macedo, proprietário da Rede Record, e de outras nove pessoas ligadas à Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) por desvio de recursos da instituição religiosa para a compra de empresas de comunicação e outros bens, suscitou discussões nos principais veículos de comunicação do país.
Segundo a denúncia do Ministério Público, entre as emissoras adquiridas de forma irregular estariam a TV Record do Rio de Janeiro e a TV Record de Rio Preto. Em vez de aplicar o dinheiro em obras de caridade e na manutenção de templos, os recursos das doações teriam sido empregados na compra de empresas e visavam ao lucro por parte de Macedo, entendeu a Promotoria.
Na última terça-feira (11), o jornal Folha de S.Paulo publicou uma manchete sobre o tema, intitulada "Universal é acusada de lavar dinheiro". O jornal carioca O Globo também noticiou o fato, na reportagem "Edir Macedo vira réu por lavagem de dinheiro", e O Estado de S. Paulo informou em matéria desta quarta-feira (12) que "Universal deu dinheiro de fiéis a TV, diz acusação".
Já o "Jornal Nacional", da TV Globo, exibiu uma longa reportagem sobre as acusações contra Edir Macedo. Citando a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o jornal mencionou fiéis que se sentiram enganados e foram à Justiça para reaver o dinheiro, e afirmou que, segundo os promotores, "a quadrilha era liderada pelo denunciado Edir Macedo, que comandava de fato todas as ações praticadas pela organização".
"Igrejas em geral, independentemente da religião, costumam desenvolver relevante trabalho social, e por isso, estão livres do pagamento de impostos. Mas, segundo a promotoria, ficou comprovado que, no caso da Universal, os denunciados se aproveitaram da imunidade tributária concedida pela constituição a templos de qualquer culto, para captar dízimos, ofertas e contribuições e fizeram investimentos em bens particulares", diz um trecho da reportagem do "Jornal Nacional".
Em resposta às acusações, Edir Macedo escreveu em sua página do Twitter: "Acusações e Perseguições. Quais interesses estão por trás dos ataques contra a IURD? Saiba hoje [auarta-feira] à noite, no 'Jornal da Record', às 19h45.". Procurada pelo Portal IMPRENSA, a assessoria de comunicação da Record informou que será exibida uma reportagem "rebatendo as acusações que envolvem o nome da emissora".