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Na França, milhares de grevistas protestam contra reforma da previdência

O governo, insiste que não voltará atrás na reforma da previdência.

Como já era previsto, sindicatos em toda a França, nos mais diversos setores, entraram em greve nesta terça-feira paralisando grande parte dos transportes, voos nacionais e internacionais, escolas e serviços públicos. Cerca de 244 marchas e protestos foram convocados em todo o país.

As greves chegam como protesto à reforma da previdência, que aumentou de 60 para 62 anos a idade de aposentadoria no país.

A iniciativa do presidente conservador Nicolas Sarkozy tem sido alvo de críticas pela sociedade francesa. Pesquisas indicam que 69% da população aprovam as greves. O governo tem deixado claro que não vai recuar, mesmo sob pressão das paralisações e da opinião pública.

"Em função da nossa capacidade de manter os índices de mobilização, isto pode durar um certo tempo. Hoje haverá uma mobilização muito grande. É incompreensível que o governo não se mova frente às reclamações dos sindicatos", disse François Chereque, secretário-geral da CFDT, uma grande central sindical francesa.

No início da terça-feira o metrô parisiense funcionava sem grandes interrupções, mas no aeroporto de Roissy-Charles de Gaulle, 30% dos voos foram cancelados e em Orly já eram 50%, de acordo com o Departamento Geral de Aviação Civil (DGAC). Um terço dos serviços ferroviários está suspenso.

O governo espera que o Parlamento aprove de forma definitiva a reforma antes do final de outubro.

As três greves anteriores (7 e 23 de setembro e 2 de outubro) mobilizaram em cada ocasião de 2,5 milhões a 3 milhões de pessoas, segundo os sindicatos, e de 900 mil a 1,2 milhões, de acordo com a polícia.

DURAÇÃO

Os sindicatos ferroviários convocaram inicialmente uma greve de dois dias, ou seja, terça e quarta-feira, mas a paralisação tem caráter prorrogável e a partir do dia 13 as assembleias gerais decidirão a cada manhã se os trabalhadores continuam parados na jornada seguinte.

Com este sistema, de acordo com a vontade dos sindicatos mais radicais, a greve poderia ser prolongada, em setores-chave como os transportes e as refinarias, até pelo menos o sábado, quando deve haver mais manifestações.

Os efeitos da greve serão sentidos no trânsito das 85 cidades onde foram convocadas paralisações no transporte urbano.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) recomendou aos motoristas que encham seus tanques e prevê que no final desta semana deve haver problemas de escassez de combustível em algumas regiões.

O governo, embora insista que não voltará atrás na reforma da previdência, que hoje prossegue sua tramitação no Senado, se mantém alerta, visto que as pesquisas mostram que uma grande maioria da população está a favor da greve de amanhã: 69% aprovam a paralisação e 16% são contra.

Fontes: FOLHA - Agências

União Europeia ameaça tomar medidas legais contra a França

País europeu implementa programa de deportação de ciganos

Menina cigana segura a irmã mais nova em um acampamento ilegal em Lille, no norte da França/Denis Charlet/09.09.2010/AFP

A União Europeia (EU) poderá tomar medidas legais contra a França pela forma com que o país conduziu a deportação de ciganos, disse Viviane Reding, comissária de Justiça da UE nesta terça-feira (14), apontando o comportamento da França como uma desgraça.

Paris argumenta que mandou ciganos de volta para a Bulgária e a Romênia sem descumprir leis francesas ou europeias, mas os críticos da ação o governo romeno condenaram o ato e questionaram em até que grau as deportações foram voluntárias. Isto porque o governo destruiu uma série de acampamentos ciganos antes de realizar o processo, em um movimento para não deixar outra opção aos ciganos, de acordo com os críticos da iniciativa.

A comissária afirmou que a França não foi sincera sobre suas negociações com as autoridades da UE sobre a retirada de milhares de ciganos do país e disse acreditar que deveriam ser iniciados processos contra o governo francês dentro de semanas.

- Minha paciência está se esgotando. Já é o bastante.

Viviane disse a jornalistas em uma entrevista coletiva em Bruxelas, na Bélgica, levantando a voz e batendo no pódio com frustração, enquanto falava.

- Nenhum Estado-membro pode esperar receber tratamento especial quando os valores fundamentais das leis europeias estão em jogo. Eu estou convencida, pessoalmente, de que a Comissão não terá escolha senão iniciar procedimentos sobre infrações contra a França.

Ela explicou em seguida que a Comissão Europeia, órgão executivo da UE, discutiria assim que como proceder nesse caso.

Em uma dura e incomum crítica contra um país membro da UE, Viviane disse que o governo francês havia infringido as leis da União Europeia sobre o livre trânsito de pessoas ao enviar cerca de 8.000 imigrantes de volta à Romênia e à Bulgária neste ano. A medida teria sido parte de uma repressão contra o crime do presidente da França, Nicolas Sarkozy.

Grupos de direitos humanos, alguns ministros do governo Sarkozy e a Igreja Católica condenaram amplamente as expulsões, dizendo serem parte dos esforços de Sarkozy para aumentar sua decrescente popularidade em um período de cortes orçamentários.


Fontes: R7 - REUTERS

França tem manifestações contra expulsão de ciganos e xenofobia

Mais de cem protestos estão previstos em frente a embaixadas francesas. Atos miram expulsões em massa de ciganos pelo governo de Sarkozy.

Um dia de mobilização na França e na Europa está programado para este sábado (4) contra a "xenofobia" do governo do presidente Nicolas Sarkozy, que foi muito criticado dentro de fora do país após as expulsões em massa de ciganos romenos e búlgaros.

Milhares de pessoas protestavam na tarde deste sábado (horário local) em Paris, atrás de um grupo de ciganos franceses e do leste europeu que encabeçavam simbolicamente o desfile.

Mais de 100 manifestações devem acontecer na França e diante das embaixadas francesas de vários países da União Europeia (UE), com o apoio de dezenas de organizações de defesa dos direitos humanos, sindicatos e partidos de esquerda e ecologistas.

Manifestantes participam de ato contra a xenofobia e as polícias de restrição a imigrantes do governo em Paris, neste sábado (4) (Foto: Jacques Demarthon / AFP)

"Diante da xenofobia e da política do desprezo: liberdade, igualdade, fraternidade", afirmam os cartazes de convocação dos protestos, em uma referência ao lema oficial da República Francesa.

Na manhã deste sábado, personalidades do mundo da cultura, como a cantora Jane Birkin e o cineasta Agnes Jaoui, compareceram às imediações do prédio do ministério de Imigração e Identidade Nacional para cantar músicas de apoio aos imigrantes sem documentos.

"Acho que transformaram os ciganos e os imigrantes ilegais em bodes expiatórios, que podem ser expulsos, enquanto eu, que também sou estrangeira, não sou expulsa", afirmou, indignada, Jane Birkin.


Fontes: G1- TV Globo - AFP

Sarkozy nega envolvimento no escândalo L'Oreal e diz ser vítima de calúnia

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, negou nesta terça-feira ter recebido doações irregulares de campanha, em 2007, da herdeira do grupo L'Oréal, Liliane Bettencourt. 


Presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse ser vítima de calúnia/Philippe Wojazer-01ºjul.10/Reuters

O presidente, que já viveu uma dura derrota este ano com o caso Clearstream, disse ser vítima de "calúnia que só visa a denegrir".

"Gostaria que o país se apaixonasse pelos grandes problemas atuais como a saúde, a organização da saúde, a aposentadoria, como criar crescimento, ao invés de embalar-se com o horror da calúnia, que só tem um objetivo, denegrir sem nenhum apoio na realidade", afirmou Sarkozy, em uma mesa redonda sobre medicina nas proximidades de Brie-Comte-Robert, sul de Paris.

A acusação foi feita na véspera pela ex-contadora de Bettencourt, identificada como Claire T., que disse ao site Mediapart que o gestor da multimilionária, Patrice de Maistre, teria repassado 150 mil euros em efetivo para a campanha presidencial de Sarkozy. O dinheiro teria entregue ao amigo de Maistre, Eric Woerth, então tesoureiro da União do Movimento Popular (UMP, direita) e da campanha de Sarkozy.

Woerth foi ministro de Orçamento por três anos e agora está à frente do Ministério do Trabalho como peça-chave do governo, a cargo da reforma do sistema de aposentadorias, uma das mais polêmicas implementadas pelo presidente.

O presidente francês lamentou que atualmente "há mais interesse pela pessoa que cria um escândalo do que pela pessoa que cura, que trabalha ou que constrói".

O próprio Woerth, cuja renúncia é vista como iminente pela imprensa francesa, também negou terminantemente ter recebido dinheiro ilegal de Bettencourt. "Nunca recebi no plano político o mínimo euro que não fosse legal", afirmou.

Gravações feitas ilegalmente por um mordomo revelam o conteúdo das conversas entre Bettencourt e seus conselheiros financeiros, com tópicos que vão de contas secretas na Suíça à doação de uma ilha de luxo privada para um amigo.

Nestas gravações aparece ainda o nome da mulher de Woerth, Florence, em conversa sobre operações financeiras para a herdeira da L'Oreal sonegar impostos. Os interlocutores dão a entender que o próprio Woerth, então ministro do Orçamento, estaria consciente das operações, a ponto de uma parte da fortuna de Bettencourt ser administrada, desde 2007, pela sua mulher.

ANO DIFÍCIL

Sarkozy enfrenta um ano difícil para sua imagem. Em janeiro deste ano, a justiça francesa absolveu o ex-premiê Dominique de Villepin, principal acusado no caso Clearstream de conspiração e manipulação política para sabotar a candidatura de Sarkozy à Presidência em 2007.

O veredicto representa um golpe contra Sarkozy, que não fazia segredo sobre considerar Villepin um de seus maiores inimigos quando os dois faziam parte do governo do ex-presidente Jacques Chirac (1995-2007).

Villepin, ex-premiê de Chirac, e outras quatro pessoas foram acusados de tramar um plano que consistia em levar à justiça uma lista falsa de personalidades com contas ocultas no Clearstream, organismo financeiro de Luxemburgo. Entre elas, estava Sarkozy, então ministro do Interior, que aparece com os nomes Stephane Bocsa e Paul de Nagy. O nome completo do francês é Nicolas Paul Stephane Sarkozy de Nagy-Bocsa.

Sarkozy, que ao explodir o escândalo no fim de 2006 havia prometido "pendurar o responsável num gancho de açougue", era um dos 41 autores civis do processo contra Villepin.

Sarkozy apoia ministro envolvido em escândalo financeiro com herdeira da L'Oréal

O presidente francês Nicolas Sarkozy entrou em cena para apoiar seu ministro do Trabalho, Eric Woerth, encarregado da delicada reforma das aposentadorias, acusado de estar no centro de um "conflito de interesses" no caso da fortuna da herdeira da L'Oréal.

O chefe de Estado teve a "oportunidade de reafirmar toda sua confiança em Eric Woerth para conduzir a reforma previdenciária" e ele o encorajou "a continuar seu trabalho", declarou nesta quarta-feira o porta-voz do governo, Luc Chatel, no fim do Conselho dos ministros.

Sarkozy também tentou pôr um fim à polêmica embaraçosa de Woerth, um dos ministros mais proeminentes da maioria governante: ele conduz atualmente a reforma da segunda parte do mandato do presidente, que enfrenta uma forte oposição.

O caso entre a herdeira da grande empresa de cosméticos L'Oréal, Liliane Bettencourt, e sua filha fez com que o ministro sofresse, por vários dias, acusações de envolvimento num "conflito de interesse" pela oposição que reclama uma investigação judicial.

Gravações reveladas na semana passada sugerem possíveis fraudes fiscais na gestão da fortuna da mulher mais rica da França. O nome de Woerth, ex-ministro do Orçamento de 2007 a março de 2010, aparece nas escutas.

Elas deixam entender que ele estaria consciente das operações, a ponto de uma parte da fortuna de Bettencourt ser administrada, desde 2007, pela sua esposa.

A oposição denuncia um "conluio" entre o poder e grandes fortunas e inúmeros dirigentes exigiram a demissão de Eric Woerth. A direção do Partido Socialista pediu, na noite de terça-feira (22), "solenemente" ao presidente Sarkozy que tudo fosse esclarecido.

O ministro do Trabalho repetiu que nem ele ou sua mulher têm nada com que se preocupar, excluindo a possibilidade de se demitir.

Sua esposa, Florence, negou estar consciente de uma possível fraude e assegurou que ela não havia "absolutamente nenhum" conhecimento sobre a totalidade do patrimônio da herdeira Bettencourt, em entrevista para o Parisien nesta quarta-feira.

A confusão começou com o envolvimento da herdeira Bettencourt e sua filha Françoise, que acusa um fotógrafo de tentar abusar financeiramente de sua mãe, de 87 anos, para obter mais de um bilhão de euros (R$ 2,2 bilhões) em doações.

Herdeira da L'Oréal nega ter sido pressionada por causa da fortuna

A multimilionária Liliane Bettencourt, herdeira da companhia de cosméticos L'Oréal, enfrentou nesta sexta-feira na televisão francesa a polêmica que gira em torno do controle de sua fortuna. Ela negou ter sofrido pressões para se desfazer de parte do dinheiro.

Liliane, 87, assegurou que Jean-François Banier, o artista e fotógrafo acusado pela filha da herdeira, Françoise Bettencourt-Meyers, de ter se aproveitado de sua mãe para obter presentes avaliados em cerca de 1 bilhão de euros, não a pressionou.

As declarações de Liliane foram feitas no dia seguinte ao início de um processo em um tribunal francês para elucidar se Banier abusou de sua fraqueza ou não.

Precisamente, a defesa de sua filha alega que a herdeira da L'Oréal não está em condições de administrar sua fortuna, calculada em cerca de 17 bilhões de euros (em torno de R$ 38 bilhões) e que por isso foi manipulada por Banier, razão pela qual exige que lhe seja imposta uma tutela.

O processo aberto ontem contra Banier foi adiado sem data de reatamento porque o tribunal estimou que precisa de tempo para examinar o conteúdo das gravações de conversas privadas apresentadas pela filha de Liliane e nas quais se aponta a existência de supostos delitos fiscais.

"Sei muito bem que uma filha pode ter ciúmes de sua mãe. Eu também era ciumenta quando via meu pai rodeado de mulheres", disse a herdeira na entrevista, quando perguntada pelo interesse de Françoise em demonstrar que Banier e outras pessoas poderiam querer se aproveitar de sua fortuna.


Fontes: FOLHA - Efe - AFP

Ministra do esporte da França diz que crise na seleção 'é um desastre moral'

A pedidos do presidente Nicolas Sarkozy, Roselyne Bachelot se reuniu com jogadores da França e falou sobre comprometimento e reputação

A ministra de saúde e esporte da França usou palavras fortes para qualificar a crise pela qual atravessa a seleção francesa de futebol nesta Copa do Mundo. Roselyne Bachelot convocou uma entrevista para comentar o caso que ela classificou como 'um desastre moral'.

- O futebol francês enfrenta um desastre, não porque perdemos um jogo. Mas porque esse desastre é um desastre moral. O governo francês não intervem no esporte, salvo em casos em que a reputação do país inteiro está em jogo. Como é caso hoje – declarou a ministra, pausadamente.]

Roselyne Bachelot, ministra de esportes da França (Foto: João Paulo Garschagen/Globoesporte.com)

Além da sua avaliação sobre a crise, que teve como pivô o atacante Anelka, cortado da seleção francesa no último sábado, a ministra revelou o que disse em reunião fechada com os jogadores nesta segunda-feira.

- Olhei nos olhos de cada um deles e disse: 'está nas mãos de vocês que os nossos filhos continuem a vê-los como heróis. Para alguns ou muitos de vocês este será, provavelmente, o último jogo em uma Copa do Mundo. Um jogo de Copa do Mundo todos sonharam quando eram crianças'.



Roselyne Bachelot esteve presente em um dostreinos dos Bleus (Foto: agência Reuters)

Segundo a ministra, alguns jogadores choraram durante sua fala. Roselyne Bachelot continuou a relatar o que aconteceu na reunião e disse ter usado o exemplo vivido por Raphael Ibanez, capitão da seleção de rúgbi da França, antes de uma partida que os franceses consideravam impossível de vencer.

- Era um jogo que não tinha como ganhar. Mas ele foi ao vestiário e escreveu só uma frase: 'como vocês querem ser lembrados no futuro?' E hoje eu usei a mesma frase aos jogadores na reunião. Como é que vocês querem que sejam lembrados? Que imagem vocês querem deixar? - contou a ministra.

Em seguida a ministra prometeu uma série de medidas que pretende implementar no esporte francês. Bachelot irá se encontrar com Laurent Blanc, futuro técnico dos Bleus, anunciou uma auditoria para investigar tudo que aconteceu na Copa da África do Sul, disse que haverá mudanças na governança do esporte olímpico e, por fim, anunciou a criação de uma cartilha de compromissos éticos dos atletas.

- E que cada jogador assine esse compromisso, o que é algo que não aconteceu nesta Copa do Mundo. Quem não se comprometer com esta carta, é simples: não participará e não será selecionado – prometeu a ministra, que em seguida encerrou a coletiva lembrando a partida desta terça-feira, entre França e África do Sul.

- Nas próximas 24 horas, nada disso mais importa. É a hora dos jogadores.

Franceses em treino: reputação do país nas mãos dos jogadores (Foto: Getty Images)




Fonte: G1 / João Paulo Garschagen

Trabalhadores ameaçam explodir usina na França

A usina emprega 92 pessoas. O fechamento foi anunciado há um ano.


Funcionários da Sodimatex atearam fogo em carros em protesto contra fechamento da fábrica em região perto de Paris/Regis Duvignau/Reuters

Trinta funcionários de uma usina de equipamentos automotivos que fechará as portas ameaçam explodir o local nesta sexta-feira, incendiando um tanque de gás. O objetivo é conseguir indenizações maiores. A usina fica a 70 quilômetros de Paris, capital da França.

Depois de terem ameaçado promover uma explosão nesta quinta-feira à noite, os trabalhadores da empresa Sodimatex aumentaram a pressão nesta sexta-feira ao colocar coquetéis molotov em torno da cisterna, que tem de quatro a cinco metros de comprimento.

Quase cem policiais e bombeiros foram deslocados para a região da usina em Crépy-em-Valois.

Segundo os funcionários, o tanque, cujo gás serve para fazer os monta-cargas funcionarem, está quase cheio. 'Se explodir, não vai voar somente a usina. Será uma pena se quiserem chegar a esse ponto', afirmou um dos trabalhadores.

A usina emprega 92 pessoas. O fechamento foi anunciado há um ano. Desde então, as negociações entre a direção da empresa e os funcionários sobre as condições das demissões fracassaram.

Fontes: FOLHA - AFP

Socialistas derrotam Sarkozy em eleição regional na França

Derrota é creditada ao desemprego

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, e seu partido de centro-direita sofreram no domingo uma esperada derrota em eleições regionais no país, mas foram capazes de vencer em uma importante região e evitar um massacre, segundo pesquisas de boca-de-urna.

O Partido Socialista e seus aliados conquistaram cerca de 54% dos votos em nível nacional, garantindo o controle sobre ao menos 20 de 22 regiões, enquanto o partido de Sarkozy teve 36% dos votos, de acordo com a OpinionWay.

A Frente Nacional, de ultradireita, obteve apenas 8,7% dos votos totais, segundo a OpinionWay, mas o líder veterano da legenda, Jean Marie Le Pen assegurou quase 25% dos votos em sua região no sul da França, como previsto. Com isso, o partido deve conseguir um bom número de deputados provinciais.

Ainda que o resultado da eleição deste domingo represente um triunfo para os socialistas, o fato de o partido de Sarkozy ter aparentemente mantido o poder na região da Alsácia foi um alívio para o presidente francês, que tem sido alvo de críticas por suas políticas.

Especialistas políticos têm afirmado que a economia fraca e o aumento do desemprego estão abalando a imagem do governo francês.

Fontes: FOLHA - Reuters

Sarkozy admite erros operacionais da França durante o genocídio de Ruanda

Presidente afirmou que Operação Turquesa começou 'tarde demais'. É a primeira visita de um chefe de Estado francês ao país após conflitos.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, reconheceu nesta quinta-feira (25) em Kigali, em Ruanda, "graves erros de apreciação" da França e da comunidade internacional durante o genocídio de 1994 que ocorreu no país africano. O líder francês também homenageou as vítimas, que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), chegaram a cerca de 800 mil pessoas.

"O que aconteceu aqui é inaceitável, mas obriga a comunidade internacional, o que inclui a França, a refletir sobre seus erros que impediram prevenir e deter esse crime espantoso", declarou Sarkozy durante uma entrevista coletiva à imprensa ao lado do presidente ruandês, Paul Kagame.

Presidente francês, Nicolas Sarkozy, é ajudado pelo ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, após pisar em falso em escada ao sair do avião (Foto: AP)


Entre as falhas cometidas, Sarkozy citou "uma forma de cegueira quando não vimos a dimensão genocida do governo do presidente que foi assassinado (Juvénal Habyariama). Além disso, cometemos erros na Operação Turquesa, que foi realizada tarde demais (...)".

A Operação Turquesa foi uma medida militar e humanitária iniciada pelo Exército francês em junho de 1994, três meses depois do início do genocídio.

O presidente francês pediu que os responsáveis pelo genocídio sejam encontrados e castigados. "Não há nenhuma ambiguidade. Disse ao presidente Kagame: os que fizeram isso, onde quer que estejam, devem ser encontrados e castigados", declarou.

Depois do genocídio de 1994, o governo de Paul Kagame acusou a França de cumplicidade por ter apoiado Juvénal Habyarimana. Paris sempre rejeitou a acusação.

O atentado que matou Habyarimana, de etnia hutu, desencadeou uma onda de ataques que resultou no genocídio. A maior parte das vítimas foi da população pertencente à etnia minoritária do país, os tutsis. A rivalidade entre os dois grupos étnicos em Ruanda é histórica.

Pouco antes, Sarkozy homenageou as vítimas do massacre ao visitar o momumento fúnebre erguido em Kigali. "Em nome do povo francês, me inclino ante às vítimas do genocídio dos tutsis (...), a humanidade manterá para sempre a memória destes inocentes e de seu martírio", escreveu Sarkozy no livro de ouro do monumento fúnebre.

O chefe de Estado francês, acompanhado dos ministros ruandeses das Relações Exteriores, Louise Mushikiwabo, e da Cultura, Joseph Habineza, respeitou um minuto de silêncio diante de 14 fossas comuns do monumento, onde foram enterrados os corpos de mais de 250 mil vítimas, e depositou uma coroa de flores.

Sarkozy, ao lado de seu ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, e de uma delegação francesa, visitou durante cerca de 20 minutos o museu que relata a história de Ruanda da colonização belga até o genocídio.

A visita de Sarkozy, a primeira de um presidente francês desde o genocídio, ocorreu três meses depois da retomada oficial das relações diplomáticas entre os dois países.

Fontes: G1 - France Presse

França nega nacionalidade a estrangeiro que força mulher a usar véu

A Igreja Católica francesa alertou o governo na segunda-feira (1º) que precisa respeitar os direitos dos muçulmanos
O primeiro-ministro da França, François Fillon, anunciou nesta quarta-feira que assinou um decreto negando a naturalização de um estrangeiro que obriga a mulher, que é francesa, a usar um véu semelhante a uma burca --roupa islâmica que cobre todo o corpo da mulher. A proibição já havia sido anunciada nesta terça-feira pelo ministro de Imigração francês, Eric Besson, em meio a campanha de Paris para proibir o uso da vestimenta em locais públicos.

Em entrevista à rádio Europe 1, Fillon explicou que baseou o decreto em uma lei que nega a nacionalidade francesa a qualquer um que não aceitar os princípios laicos e da igualdade entre homens e mulheres.

Ativistas da associação Ni Putes, Ni soumises vestem burcas em protesto contra o uso da vestimenta muçulmana na França/Yoan Valat/Efe

Segundo o primeiro-ministro, o homem rompe com estes critérios ao obrigar a mulher a utilizar o véu. "Ele
não merece a nacionalidade francesa", disse.

O decreto assinado por Fillon tinha sido proposto pelo ministro Besson, que argumentou que, durante a pesquisa regulamentar e a entrevista prévia para obtenção da nacionalidade, foi constatado que o solicitante "obrigava a mulher a vestir um véu de corpo inteiro".

Besson disse ainda que o homem, cuja identidade não foi revelada, "privava a mulher da liberdade de sair com o rosto descoberto e rejeitava os princípios laicos e da igualdade entre homens e mulheres".

O decreto foi assinado uma semana depois de uma comissão parlamentar encarregada de estudar a regulação do uso do burca na França ter recomendado a proibição da peça em locais públicos, como escolas, hospitais e escritórios do governo.

Os legisladores da mesma comissão também propuseram ao Parlamento que aprove uma resolução condenando o uso da burca, classificada como "contrária aos valores da República".

O jornal "Le Figaro" disse que o homem vem do Marrocos e precisa da nacionalidade francesa para poder morar no país com sua mulher.

O debate sobre o banimento da burca já se mostrou altamente controverso e os críticos argumentam que o governo arrisca estereotipar a comunidade muçulmana francesa.

A polícia francesa diz que apenas 1.900 mulheres utilizam véus que cobrem o corpo --a maioria no estilo dos niqabs, que mostram os olhos.

A Igreja Católica francesa alertou o governo na segunda-feira (1º) que precisa respeitar os direitos dos muçulmanos se quer que os países islâmicos respeitem as minorias cristãs.

Fontes: FOLHA - France Presse

França revisará imposto ecológico após rejeição do Conselho Constitucional

A taxa ecológica deverá sofrer uma nova avaliação

O governo francês confirmou nesta quarta-feira (30) que revisará o mecanismo de aplicação do denominado "imposto sobre o carbono", principal aposta contra a mudança climática do presidente Nicolas Sarkozy. Ele pretendia aplicá-lo a partir de 1º de janeiro, mas a proposta foi rejeitada pelo Conselho Constitucional.

A dois dias da entrada em vigor, a alta instância emitiu a censura contra o imposto aprovado pelo governo francês por considerar que impõe uma desigualdade no tratamento entre os contribuintes particulares e empresas.

O porta-voz do Executivo, Luc Chatel, reconheceu nesta quarta-feira que "o Governo tomou conhecimento da decisão do Conselho Constitucional de invalidar o mecanismo do imposto sobre o (dióxido de) carbono, mas a França tem de seguir à frente do combate em favor do meio ambiente".

O primeiro-ministro francês, François Fillon, havia adiantado na terça-feira (29), após conhecer a decisão do Conselho Constitucional, que apresentará outro texto sobre o imposto em 20 de janeiro, o que atrasará em vários meses a entrada em vigor da nova taxa.

"Uma imensa bofetada" para o presidente Sarkozy, expressou-se hoje o jornal econômico "Les Echos" sobre a decisão da Constitucional, uma expressão que também utilizou o vespertino "Le Monde", que considerou que a decisão é "um golpe político duro" para o presidente.

Copenhague

"Depois do revés internacional em Copenhague [conferência da ONU sobre clima, sem objetivos concretos de redução de emissões poluentes], Nicolas Sarkozy vê agora rejeitada sua estratégia nacional", acrescentou o jornal.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, apresentou em setembro as modalidades da nova taxa, mas insistiu em que seria compensada com outras reduções tributárias diante da reticência da opinião pública.

"É preciso reforçar a fiscalização que taxa as atividades poluentes e reduzir o peso sobre o trabalho", disse Sarkozy, em discurso para tranqüilizar os franceses, que nas pesquisas demonstraram majoritária contrariedade à taxa.

O novo encargo, aplicável a particulares e empresas consumidores de combustíveis fósseis, havia sido calculado em 17 euros por tonelada de CO2 (dióxido de carbono), o que significaria, por exemplo, um aumento de 0,045 euros para a gasolina ou uma alta média de 8% na fatura de calefação de combustível derivado do petróleo.

Orçamento

Hoje o governo francês reconheceu que as altas de preços não serão aplicadas a partir de 1º de janeiro de 2010.

Ao apresentar em 30 de setembro as contas do Estado para o próximo ano, o governo francês detalhou que o novo imposto geraria uma receita de 2 bilhões de euros e agora o atraso na cobrança da taxa torna difícil alcançar o objetivo orçado.

Em 2010, o Estado francês prevê que o déficit público, que aumentou em 8,2% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, deverá seguir subindo, chegando a 8,5%.

A taxa ecológica deverá sofrer uma correção --como a aplicada na Lei Hadopi de luta contra a pirataria na internet --para receber o sinal verde dos "sábios" do Constitucional.

Sarkozy, por enquanto, evitou pronunciar-se diretamente sobre a questão, embora possa mencionar ainda o assunto no discurso de 31 de dezembro, antes de acabar um ano "especialmente difícil para o Chefe do Estado", como assinalou hoje o "Le Monde".


Fontes: FOLHA - France Presse

Passageiros que ficaram presos no Eurotúnel voltam para casa

Mais de 2.000 pessoas passaram a noite no túnel.
Ao menos quatro trens quebraram sob o Canal da Mancha.

Mais de 2.000 pessoas passaram a noite presos dentro do túnel que liga a Inglaterra a França sob o Canal da Mancha depois que o tráfego ferroviário no Eurotúnel foi suspenso devido à quebra de três trens. Relatos anteriores davam conta de que seriam cerca de 1.200 pessoas, mas o número foi corrigido ao longo da noite, segundo a TV inglesa.

Segundo a rede britânica Sky News, os passageiros que ficaram presos no túnel haviam saído de Paris rumo a Londres, e completaram a viagem rumo à Inglaterra após mais de 12 horas de viagem.

As composições tiveram problemas depois que deixaram o ar frio do ambiente externo na França para entrar no calor dos túneis. Elas bloquearam a linha durante a noite, informou neste sábado um porta-voz do túnel submarino.


Trem deixa o túnel que liga Inglaterra à França, em foto de arquivo (Foto: AFP)

Dois dos trens que ficaram parados foram levados até Londres empurrados por locomotivas a Diesel. Os passageiros de um terceiro trem quebrado foram transferidos de composição para poderem completar o trajeto. Centenas de pessoas que estavam em um quarto trem voltaram ao terminal na França, e devem pegar um outro trem.

"Fomos parados fora do túnel e avisaram que íamos atrasar, mas aí o trem quebrou completamente dentro do túnel", contou um dos passageiros que ficaram a noite presos à Sky News.

A operadora dos trens do Eurotúnel solicitou que as pessoas com passagem para fazer a travessia neste sábado adie a viagem. Eles disseram que vão oferecer reembolso das passagens ou remarcação de datas.


 


Fontes: G1 - Agências

Christian Lacroix não voltará a desfilar nas passarelas de Paris

Crise financeira que abala o setor do luxo golpeou também a tradicional maison francesa que fecha suas portas

Platéia joga flores no estilista Christian Lacroix após desfile de primavera-verão em 2009/AP/Christoph Eena

PARIS - O estilista francês Christian Lacroix não voltará a desfilar nas passarelas parisienses, segundo as agências France Press e Associated Press, após uma decisão do tribunal do Comércio de Paris anunciada nesta terça, 1, que o obriga a fechar seu ateliê de alta-costura. A notícia é manchete da versão online de um dos principais jornais franceses, o Le Parisien.

A crise financeira que abala o setor do luxo golpeou também a tradicional maison francesa que desde junho está sob administração judicial, após declarar a suspensão dos pagamentos de mais de uma centena de funcionários. O tribunal de Comércio de Paris anunciou um plano de recuperação para os proprietários da casa Christian Lacroix, que em 2005 foi adquirida pelo grupo norte-americano Falic. Assim, apenas 11 dos empregados vão cuidar dos contratos de acessórios e perfumes da loja.

A maison Christian Lacroix foi fundada em 1987 e dirigida sucessivamente por uma dezena de presidentes até 2005, quando foi adquirida pelo grupo norte-americano. O estilista nascido em Arles, no sul da França, procura há meses um comprador, como o xeque árabe Hassan bin Ali al Nuaimi e a firma francesa Bernard Krief Consulting, que não apresentaram as garantias financeiras necessárias para a manutenção do negócio.

Lacroix cedeu seu nome em 1987 e teria que voltar a comprá-lo, segundo a France Press, que o aponta como um "criador genial que pode imaginar um figurino para uma peça de teatro com o mesmo talento que poderia um dia decorar um trem ou desenhar a capa de um dicionário".

Lamentando sua situação financeira, Lacroix comentou em seu último desfile, em julho, que sempre esteve "contra a corrente e encontrei gente que queria ganhar dinheiro muito rapidamente, em vez de se interessar verdadeiramente na moda como arte".


Pessoas passam diante da vitrine da boutique de Lacroix na Rue Faubourg Saint-Honoré, em Paris, um dos principais centros de alta-costur da cidade. Foto: AP/Remy de la Mauvinière

Fontes: AE / AP

France Telecom substitui diretor após suicídios de funcionários

Cai Louis-Pierre Wenes

A operadora de telefonia France Telecom anunciou nesta segunda-feira a substituição de Louis-Pierre Wenes, diretor da empresa para operações na França, como forma de conter uma crise de confiança surgida após o suicídio de 24 funcionários da empresa desde o início de 2008.

Polícia francesa desmantela acampamento de imigrantes ilegais

Pelo menos 278 estrangeiros, 132 deles menores, foram detidos na operação no porto de Calais

Polícia invade campo de estrangeiros conhecido como "Selva"/AP

PARIS - A polícia francesa desmantelou nesta terça-feira, 22, um acampamento improvisado de imigrantes ilegais conhecido como "Selva". O grupo, cuja maioria é de afegãos, se instalou nos arredores do porto de Calais, no noroeste do país, com o objetivo de chegar clandestinamente ao Reino Unido. Pelo menos 278 estrangeiros, 132 deles menores, foram detidos na operação.

Cerca de 600 policiais cercaram o local e entraram no acampamento. A intervenção das forças da ordem no lugar aconteceu no começo da manhã e se prolongou durante cerca de duas horas, segundo as autoridades locais. O governador regional do departamento de Pas-de-Calais, Pierre de Bousquet de Florian, explicou à imprensa que os detidos menores de idade foram transferidos a "centros especializados".

Segundo a BBC, manifestantes a favor dos direitos dos imigrantes entraram em choque com a polícia. Grupos de refugiados pediram ao governo britânico que recebam alguns refugiados que buscam asilo, mas as autoridades britânicas negaram ter sido obrigadas a aceitar imigrantes.

Ativistas formaram uma corrente humana no início das operações. Imagens aéreas de TV mostram policiais se movimentando pelo acampamento e calmamente levando para fora uma fila de imigrantes. Outras imagens mostram policiais em confronto com manifestantes. O comandante da polícia de Calais, Pierre de Bousquet de Florian, disse à imprensa que a operação foi um sucesso. Segundo ele, 146 adultos e 132 auto-declarados menores foram detidos. Entre eles, não havia nenhuma mulher. Os adultos foram levados para a prisão e os menores para centros especiais de detenção.

Acredita-se que mais de mil pessoas já tenham deixado o local antes do início da operação, depois que o ministro francês de Imigração, Eric Besson, anunciou que o despejo era iminente. O governo francês afirma que todos os moradores vão ter a chance de pedir asilo ou retorno voluntário assistido, mas teme-se que eles, simplesmente, se instalem em outro lugar.

Pouco antes do início da operação, o ministro francês da Imigração, Eric Besson, disse que o acampamento tinha que ser fechado por que é "uma base para traficantes de pessoas". "Há traficantes que fazem essas pobres pessoas pagar um preço extremamente alto por uma passagem para a Inglaterra", disse ele.

O ministro britânico do Interior, Alan Johnson, disse na segunda-feira que estava bastante satisfeito com o fechamento do campo.Segundo ele, refugiados legítimos devem pedir asilo no país da União Europeia em que eles tiverem entrado. "Os dois países estão comprometidos em ajudar indivíduos que são refugiados genuínos, que devem pedir proteção no primeiro país seguro a que eles chegarem", disse Johnson. "Esperamos que aqueles que não precisam de proteção voltem para casa."

Em sua última noite, muitos dos que ficaram no acampamento disseram temer pelo seu futuro. Um deles, Bashir, um professor de inglês de 24 anos do norte do Afeganistão, disse à agência de notícias AFP que pagou US$ 15 mil (cerca de R$ 27 mil) para viajar para a Europa via Paquistão e Istambul. "A gente não tem ideia do que a polícia vai fazer, se vão levar a gente ou vão deixar-nos livres", disse ele. "Mas aqui a gente já fez nosso lugar. Temos nossas casas, nossos chuveiros e nossa mesquita", acrescentou.

O Conselho dos Refugiados, baseado no Reino Unido, quer que o governo britânico aceite alguns imigrantes, em particular crianças, que tenham parentes no Reino Unido.

As autoridades francesas afirmam que "a selva" se tornou um refúgio para gangues de traficantes de pessoas e uma zona "proibida" para os moradores locais. Campos de imigrantes improvisados se multiplicaram na França depois que a Cruz Vermelha fechou o centro de Sangatte, em novembro de 2002. O campo ficava na França, a curta distância do Eurotúnel, e autoridades britânicas alegavam que ele facilitava a entrada de imigrantes ilegais no Reino Unido.

Opinião do BGN

Nas crises dos séculos XIX e XX acolhemos italianos, alemães, poloneses, japoneses, poloneses, etc.... Agora estamos recebendo a "retribuição" por parte dessas nações ditas civilizadas, que utilizaram colonias para explorar e mandar seus excessos....

Fontes: O ESTADO - AP

França testa tecnologia que permite aulas interativas a partir de lousa digital

'Digital School Book' deixa lições sempre atualizadas na escola e em casa.
Projeto experimental está sendo testado em escola de Tourette Levens.


Estudantes franceses acompanham lição em uma lousa digital na escola René Cassin, em Tourette Levens, perto de Nice. A aula faz parte de um programa experimental chamado Digital School Book (Livro escolar digital, em português), no qual os alunos podem se conectar para revisar as lições on-line em casa, com conteúdo atualizado. (Foto: Eric Gaillard/Reuters)



Adolescentes acompanham aula de Geografia ensinada no quadro-negro digital, como parte de projeto experimental que permite estudo sempre atualizado tanto na escola como em casa. (Foto: Eric Gaillard/Reuters)

Fonte: G1 - Reuters

O exemplo da França

Renata Cafardo

Educadores brasileiros ficaram estarrecidos ao ouvir ontem da representante do Ministério da Educação da França, Frederique Lefevre, que lá 100% das crianças entre 3 e 5 anos estão na escola.

No Brasil, a chamada educação infantil (que vai de 0 a 5 anos) não atinge nem 20% da população. Não há vagas para todos. O índice vai melhorando conforme sobe a idade das crianças (entre as de 5 anos há mais delas na escola do que entre as que tem 2 anos, por exemplo), mas em nenhum nível passa de 70%. E a maioria que tem acesso está nas classes mais ricas, em escolas particulares.

São atualmente 2,5 milhões de franceses numa educação infantil pública e gratuita. A valorização da educação para crianças pequenas começou ainda no fim do século 19, quando o governo se deu conta de que as mulheres também comporiam o mercado de trabalho. Hoje, como em todo o mundo, os franceses já reconhecem também o valor da estimulação, sociabilização e brincadeiras propostas por educadores desse nível de ensino.

Frederique falou a uma plateia de brasileiros e franceses em Brasília, no colóquio Cultura e Primeira Infância, realizado pela Embaixada da França no Brasil. Um brasileiro questionou qual foi a estratégia da França para conseguir tamanha adesão para a educação infantil. “Estratégia? Não há estratégia. Eu comecei minha carreira nos anos 70, em escolas rurais, e nessa época, todas as crianças dessa idade já estavam na escola”, disse, até meio sem jeito de deixar seu interlocutor sem uma resposta precisa. Simplesmente é assim, ela quis dizer. É uma questão de cultura. Governo sabe que é importante, pais sabem que é importante e ninguém fica fora da escola.

Fonte: O ESTADO/Renata Cafardo

Sarkozy:Popularidade cai por resposta à crise financeira

Sarkozy em baixa

A popularidade do presidente francês, Nicolas Sarkozy, atingiu o nível mais baixo em quatro meses, de acordo com pesquisa que mostrou que a maioria dos entrevistados não apoia a reposta do governo à crise econômica global.

O nível de aprovação do presidente caiu para 44% na primeira semana de setembro ante 48% registrados em agosto. As pesquisas foram realizadas pelo grupo Viavoice para o jornal francês "Liberation".

A queda compara-se à pequena redução de 2 pontos na popularidade do primeiro-ministro, François Fillon, que chegou aos 48% mostrou a pesquisa.

Dos entrevistados, 54% disseram ter uma opinião negativa sobre Sarkozy, enquanto este número foi de 47% para Fillon.

Na pesquisa, 58% das pessoas disseram julgar como negativa a resposta de Sarkozy à crise econômica.

"Na visão dos entrevistados, o sistema econômico e financeiro não foi reformado, o plano de estímulo econômico não é efetivo o bastante e as políticas adotadas parecem inadequadas", afirmou o diretor associado da Viavoice, François Miquet-Marty, em comunicado.

Fontes: FOLHA - Efe

Lula usa pré-sal e defesa da Amazônia para justificar acordo militar com França

Lula e Sarkozy assinam acordos

Os presidentes Nicolas Sarkozy e Luiz Inácio Lula da Silva assinam acordo na área militar

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, da França, confirmaram nesta segunda-feira o início das negociações entre os governos dos dois países para a compra de 36 aviões-caça Rafale dos franceses, com o compromisso de transferência de tecnologia ao Brasil relacionada às aeronaves.

Lula e Sarkozy não revelaram os valores oficiais que envolvem a negociação, mas o governo brasileiro confirmou que negocia apenas com a França a compra das aeronaves --excluindo temporariamente a Suécia e os Estados Unidos, que também ofereceram as aeronaves ao Brasil.

Lula justificou a compra dos aviões de caça com o argumento de que o Brasil precisa reforçar o controle de suas fronteiras, especialmente na Amazônia. "Vamos produzir equipamentos que reforçarão a capacidade tecnológica do Brasil para proteger e fortalecer suas riquezas naturais. Esse é um componente essencial da estratégia de defesa que meu país aprovou. Queremos preservar o continente como zona de paz. O Brasil aposta em projeto regional de defesa para a integração e o desenvolvimento", afirmou.

Ao discursar ao lado de Sarkozy, o presidente disse que o Brasil é um país que "prima pela paz", mas precisa preservar suas fronteiras diretas --o que inclui a área de descoberta da camada pré-sal de petróleo.

"Deve sempre passar pela nossa cabeça a ideia de que o petróleo já foi motivo de muitas guerras, muitos conflitos. Não queremos nem guerra nem conflito. O Brasil vê oportunidade do pré-sal como oportunidade de daqui a 10 ou 15 anos se transformar em grande economia mundial", afirmou.

Lula disse que Brasil e França consolidaram nesta segunda-feira uma "parceira estratégia entre dois povos que têm muita coisa em comum". Na opinião do presidente brasileiro, a França e o Brasil não querem apenas vender aeronaves, mas "pensar juntos, criar juntos, construir juntos e, se for possível, vender muito juntos".

Acordo

Na conversa entre Lula e Sarkozy, representantes do governo francês se comprometeram em repassar tecnologia ao Brasil caso o país decida efetivamente pela compra dos caças Rafale.

"Para nós, o avião é importante. Mas o importante mesmo é ter acesso à tecnologia para que possamos produzir esse avião no Brasil. É isso que estamos negociando agora, com o ministro da Defesa da França, a empresa que produz [o avião]. No fundo, o Brasil quer comprar um avião que dê ao Brasil a garantia de uso total desse avião com transferência de tecnologia", disse Lula.

Segundo o presidente, caberá ao comandante da Aeronáutica e ao ministro Nelson Jobim (Defesa) negociar os termos financeiros da operação de compra e venda das aeronaves. "Nós decidimos começar as negociações para a compra do Rafale. Eu não sei o total ainda. Esta semana estarei discutindo pormenores com comandante da Aeronáutica e o ministro Jobim, porque eles vão ter que viaja re discutir esses assuntos", afirmou Lula.

Sarkoszy, por sua vez, disse que a disposição dos dois governos é fazer uma espécie de operação "casada" para a compra e venda das aeronaves com as respectivas transferências de tecnologia entre França e Brasil.

Ao contrário de Lula, que evitou confirmar o fim da concorrência com outros países para a compra dos caça Rafale, Sarkozy disse que o governo brasileiro quer negociar diretamente com a França a aquisição das aeronaves.

"Eu anuncio aqui a decisão de, a princípio, comprar os aviões de transporte brasileiro para substituir nossos C- 130. A negociação está começando, nas mesmas condições. Se eles [brasileiros] estiverem de acordo, gostaríamos de nos associar a essa construção de aviões numa verdadeira troca, como faremos da mesma maneira com o Rafale, que será desenvolvimento em comum acordo com os brasileiros", disse Sarkozy.

Além da compra dos caça Rafale, o governo brasileiro firmou com a França o compromisso de adquirir helicópteros de transporte do tipo EC-725 e submarinos com tecnologia nuclear.

Fonte: FOLHA/GABRIELA GUERREIRO

Sarkozy chega ao Palácio da Alvorada

Presidente da França desembarcou em Brasília na noite deste domingo (6).
Ele vai assinar acordos de cooperação militar e prestigiar o 7 de Setembro.


O presidente da França, Nicolas Sarkozy, é recebido pelo presidente Lula, ao desembarcar na Base Aérea, em Brasília, na noite deste domingo (6) (Foto: André Dusek/AE)

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, chegou às 20h02 deste domingo (6) no Palácio da Alvorada, em Brasília, onde vai jantar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele desembarcou na Base Aérea da capital brasileira por volta das 19h30, onde foi recebido com honras militares por Lula. De lá, o presidente francês seguiu de carro para a residência oficial do presidente do Brasil.

O presidente da França veio ao país, acompanhado por seis ministros e empresários, para assinar acordos de cooperação militar, acertar detalhes sobre a construção de uma ponte entre o Brasil e a Guiana Francesa e para acompanhar o desfile de 7 de Setembro. Sarkozy chegou à Brasília desacompanhado da primeira-dama, a cantora e ex-modelo Carla Bruni, que ficou em Paris.

Também participam do jantar os ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e da Casa Civil, Dilma Rousseff, o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, além do exbaixador do Brasil na França, José Mauricio Bustani, e de autoridades francesas. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, não deve comparecer ao encontro.

De acordo com o Itamaraty e o Ministério da Defesa, a expectativa do Brasil com a segunda visita do presidente da França é de assinar acordos estratégicos entre os dois países e acompanhar a concretização de compromissos de transferência de tecnologia militar.

Na área de defesa, o objetivo é assinar contratos para a fabricação no Brasil de quatro submarinos convencionais e 50 helicópteros de transporte. Os dois presidentes também querem finalizar parte do acordo para a construção de um submarino nuclear, que deve custar € 6,6 bilhões e faz parte da Estratégia Nacional de Defesa.

A agenda de Sarkozy, que deve retornar à França já na segunda-feira (7) à tarde, prevê diversos compromissos em Brasília. Às 9h, o presidente francês participa como convidado de honra do desfile militar de celebração da Independência do Brasil. Tropas francesas vão fazer uma demonstração especial. De acordo com a embaixada da França, a vinda de Sarkozy especialmente para o 7 de setembro acontece em comemoração do Ano da França no Brasil. Em 2005, Lula foi a Paris comemorar a queda da Bastilha, em 14 julho, no ano do Brasil na França.

Ao meio- dia, ele se reúne novamente com o presidente Lula para negociações. Em seguida ministros dos dois governos, entre eles o de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, e o chanceler da França, Bernard Kouchner, vão se juntar aos presidentes para finalizar as negociações e a assinatura dos acordos. De acordo com o Itamaraty, eles também farão um balanço dos compromissos de cooperação bilateral assinados no final de 2008, quando Sarkozy fez a primeira visita oficial ao Brasil.

Após a reunião, às 15h10, Sarkozy discute com o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, o projeto de construção, em Brasília, do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). O VLT será construído em parceria com a Agência Francesa de Desenvolvimento. Sarkozy embarca para a França por volta de 16h30.

Fontes: G1/Diego Abreu - AE

Lula e Sarkozy assinam acordo militar

Parceria prevê transferência de tecnologia e deve ser concluída em 2021.
Projeto de € 6,6 bilhões faz parte da Estratégia Nacional de Defesa.


Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy se cumprimentam em encontro na França em julho deste ano (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência)


Veja na Tv Estadão: Brasil e França fecham acordo sobre submarinos


Parceiro estratégico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ambicioso projeto de reaparelhamento militar das Forças Armadas Brasileiras, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, chega ao país neste domingo (6) para acompanhar os festejos da independência, em 7 de setembro, e assinar o acordo que permitirá ao Brasil iniciar o desenvolvimento do primeiro submarino nuclear produzido no país.

Além de reativar a indústria bélica nacional e colocar o Brasil na corrida armamentista da América do Sul – já deflagrada por Venezuela e Colômbia –, a aliança com os franceses, prevista na Estratégia Nacional de Defesa (END), tem o objetivo de redirecionar as prioridades das Forças Armadas para os próximos 30 anos.

Mas será que a opção seguida pelo governo vai, de fato, transformar o Brasil em uma potência militar? O G1 entrevistou integrantes do governo e parlamentares para mostrar os argumentos que levaram o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a investir na união com os franceses.

Para um dos conselheiros do presidente Lula, o Brasil só firmou o acordo com os franceses porque o governo do presidente Sarkozy foi o único a aceitar a transferência de tecnologia de fabricação das armas. Considerada uma das apostas mais ambiciosas da Marinha, a estratégia envolve a construção de um estaleiro e uma base naval em Itaguaí, no Rio de Janeiro, onde serão produzidos quatro submarinos convencionais do modelo Scorpène e um submarino nuclear. O acordo de transferência de tecnologia abrange apenas as partes não-nucleares do projeto, o que despertou as críticas de alguns parlamentares no Congresso.

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, afirma, no entanto, que a troca de conhecimentos vai ser fundamental para os novos rumos da atividade militar no país. “A questão essencial nessa escolha (dos submarinos franceses) é a troca de tecnologia, que os outros países não fizeram. Não vamos mais às compras, mas vamos co-produzir os nossos armamentos. E isso tem importância para o atual quadro de defesa da América do Sul”, avalia Marco Aurélio.

O plano de defesa começou a ser concebido pelo governo no início de 2008. Além dos submarinos, o acordo também envolve o Projeto H-X BR, que trata da aquisição de 50 helicópteros de médio porte e aeronaves modelo EC 725, a partir de parceria entre a empresa francesa Eurocopter e a brasileira Helibrás. O valor total dos projetos está orçado em cerca de € 6,6 bilhões e deve ser concluído em 2021. O primeiro submarino convencional já deve estar pronto em 2015.

Em reunião com integrantes da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara na quinta-feira (27), Jobim falou dos desafios das Forças Armadas a partir do acordo com a França. Segundo ele, a Marinha vai reforçar sua atuação como a criação de batalhões e a aquisição de aviões, helicópteros e a construção dos submarinos. O ministro defendeu o acordo assinado com a França argumentando que a medida vai fortalecer a proteção das riquezas marítimas brasileiras, principalmente as reservas petrolíferas. “Estamos a caminho de termos uma capacidade dissuasória absolutamente necessária considerando que o Brasil tem riquezas no pré-sal e no solo marinho”, disse Jobim.

O ministro também afirmou que a parceria vai colocar o Brasil no grupo de cinco países que conseguem projetar, construir e operar submarinos de propulsão nuclear: Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China. A diferença entre o Brasil e os países que já fabricam submarinos de propulsão nuclear, segundo o ministro, estará no armamento carregado no submarino brasileiro, que não será nuclear. “O Brasil tem uma proibição constitucional de construir e usar armas nucleares. Os armamentos que utilizaremos no submarino serão convencionais. Nós não vamos utilizar e não vamos produzir armas nucleares”, assegurou Jobim.

Críticas

Apesar dos argumentos do governo sobre as vantagens da transação, a eficiência dos submarinos franceses e os valores do acordo são questionados no Congresso. Para o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), o processo está sendo feito “a toque de caixa” e sem a necessária reflexão.

Delgado questiona os fundamentos técnicos e econômicos do acordo. Ele sustenta que os equipamentos franceses são ultrapassados e que a transação, realizada por meio de empréstimo internacional, só vai endividar o país. "Esse pacote envolve R$ 19 bilhões na compra de submarinos convencionais franceses que não são utilizados por nenhuma potência mundial. É extremamente inviável ao Brasil investir em algo tão desatualizado e caro em troca da chamada transferência tecnológica que, é importante que se diga, não vai envolver a tecnologia nuclear", diz Delgado. Para o deputado, o Brasil não precisaria fechar um acordo de transferência tecnológica para construir partes não-nucleares: “A tecnologia não-nuclear o país já possui.”

Delgado diz que, além de custar caro, o Scorpène já estaria tecnologicamente defasado a ponto de não ser usado por outras marinhas do mundo. Segundo ele, apenas o Chile, a Índia e a Malásia utilizam os Scorpène e mesmo nestes países os submarinos têm provocado descontentamento devido a uma sucessão de falhas técnicas.

Os submarinos alemães seriam uma alternativa mais viável e barata, na visão do deputado do PSB mineiro. “Se é para gastar tanto com uma coisa tão ruim, porque não fazer uma coisa melhor? Os submarinos alemães podem ter tecnologia nuclear, só que o país decidiu não usar. Mas eles podem produzir. A única justificativa para esse projeto é o lobby francês, que foi mais forte”, afirma o deputado.

O assessor especial da Presidência procura amenizar as críticas alegando que a Marinha analisou criteriosamente as propostas até chegar ao modelo Scorpène. “A Marinha analisou detidamente as propostas e optou pela transferência de tecnologia. Os submarinos não são obsoletos. Eles (os franceses) vão nos ajudar na produção do casco e na parte eletrônica dos submarinos. Os equipamentos se ajustam às necessidades da armada nacional”, argumenta Marco Aurélio.

Scorpène

Ciente das críticas, a Marinha elaborou um documento no qual justifica a opção pelos submarinos Scorpène. Depois de visitar países detentores da tecnologia, os técnicos da Marinha optaram pelo submarino francês por se tratar de um modelo convencional com estrutura idêntica a do nuclear.

Dados do ministério da Defesa mostram que o submarino nuclear brasileiro será uma adaptação do Scorpène, daí o interesse pelo casco francês. “O projeto destaca-se por facilitar uma rápida transição para o nuclear, haja vista sua forma de casco clássica daquele tipo de submarinos, com hidrodinâmica apropriada para elevados desempenhos em velocidade e manobra”, registra o texto da Marinha.

Segundo o relatório da Marinha, o Scorpène tem a vantagem de empregar os mesmos sistemas (sensores, sistema de combate, armamento, sistema de controle da plataforma) existentes nos submarinos nucleares franceses. “Ajustes de software compatibilizam as diferentes necessidades de desempenho. Do ponto de vista logístico e de atualização tecnológica constitui diferencial respeitável”, destaca o documento.

A Marinha argumenta que o Scorpène atende às necessidades do governo brasileiro em “queimar etapas” no projeto de incorporação de tecnologia nacional na construção de submarinos. “Considerando a necessidade brasileira de abreviar processos - na verdade, queimar etapas, sem jamais comprometer a segurança –, a escolha do projeto do Scorpène, para servir de base ao desenvolvimento do projeto do nosso submarino de propulsão nuclear, resulta de aprofundados estudos. No entender da Marinha, essa escolha constitui a opção de menor risco”, diz o relatório.

Empréstimo

Na tarde de terça-feira (1), a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado autorizou a União a contratar empréstimo externo junto a um consórcio de bancos para financiar a construção dos submarinos e para equipar as Forças Armadas. O parecer da CAE foi referendado no plenário do Senado na sessão de quarta-feira (2).

A maior parcela dos recursos será destinada ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub). O dinheiro também será usado para custear o trabalho de técnicos franceses que irão auxiliar no desenvolvimento da parte não-nuclear (casco resistente, sistema de controle de imersão, sensores, moto elétrico de propulsão etc) do submarino e na aquisição dos helicópteros e aeronaves do Projeto H-X BR.

Com relação à parte nuclear do projeto, a Marinha trabalha no enriquecimento do urânio, feito a partir do Centro de Aramar, em Iperó (SP), que será destinado ao reator capaz de dar propulsão nuclear ao submarino. “A negociação com os franceses é exclusivamente da parte não nuclear, tudo com transferência de tecnologia para o Brasil. A parte nuclear é nossa. É o combustível e o reator”, disse Jobim.

Fontes: G1/Robson Bonin

França quer parceria nas áreas nuclear e espacial com Brasil

SÃO PAULO - O governo francês pretende usar a segunda visita oficial do presidente Nicolas Sarkozy ao Brasil, entre este domingo, 6, e segunda, 7, para ampliar o "viés civil" da Parceria Estratégica entre os dois países. Depois de firmar a venda de submarinos e helicópteros em um acordo de 8,6 bilhões de euros (R$ 22,6 bi) e conquistar o favoritismo na licitação FX-2, do Ministério da Defesa, o Palácio do Eliseu quer agora aprofundar os negócios em áreas como energia nuclear, transportes e a exploração do espaço. Para os franceses, o Brasil é ainda visto como plataforma na qual suas empresas poderão produzir e vender para toda a América Latina.

O foco da Parceria Estratégica foi revelado pelo conselheiro diplomático do Palácio do Eliseu, Jean-David Lévite, na sexta-feira, 4, em Paris. A ambição do governo francês é reduzir o peso militar das relações comerciais entre os dois países, ampliando os negócios civis. "Os contratos militares progrediram rapidamente, mas os civis vão ultrapassá-los em breve", estimou Lévite.

Só para a compra dos quatro submarinos convencionais Scorpène, para a produção do casco de um submarino nuclear e a construção de uma base naval e de um estaleiro no Rio, o Ministério da Defesa vai desembolsar 6,7 bilhões de euros, de acordo com os números divulgados em Paris. Outros 1,9 bilhão de euros vão para a aquisição de 51 helicópteros pesados Cougar EC-725, que serão produzidos no Brasil pela Helibras, subsidiária da francesa Eurocopter.

O governo francês confia ainda no favoritismo dos aviões de caça Rafale, produzidos pela Dassault, que competem com os americanos F/A-18 da Boeing e com os suecos Gripen NG na licitação FX-2, que prevê a compra de 36 aviões para a Força Aérea Brasileira (FAB). O resultado da seleção pode até ser divulgado nesta segunda-feira, 7.
A França também planeja usar o Brasil para transformar o país em um trampolim comercial no continente. "O Brasil será uma plataforma de reexportação para toda a América Latina de produtos franceses fabricados no país, como os helicópteros Eurocopter, os submarinos DCNS e os aviões, se for o caso", afirmou o conselheiro de Américas da Presidência francesa, Damien Loras.

Fonte: AE

Brasil vai fechar maior contrato militar de sua história recente

O Brasil assina na próxima segunda-feira (7) com a França o maior e mais importante acordo militar de sua história recente, com 8,5 bilhões de euros em submarinos e helicópteros. Provavelmente a conta será aumentada em breve pela aquisição de caças franceses, segundo informa reportagem deste domingo de Igor Gielow, secretário de Redação da Sucursal de Brasília da Folha

Os presidentes Lula e Nicolas Sarkozy celebram a "parceria estratégica" após a festa do Sete de Setembro. Essa é a segunda visita de Sarkozy ao país em menos de um ano. Ele participará do feriado da Independência como convidado de honra.

O valor, a ser pago em até 20 anos e equivalente a R$ 22,5 bilhões, é muito superior às compras russas feitas pela Venezuela e aos acordos operacionais dos EUA com a Colômbia. O valor equivale a tudo o que está previsto em Orçamento para o PAC no ano. Os termos de financiamento dependem de aprovação final no Congresso.

Visita de Sarkozy ao Brasil cria expectativa sobre caças Rafale

O presidente francês Nicolas Sarkozy iniciará no domingo uma visita rápida ao Brasil, com a esperança de incentivar, mesmo que não chegue a fechar, o primeiro contrato de exportação do caça francês Rafale.

De passagem por Paris no início de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou esperar que a vinda de seu colega francês a Brasília, onde Sarkozy será o convidado de honra para a festa do Dia da Independência, seria a ocasião para se fecharem novos contratos na área de defesa, depois dos que foram assinados em uma visita anterior, no final de 2008.

A declaração foi vista como encorajadora para o avião Rafale, da Dassault Aviation, que concorre com o F18 americano da Boeing e o Gripen da empresa sueca Saab na licitação aberta pelo Brasil para a renovação de uma parte (36 aparelhos) de seus aviões de caça. O valor envolvido seria da ordem de 4 bilhões de euros.

Lula acenou com essa esperança ao declarar esta semana, em entrevista, que a França é "o país mais flexível para a transferência de tecnologia," ressaltando que isso lhe confere "uma vantagem comparativa excepcional."

Mas a hipótese de um anúncio ser feito durante a visita de Sarkozy ainda é incerta. Na sexta-feira o presidente francês demonstrou prudência extrema sobre o assunto, dizendo apenas que tomou nota das declarações do presidente brasileiro com grande interesse.

Transferências

O contrato marcaria um avanço importante para o Rafale, avião cujo projeto foi lançado em 1988 e que é operacional desde 2006 na Força Aérea francesa, mas que sofreu uma longa sequência de reveses de exportação.

A França se encontra em fase avançada de negociações com os Emirados Árabes Unidos para a venda de 60 unidades do avião.

A última visita de Sarkozy ao Brasil foi marcada pela assinatura de contratos de mais de 6 bilhões de euros relativos à venda de quatro submarinos convencionais e 50 helicópteros militares de transporte.

Esses acordos, cuja finalização e financiamento acabam de ser concluídos, "foram acompanhados de transferências de tecnologia e coprodução sem precedentes, fato que foi determinante".

Após os submarinos, os helicópteros e possivelmente os aviões de combate, França e Brasil estudam cooperações no controle do espaço aéreo, na segurança de fronteiras, na digitalização do campo de batalha e no âmbito espacial.

Fonte: FOLHA - Reuters

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