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'Brasil deve decidir se é pró-Irã ou pró-EUA'

Entre elogios a Lula e à emergência do Brasil, Shimon Peres cobra ação com base em 'valores'; 'Ahmadinejad não é um problema só para Israel'

Celso Ming  - O Estado de S.Paulo

Incomodado com a aproximação entre o governo Luiz Inácio Lula da Silva e o Irã de Mahmoud Ahmadinejad, o presidente de Israel, Shimon Peres, afirmou que a diplomacia brasileira não pode se valer apenas de "puro poder" e deve se pautar também por "valores". "É preciso fazer uma escolha. Não se pode ser pró-EUA e pró-Irã ao mesmo tempo", resumiu Peres em entrevista ao "Estado", às Organizações Globo e ao jornal Valor Econômico.

O ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1994 exortou o Brasil a levar a sério as ameaças de Ahmadinejad a Israel, assim como sua pregação contra o Holocausto. Peres, porém, não perdeu o tom conciliatório durante a entrevista, elogiando várias vezes "os grandiosos feitos do Brasil nos últimos anos". "Nossa relação com o Brasil é muito intensa, muito boa. Desejamos continuar nesse caminho."

Para ele, o mundo deve reconhecer a emergência de novas potências como Brasil, China e Índia. Do outro lado, os países em ascensão devem assumir suas responsabilidades diante das principais questões globais.

"A voz do Brasil deve ser ouvida", defendeu Peres, mesmo quando o assunto é proliferação nuclear ou terrorismo global. "Mas cada um de nós deve fazer sua escolha. As ambições iranianas não são um problema apenas para Israel, são um problema para o mundo", completou.

Segundo ele, Israel "não pode ser neutro". "Somos um povo cujo fundamento é a moral - os Dez Mandamentos. Nossa política externa parte dos Dez Mandamentos. Não queremos ver o mundo governado por ditadores. Chega de Hitler, de Stalin, de Mussolini - nunca mais queremos vê-los."

Peres disse que o presidente Lula assegurou a ele ter discutido nos bastidores com Ahmadinejad a retórica agressiva adotada pelo Irã. "Lula disse que perguntou ao iraniano "por que você ameaça destruir Israel? Por que você nega o Holocausto?" Portanto, o debate está aberto."

Arsenais. 

O israelense disse que não critica Lula. "Mas um líder com a biografia dele deve concentrar forças. Eu, pragmático que sou, penso que o maior poder vem da força moral."

Discretamente, Peres tentou contornar as críticas ao fato de Israel manter um arsenal atômico e se recusar a aderir ao Tratado de Não Proliferação Nuclear, mas exigir que a comunidade internacional imponha sanções ao Irã por seu programa nuclear. "Se a bomba está nas mãos de alguém responsável, é uma coisa. É preciso considerar quem tem a posse dela."

Questionado sobre o crescente isolamento internacional de Israel, Peres afirmou que seu país é "um dos mais populares do mundo". Ele enumerou os aliados de Israel - incluindo China e Índia - e disse que a maior parte dos habitantes do planeta apoia os israelenses.

O líder que, juntamente com Yitzhak Rabin, assinou em 1993 os Acordos de Camp David com o então líder da OLP, Yasser Arafat, também falou sobre a América Latina. Peres elogiou as críticas recentes do cubano Fidel Castro a Ahmadinejad e o reconhecimento do "sofrimento histórico do povo judeu".

Peres disse que a convivência de árabes e judeus no Brasil é um exemplo para o mundo. "Eu me reuni com o Comitê Olímpico brasileiro e vi que nele havia judeus e árabes trabalhando juntos. Eu e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, ficamos muito impressionados. Eu disse a Abbas: "Se eles conseguem, por que nós não?""


QUEM É

Shimon Peres - Atual presidente de Israel (cargo de chefia de Estado, mas não de governo) construiu sua carreira política no Partido Trabalhista ao lado líderes como os ex-premiês David Ben Gurion, Golda Meir e Yitzhak Rabin. Em 1993, assinou no jardim da Casa Branca o primeiro acordo de paz entre Israel e a Organização de Libertação da Palestina de Yasser Arafat - feito que lhe rendeu o Nobel da Paz de 1994. Em 2006, formou o Partido Kadima, com o então premiê, Ariel Sharon.

Marinha de Israel intercepta veleiro de pacifistas judeus que ia a Gaza

Barco Irene tentava romper simbólicamente o bloqueio ao território palestino. Abordagem não foi violenta, segundo os militares israelenses.

A Marinha de Israel interceptou nesta terça-feira (28) em alto-mar o veleiro Irene, de pacifistas judeus que tentava romper simbolicamente o bloqueio marítimo da Faixa de Gaza.

"Dez navios de guerra israelenses obrigaram o veleiro a desviar para Ashdod" (porto israelense), declarou à France Presse um dos organizadores, Amjad al-Shawa, que estava em terra em Gaza.

"Eles se renderam porque estavam cercados e não tinham outra opção", acrescentou.

Barco com ativistas é rebocado para o porto israelense de Ashdod nesta terça-feira (28). (Foto: AFP)

"A Marinha assumiu o controle do veleiro para levá-lo ao porto de Ashdod", anunciou o Exército israelense em um comunicado.

O texto dos militares afirma ainda que a ação não resultou em nenhum ato de violência de nenhum lado.

O pequeno veleiro Irene, de bandeira britânica, com militantes pacifistas jornalistas procedentes de Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha e Israel a bordo, havia zarpado no domingo de Famagusta, ao norte do Chipre.

Uma porta-voz dos ativistas disse que um dos passageiros tem 82 anos e problemas do coração.

O barco de ativistas Irene parte da costa de Famagusta, em Chipre, neste domingo (26). (Foto: AP)


Fontes: G1 - TV Globo - Agências

Fidel entra na onda e manda Ahmadinejad calar a boca

“Eu não imagino que ninguém foi mais caluniado do que os judeus. Eu diria que muito mais do que os muçulmanos. Eles foram caluniados bem mais do que os muçulmanos porque eles são acusados por tudo. Ninguém acusa os muçulmanos. Os judeus vivem uma existência muito mais complicada do que a nossa. Não há nada que se compare ao Holocausto”.

“O governo iraniano precisa entender que os judeus foram expulsos de suas terras, perseguidos e maltratados em todo o mundo como aqueles que teriam matado Deus”

Fidel Castro, em entrevista a Jeffrey Goldberg, da revista The Atlantic

Perguntado se diria o mesmo ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, o líder cubano afirmou – “Estou dizendo isso para que você o comunique”.

Este foi o segundo “cala boca” que Ahmadinejad recebe nesta semana de figuras que de forma alguma podem ser consideradas próximas de Israel. O primeiro veio do porta-voz da Autoridade Palestina.

A declaração de Nabi Abu Rudeinah e agora a de Fidel Castro valem mais do que sanções econômicas ou ameaças de ataques militares contra o regime iraniano. Quem sabe o próximo a falar não será Lula

Fonte: Gustavo Chacra / O ESTADO DE S PAULO

Israel está disposto a entregar Jerusalém Oriental aos palestinos, diz ministro

Já Netanyahu mantém a antiga posição e defende que capital é 'indivisível'

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, afirmou que Israel está disposto a entregar aos palestinos Jerusalém Oriental, e que o ataque na terça-feira contra quatro colonos judeus não impedirá a nova negociação de paz. A declaração foi publicada nesta quarta-feira no jornal Ha'aretz. Porém, um porta-voz do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu esclareceu posteriormente que Jerusalém continuará sendo a "capital indivisível de Israel".

Barak cita a segurança israelense como um dos principais pontos de discussão, além da delimitação das fronteiras do estado palestino, uma solução para o problema dos refugiados e a questão da disputa por Jerusalém. "Jerusalém Oeste e 12 bairros judeus, onde vivem 200.000 pessoas, serão nossos. Os bairros árabes, onde vivem cerca 250.000 pessoas, serão seus", diz Barak. Ele pontua ainda que "um regime especial regerá a antiga cidade", a parte mais disputada de Jerusalém, que abriga o Muro das Lamentações e a chamada Esplanada das Mesquitas.

Depois das declarações de Barak sugerindo que a divisão é uma possibilidade, o assessor de Netanyahu decidiu esclarecer a postura de Israel. "A posição do primeiro-ministro é que Jerusalém é um dos assuntos centrais que está na mesa de negociações", afirmou a fonte. "Nossa postura é que Jerusalém continuará sendo a capital indivisível de Israel", enfatizou.

Negociações 

Segundo Barak, as negociações diretas que têm início em Washington vão se basear no princípio de "dois estados para duas nações". O processo de paz teria como objetivo "colocar fim ao conflito e a possibilidade de qualquer reivindicação futura". Para isso, as partes devem negociar todos os considerados "aspectos cruciais" do conflito regional, sustentou o ministro.

Sobre o ataque perpetrado na terça-feira por milicianos do Hamas, no qual morreram quatro colonos judeus em Hebron (Cisjordânia), o titular israelense de Defesa afirma que "é um incidente muito sério" e o considera "uma tentativa de impedir o início da negociação". Barak adverte, no entanto, que o ataque "não pode abalar o esforço nas negociações de paz".

Repetição 

O plano exposto pelo ministro da Defesa de Israel é muito similar ao negociado em 2000 na cúpula de Camp David, quando Barak era chefe de Governo. À época, as negociações fracassaram por sua rejeição ao retorno de todos os refugiados palestinos desde a criação em 1948 do estado de Israel.

Fonte: Veja

Ex-soldado israelense é criticada por fotos no Facebook

Eden Abergil aparece em fotos com palestinos vendados e amarrados. Exército diz que ela ainda poderá ser responsabilizada por suas ações.

Uma soldado israelense exonerada foi criticada nesta segunda-feira por autoridades israelenses e palestinas por postar fotos suas no Facebook, posando ao lado de palestinos vendados e amarrados.

Eden Abergil e detentos palestinos, em foto publicada na internet (Foto: AP)

A ex-recruta Eden Abergil é vista em duas fotos de seu álbum intitulado "Exército - a melhor época de minha vida" ao lado de homens palestinos vendados e com as mãos amarradas, em local não identificado da Cisjordânia ocupada.

As outras 26 fotos visíveis no álbum mostram Abergil posando com amigos e companheiros de seus tempos de serviço militar.

Não foi possível falar com Abergil, que não responde mais diretamente às Forças Armadas, já que foi dispensada, mas um porta-voz do Exército disse que ela ainda poderá ser responsabilizada por suas ações.

"Em luz do fato de que ela foi dispensada no ano passado, todas as informações foram entregues a comandantes para serem submetidas à atenção deles", disse o porta-voz.

Imagem publicada no Facebook da ex-recruta israelense Eden Aberjil (Foto: AP)

Ele se negou a dizer que tipo de ação pode ser tomada contra Abergil, mas disse que as Forças Armadas estudam a possibilidade de mover uma ação judicial contra ela. Um porta-voz da polícia disse que não tem conhecimento de qualquer queixa civil registrada com relação ao assunto.

"Trata-se de comportamento vergonhoso da soldado", disse o porta-voz militar.

Um comunicado do Centro Palestino de Governo e Mídia disse que as fotos são humilhantes e pediu o fim dessas práticas.

"Isso revela a mentalidade do ocupante: ter orgulho de humilhar palestinos. Isso deve acabar, e os direitos e a dignidade dos palestinos devem ser respeitados", diz o comunicado.

Israel controla boa parte da Cisjordânia ocupada, capturada em uma guerra de 1967. Os palestinos querem o território como parte de um futuro Estado palestino, ao lado da Faixa de Gaza e de uma capital palestina em Jerusalém oriental.

Em casos em que soldados e policiais israelenses suspeitam que palestinos estejam envolvidos em infrações de segurança, os palestinos às vezes são amarrados e vendados enquanto aguardam ser levados para interrogatório.

Fontes: G1- REUTERS

Navio líbio desiste de ir a Gaza e atraca em porto no Egito

Decisão evita confronto com Israel e possível derramamento de sangue.

Um navio fretado por uma entidade da Líbia, que entregaria mantimentos aos palestinos da faixa de Gaza, chegou nesta quarta-feira (14) ao porto egípcio de El Arish, evitando assim um confronto com a Marinha israelense.

Uma autoridade egípcia disse que o navio Amalthea atracou em El Arish, porto do Mediterrâneo a cerca de 45 km da fronteira com Gaza, e começou a descarregar sob o comando do capitão Gamal Abdel Maqsoud, encarregado do porto.

Trabalhadores carregam navio cargueiro chamado Amalthea no porto de Lavrio, em Atenas, antes de partir carregando ajuda para palestinos/John Kolesidis/09.07.2010/Reuters

- Mantimentos médicos e passageiros vão entrar em Gaza por meio da fronteira de Rafah, enquanto os alimentos vão entrar pela fronteira de Awja.

Segundo ele, o Crescente Vermelho egípcio tem caminhões à espera em El Arish e vai se responsabilizar pelo transporte da ajuda.

Israel, que mantém um bloqueio naval à faixa de Gaza, território controlado pelo grupo islâmico Hamas, ameaçava impedir que o Amalthea chegasse à região.

No fim de maio, uma flotilha turca tentou furar o bloqueio israelense, resultando em um confronto que matou nove ativistas e causou uma forte reação internacional contra Israel.

Youssef Sawani, diretor de uma entidade beneficente dirigida por um filho do líder líbio, Muammar Gaddafi, e responsável pelo fretamento do navio, disse que decidiu por razões de segurança não tentar chegar a Gaza.


- Seria inaceitável para nós entrarmos em confronto e arriscarmos um derramamento de sangue. Os objetivos do Amalthea foram alcançados sem violência, e o resultado são ganhos para os palestinos.

Governo palestino pede mais frotas para Gaza

O primeiro-ministro do governo do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, havia apelado aos ativistas para que não se desviassem da sua rota original, e pediu num discurso que mais "frotas da liberdade" partam em direção a Gaza.

- Os comboios por mar e terra devem continuar. Esperamos que nações islâmicas nos ajudem a suspender o bloqueio.

Depois do incidente com o navio turco, Israel atenuou o bloqueio terrestre ao território, e nesta quarta-feira o vice-premiê, Dan Meridor, declarou a uma rádio que a carga do Amalthea poderia entrar em Gaza se desembarcasse no Egito.

Na noite de terça-feira, o navio parou em alto-mar, e surgiram rumores de que seus motores teriam quebrado, ou de que haveria discordâncias a bordo sobre que rumo tomar.

Fontes: R7- Agências

Navio líbio que tentava ir à Faixa de Gaza ruma para o Egito, diz Israel

Embarcação foi alertada pela Marinha israelense de que não poderia entrar. Entidade líbia afirma querer levar ajuda para o território palestino.

O navio Amalthea/Reprodução TV Globo

Uma embarcação fretada por uma entidade líbia e que pretendia entregar ajuda humanitária aos palestinos da Faixa de Gaza mudou de rumo e está se dirigindo ao Egito, após ter recebido alertas da Marinha israelense, segundo autoridades militares de Israel.

O navio Amalthea, de bandeira da Moldávia, se dirige ao porto egípcio de El Arish. Em Trípoli, a entidade beneficente estatal que organizou a missão, e que inicialmente tinha negado a mudança de rota, não se manifestou, e as informações sobre o destino da embarcação seguem contraditórias.

Um mapa de navegação alimentado por satélite no site Marinetraffic.com mostrava o Amalthea 56 quilômetros a sudeste de El Arish, com chegada estimada para 11h (hora de Brasília). Antes, o navio não aparecia no mapa, sugerindo que seu GPS estava temporariamente obstruído ou desligado.

Israel já havia prometido impedir que o Amalthea - rebatizado de "Esperança" pelos ativistas - se aproximasse de Gaza. Em 31 de maio, embarcações vindas da Turquia para Gaza foram abordadas por soldados israelenses, e nove ativistas morreram no confronto, causando forte reação internacional.

Pescadores palestinos trabalham nesta quarta-feira (14) próximo ao porto de Gaza. (Foto: AP)

O Estado de Israel mantém um bloqueio econômico à Faixa de Gaza, alegando que isso impede o grupo islâmico Hamas, que governa a região, de receber armas. Depois do incidente de maio, Israel atenuou o bloqueio terrestre, autorizando a entrada de produtos civis. Mas o bloqueio naval está mantido.

"Qualquer um que queira trazer materiais que não sejam materiais perigosos - munições etc - podem trazê-los por meio de El Arish, podem trazê-los por meio do porto (israelense) de Ashdod", disse o vice-premiê Dan Meridor à Rádio Israel.

"O que queremos é estabelecer o arranjo para as inspeções, para que possamos sempre chegar e não permitir que eles entrem peitando", afirmou.

O Egito disse na noite de terça-feira que o Amalthea solicitou e recebeu permissão para atracar em El Arish, e que as autoridades pretendiam enviar por terra a carga declarada de 2.000 toneladas de alimentos e remédios.

Ao contrário da Líbia, o Egito tem relações plenas com Israel, e também impõe restrições na sua própria fronteira com a Faixa de Gaza.


Comentário

É evidente que estas tentativas em furar o bloqueio marítimo, são provocações  de natureza política, visando prejudicar Israel. 


Fontes: G1 - Agências - TV Globo

Exército de Israel 'se prepara' para deter barco de ajuda a Gaza da Líbia

Cargueiro com ajuda para Gaza tem até a noite de hoje para mudar seu rumo

JERUSALÉM - O Exército de Israel "começou os preparativos" para deter o barco de ajuda líbia destinado a Gaza se este tentar forçar o bloqueio marítimo do território palestino, indicou nesta terça-feira, 13, um porta-voz militar de Israel, de acordo com informações da agência de notícias AFP.

"O exército começou seus preparativos para deter o barco se este tentar violar o bloqueio marítimo", declarou à AFP o porta-voz, e apontou que o exército israelense havia "feito contato" com o barco líbio.

Segundo um representante da Fundação Kadhafi a bordo do barco, as autoridades israelenses deram prazo de até a meia noite de terça para mudar o rumo do cargueiro "Amalthea", com bandeira Moldova e que zarpou da Grécia.

"As autoridades israelenses nos deram prazo de até esta noite a meia noite para mudarmos a direção para o porto (egípcio) de Al Arich. Senão, ameaçam capturar o barco com sua armada de guerra", indicou à AFP Machllah Zwei, contactado por telefone.

Segundo Zwei, o comandante do cargueiro respondeu "que o tema será estudado pelos responsáveis pelo barco antes de dar uma resposta".

Ao meio dia (horário local), o barco se encontrava a cerca de 240 km da Faixa de Gaza e tinha previsto chegar à costa na quarta-feira de manhã, de acordo com Zwei.

Israel detalha lista de bens liberados para entrar em Gaza

O governo de Israel anunciou no dia 5, novos detalhes de seu plano de relaxamento do bloqueio à Faixa de Gaza, divulgando listas de produtos cuja entrada no território palestino continuará proibida ou será permitida sob supervisão israelense.

De acordo com o governo de Israel, produtos que não estejam nas listas, como por exemplo aparelhos eletrônicos, terão sua entrada liberada. Até agora, apenas certos alimentos e remédios básicos podiam ingressar livremente no território.

A Faixa de Gaza, controlada pelo grupo palestino Hamas, é alvo de um bloqueio israelense desde 2007. A divulgação das listas acontece três semanas após a decisão de relaxar as medidas contra Gaza ter sido anunciada pelo governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Em lugar de uma breve lista de "artigos permitidos", Israel divulgou uma lista de "produtos proibidos" que ficam sujeitos ao controle israelense e que incluem três categorias: "armas e munição", "artigos de duplo uso" segundo o Acordo de Wassenaar (1996) e "materiais de construção".

Veja as três listas elaboradas pelo governo de Israel:

Armas e munições: entrada proibida sob todas as circunstâncias por toda a fronteira de Israel. Só entram com permissão da Ordem de Controle de Segurança de Exportações.

Bens e itens de uso duplo: entrada controlada pela ANP com base na legislação israelense. Estão na lista produtos químicos que podem ser usados na fabricação de explosivos, tipos específicos de metais, facas de caça, equipamento ótico, como lasers e óculos de visão noturna, equipamento de mergulho, paraquedas, asas-delta e todo tipo de veículo aéreo não-motorizado, fogos de artifício e britadeiras, entre outros.*

Materiais de construção: entrada permitida sob supervisão da ANP e de órgãos internacionais. Inclui cimento, concreto, aço, ferro, cabos de aço, ferro galvanizado e compostos plásticos com mais de 4 milímetros de espessura, materiais isolantes térmicos, blocos de qualquer tamanho de concreto, asfalto, veículos (excluindo carros particulares), tábuas de madeira mais espessas que 2 centímetros, entre outros.

*Bens de uso duplo são considerados itens que podem ser usados tanto para fins civis quando por grupos terroristas para a fabricação de armas e em ataques.

Fontes: O ESTADO DE S PAULO - Agências

Obama reafirma compromisso com criação de Estado palestino

Presidente americano pediu a retomada das negociações de paz com Israel

Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas; palestino recebeu ligação hoje do presidente dos EUA, Barack Obama, pedindo acordos de paz/Jacky Naegelen/14.06.2010/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reafirmou nesta sexta-feira (9) seu compromisso para a criação de um Estado palestino, durante conversa por telefone com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.

O porta-voz do palestino, Nabil Abu Rudeina, informou que o Abbas recebeu um telefonema do presidente Obama sobre os últimos acontecimentos políticos.


- Eles falaram em particular sobre a reunião de Obama com [o primeiro-ministro israelense, Benjamin] Netanyahu na terça-feira, em Washington.

Depois de um período de distanciamento, o presidente americano e seu hóspede israelense mostraram-se em harmonia, num encontro na Casa Branca. Nele, Obama pediu a retomada das negociações de paz diretas entre israelenses e palestinos até o final de setembro.

Abbas, por sua vez, relatou ao presidente americano seu objetivo de instaurar um Estado palestino independente, mas com a presença israelense nos territórios ocupados desde 1967.

O porta-voz de Abbas acrescentou que Obama prometeu se empenhar pela instalação de um Estado palestino independente, “vivendo em segurança, paz e estabilidade, ao lado de Israel”.

A Casa Branca confirmou em comunicado o telefonema de Obama a Abbas.

Fontes: R7 - AFP

Israel anuncia alívio de bloqueio a Gaza; EUA elogiam medida

Israel anunciou nesta segunda-feira que irá aliviar o bloqueio à faixa de Gaza, permitindo a entrada de mais produtos na região.

Após o anúncio, a Casa Branca elogiou a medida, que ocorre após duras críticas internacionais ao bloqueio israelense à Gaza, e na véspera da visita do premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, aos Estados Unidos.

O porta-voz da Casa Branca, Tommy Vietor, disse hoje que o novo procedimento "irá representar um progresso significativo nas vidas das pessoas em Gaza", mantendo as armas "longe das mãos do [grupo radical islâmico] Hamas".

O presidente americano, Barack Obama, que receberá Netanyahu na Casa Branca nesta terça-feira, havia dito que o bloqueio é "insustentável" e exigido que a medida fosse significativamente reduzida. Outros líderes mundiais pediram a suspensão total do bloqueio.

A faixa de Gaza, onde vivem cerca de 1,5 milhão de palestinos, é uma região ocupada por Israel desde a a guerra de 1967. Desde 2007, a área é controlada pelo Hamas, e Israel controla a entrada de produtos para tentar impedir o recebimento de armas e explosivos.

As mudanças também foram elogiadas pelo enviado do Quarteto para o Oriente Médio (EUA, União Europeia, Rússia e ONU), o ex-premiê britânico Tony Blair. "As mudanças são significativas e, quando implementadas, terão uma influência dramática no dia a dia da população de Gaza e no setor privado", disse ele.

"Milhares de itens que não eram acessíveis por meios legítimos nos últimos três anos agora poderão entrar em Gaza com facilidade", acrescentou.

BLOQUEIO

As novas regras foram elaboradas após as críticas feitas à Israel pela comunidade internacional devido ao ataque militar israelense a uma frota que levava ajuda humanitária, que matou nove ativistas.

O diretor-geral do Ministério de Relações Exteriores de Israel, Yossi Gal, anunciou a medida nesta segunda-feira, dizendo que o governo fez "sério esforço" para fazer uma "clara distinção entre a necessidade de se manter a segurança de Israel' e 'todo o restante".

A lista inclui itens que poderiam ser usados para construir bombas e explosivos, como fertilizantes, mas tais produtos precisarão de permissão especial para entrar em Gaza.

Materiais de construção como concreto, cabos de aço e asfalto --que Israel teme que poderia ser usado por militantes do grupo islâmico Hamas para construir túneis e fortificações-- também só serão permitidos em coordenação com o governo palestino na Cisjordânia com a ONU e outras agências internacionais que supervisionam projetos de construção na região.

CRÍTICAS

No entanto, o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, qualificou a nova política de "sem valor".

"A questão não é apenas permitir novas mercadorias, mas dar fim ao bloqueio", disse ele.

O ministro de Defesa de Israel, Ehud Barak, disse em reunião a um comitê parlamentar nesta segunda-feira que o bloqueio naval de Israel será mantido para impedir que armas sejam enviadas ao Hamas, de acordo com um funcionário do governo presente no encontro.

O funcionário falou à agência de notícias Associated Press em condição de anonimato.

Sari Bashi, do grupo israelense de defesa dos direitos humanos Gisha, disse que as vantagens para os moradores de Gaza serão limitadas.

"Os habitantes da região podem agora comprar produtos israelenses, mas eles ainda são impedidos de trabalhar e viajar", disse ela.

Fontes: FOLHA - Agências

Não há chance de um Estado palestino antes de 2012, diz chanceler de Israel

Moscou tem realizado esforços para incluir o Hamas nas conversações de paz entre israelenses e palestinos

Após um tenso encontro com seu colega russo, Sergei Lavrov, que trouxe à tona divergências públicas quanto ao apoio de Moscou ao Hamas, o chanceler israelense Avigdor Lieberman excluiu qualquer possibilidade de criação de um Estado palestino nos próximos dois anos.

O anúncio chega no mesmo dia em que o enviado dos Estados Unidos ao Oriente Médio George Mitchell chega à região para mais uma rodada de reuniões com os dois lados do conflito.

Lieberman divergiu de colega russo e disse que Estado palestino não existirá antes de 2012/Baz Ratner/Reuters

A posição de Lieberman frustra ainda mais as tentativas de conversações de paz entre israelenses e palestinos, já paralisadas após o ataque da Marinha de Israel contra o navio turco "Mavi Marmara" no fim de maio e a morte de quatro militantes do braço armado do Hamas no início de junho.

"Eu sou uma pessoa otimista, e não vejo possibilidade alguma da criação de um Estado palestino antes de 2012", disse Lieberman em reação ao chamado do Quarteto para o Oriente Médio (Rússia, EUA, União Europeia e ONU) para que um acordo fosse atingido em no máximo dois anos.

O premiê israelense Binyamin Netanyahu deixou claro que aceita as exigências palestinas de um Estado próprio, mas insiste que o novo país não tenha soberania sobre a Cisjordânia, algo que a ANP (Autoridade Nacional Palestina) não aceita.

"Pode-se sonhar e imaginar, mas a realidade na prática é que ainda estamos muito longe de atingir a compreensão e acordos sobre a criação de um Estado palestino até 2012", disse o chanceler.

O premiê do governo de Mahmoud Abbas, presidente da ANP, indicou que os palestinos podem declarar seu Estado de forma unilateral caso o impasse diplomático continue, mas Abbas já disse que esta não é a solução mais apropriada.

Já o porta-voz da ANP, Ghassan Katib, disse que os comentários de Lieberman representam um desafio aos esforços internacionais em busca de uma solução à questão entre israelenses e palestinos.

Divergências

De acordo com uma reportagem do jornal israelense "Haaretz", os chanceleres de Israel e da Rússia manifestaram divergências em público, ao concederem uma entrevista coletiva logo após um encontro a portas fechadas nesta terça-feira em Jerusalém.

Ao contrário dos outros membros do Quarteto, a Rússia apoia e aceita negociar com o movimento islâmico Hamas, que controla a faixa de Gaza.

Moscou tem realizado esforços para incluir o Hamas nas conversações de paz entre israelenses e palestinos, algo que é veementemente rechaçado pelo governo de Israel.

Lavrov defendeu abertamente a política russa quanto ao conflito, ao dizer que a "Rússia está fazendo a coisa certa ao contatar o Hamas" e que "não fazer nada não ajudaria a ninguém", segundo o "Haaretz".

O chanceler russo acrescentou que durante as conversas com o movimento, o governo russo tem tentado convencer os líderes a mudar o rumo político e apoiar a iniciativa de paz árabe.

Lieberman criticou a posição russa afirmando que o Hamas é um grupo terrorista e que é inaceitável lidar com organizações deste tipo.

Fontes: R7 - Agências

Israel lança com sucesso novo satélite de espionagem

Nono aparelho da série Ofek quer aumentar capacidade de espionar países mais distantes da região

JERUSALÉM - Israel lançou com sucesso ao espaço na noite da última terça-feira, 22, o nono satélite da série Ofek, em uma tentativa de aumentar sua capacidade de espionagem dos países mais distantes da região.

"O satélite foi lançado e colocado em órbita com um foguete Shavit", informou o Ministério da Defesa israelense em comunicado, que acrescentou que durante os próximos dias "o satélite passará várias provas de validação" para verificar que todos seus sistemas funcionam corretamente.

O Ofek-9, fabricado pela Indústria Aeroespacial Israelense (IAI) e dotado de avançados sistemas de fotografia, pertence a uma série de foguetes de baixa altitude que Israel começou a utilizar no final dos anos 80.

O satélite foi lançado desde o polígono experimental compartilhado pela IAI e pela Força Aérea em Palmahim, ao sul de Tel Aviv.


"O lançamento representa uma importante conquista tecnológica", indicou em outro comunicado o ministro da Defesa, Ehud Barak, ao aplaudir a "coragem" e as "aptidões" dos cientistas e técnicos responsáveis.

Israel começou a desenvolver seus próprios satélites de espionagem há mais de 30 anos para não depender das imagens dos Estados Unidos, seu principal aliado, e poder fazer um acompanhamento permanente de países como o Irã, seu principal inimigo.

Desde as órbitas nas quais se encontram, versões anteriores do satélite dão uma volta à Terra cada 90 minutos e podem fotografar qualquer objeto com a nitidez equivalente a uma distância de entre um e dois metros.

Fontes: O ESTADO DE S PAULO - Agências

Israel aliviará bloqueio à Gaza

Produtos de uso civil poderão entrar só sob inspeção no território do Hamas. Israel seguirá desenvolvendo ações contra suposto transporte de armas.

Israel anunciou nesta quinta-feira que irá amenizar o bloqueio terrestre à Faixa de Gaza que provocou aumento da condenação internacional após uma operação militar contra um comboio que levava ajuda humanitária à região, controlada pelo grupo islâmico Hamas, que deixou nove mortos.

Uma nova lista de produtos que podem entrar em Gaza, aprovada por Israel, inclui todos os alimentos, brinquedos, artigos de escritório, utensílios para cozinha, colchões e toalhas, disse Raed Fattouh, coordenador palestino de suprimentos para a região.

Mas Israel manteve seu bloqueio marítimo para a área costeira e uma proibição à importação privada de materiais de construção, vitais para a reconstrução após a guerra promovida por Israel entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009. Os materiais poderão entrar, desde que passem por uma supervisão internacional.

O Hamas classificou as medidas israelenses de "propaganda midiática".

Um comunicado do governo israelense, divulgado após uma reunião do gabinete de segurança, afirmou: "concordou-se em liberalizar o sistema pelo qual bens civis entram em Gaza e expande o fluxo de materiais para projetos civis que estão sob supervisão internacional".

Israel afirma que a importação sem restrições de cimento pode fazer com que o Hamas use o material para reconstruir infra-estrutura militar. O país permite a entrada de uma quantidade limitada de material de construção para projetos da Organização das Nações Unidas (ONU)."Nos próximos dias, o governo decidirá os passos adicionais que serão tomados para que esta política seja efetivada", indica a nota.

Na semana passada, Israel começou a afrouxar o cerco a Gaza e anunciou que permitiria a entrada de refrescos, sucos, frutas em conserva, bolachas, aperitivos e batatas fritas, medida que os palestinos consideraram insuficiente.

Gaza, que tem 80% de seus 1,5 milhão de habitantes dependem da ajuda internacional para viver, está submetida a um intenso bloqueio imposto por Israel há três anos.

O comunicado se abstém de especificar quais serão as medidas concretas e se limita a assinalar que o gabinete de segurança manterá novas reuniões no próximo dias.

Netanyahu já havia advertido que Israel manteria o bloqueio marítimo de Gaza.

O gabinete de segurança voltou a pedir, por outro lado, o apoio da comunidade internacional para obter a libertação do soldado israelense Gilad Shalit, capturado por um comando palestino em junho de 2006 e que continua em mãos do Hamas.

Mudanças

Apesar de não revelar muitos detalhes sobre quais itens devem ser permitidos em Gaza, o governo de Israel afirmou que materiais de construção passarão a ter entrada permitida.

Ítens como cimento e aço, banidos há quase três anos e muito necessários para a reconstrução de casas e estabelecimentos comerciais após a última ofensiva israelense contra a faixa, não eram permitidos porque o governo israelense julgava que os materiais poderiam ser usados para a construção de armas e fortificações.

Agora devem ser permitidos sob supervisão internacional.

Exportações e matérias primas

O anúncio do gabinete israelense não mencionou mudanças em outros aspectos do bloqueio como as restrições a companhias palestinas de exportar suas mercadorias e a entrada de matérias primas, essenciais para que a economia da faixa de Gaza possa se desenvolver.

O bloqueio naval será mantido. O premiê Netanyahu afirmou diversas vezes que Israel não permitiria o estabelecimento de um "porto iraniano" em Gaza.

Palestinos

As medidas parciais anunciadas nesta quinta-feira não são suficientes e não convencem o movimento que governa o território, o Hamas.

"Nós queremos um levantamento real do bloqueio, e não algo para se colocar na vitrine", disse Salah Bardawil, líder do Hamas.

Na Cisjordânia, líderes palestinos também rejeitaram as alterações. "O bloqueio é uma punição coletiva e deve ser levantado", disse o negociador da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Saeb Erekat.

Reação europeia

O chanceler espanhol Miguel Ángel Moratinos disse que o alívio do bloqueio é uma política que "vai em boa direção" e assinalou que a União Europeia (UE) está disposta a ter uma presença no território, para auxiliar na entrada de produtos de construção civil e garantir a segurança de Israel.

Ainda na quarta-feira Moratinos conversou por telefone com o chanceler israelense Avigdor Liberman, falando sobre uma possível cooperação europeia na região.

"Vamos negociar nossa presença no território", disse o chanceler espanhol.

Moratinos acrescentou que a UE deve tratar de cooperar agora com o Egito, a ANP e Israel, para auxiliar na entrada de mais produtos em Gaza.


Comentário


É evidente que o fim do bloqueio ajudaria em muito à população de Gaza, contudo, tornaria possível a infiltração de armamento ao Hamas e o estabelecimento de operativos iranianos na área, o que Israel não deve permitir. Nenhum país em circusntâncias semelhantes permitiria.


A mesma comunidade internacional que tanto defende o fim do bloqueio, não move um dedo pela libertação do soldado israelense Gilad Shalit, capturado por um comando palestino em junho de 2006 e que continua em mãos do Hamas.

Fontes: FOLHA - G1- Agências

Querem destruir Israel

Objetivo de campanha internacional implacável é privar Israel de qualquer forma legítima de autodefesa

Charles Krauthammer/THE WASHINGTON POST

O mundo está escandalizado com o bloqueio israelense à Faixa de Gaza. A Turquia denunciou sua ilegalidade, desumanidade, barbaridade, etc. Os usuais suspeitos das Nações Unidas, o Terceiro Mundo e os europeus juntaram-se ao coro. O governo de Barack Obama titubeia.

Mas como escreveu Leslie Gelb, presidente do Council on Foreign Relations, o bloqueio não é só perfeitamente racional, mas perfeitamente legal. Gaza sob o controle do movimento Hamas é um inimigo autodeclarado de Israel - uma afirmação reforçada por mais de 4 mil foguetes lançados contra território israelense ocupado por civis.

Mas, tendo prometido manter uma beligerância incessante, o Hamas diz ser a vítima quando Israel impõe um bloqueio para impedir o grupo de armar-se.

Na 2.ª Guerra, num ato considerado internacionalmente legal, os Estados Unidos realizaram um bloqueio da Alemanha e do Japão. E durante a crise dos mísseis, em outubro de 1962, os EUA bloquearam (e mantivemos isolada) Cuba. Navios russos carregando armamento que se dirigiam à ilha retornaram porque os soviéticos sabiam que a Marinha americana os abordaria ou os afundaria. Israel, contudo, é acusado de crime internacional por fazer exatamente o que John F. Kennedy fez: impor um bloqueio naval para impedir que um Estado inimigo adquira armas letais.

Mas os navios que seguiam para Gaza não estavam numa missão de ajuda humanitária? Não. Do contrário teriam aceitado a oferta de Israel de levar a carga a um porto israelense, onde seria inspecionada e depois levada de caminhão para Gaza. Então, por que a oferta foi rejeitada? Porque, como admitiu uma das organizadoras da flotilha, não se tratava de ajuda humanitária, mas de derrubar o bloqueio, ou seja, acabar com o regime de inspeção de Israel, o que significaria transportes ilimitados para Gaza, armando o Hamas de modo ilimitado também.

Israel já interceptou por duas vezes navios carregados com armas iranianas destinadas ao Hezbollah e Hamas. Que país permitiria isso? Mas, mais importante ainda, por que Israel precisou recorrer ao bloqueio? Porque é a única opção de Israel, já que o mundo condena como ilegítimas suas defesas ofensiva e ativa.


Defesa ofensiva. 

Sendo um país pequeno e densamente povoado, cercado por Estados hostis, Israel, nos seus primeiros 25 anos de existência, precisou adotar uma defesa ofensiva, travando guerras em território inimigo (caso do Sinai e das Colinas do Golan).

Nos casos em que foi possível (do Sinai, por exemplo) Israel trocou território por paz. Mas quando a paz foi rejeitada, Israel reteve o território, mantendo-o como zona de proteção. Assim, reteve uma pequena faixa ao sul do Líbano para proteger seus povoados ao norte. E precisou sofrer muitas perdas em Gaza, para não expor as cidades israelenses na fronteira aos ataques terroristas palestinos.

Pela mesma razão os EUA travam uma guerra ofensiva no Afeganistão: você os combate lá, para não ter de combatê-los no território americano.

Mas, diante de uma pressão externa avassaladora, Israel cedeu. Foi dito aos israelenses que as ocupações não eram apenas ilegais, mas estavam na raiz da insurgência contra o país. Portanto, sua retirada e a remoção da causa, traria a paz.

Terra por paz. 

Lembram? Bem, durante a década passada, Israel cedeu terra - retirando-se do sul do Líbano em 2000 e de Gaza em 2005. E o que recebeu em troca? Uma intensificação da beligerância, o lado inimigo armando-se fortemente, múltiplos sequestros, ataques na fronteira e anos de ataques implacáveis com foguetes lançados de Gaza.

Israel então precisou adotar a defesa ativa - uma ação militar para desbaratar, desmantelar e derrotar os mini-Estados terroristas armados que se estabeleceram no sul do Líbano e Gaza após a retirada israelense. O resultado? A guerra do Líbano, em 2006, e a operação em Gaza, em 2008-2009.

Os israelenses enfrentaram uma nova avalanche de denúncias e calúnias por parte da mesma comunidade internacional que havia exigido a retirada de Israel, trocando primeiro terra pela paz. Pior, o relatório da ONU, que basicamente considerou criminosa a operação em Gaza e ignorou o que motivou a ação no local - a guerra de foguetes lançada pelo Hamas, não provocada por Israel - efetivamente tirou toda a legitimidade de uma defesa ativa israelense contra seus inimigos terroristas autodeclarados.

Sem uma defesa agressiva, nem uma defesa ativa, Israel adotou a mais passiva das defesas, ou seja, o bloqueio para impedir o inimigo de armar-se. Mas ela também não deverá ser considerada legal. Até mesmo os EUA estão agora achando que deve ser abolida. Mas, se nada disso é permitido, o que resta, então? E essa é a questão. Que foi entendida pela flotilha de imbecis úteis e simpatizantes do terror, pela organização turca que financiou a empreitada, pelo coro automático anti-Israel do Terceiro Mundo na ONU, e pelos europeus sem resistência que tiveram problemas mais do que suficientes com os judeus.

O que restou? Nada. O objetivo da campanha internacional implacável é privar Israel de qualquer forma legítima de autodefesa. Por que, apenas na semana passada, o governo Obama uniu-se aos chacais e reverteu quatro décadas de prática americana, assinando um documento de consenso destacando Israel como país possuidor de armas nucleares - tirando o direito legítimo de Israel recorrer à derradeira linha de defesa: a dissuasão.

O mundo está cansado desses judeus perturbadores, 6 milhões - novamente esse número -, recusando todos os convites para um suicídio nacional. E por isso são implacavelmente demonizados e constrangidos a se defender, mesmo quando antissionistas mais comprometidos - os iranianos em particular - preparam abertamente uma nova solução final.

Fonte: O ESTADO
TRADUÇÃO: TEREZINHA MARTINO

Ações como esta não levam Israel à paz, diz Amorim sobre ataques

Governo pediu envio de um diplomata ao porto em busca de brasileira. Ministro de Relações Exteriores diz que governo brasileiro está ‘chocado’.


Ministro Celso Amorim (Foto: Marcello Casal Jr/ABr)

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, criticou nesta segunda-feira (31) o ataque das tropas israelenses a navios que tentavam levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Segundo ele, “não é com essas ações que Israel vai ter segurança”.


“É tendo a paz com seus vizinhos, paz com a Palestina, que os cidadãos israelenses terão a sua paz, que também tem que ser assegurada”, disse o ministro.

Amorim afirmou ainda estar preocupado com a cineasta e ativista brasileira Iara Lee, que estava em um dos navios durante o ataque de Israel. O ministro informou que pediu o deslocamento de um diplomata brasileiro ao porto onde as embarcações foram levadas para tentar localizar a jovem.

“Eu dei instruções à nossa embaixada para que enviasse um diplomata ao porto para onde foram levados os navios. O embaixador de Israel foi chamado ao Itamaraty não só para manifestarmos a indignação com o ato geral, mas também nossa preocupação com a brasileira”, disse o ministro. Em nota divulgada mais cedo, o Itamaraty informou que chamaria o embaixador israelense para que fosse “manifestada a indignação do governo brasileiro” como o ataque.

Amorim disse ainda que a presença da brasileira em um dos navios é uma evidência de que se tratava de uma ação humanitária, sem a presença de terroristas, como afirmou o governo de Israel ao justificar o uso da violência contra os ativistas. “Essa própria cidadã é uma ilustração, ela é uma cineasta, faz documentários, alguns ligados a meio ambiente, a sustentabilidade. Não se pode dizer que sejam terroristas perigosos”, disse.

O ministro se disse “chocado” com a atitude de violência dos militares israelenses e criticou o bloqueio a ajuda humanitária na Faixa de Gaza.

“Nós não poderíamos ter ficado mais chocados do que com um evento desse tipo. Eram pessoas pacíficas, não significavam nenhuma ameaça, e que estavam procurando realizar uma ação humanitária. Uma ação humanitária que não seria talvez nem necessária se terminasse o bloqueio a Gaza, que já está durando tanto tempo".

Fontes: G1 - Agências

Brasil convoca embaixador de Israel para falar sobre contronto com ativistas

Ministro das Relações Exteriores quer saber paradeiro de brasileira


Imagem da cineasta Iara Lee, retirada de um site de ONG da qual ela é uma das fundadoras/

O governo brasileiro convocou nesta segunda-feira (31) o embaixador de Israel no Brasil, Giora Becher, para manifestar indignação com o incidente contra a “frota da liberdade”. No comunicado, o Itamaraty também informou que comunicará sua preocupação com a cidadã brasileira que estava no grupo.

A “frota da liberdade”, organizada por várias ONGs e com apoio de governos como o turco, divulgou que pretendia chamar a atenção para o bloqueio marítimo à faixa de Gaza com uma ação na qual levavam mantimentos para o local.

A brasileira Iara Lee, cineasta, estava no grupo, que entrou em choque com as forças israelenses na madrugada desta segunda-feira. Os ativistas informaram que dez pessoas morreram devido ao episódio, enquanto o governo de Israel colocou que foram nove os mortos.

Israel havia comunicado que os ativistas não passariam pelo bloqueio e a chegada da frota foi adiada algumas vezes. Ontem, quando a frota comunicou um novo adiamento, informou que esperava que um grupo de eurodeputados se unissem ao grupo.

O governo brasileiro comunicou que recebeu a notícia da interceptação da “frota da liberdade” com “choque e consternação”. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, pediu que as autoridades israelenses informem imediatamente o paradeiro da brasileira.

Veja abaixo a nota na íntegra do ministério:

“Ataque israelense à "Flotilha da Liberdade"


Com choque e consternação, o governo brasileiro recebeu a notícia do ataque israelense a um dos barcos da flotilha que levava ajuda humanitária internacional à faixa de Gaza, do qual resultou a morte de mais de uma dezena de pessoas, além de ferimentos em outros integrantes.


O Brasil condena, em termos veementes, a ação israelense, uma vez que não há justificativa para intervenção militar em comboio pacífico, de caráter estritamente humanitário. O fato é agravado por ter ocorrido, segundo as informações disponíveis, em águas internacionais. O Brasil considera que o incidente deva ser objeto de investigação independente, que esclareça plenamente os fatos à luz do direito humanitário e do direito internacional como um todo.


Os trágicos resultados da operação militar israelense denotam, uma vez mais, a necessidade de que seja levantado, imediatamente, o bloqueio imposto à faixa de Gaza, com vistas a garantir a liberdade de locomoção de seus habitantes e o livre acesso de alimentos, remédios e bens de consumo àquela região.


Preocupa especialmente ao governo brasileiro a notícia de que uma brasileira, Iara Lee, estava numa das embarcações que compunha a flotilha humanitária. O ministro Celso Amorim, ao solidarizar-se com os familiares das vítimas do ataque, determinou que fossem tomadas providências imediatas para a localização da cidadã brasileira.


A Representante do Brasil junto à ONU [Organização das Nações Unidas] foi instruída a apoiar a convocação de reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir a operação militar israelense.


O embaixador de Israel no Brasil está sendo chamado ao Itamaraty para que seja manifestada a indignação do governo brasileiro com o incidente e a preocupação com a situação da cidadã brasileira.”

Fontes: R7 - AFP - AE

Ativistas relatam chegada de Israel à "frota da liberdade"

Autoridades israelenses dizem que os militares da frota iniciaram a violência

Ativistas que presenciaram a invasão à frota de ajuda humanitária que se dirigia a Gaza contaram que os soldados israelenses saltaram do helicóptero no barco turco Mavi Marmara e começaram a disparar no momento em que pisaram no convés.

Os testemunhos, obtidos em ligações telefônicas realizadas antes que estas fossem cortadas, contradizem a versão das autoridades israelenses, que culpam os militantes que iam a bordo da frota pelo início da violência.

Canal de TV turca mostra o momento em que tropas israelenses atacaram o navio da "frota da liberdade" que se dirigia à faixa de Gaza/Foto Reprodução/31.mai.2010/AFP

Leia abaixo o relato de um militar israelense.

Uma rede de televisão israelense informou que 19 passageiros foram mortos e outros 36 feridos. O Exército israelense contabilizou, por sua vez, nove mortos entre os ativistas e entre sete e dez soldados feridos, dois deles em estado grave.

"Dispararam diretamente contra a multidão de civis adormecidos", acusou o movimento Gaza Livre, organizador da "frota da liberdade", em um comunicado divulgado em seu site, após a invasão do Mavi Marmara, o barco-almirante turco do comboio.

O Mavi Marmara transportava centenas de pessoas, entre elas estavam parlamentares europeus.

A operação, qualificada de ato de pirataria pelos palestinos, ocorreu em águas internacionais, muito antes das 20 milhas que delimitam as águas territoriais da faixa de Gaza.

Uma das organizadoras, Greta Berlin disse que eles não conseguiram entrar em contato com ninguém que estivesse a bordo desde as 3h30 da manhã (21h30 em Brasília).

- A última mensagem que recebemos foi: Tudo está bem. Os barcos de guerra israelenses se encontram atrás de nossa popa, vamos dormir.

Um importante militar israelense disse que o Exército israelense lançou ataque às 4h (22h em Brasília) de três helicópteros apoiados por barcos.

Uma testemunha, o jornalista da televisão Al Jazira Abas Nasser, disse que teve que telefonar escondido e que centenas de soldados israelenses atacaram a Frota da Liberdade e os passageiros do barco estavam se comportando violentamente.


- O capitão de nosso barco está gravemente ferido e há outros dois feridos entre os passageiros, acrescentou, antes que a comunicação fosse cortada.

Em Mari Marmara, um líder islamita radical israelense, Raed Salah, foi gravemente ferido, segundo a televisão Al Aqsa, do grupo islamita palestino Hamas, que controla a faixa de Gaza.

O escritor sueco Henning Mankell também se encontrava no comboio humanitário, segundo a delegação sueca da organização.

Israelense dá outra versão de como ocorreu o confronto

Um membro dos comandos da Marinha israelense contou que sua unidade foi atacada assim que chegou ao barco.

- Eles nos atacaram com barras metálicas e facas. Em um certo momento, fomos alvo de disparos de balas reais.

Um soldado afirmou que havia cerca de 30 ativistas e que todos falavam árabe.

-Vários soldados foram expulsos do deque de cima para o de baixo e precisaram saltar na água para salvar suas vidas.

Um alto comandante militar israelense disse que eles estavam preparados para o ataque.

Imagens do barco turco divulgadas pelas redes de televisão internacionais e pela internet mostram militares israelenses vestidos de preto que saiam de helicópteros, assim como confrontos com ativistas pró-palestinos.

O ministro da Indústria e Comércio de Israel, Binyamin Ben Eliezer, lamentou as mortes pelo ataque.


- As imagens não são simpáticas, não posso mais que expressar meu pesar por todos os mortos.

Soldados israelenses se preparam para interceptar as embarcações que compõem a “frota da liberdade” nesta segunda-feira (31)/ Uriel Sinai/AFP

Saiba mais sobre a "frota da liberdade"

A "frota da liberdade", interceptada nesta segunda-feira (31) pela Marinha de Israel durante uma ação que deixou de nove a 20 mortos, de acordo com balanços contraditórios, é um comboio de seis barcos fretados por organizações pró-Palestina para levar ajuda à faixa de Gaza.

A frota é um comboio integrado por um barco almirante, o Mavi Marmara, que transporta em torno de 600 pessoas, dois buques carregados de ajuda humanitária e outros três buques menores. Três deles levam a bandeira turca, dois da Grécia e o último a dos Estados Unidos. Um sétimo barco de 1.200 toneladas, o Rachel Corrie, chamado assim em homenagem à militante americana morta por uma escavadeira em 2003 em Gaza, tinha partido da Irlanda para se unir ao comboio.

O comboio foi organizado pela Coalizão da Frota da Liberdade, que inclui o movimento Free Gaza, a Campanha Europeia para o Fim do Bloqueio a Gaza, a Organização Não Governamental (ONG) turca Insani Yardim Vakfi, a Organização Perdana para a Paz Mundial, as ONGs grega e sueca Barco para Gaza, e o Comitê Internacional para o Levantamento do Bloqueio a Gaza.

A iniciativa conta com mais de 700 participantes, em sua maior parte membros de ONG internacionais, militantes de diversas nacionalidades e religiões. Cerca de 50 nacionalidades estão representadas, mas a metade dos passageiros é turca. Várias personalidades políticas e religiosas , deputados europeus, escritores e jornalistas também estavam a bordo. Entre eles, estão o arcebispo católico grego de Jersualém, Hilarion Capucci, o líder islamita árabe-israelense xeque Raed Salá, e o correspondente da emissora de TV árabe Al Jazira, Abas Naser.

No entanto, a grande polêmica foi em relação à carga da frota. Os organizadores informaram que os barcos transportavam aproximadamente 10 mil toneladas de ajuda humanitária, incluindo ajuda médica, alimentos, roupas, casas pré-fabricadas, áreas de brinquedos para crianças, material escolar, barras de ferro e cimento. "A bordo não há sequer navalhas ou facas", afirmou um dos organizadores, destacando o aspecto pacífico da missão. Israel informou que também havia armas nas embarcações.

A missão do comboio era entregar sua carga à população da faixa de Gaza, onde vivem aproximadamente 1,5 milhão de pessoas, das quais 80% dependem da ajuda internacional. O território palestino se encontra sob estrito embargo israelense desde que o Hamas tomou o poder em Gaza, em junho de 2007. Cinco comboios desse tipo atracaram em Gaza desde que a campanha foi lançada, em agosto de 2008, e outros três foram interceptados pelas forças israelenses.

Contrariamente aos cinco anteriores, que levaram cargas bem mais simbólicas, o comboio que partiu no domingo era o primeiro a transportar ajuda importante e que tinha envergadura internacional.


Fontes: R7 - AFP

EUA lamentam mortes no ataque de Israel a navio com ajuda a Gaza

Incidente deixou 10 mortos e vários feridos em embarcação turca. Casa Branca não criticou aliado e afirmou que está investigando o caso.

O governo dos EUA lamentou nesta segunda-feira (31) as mortes e ferimentos causados pelas tropas israelenses no ataque a um comboio de navios com ajuda humanitária que rumava para a Faixa de Gaza.

O ataque, cujas circunstâncias ainda não estão claras, ocorreu no Mar Mediterrâneo, a cerca de 60 km da costa do território palestino de Gaza, em águas internacionais.

A Casa Branca não criticou Israel, seu aliado histórico, mas disse que está investigando as circunstâncias do caso.

"Os EUA lamentam profundamente a perda de vidas e os feridos, e está atualmente trabalhando para entender as circunstâncias que cercam esta tragédia", disse William Burton, porta-voz da Casa Branca.

O presidente dos EUA, Barack Obama, estava em Chicago nesta segunda-feira por conta do feriado americano do Memorial Day.

Ele tinha encontro marcado com o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, e com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, nesta terça. Mas Netanyahu desmarcou o encontro e antecipou sua volta ao país para lidar com a crise, após dizer que dava total apoio à ação do exército no caso.

O incidente

O governo de Israel acusa os passageiros da "Frota da Libertade" de terem começado a violência, mas a versão contestada pelos ativistas.

A ação aconteceu por volta das 5h locais (23h de domingo em Brasília).

As imagens, filmadas por um barco turco e publicadas na internet, mostram oficiais israelenses vestidos com roupas negras descendo de helicópteros e enfrentando os ativistas. Também são vistos vários feridos deitados no navio.

"Na escuridão da noite, os militares israelenses desceram de um helicóptero para o barco turco de passageiros 'Mavi Marmara' e começaram a atirar quando pisaram no convés", afirma o site do Movimento Gaza Livre. As imagens tremidas mostram cenas de caos, com sombras de navios com mísseis israelenses ao fundo.

O Exército de Israel insiste que suas tropas só abriram fogo depois que foram atacadas com facas, pedaços de pau e armas de fogo.

"Como consequência desta ameaça vital e das ações violentas, as forças navais empregaram meios para apaziguar os distúrbios, incluindo fogo real", afirma um comunicado do Exército.

O texto completa que os passageiros davam a impressão de querer "linchar as forças israelenses".


"Israel optou por uma resposta contundente e culpa os ativistas pelo acontecido. Eles iniciaram a violência", afirmou à AFP o porta-voz de Netanyahu, Mark Regev. Segundo ele, foi feito o possível para tentar evitar o incidente.


Comunidade internacional condena ataque de Israel a navios de ajuda humanitária

Diversos países e organizações internacionais condenaram na manhã desta segunda-feira (31) o ataque de Israel em águas internacionais às embarcações da Frota da Liberdade, que levava ajuda humanitária à região da faixa de Gaza. De acordo com as Forças Armadas de Israel, ao menos dez membros do grupo, formado em sua maioria por turcos, morreram e 30 ficaram feridos. Parte da mídia israelense informa, no entanto, que o número de mortos pode chegar a 19.

O governo da Turquia informou que pediu uma reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) após o ataque contra os seis navios, que transportavam 750 pessoas, no sul do mar Mediterrâneo.

A Turquia é membro temporário do Conselho de Segurança e figura como um dos poucos aliados muçulmanos de Israel.

O ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, também condenou o ataque israelense à missão humanitária e disse que nada justifica o uso de tal violência.

- Não entendemos o balanço humano, ainda provisório, dessa operação contra uma iniciativa humanitária conhecida há vários dias.

Kouchner pediu que as circunstâncias do ataque sejam esclarecidas e se mostrou favorável à abertura "sem demora" de uma investigação detalhada.

- Tomaremos todas as medidas necessárias para evitar que esta tragédia provoque novas escaladas de violência.

O Ministério das Relações Exteriores da Espanha convocou nesta segunda-feira o embaixador de Israel em Madri para pedir explicações pelos "inaceitáveis" e "gravíssimos" fatos ocorridos durante o ataque à Frota da Liberdade, informou o secretário de Estado espanhol para a União Europeia (UE), Diego López Garrido.

O porta-voz do governo da Alemanha, Ulrich Wilhelm, país que raramente critica Israel, disse que, à primeira vista, o ataque parece desproporcional.

- Os governos da Alemanha sempre reconheceram o direito de defesa de Israel, mas este direito deve acontecer dentro de uma resposta proporcional.

A chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, pediu às autoridades israelenses uma investigação completa sobre o ataque à Frota da Liberdade. A alta representante da União Europeia, no entanto, não quis interpretar o incidente em termos políticos nem assinalar culpados, indicou um de seus porta-vozes.

Catherine destacou que a UE continua seriamente preocupada com a situação humanitária em Gaza e destacou que o bloqueio israelense é "inaceitável e politicamente contraproducente".

A chefe da diplomacia da UE disse que o bloco exige a "abertura imediata, incondicional e permanente" das vias de acesso à Gaza para permitir a chegada de ajuda humanitária, bens comerciais e pessoas.

A Grécia cancelou a visita do comandante do Estado-Maior da Força Aérea de Israel, prevista para esta terça-feira (1º), e interrompeu exercícios militares conjuntos que estavam sendo realizados desde a semana passada.

O governo grego também convocou o embaixador israelense, Ali Yahya, para pedir explicações oficiais sobre as ações contra os navios de ajuda humanitária.

A Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, disse estar chocada com a operação executada pelas Forças Armadas de Israel.

- Estou chocada com as informações de que a ajuda humanitária enfrentou violência esta manhã, o que provocou morte e ferimentos quando o comboio se aproximava da costa de Gaza.

O embaixador da Organização da Conferência Islâmica (OCI), Zamir Akram, disse que Israel "ignora leis internacionais" e condenou o ataque.

- Condenamos energicamente o ataque israelense aos navios que transportavam ajuda humanitária para Gaza, o que demonstra mais uma vez como Israel ignora a lei internacional e as decisões das Nações Unidas.

Akram solicitou "a imediata libertação" de todos os navios que compunham a frota e anunciou que a OCI está reunida para decidir que ações deverão ser tomadas como consequência do ataque israelense.

O embaixador palestino nas Nações Unidas em Genebra, Ibrahim Jraishi, condenou fortemente o ataque israelense à frota humanitária. Já o grupo palestino Hamas, que governa a região da faixa de Gaza, chamou a ação de "crime contra a humanidade".

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, chamou a ação israelense de "ato desumano do regime sionista", informou a agência oficial Irna.

- O ato desumano do regime sionista contra o povo palestino e o fato de impedir que a ajuda humanitária destinada à população chegasse a Gaza não é um sinal de força, e sim de fragilidade deste regime.

Manifestações de repúdio ao ataque israelense também aconteceram nas ruas de Amã, na Jordânia, Cairo, no Egito, e Beirute, no Líbano.

Israel diz que ativistas atacaram militares

O número dois do Ministério de Exteriores israelense, Daniel Ayalon, culpou os tripulantes da Frota da Liberdade pelo confronto com os militares do país.

- Certamente lamentamos as vítimas, mas a responsabilidade pelas vítimas é deles, daqueles que atacaram os soldados israelenses.

Em comunicado, o Exército israelense afirma que dois "ativistas violentos sacaram os revólveres" de suas tropas "e aparentemente abriram fogo contra os soldados, como provam os cartuchos vazios dos revólveres".

Em entrevista coletiva, Ayalon destacou que seu país "fez todo o possível para deter" a frota, mas seus integrantes "responderam inclusive com armas".

- Nenhum país soberano toleraria essa violência.

Ayalon disse que "os organizadores" da Frota da Liberdade - em referência à ONG turca IHH, um dos diversos grupos que participavam da iniciativa - têm "estreitos laços" com "organizações terroristas internacionais", como a rede Al Qaeda.

Ele pediu que "todos os países trabalhem juntos para acalmar a situação" e que não sejam "pessimistas demais" sobre as consequências que a operação possa ter nas relações diplomáticas de Israel com outros Estados.

Fontes: G1- R7- Agências

Ataque de Israel à frota de navios turcos mata ao menos dez e abre crise diplomática

Embarcações da organização Frota da Liberdade cruzavam águas internacionais

Navios israelenses patrulham região sul do mar Mediterrâneo; morte de dez integrantes da Frota da Liberdade em ação da Marinha de Israel abriu crise/Ariel Schalit/AP

Ao menos dez pessoas morreram em um ataque de Israel ao grupo de navios da Frota da Liberdade, formada por seis navios que transportavam mais de 750 pessoas com ajuda humanitária para a região da faixa de Gaza, confirmaram nesta segunda-feira (31) fontes oficiais. O total de baixas pode aumentar, já que dezenas de pessoas – entre civis e militares – ficaram feridas na ação da Marinha de Israel. O incidente deu início a uma crise internacional entre Israel e outros países.

Segundo informações da agência de notícias Reuters, as embarcações levavam, além de voluntários, ativistas favoráveis à Palestina. Os navios estavam em águas internacionais, mas os israelenses mantêm a determinação de bloquear a faixa de Gaza para, de acordo com o governo, evitar que armamentos cheguem ao Hamas, grupo político radical da região. O governo da Turquia divulgou que a maioria dos ocupantes do navio era de mulheres, idosos e crianças.

Os motivos do ataque ainda não estão claros. Yanis Maistros, porta-voz em Atenas da seção grega da iniciativa humanitária, declarou à agência Efe que cinco navios foram sequestrados.

- Eles receberam disparos a partir de lanchas e helicópteros israelenses quando estavam navegando em águas internacionais, próximas ao litoral israelense.

Os israelenses se defendem, dizendo que apenas seguiram a ordem de manter fechada a faixa de Gaza, inclusive por vias marítimas. A proximidade dos navios do porto de Ashdod, ao sul do mar Mediterrâneo, teria ajudado a precipitar o ataque, afirmou a imprensa de Israel.

A Marinha de Israel teria enviado avisos de que a frota seria interceptada se seguisse em direção à faixa de Gaza, mas os turcos garantem que solicitaram a liberação dos barcos. Imagens divulgadas pela rede CNN mostram os israelenses abordando o grupo de embarcações com truculência, acusação que o governo nega. Facas teriam sido apontadas e usadas contra os marinheiros. O disparo de uma arma deu início ao confronto.

O ministro do Comércio Exterior israelense, Binyamin Ben-Eliezer, lamentou as baixas, mas disse que entendia a reação dos militares de seu país, supostamente ameaçados pelas pessoas que estavam nos navios.

- O momento em que alguém tenta tomar a sua arma é quando você começa a perder o controle.

A Turquia manifestou repúdio ao incidente, que abalou as relações de Israel com um de seus poucos aliados muçulmanos.


“Este incidente, que aconteceu em águas internacionais, abusando da lei internacional, terá consequências impossíveis de compensar”, atestou um comunicado divulgado pelo ministério turco de Assuntos Exteriores.

O embaixador israelense em Ancara, Gaby Levy, foi convocado para dar explicações. Nas ruas, centenas de turcos iniciaram protestos em frente à embaixada israelense, gritando palavras de ordem.

A gravidade da situação fez o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, cancelar a sua visita à América Latina para retornar a seu país, de acordo com informações da rede turca NTV. A preocupação sobre a nova crise no Oriente Médio também já chegou à Europa. A chefe de relações internacionais da União Europeia, Catherine Ashton, requisitou um “relatório completo” dos israelenses sobre o ataque.

Em solidariedade aos turcos, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, decretou três dias de luto nos territórios palestinos. Já o grupo dos Irmãos Muçulmanos no Egito pediu que todos os países árabes e muçulmanos cortem relações com Israel.


Israel culpa ativistas

Militares israelenses caminham a bordo de navio da Frota da Liberdade tomado nesta segunda-feira (31); confrontos deixaram ao menos dez mortos/ Menahem Kahana/AFP

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que os organizadores da Frota da Liberdade - grupo de ativistas que tentava levar ajuda humanitária à região da faixa de Gaza - são os únicos responsáveis pelo confronto com tropas israelenses que deixou ao menos dez mortos e 30 feridos nesta segunda-feira (31).

Barak, citado pelo jornal israelense Jerusalem Post, disse que o grupo de seis navios da frota era uma "provocação" e afirmou que seus organizadores são "extremistas apoiadores do terrorismo".

O ministro da Defesa de Israel também disse que lamentava pelos mortos, mas se defendeu afirmando que as Forças Armadas de seu país foram atacadas quando tentavam conter pacificamente a entrada das embarcações no porto de Ashdod.

Embora as Forças Armadas de Israel afirmem que a ação militar deixou dez mortos, meios de comunicação israelenses e árabes dizem que o número pode chegar a 19, com dezenas de feridos.

Mais cedo, o número dois do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Daniel Ayalon, já havia culpado os tripulantes da Frota da Liberdade pelo confronto com os militares.

- Certamente lamentamos as vítimas, mas a responsabilidade pelas vítimas é deles, daqueles que atacaram os soldados israelenses.

Em comunicado, o Exército israelense afirma que dois "ativistas violentos sacaram os revólveres" de suas tropas "e aparentemente abriram fogo contra os soldados, como provam os cartuchos vazios".

Em entrevista coletiva, Ayalon destacou que seu país "fez todo o possível para deter" a frota, mas que seus integrantes "responderam inclusive com armas".

- Nenhum país soberano toleraria essa violência.

O ataque israelense à Frota da Liberdade gerou críticas da comunidade internacional e levou a uma nova crise na região, já abalada pelos constantes conflitos entre Israel e militantes palestinos.

Barco de patrulha israelense acompanha entrada de embarcação no porto de Ashdod; ataque contra navios de ajuda gerou críticas internacionais/Marco Longari/AFP




Fontes: R7 - G1 - TV Globo- CNN - Agências

Todos sabem há décadas que Israel tem arma nuclear, diz historiador

Entrevista com Sasha Polakow-Suransky

Toda nova informação sobre o suposto programa nuclear de Israel desperta enorme interesse, dada a ambiguidade que envolve o tema. Não foi diferente com a notícia divulgada nesta semana, de que em 1975 o ministro da Defesa israelense, Shimon Peres (hoje presidente), teria oferecido armas nucleares ao regime do apartheid sul-africano.

A revelação está num livro que consumiu seis anos de pesquisa do historiador americano Sasha Polakow-Suransky, e é considerada uma rara prova do arsenal atômico de Israel --que o país não nega nem admite ter.

Leia abaixo a íntegra da entrevista:

FOLHA - Em que medida os documentos revelados em seu livro comprovam a oferta israelense? Peres negou tudo.
SASHA POLAKOW-SURANSKY - Peres está sendo evasivo. Ele está certo quando diz que sua assinatura não aparece nas minutas das reuniões, mas ela aparece no documento que garante sigilo para esta e outras negociações sobre defesa, quatro dias depois da primeira discussão sobre os mísseis Jericó. Além disso, Peres não negou, pelo que eu saiba, sua presença nessas discussões ou afirmou que os documentos sul-africanos são falsos. Os jornalistas deveriam perguntar a ele se assinou o documento de 3 de abril; se estava presente na reunião ocorrida na Suíça no dia 4 de junho; e se irá revelar documentos oficiais israelenses dessas reuniões para comprovar sua negativa. Até que ele diga sim a esta última questão, podemos assumir que ele esconde algo.

Os documentos mostram acima de qualquer dúvida que o tema dos mísseis Jericó foi discutido em uma série de encontros em 1975, primeiro em 31 de março, depois em 4 de junho. As frases usadas para descrever as ogivas são vagas, o que é comum nesse tipo de negociação.

A confirmação de que o governo sul-africano viu a discussão como uma oferta nuclear explícita está num memorando do chefe do Estado-Maior, R. F. Armstrong, escrita no mesmo dia 31 de março, que detalha as vantagens do sistema de mísseis Jericó para a África do Sul, mas só se os mísseis tivessem ogivas nucleares.

É a primeira vez que aparece um documento com a discussão sobre mísseis nucleares em termos concretos.
O memorando Armstrong foi tornado público seis anos atrás e citado num artigo acadêmico escrito por Peter Liberman. Até eu revelar os registros dos encontros de 31 de março e 4 de junho, era difícil contextualizar o memorando. Com os três documentos e o pacto de sigilo do dia 3 de abril assinado por Peres, o quadro fica mais claro. Quando você olha esses documentos juntos, fica muito claro que a possibilidade de a África do Sul comprar mísseis nucleares foi discutida no dia 31 de março e de novo no dia 4 de junho de 1975, quando Peres se encontrou com Pieter Botha [então ministro da Defesa] na Suíça e que essas discussões foram colocadas sob pesado sigilo no dia 3 de abril de 1975. O acordo nunca foi fechado, mas a discussão ocorreu, e o alto escalão sul-africano entendeu a proposta israelense como oferta nuclear.

Qual era o objetivo de Israel?
Principalmente financeiro. Peres também estava buscando financiamentos conjuntos e precisava oferecer algo em troca à África do Sul. No encontro de 4 de junho, Peres sugeriu a Pieter Botha [então ministro da Defesa] que a África do Sul financiasse entre 10% e 5% de um projeto de um jato leve e 33% de um sistema balístico de cognome "Assaltante". Israel tinha o know-how, a África do Sul tinha dinheiro. Além disso, os israelenses queriam fazer pesquisas conjuntas e desenvolver produtos com os sul-africanos pagando parte da conta.

Há outras revelações sobre a relação entre Israel e o regime do apartheid em seu livro?
Muitas. As principais são a continuação do projeto do mísseis Jericó na África do Sul nos anos 80, quando especialistas israelenses ajudaram a construir projéteis de segunda geração para carregar ogivas nucleares; e a venda de "yellow cake" [concentrado de urânio para produção do combustível nuclear] da África do Sul para Israel em 1961, sob um acordo bilateral de salvaguardas para uso pacífico. Em 1976, quando um estoque de 500 toneladas havia sido acumulado em Israel, a inteligência israelense pediu ao governo sul-africano que as salvaguardas fossem suspensas.

O ministro sul-africano de Minas, Fanie Botha, viajou a Israel em julho de 1976, onde se encontrou com Peres, [Yitzhak] Rabin, além de generais e cientistas nucleares. Em entrevista a mim, Fanie Botha admitiu que durante a viagem ele suspendeu as salvaguardas, liberando Israel para usar o "yellow cake" para fins militares.

Em troca, Israel forneceu à África do Sul tritium, uma substância que aumenta o rendimento de armas termonucleares e Israel enviou dinheiro para Fanie Botha por meio de um intermediário [Jan Blaauw, um general reformado da Força Aérea] para mantê-lo financeiramente vivo e para que ele não perdesse sua pasta no gabinete até o acordo ser concluído. As salvaguardas foram suspensas e o tritium foi enviado à África do Sul.

A visita de Fanie Botha a Israel é confirmada em um documento do Ministério da Defesa israelense que eu tenho. O resto da história foi confirmado nos autos do processo do Estado contra Jan Blaauw, um julgamento secreto da Suprema Corte sul-africana de 1988. É uma longa história que está detalhada no capítulo 7 do meu livro. Basicamente, Fanie Botha prometeu a Blaauw concessões de exploração de minas de diamantes em troca de seu trabalho para o Estado; quando Blaauw não recebeu seus diamantes, ameaçou ir a público com todos os detalhes nucleares e Fanie Botha ('o Estado') o processou por extorsão.

Israel manteve negociações nucleares com outros países, como o Irã?
Israel manteve relações com vários outros regimes repulsivos, mas não tenho conhecimento de negociações sobre assuntos sensíveis como esse com outros países fora a África do Sul. Havia relações próximas entre Israel e o Irã até a Revolução Islâmica de 1979, que incluiu cooperação em tecnologia de mísseis.

Os documentos revelados em seu livro são a evidência mais clara até hoje do arsenal nuclear israelense?
Não. As fotos de Mordechai Vanunu [técnico nuclear israelense condenado por traição] em 1986 são muito mais definitivas. O significado desses documentos não é provar que Israel tem armas nucleares. Isso o mundo inteiro sabe há décadas. A notícia aqui é que a possível transferência de tecnologia nuclear foi discutida no altos escalões.

Qual era o estágio do programa nuclear israelense em 1975?
A maioria dos especialistas concorda com que Israel alcançou capacidade operacional de ogiva nuclear em 1975, ou seja, armas miniaturizadas. O país pode ter concluído a produção dessas armas na época da Guerra do Yom Kippur [1973] mas provavelmente elas não eram ainda operacionais.

Como evoluiu o programa nuclear sul-africano após a suposta oferta israelense? Por que a oferta foi recusada?
A África do Sul tinha sua própria tecnologia de enriquecimento de urânio. Pretória desenvolveu um método autóctone de enriquecimento em 1970, cortesia do eminente cientista sul-africano Wally Grant, que começou sua pesquisa secreta em um galpão no centro de Pretória e que mais tarde foi transferida para a central da Comissão de Energia Atômica.

O premiê Vorster anunciou isso em 1970 e a África do Sul começou a construir um reator de enriquecimento. Os sul-africanos só tomaram uma decisão formal de produzir armas nucleares até 1974. Quando a decisão foi tomada, comprar de outros países não só era caro, mas representava um custo adicional ao investimento que haviam feito no desenvolvimento de sua própria capacidade nuclear.

Fonte: FOLHA/MARCELO NINIO

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