Ativistas relatam chegada de Israel à "frota da liberdade"

Autoridades israelenses dizem que os militares da frota iniciaram a violência

Ativistas que presenciaram a invasão à frota de ajuda humanitária que se dirigia a Gaza contaram que os soldados israelenses saltaram do helicóptero no barco turco Mavi Marmara e começaram a disparar no momento em que pisaram no convés.

Os testemunhos, obtidos em ligações telefônicas realizadas antes que estas fossem cortadas, contradizem a versão das autoridades israelenses, que culpam os militantes que iam a bordo da frota pelo início da violência.

Canal de TV turca mostra o momento em que tropas israelenses atacaram o navio da "frota da liberdade" que se dirigia à faixa de Gaza/Foto Reprodução/31.mai.2010/AFP

Leia abaixo o relato de um militar israelense.

Uma rede de televisão israelense informou que 19 passageiros foram mortos e outros 36 feridos. O Exército israelense contabilizou, por sua vez, nove mortos entre os ativistas e entre sete e dez soldados feridos, dois deles em estado grave.

"Dispararam diretamente contra a multidão de civis adormecidos", acusou o movimento Gaza Livre, organizador da "frota da liberdade", em um comunicado divulgado em seu site, após a invasão do Mavi Marmara, o barco-almirante turco do comboio.

O Mavi Marmara transportava centenas de pessoas, entre elas estavam parlamentares europeus.

A operação, qualificada de ato de pirataria pelos palestinos, ocorreu em águas internacionais, muito antes das 20 milhas que delimitam as águas territoriais da faixa de Gaza.

Uma das organizadoras, Greta Berlin disse que eles não conseguiram entrar em contato com ninguém que estivesse a bordo desde as 3h30 da manhã (21h30 em Brasília).

- A última mensagem que recebemos foi: Tudo está bem. Os barcos de guerra israelenses se encontram atrás de nossa popa, vamos dormir.

Um importante militar israelense disse que o Exército israelense lançou ataque às 4h (22h em Brasília) de três helicópteros apoiados por barcos.

Uma testemunha, o jornalista da televisão Al Jazira Abas Nasser, disse que teve que telefonar escondido e que centenas de soldados israelenses atacaram a Frota da Liberdade e os passageiros do barco estavam se comportando violentamente.


- O capitão de nosso barco está gravemente ferido e há outros dois feridos entre os passageiros, acrescentou, antes que a comunicação fosse cortada.

Em Mari Marmara, um líder islamita radical israelense, Raed Salah, foi gravemente ferido, segundo a televisão Al Aqsa, do grupo islamita palestino Hamas, que controla a faixa de Gaza.

O escritor sueco Henning Mankell também se encontrava no comboio humanitário, segundo a delegação sueca da organização.

Israelense dá outra versão de como ocorreu o confronto

Um membro dos comandos da Marinha israelense contou que sua unidade foi atacada assim que chegou ao barco.

- Eles nos atacaram com barras metálicas e facas. Em um certo momento, fomos alvo de disparos de balas reais.

Um soldado afirmou que havia cerca de 30 ativistas e que todos falavam árabe.

-Vários soldados foram expulsos do deque de cima para o de baixo e precisaram saltar na água para salvar suas vidas.

Um alto comandante militar israelense disse que eles estavam preparados para o ataque.

Imagens do barco turco divulgadas pelas redes de televisão internacionais e pela internet mostram militares israelenses vestidos de preto que saiam de helicópteros, assim como confrontos com ativistas pró-palestinos.

O ministro da Indústria e Comércio de Israel, Binyamin Ben Eliezer, lamentou as mortes pelo ataque.


- As imagens não são simpáticas, não posso mais que expressar meu pesar por todos os mortos.

Soldados israelenses se preparam para interceptar as embarcações que compõem a “frota da liberdade” nesta segunda-feira (31)/ Uriel Sinai/AFP

Saiba mais sobre a "frota da liberdade"

A "frota da liberdade", interceptada nesta segunda-feira (31) pela Marinha de Israel durante uma ação que deixou de nove a 20 mortos, de acordo com balanços contraditórios, é um comboio de seis barcos fretados por organizações pró-Palestina para levar ajuda à faixa de Gaza.

A frota é um comboio integrado por um barco almirante, o Mavi Marmara, que transporta em torno de 600 pessoas, dois buques carregados de ajuda humanitária e outros três buques menores. Três deles levam a bandeira turca, dois da Grécia e o último a dos Estados Unidos. Um sétimo barco de 1.200 toneladas, o Rachel Corrie, chamado assim em homenagem à militante americana morta por uma escavadeira em 2003 em Gaza, tinha partido da Irlanda para se unir ao comboio.

O comboio foi organizado pela Coalizão da Frota da Liberdade, que inclui o movimento Free Gaza, a Campanha Europeia para o Fim do Bloqueio a Gaza, a Organização Não Governamental (ONG) turca Insani Yardim Vakfi, a Organização Perdana para a Paz Mundial, as ONGs grega e sueca Barco para Gaza, e o Comitê Internacional para o Levantamento do Bloqueio a Gaza.

A iniciativa conta com mais de 700 participantes, em sua maior parte membros de ONG internacionais, militantes de diversas nacionalidades e religiões. Cerca de 50 nacionalidades estão representadas, mas a metade dos passageiros é turca. Várias personalidades políticas e religiosas , deputados europeus, escritores e jornalistas também estavam a bordo. Entre eles, estão o arcebispo católico grego de Jersualém, Hilarion Capucci, o líder islamita árabe-israelense xeque Raed Salá, e o correspondente da emissora de TV árabe Al Jazira, Abas Naser.

No entanto, a grande polêmica foi em relação à carga da frota. Os organizadores informaram que os barcos transportavam aproximadamente 10 mil toneladas de ajuda humanitária, incluindo ajuda médica, alimentos, roupas, casas pré-fabricadas, áreas de brinquedos para crianças, material escolar, barras de ferro e cimento. "A bordo não há sequer navalhas ou facas", afirmou um dos organizadores, destacando o aspecto pacífico da missão. Israel informou que também havia armas nas embarcações.

A missão do comboio era entregar sua carga à população da faixa de Gaza, onde vivem aproximadamente 1,5 milhão de pessoas, das quais 80% dependem da ajuda internacional. O território palestino se encontra sob estrito embargo israelense desde que o Hamas tomou o poder em Gaza, em junho de 2007. Cinco comboios desse tipo atracaram em Gaza desde que a campanha foi lançada, em agosto de 2008, e outros três foram interceptados pelas forças israelenses.

Contrariamente aos cinco anteriores, que levaram cargas bem mais simbólicas, o comboio que partiu no domingo era o primeiro a transportar ajuda importante e que tinha envergadura internacional.


Fontes: R7 - AFP

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