Israel está disposto a entregar Jerusalém Oriental aos palestinos, diz ministro

Já Netanyahu mantém a antiga posição e defende que capital é 'indivisível'

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, afirmou que Israel está disposto a entregar aos palestinos Jerusalém Oriental, e que o ataque na terça-feira contra quatro colonos judeus não impedirá a nova negociação de paz. A declaração foi publicada nesta quarta-feira no jornal Ha'aretz. Porém, um porta-voz do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu esclareceu posteriormente que Jerusalém continuará sendo a "capital indivisível de Israel".

Barak cita a segurança israelense como um dos principais pontos de discussão, além da delimitação das fronteiras do estado palestino, uma solução para o problema dos refugiados e a questão da disputa por Jerusalém. "Jerusalém Oeste e 12 bairros judeus, onde vivem 200.000 pessoas, serão nossos. Os bairros árabes, onde vivem cerca 250.000 pessoas, serão seus", diz Barak. Ele pontua ainda que "um regime especial regerá a antiga cidade", a parte mais disputada de Jerusalém, que abriga o Muro das Lamentações e a chamada Esplanada das Mesquitas.

Depois das declarações de Barak sugerindo que a divisão é uma possibilidade, o assessor de Netanyahu decidiu esclarecer a postura de Israel. "A posição do primeiro-ministro é que Jerusalém é um dos assuntos centrais que está na mesa de negociações", afirmou a fonte. "Nossa postura é que Jerusalém continuará sendo a capital indivisível de Israel", enfatizou.

Negociações 

Segundo Barak, as negociações diretas que têm início em Washington vão se basear no princípio de "dois estados para duas nações". O processo de paz teria como objetivo "colocar fim ao conflito e a possibilidade de qualquer reivindicação futura". Para isso, as partes devem negociar todos os considerados "aspectos cruciais" do conflito regional, sustentou o ministro.

Sobre o ataque perpetrado na terça-feira por milicianos do Hamas, no qual morreram quatro colonos judeus em Hebron (Cisjordânia), o titular israelense de Defesa afirma que "é um incidente muito sério" e o considera "uma tentativa de impedir o início da negociação". Barak adverte, no entanto, que o ataque "não pode abalar o esforço nas negociações de paz".

Repetição 

O plano exposto pelo ministro da Defesa de Israel é muito similar ao negociado em 2000 na cúpula de Camp David, quando Barak era chefe de Governo. À época, as negociações fracassaram por sua rejeição ao retorno de todos os refugiados palestinos desde a criação em 1948 do estado de Israel.

Fonte: Veja

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