Ataque de Israel à frota de navios turcos mata ao menos dez e abre crise diplomática

Embarcações da organização Frota da Liberdade cruzavam águas internacionais

Navios israelenses patrulham região sul do mar Mediterrâneo; morte de dez integrantes da Frota da Liberdade em ação da Marinha de Israel abriu crise/Ariel Schalit/AP

Ao menos dez pessoas morreram em um ataque de Israel ao grupo de navios da Frota da Liberdade, formada por seis navios que transportavam mais de 750 pessoas com ajuda humanitária para a região da faixa de Gaza, confirmaram nesta segunda-feira (31) fontes oficiais. O total de baixas pode aumentar, já que dezenas de pessoas – entre civis e militares – ficaram feridas na ação da Marinha de Israel. O incidente deu início a uma crise internacional entre Israel e outros países.

Segundo informações da agência de notícias Reuters, as embarcações levavam, além de voluntários, ativistas favoráveis à Palestina. Os navios estavam em águas internacionais, mas os israelenses mantêm a determinação de bloquear a faixa de Gaza para, de acordo com o governo, evitar que armamentos cheguem ao Hamas, grupo político radical da região. O governo da Turquia divulgou que a maioria dos ocupantes do navio era de mulheres, idosos e crianças.

Os motivos do ataque ainda não estão claros. Yanis Maistros, porta-voz em Atenas da seção grega da iniciativa humanitária, declarou à agência Efe que cinco navios foram sequestrados.

- Eles receberam disparos a partir de lanchas e helicópteros israelenses quando estavam navegando em águas internacionais, próximas ao litoral israelense.

Os israelenses se defendem, dizendo que apenas seguiram a ordem de manter fechada a faixa de Gaza, inclusive por vias marítimas. A proximidade dos navios do porto de Ashdod, ao sul do mar Mediterrâneo, teria ajudado a precipitar o ataque, afirmou a imprensa de Israel.

A Marinha de Israel teria enviado avisos de que a frota seria interceptada se seguisse em direção à faixa de Gaza, mas os turcos garantem que solicitaram a liberação dos barcos. Imagens divulgadas pela rede CNN mostram os israelenses abordando o grupo de embarcações com truculência, acusação que o governo nega. Facas teriam sido apontadas e usadas contra os marinheiros. O disparo de uma arma deu início ao confronto.

O ministro do Comércio Exterior israelense, Binyamin Ben-Eliezer, lamentou as baixas, mas disse que entendia a reação dos militares de seu país, supostamente ameaçados pelas pessoas que estavam nos navios.

- O momento em que alguém tenta tomar a sua arma é quando você começa a perder o controle.

A Turquia manifestou repúdio ao incidente, que abalou as relações de Israel com um de seus poucos aliados muçulmanos.


“Este incidente, que aconteceu em águas internacionais, abusando da lei internacional, terá consequências impossíveis de compensar”, atestou um comunicado divulgado pelo ministério turco de Assuntos Exteriores.

O embaixador israelense em Ancara, Gaby Levy, foi convocado para dar explicações. Nas ruas, centenas de turcos iniciaram protestos em frente à embaixada israelense, gritando palavras de ordem.

A gravidade da situação fez o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, cancelar a sua visita à América Latina para retornar a seu país, de acordo com informações da rede turca NTV. A preocupação sobre a nova crise no Oriente Médio também já chegou à Europa. A chefe de relações internacionais da União Europeia, Catherine Ashton, requisitou um “relatório completo” dos israelenses sobre o ataque.

Em solidariedade aos turcos, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, decretou três dias de luto nos territórios palestinos. Já o grupo dos Irmãos Muçulmanos no Egito pediu que todos os países árabes e muçulmanos cortem relações com Israel.


Israel culpa ativistas

Militares israelenses caminham a bordo de navio da Frota da Liberdade tomado nesta segunda-feira (31); confrontos deixaram ao menos dez mortos/ Menahem Kahana/AFP

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que os organizadores da Frota da Liberdade - grupo de ativistas que tentava levar ajuda humanitária à região da faixa de Gaza - são os únicos responsáveis pelo confronto com tropas israelenses que deixou ao menos dez mortos e 30 feridos nesta segunda-feira (31).

Barak, citado pelo jornal israelense Jerusalem Post, disse que o grupo de seis navios da frota era uma "provocação" e afirmou que seus organizadores são "extremistas apoiadores do terrorismo".

O ministro da Defesa de Israel também disse que lamentava pelos mortos, mas se defendeu afirmando que as Forças Armadas de seu país foram atacadas quando tentavam conter pacificamente a entrada das embarcações no porto de Ashdod.

Embora as Forças Armadas de Israel afirmem que a ação militar deixou dez mortos, meios de comunicação israelenses e árabes dizem que o número pode chegar a 19, com dezenas de feridos.

Mais cedo, o número dois do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Daniel Ayalon, já havia culpado os tripulantes da Frota da Liberdade pelo confronto com os militares.

- Certamente lamentamos as vítimas, mas a responsabilidade pelas vítimas é deles, daqueles que atacaram os soldados israelenses.

Em comunicado, o Exército israelense afirma que dois "ativistas violentos sacaram os revólveres" de suas tropas "e aparentemente abriram fogo contra os soldados, como provam os cartuchos vazios".

Em entrevista coletiva, Ayalon destacou que seu país "fez todo o possível para deter" a frota, mas que seus integrantes "responderam inclusive com armas".

- Nenhum país soberano toleraria essa violência.

O ataque israelense à Frota da Liberdade gerou críticas da comunidade internacional e levou a uma nova crise na região, já abalada pelos constantes conflitos entre Israel e militantes palestinos.

Barco de patrulha israelense acompanha entrada de embarcação no porto de Ashdod; ataque contra navios de ajuda gerou críticas internacionais/Marco Longari/AFP




Fontes: R7 - G1 - TV Globo- CNN - Agências

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