Casa Branca estuda dialogar com Taleban no Afeganistão, diz jornal

Os EUA teriam imposto condições para qualquer grupo que busque o diálogo, que seriam: fim do elo com a Al Qaeda, fim da violência e aceitação da Constituição afegã.
O governo de Barack Obama revisa sua estratégia no Afeganistão e considera dialogar com líderes da milícia xiita Taleban por meio da mediação de uma terceira parte, uma política que anteriormente havia enfrentado resistência. A informação é do jornal britânico "Guardian".

Negociações com o Taleban são defendidas há um longo tempo pelo presidente afegão, Hamid Karzai, e pelos governos do Paquistão e do Reino Unido, mas rejeitadas pelos EUA.

De acordo com o "Guardian", que cita fontes da Casa Branca que falaram em condição de anonimato, há uma mudança em curso na posição de algumas lideranças em Washington.

Segundo as fontes, acredita-se que a solução para o conflito "não pode ser exclusivamente militar" e que haveria "algo faltando" na política dos EUA, que seria o diálogo com o Taleban.

Uma revisão da estratégia para o Afeganistão está em curso e deve ser finalizada em dezembro. As negociações são confidenciais e envolvem governos de países como o Paquistão e a Arábia Saudita, além de organizações que mantêm vínculos com o Taleban.

A mudança ocorre durante durante a maior cúpula internacional na capital afegã, Cabul, em 40 anos. Representantes de 60 países --entre eles a secretária de Estado americana, Hillary Clinton e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, participam do evento.

O tema central da reunião em Cabul tem sido, até o momento, a "reintegração", que envolveria o contato com insurgentes menos radicais para convencê-los a deixar as armas.

MUDANÇA DE CÚPULA

A revisão também ocorre após a demissão do general Stanley McChrystal, que foi afastado após criticar a administração Obama em uma entrevista para a a revista "Rolling Stone".

No seu lugar, assumiu o general David Petraeus, grande nome da retirada das tropas americanas no Iraque.

Ele assumiu em junho, mês que se tornou o mais violento para as tropas internacionais desde o início da guerra, com 102 mortes, contra pouco mais de 70 em agosto de 2009.

Os Estados Unidos lideraram uma invasão ao Afeganistão para derrubar o Taleban depois dos ataques de 11 de setembro de 2001. Nos últimos dois anos, no entanto, o Taleban tem aumentado a frequência dos ataques, e a pressão por uma estratégia de retirada das tropas vem crescendo.

Recentemente, Obama disse em entrevista ao jornal italiano "Corriere dela Sera" que uma redução gradativa da presença norte-americana no Afeganistão começaria em meados de 2011. "Até o final do próximo ano devemos começar a transição, mas isso não significa que nossa presença irá desaparecer da noite para o dia", disse ele.

ACORDO

Segundo o "Guardian", ainda não há um consenso sobre a forma como o diálogo com a insurgência seria conduzido, nem sobre quem poderia ser indicado para mediar o diálogo.

Um diálogo com o líder do Taleban, Mullah Omar, seria muito improvável, considerando que ele apoiou o líder da rede Al Qaeda, Osama bin Laden, na época dos ataques de 11/9.

De acordo com o jornal, apesar de não haver um consenso, haveria uma tendência a deixar que Karzai liderasse o processo.

Os EUA teriam imposto condições para qualquer grupo que busque o diálogo, que seriam: fim do elo com a Al Qaeda, fim da violência e aceitação da Constituição afegã.

Fontes: FOLHA - Agências

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