Brito protestava pela situação de suas terras que, sustentava, haviam sido expropiadas pelo governo Hugo Chávez.
O produtor rural de 49 anos morreu no Hospital Militar de Caracas, onde estava internado por ordem da Justiça e contra sua vontade desde janeiro. "Seguiremos lutando pelas terras", disse à reportagem sua filha, Angela, 20.
Mais tarde, a família, em comunicado, afirmou que Brito será "símbolo e bandeira" dos que lutam contra os "atropelos do poder". Acusaram o governo Hugo Chávez de ignorar as exigências do produtor e vetar assistência médica escolhida por ele.
O caso de Brito se arrastava desde 2005, com várias versões e reações diversas do governo e da Justiça. O produtor rural fez, no período, oito greves de fome e, em 2005, cortou um dedo ante às câmeras de TV.
GOVERNO NEGA EXPROPRIAÇÃO
O governo Chávez diz que não houve expropriação das terras do produtor e que as autoridades fizeram o que podiam para demovê-lo do jejum.
Na semana passada, ele foi visitado pelo ministro da Agricultura, Juan Carlos Loyos, que acusou a oposição de manipulá-lo.
Caracas já havia demonstrado preocupação pela repercussão internacional e interna do tema. Em junho, quando Brito resolveu radicalizar a greve de fome, o governo convocou jornalistas e órgãos como a ONU e a OEA (Organização dos Estados Americanos) para falar do tema.
Earle Siso, diretor do hospital militar onde Brito estava, afirmou à época que o governo estava "respeitando o direito de greve de fome, mas, ao mesmo tempo, e por ordem judicial, preservando sua vida".
Já o vice-presidente Elías Jaua acusou a oposição de orquestrar "uma campanha internacional" contra Chávez, num intento de transformar Brito num mártir das expropriações.
Ontem, um apresentador do canal opositor Globovisión afirmou: "Tomara que a tragédia de Franklin Brito não seja a tragédia de todos os venezuelanos".
A polarizada Venezuela está às vésperas das eleições legislativas de 26 de setembro. Llíderes opositores como integrantes da cúpula católica criticavam o governo pelo caso.
Desde 2005, Brito e governo chegaram a dois acordos, considerados insuficientes pelo produtor.
Em junho, em conversa com a Folha, a filha Angela dissera que o pai recebera o equivalente a US$ 186 mil do governo em tratores e outros artigos agrícolas, mas que desejava devolver a quantia porque exigia que Caracas reconhecesse que se trata de uma indenização pelos danos causados e não "benefícios".
Fonte: FOLHA/FLÁVIA MARREIRO
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