França fala em controle e pede que ONU defina papel dos EUA no Haiti

França irritada com os EUA

O secretário de Estado de Cooperação francês, Alain Joyandet, afirmou nesta segunda-feira que a ONU (Organização das Nações Unidas) deve precisar o papel dos Estados Unidos na ajuda humanitária às vítimas do terremoto que devastou o Haiti no último dia 12, porque "não se trata de ocupar o país, mas de ajudar a recuperar a vida".

Os EUA comandam o aeroporto de Porto Príncipe, o que levou a críticas de vários países e entidades, incluindo a França.

Paris protestou oficialmente porque seu avião-hospital foi impedido de aterrissar no país nesta semana. O avião que levava Joyandet ao Haiti também enfrentou dificuldades de aterrissar pelo rígido controle americano --e os danos causados pelo tremor no aeroporto.

"A ONU está trabalhando, espero que tome uma decisão. Espero que as coisas sejam definidas sobre o papel dos Estados Unidos", disse Joyandet à emissora Europe 1, logo após retornar do Haiti.

Joyandet foi quem protestou perante os EUA por causa das dificuldades para que aterrissasse um avião francês que transportava um hospital móvel, algo que o diplomata considerava prioritário.

O ministro de Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, minimizou a polêmica e disse que os esforços de ajuda ao Haiti "são coordenados da melhor forma possível".

"O avião aterrissou mais tarde. É normal que, no terreno, todo mundo queira chegar primeiro", afirmou Kouchner à rádio France Info.

Tropas

A tensão pelo controle americano deve aumentar ainda mais nesta segunda-feira, com a chegada prevista de entre 9.000 e 10 mil soldados americanos ao Haiti. As tropas trabalharão na distribuição de medicamentos e na manutenção da ordem pública no país --uma tarefa que estava, até então, a cargo das tropas da ONU e sob o comando dos militares brasileiros.

Na prática, o reforço nas tropas americanas pode dar a Washington o controle de fato das operações de resgate, auxílio e de segurança, apesar de o controle de direito ser das forças de paz da ONU, hoje com cerca de 7.000 militares, incluindo 1.266 brasileiros, informa reportagem da Folha de S. Paulo.

O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos, almirante Mike Mullen, disse que o número de soldados americanos no Haiti pode aumentar ainda mais, dependendo das previsões de quanta assistência será necessária nos próximos dias.

Em entrevista coletiva no Pentágono, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, disse que o objetivo inicial é distribuir os remédios o mais rápido possível "para que as pessoas, em seu desespero, não recorram à violência".

Antes mesmo do reforço nas tropas, os EUA já levaram ao país caribenho mil soldados, vários navios da Guarda Costeira com helicópteros, o porta-aviões Carl Vinson, com 19 helicópteros, 51 leitos hospitalares, três centros cirúrgicos e capacidade de tornar potáveis centenas de milhares de litros de água por dia.

Há uma companhia já em solo lidando com segurança e distribuição e, até segunda-feira, chegam mais dois navios com helicópteros, uma força anfíbia com 2.200 fuzileiros e um navio-hospital.

Tragédia

O terremoto aconteceu às 16h53 desta terça-feira (12) (19h53 no horário de Brasília) e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do país.

Ainda não há um dado preciso sobre o número de mortos. A Organização Pan-americana de Saúde, ligada à ONU, diz que pode ter morrido cerca de 100 mil pessoas. Já o Cruz Vermelha estima o número de mortos entre 45 mil e 50 mil. Nesta sexta-feira, governo do Haiti afirmou estimar em 140 mil o total de vítimas.


Feridos são atendidos em barraca montada pela Médicos Sem Fronteiras, em Porto Príncipe. Governo diz que no total há 250 mil feridos/Julien Tack/AFP

Cerca de 70.000 corpos já foram enterrados em valas comuns no Haiti após o terremoto que devastou o país na última terça-feira, disse neste domingo o secretário de Alfabetização local, Carol Joseph.

Segundo o governo brasileiro, 17 brasileiros morreram no país --15 militares e dois civis, a médica Zilda Arns e o chefe-adjunto civil da missão da ONU no Haiti, Luiz Carlos da Costa. O corpo de Costa foi encontrado neste sábado (16).

O ministro da Defesa, Nelson Jobim,diz que há ainda um terceiro civil não identificado. O governo não confirma a informação.

Mais 16 militares brasileiros ficaram feridos no terremoto. Eles chegaram ao Brasil na sexta-feira (15), e desde então estão internados no Hospital Geral do Exército, em São Paulo, para um período de quarentena.


Fontes: FOLHA - Agências

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