Premiê de Israel diz que concordaria em paz com Estado palestino desmilitarizado

Desde que assumiu, Benjamin Netanyahu era contra um Estado palestino. Admissão de negociar novo Estado é fruto de pressão norte-americana.


Benjamin Netanyahu, aceita discutir a existência de um Estado Palestino (Foto: Baz Ratner/AFP )

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, admitiu discutir a existência de um Estado Palestino com a condição "sine qua non" para a paz que o território que abrigar este seja "desmilitarizado".

A atual postura a favor da negociação do novo Estado é fruto de pressão norte-americana. Assim, o discurso deste domingo parece ser uma tentativa de pôr fim à maior diferença nas relações EUA-Israel em uma década. Mas outros atritos parecem prováveis devido a sua recusa em ceder com relação aos assentamentos.

Desde que assumiu o poder, no fim de março, Netanyahu, chefe da coalizão de direita, vem resistindo aos apelos do presidente dos EUA, Barack Obama, e outros para aceitar que a saída nas negociações de paz seria a criação de um "Estado" palestino ao lado de Israel.

"Não podem nos exigir de antemão um Estado palestino sem que (a comunidade internacional) nos garanta antes que o território que ficar em mãos dos palestinos esteja desmilitarizado", disse Netanyahu num discurso na Universidade de Bar-Ilan, próxima a Tel Aviv. "Se recebermos garantias, estaremos dispostos a aceitar um Estado palestino desmilitarizado ao lado do Estado judeu", afirmou Netanyahu.

O premiê também exigiu que a solução para o conflito no Oriente Médio se baseie no "reconhecimento sincero" por parte dos palestinos de que Israel é "um Estado nacional judeu".

O primeiro-ministro disse ainda que, em seu conceito da paz, Jerusalém será a "capital unificada de Israel" e condicionou qualquer acordo a que o problema dos refugiados palestinos seja resolvido "fora das fronteiras do Estado de Israel".

Netanyahu afirmou que o conflito israelense-palestino "começou há 50 anos, antes de o Exército de Israel estar em Judéia e Samaria (nomes bíblicos da Cisjordânia)", e ressaltou que isso "não está relacionado com os assentamentos" judaicos.

Em outro trecho do discurso, o premiê pediu ao mundo árabe que colabore com israelenses e palestinos na busca de soluções para o conflito do Oriente Médio, que, segundo disse, deveria começar pelo alcance de uma "paz econômica".

"A paz econômica não é alternativa à paz diplomática, mas é um componente importante dela", declarou o primeiro-ministro, que disse que as negociações poderiam acontecer "em qualquer lugar: em Damasco, Beirute e também em Jerusalém".

Condenação do discurso

Um porta-voz do presidente palestino Mahmoud Abbas disse que Netanyahu não avançou o suficiente. Os palestinos resistem há muito tempo aos chamados por declarar que Israel é um Estado judaico. "O que fez é negar todos os princípios que a comunidade internacional considera básicos para conseguir uma solução pacífica entre israelenses e palestinos", comentou o chefe de gabinete do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Rafik al-Husseini.

O movimento islâmico Hamas também condenou o discurso do primeiro-ministro israelense e considerou inaceitáveis as condições impostas para a criação de um Estado palestino.

Assentamentos

Benjamin Netanyahu confirmou sua recusa em congelar totalmente o avanço dos assentamentos, como solicitado por Washington, seguindo os termos do "mapa do caminho" para a paz, traçado em 2003.

"Não temos a intenção de construir novos assentamentos ou desapropriar terras para novos assentamentos, mas é necessário permitir que os colonos vivam vidas normais, permitir que pais e mães criem seus filhos como famílias em todo o mundo", afirmou.

Em discurso no dia 4 de junho voltado a reparar as relações dos EUA com os muçulmanos, Obama disse que a construção dos assentamentos precisa parar.

Netanyahu, que lidera a coalizão governista de viés direitista, reiterou sua disposição em reunir-se com líderes árabes e exortou os palestinos a retomarem as conversações de paz.

Não ficou claro de imediato se Abbas vai aceitar o chamado de Netanyahu pelar retomada das conversações. Abbas já disse anteriormente que as negociações com Israel não poderão ser retomadas enquanto Netanyahu não aceitar a meta da solução de dois Estados e não interromper a construção de assentamentos.

Um congelamento dos assentamentos racharia a coalizão governista que chegou ao poder em Israel em março passado.

Fonte: France Presse - AFP - G1

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