Obama vence Ahmedinejad na eleição libanesa

Gustavo Chacra

O presidente dos EUA, Barack Obama, derrotou Mahmoud Ahmedinejad no Líbano. Ou, pelo menos, este é o sinal que será interpretado em Washington em Teerã depois da vitória da coalizão governista 14 de Março, segundo resultados extra-oficiais divulgados pela imprensa libanesa aqui em Beirute.

Esta aliança é composta por sunitas e facções cristãs, contando com o apoio dos EUA e da Arábia Saudita e contra a influência síria e iraniana no território libanês. Não simpatizam com Israel, mas aceitam uma acomodação com o Estado vizinho. Tudo o que Obama poderia pedir neste momento em que busca a paz no Oriente Médio.

Os cristãos da Frente Patriótica e os xiitas do Hezbollah e da Amal, que integram a coalizão 8 de Março, saem derrotados na disputa parlamentar, apesar de vitoriosos entre os eleitores de suas religiões. Mas não terão o controle do Parlamento. Tudo o que Ahmedinejad não queria cinco dias antes de disputar a reeleição para presidente do Irã.

Dentro do Líbano, o cenário possui uma complexidade bem maior. A 14 de Março venceu, mas alguns de seus integrantes, como o próprio premiê Fuad Siniora e o líder druso Walid Jumblat, indicaram que não pretendem isolar a oposição e, segundo analistas, estariam dispostos a formar um governo de coalizão.

Como o ministério libanês, segundo a lei, precisa ser distribuído de forma sectária, provavelmente os ministros xiitas, depois de negociações que devem se estender pelas próximas semanas, serão do Hebollah e da Amal. Os dois da oposição e ambos próximos ao Irã.

No final, mesmo derrotado, o Hezbollah deve integrar o governo. Exatamente como agora e também como ocorreu depois das eleições de 2005. No fundo, nada muda no país dos Cedros. Aqui, a opção a um governo composto por todos os grupos sectários é a guerra civil. Por enquanto, esta alternativa possui poucos defensores.

Hezbollah depende de cristãos para sua coalizão ter maioria

O Hezbollah não tem como possuir a maioria no Parlamento libanês. Das 128 cadeiras, por lei, os xiitas podem possuir apenas 27 (leia post anterior). Destas, o Hezbollah tem um acordo com a Amal (outra organização xiita) para cada um ficar com mais ou menos a metade. Segundo analistas, o Hezbollah deve ter apenas 11 – no máximo 14. Cerca de 10%. Dizer que o Hezbollah pode conquistar a maioria no Parlamento libanês é mentira.

Logo, no Líbano, não existe a possibilidade de acontecer o mesmo que nos territórios palestinos, quando o Hamas conquistou, literalmente, a maioria das cadeiras no Parlamento. O que pode ocorrer no Líbano é uma vitória da aliança da qual o Hezbollah faz parte. A maioria dos deputados desta coalizão será composta por cristãos da Frente Patriótica do ex-general Michel Aoun. Para completar, independentemente do resultado, o primeiro-ministro será sunita, como prevêem acordos no Líbano, que também obrigam o presidente ser cristão maronita e o presidente do Parlamento, xiita.

O problema, como alertam aqui em Beirute, será a leitura do resultado em Washington. Certamente, parte da imprensa americana e mesmo autoridades da Casa Branca poderão ler que o Hezbollah tomou o poder no Líbano. Mais do que isso, que o país passou para as mãos do Irã.

O ex-presidente Jimmy Carter, que está como observador da eleição, disse hoje pretende explicar para Barack Obama que o Hezbollah representará apenas 10% do Parlamento, mesmo em caso de vitória de seu bloco.

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