Stiglitz: crise ainda está no "fim do começo"

SÃO PAULO - "Estamos no fim do começo, mas não no começo do fim". Este é o diagnóstico de Joseph Stiglitz, economista americano vencedor do prêmio Nobel em 2001, sobre o momento atual da crise internacional.

De acordo com estudioso, a economia global já esta vivenciando um ajuste de estoques, mas ainda há grandes fraquezas nos setores financeiro e automobilístico norte-americano, que atrapalham uma recuperação. "Pode ainda haver algum novo capitulo da crise, mas o mais provável é que continuemos neste mal-estar, com sinais de leve recuperação, mas sem nada efetivo", afirmou Stiglitz, que participou hoje de evento em São Paulo.

Também presente no evento, Robert Mundell, vencedor do Nobel de economia de 1999, acredita que o mundo está a dois quintos do processo total da crise. "Os EUA estão iniciando sua chegada ao fundo do poço neste semestre, ou no próximo. Depois vem uma recuperação lenta", afirmou Mundell. Para a Europa, no entanto, o especialista não consegue ver um início de recuperação no curto prazo. "Acredito que só no fim do ano a União Europeia chegará ao fundo do poço", disse Mundell.

Também premiado com o Nobel, em 2004, Edward Prescott fez uma análise ainda mais pessimista no mesmo evento. Ele acredita que o pior da crise ainda está por vir. "(O presidente dos EUA Barack) Obama fez com que o clima de confiança piorasse. As pessoas se amedrontaram com o resgate dos bancos e agora param de investir", disse. Na opinião de Prescott, a Europa estará ainda pior, devido ao seu "pesado" sistema tributário.

Para o Brasil, no entanto, os prognósticos não são tão ruins. Segundo o economista Delfim Netto, se for considerado que o crescimento do PIB ao nível de 3% a 4% já signifique recuperação, o fim da crise no país se dará em 12 meses. "Não vamos voltar a crescer como antes, mas vamos crescer", afirmou Delfim, que participou do mesmo seminário.

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