Economia da Alemanha pode cair mais de 3% em 2009, diz instituto

da Efe, em Berlim

A recessão na Alemanha neste ano será ainda maior do que o previsto pelo governo e outras entidades, com a queda podendo superar os 3%, segundo dados divulgados pelo DIW (Instituto de Estudos Econômicos, na sigla em alemã) nesta segunda-feira.

O instituto prevê para o primeiro trimestre de 2009 desempenho econômico negativo na Alemanha, com queda de até 4,5% em comparação ao último trimestre de 2008. O DIW calculou em meados de janeiro passado que a contração no primeiro trimestre seria de apenas 0,8%.

"Um retrocesso tão forte da atividade econômica seria até agora único na história do oeste (alemão) e na totalidade da Alemanha do pós-guerra", afirmou hoje Stefan Kooths, especialista em conjuntura do DIW.

A recessão está sendo alimentada pelo "incomum e forte esfriamento" do setor primário, que afeta inevitavelmente as firmas de serviços próximas às empresas, disse Kooths.

Ele acrescentou que o restante das empresas de serviços se veem afetadas em menor medida, pois se beneficiam do desenvolvimento estável do consumo privado, enquanto no setor da construção haverá também um retrocesso menor que no das empresas produtoras.

Encomendas de máquinas industriais na Alemanha caem 40% em dezembro

Os pedidos de máquinas operatrizes na Alemanha, um componente vital na maior economia da Europa, caíram 40% em dezembro e o setor poderá perder 25 mil empregos neste ano, de acordo com dados da associação industrial VDMA divulgados nesta terça-feira.

O quarto trimestre registrou uma queda de 29% na medição anualizada e foi o pior trimestre desde 1958, segundo um comunicado do presidente da VDMA, Manfred Wittenstein.

Em 2008 em seu conjunto, os pedidos de máquinas-ferramentas tiveram, apesar de tudo, um aumento de 5,4% em relação a 2007 em valores reais, assim como um forte crescimento das exportações para países em desenvolvimento, ao mesmo tempo em que foram criados 40.000 novos empregos.

No fim de 2008, o setor empregava 975 mil operários, de acordo com a federação alemã. Para 2009, no entanto, a VDMA prevê uma contração de 7% por causa da queda da demanda em um contexto de crise econômica mundial.

Na semana passada, o governo informou que a produção industrial alemã teve em dezembro uma queda 4,6% em relação a novembro. Trata-se da maior desde a reunificação do país, em 1991, devido à queda no mundo todo da demanda.

O governo também informou que as encomendas à indústria da Alemanha caíram 25,1% em 2008. "A queda dos pedidos continua a um ritmo inalterado", afirmou o ministério em uma nota. "As projeções para a produção industrial nos próximos meses são extremamente fracas."

A Alemanha está em recessão desde o segundo trimestre de 2008 e as previsões são de que o problema persistirá durante 2009. No mês passado, o FMI (Fundo Monetário Internacional) informou que a economia da Alemanha sofrerá neste ano uma contração de 2,5%. Em novembro, o FMI havia calculado que a economia alemã encolheria 0,8% em 2009, mas a piora da conjuntura mundial nos últimos dois meses levou o órgão a corrigir suas previsões.

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