Raúl Castro visita Moscou pela primeira vez desde a queda da União Soviética

Raúl Castro visita Moscou para assinar acordos de cooperação com a Rússia; o ex-ditador cubano, Fidel, apóia a iniciativa

O presidente de Cuba, Raúl Castro, chegou a Moscou (Rússia) nesta quarta-feira, na primeira visita de um chefe de Estado cubano após o colapso da União Soviética, no início dos anos 90. No encontro, Castro se reunirá com o presidente russo, Dmitri Medvedev, para assinar acordos de cooperação.

O avião do dirigente cubano aterrissou nesta quarta-feira no aeroporto de Vnukovo, ao sudeste da capital, informou a agência oficial russa RIA Novosti.

A programação da visita de Castro, que permanecerá no país até o dia 4 de fevereiro, não foi informada. A expectativa é que a Rússia tente fazer algum acordo de cooperação com Havana, entre empresas ligadas ao setor de petróleo e de defesa aérea.

A visita oficial tem uma importante carga simbólica após o esfriamento das relações bilaterais com a queda da União Soviética. Em uma entrevista concedida a emissoras russas, Raúl disse que o ex-ditador cubano, Fidel Castro, "também manifestou pessoalmente apoio ao país".

A União Soviética forneceu bilhões de dólares a Cuba, por meio de relações comerciais e subsídios, até o colapso do regime comunista de Moscou. Nos últimos anos, o ex-presidente e atual primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, tem buscado reatar os laços com o governo cubano e com outros países caribenhos, como uma forma de desafiar os Estados Unidos.

O movimento é uma resposta à expansão da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para países comunistas do Leste Europeu e, mais recentemente, à tentativa do governo do ex-presidente George W. Bush de atrair para a aliança militar ocidental a Geórgia e a Ucrânia, ex-repúblicas soviéticas.

Em novembro do ano passado, o presidente russo, Dmitri Medvedev, visitou Cuba e vários outros países da região, e a Rússia também enviou navios da Marinha para fazer exercícios militares em conjunto com navios da Venezuela.

Castro, que apoiou a Rússia em suas disputas recentes com os EUA,
disse à agência estatal russa Itar-Tass, antes de embarcar rumo a Moscou, que Cuba e Rússia mantêm "relações maravilhosas" novamente.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, disse esperar que a visita "assinale um marco importante" nas relações bilaterais. Em uma entrevista com a agência estatal cubana Prensa Latina, publicada nesta quarta-feira no site do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Lavrov repetiu o apelo russo para que os EUA acabe com o embargo comercial a Cuba.

"Nós pretendemos buscar de maneira firme um caminho para dar um fim ao bloqueio, que nós vemos como um vestígio de uma era que passou há muito tempo", disse o ministro.

O embaixador cubano em Moscou, Juan Valdés Figueroa, disse nesta terça-feira que a visita representa um "salto qualitativo" nas relações entre os países e que "Rússia e Cuba são como dois irmãos que sentem que é hora de se abraçarem".

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