O prédio-sede da UNRWA (agência da ONU para refugiados palestinos) na Cidade de Gaza foi atingido por três bombas do Exército israelense nesta quinta-feira. Conforme o porta-voz Richard Gunnes, após a explosão, o prédio ficou em chamas. Não há confirmação de danos nem de quantas pessoas estavam no local, no momento do ataque. Entre os funcionários da ONU, ao menos três ficaram feridos.
Um complexo que abrigava mídias de vários países também foi atingido, nesta quinta-feira, em Gaza. Ao menos um jornalista ficou ferido.
Israel realiza uma grande ofensiva em toda a faixa de Gaza, há 20 dias consecutivos, contra o grupo radical islâmico Hamas. Fontes médicas afirmam que mais de mil palestinos já foram mortos e outros 4.000, feridos. Segundo as mesmas fontes, 40% dos mortos são civis. Israel, porém, contabiliza 930 mortos e afirma que 75% deles são militantes do Hamas.
Segundo o porta-voz da agência da ONU, as três bombas partiram dos tanques israelenses, e há suspeitas de que elas fossem de fósforo branco, uma substância cujo uso em regiões habitadas ou em ataques a pessoas é proibido justamente por provocar queimaduras severas e problemas respiratórios.
O grupo internacional de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch denunciara, nesta terça-feira (13), o uso de fósforo branco por Israel. Em 2006, Israel admitiu ter usado obuses com fósforo branco contra objetivos militares durante a ofensiva no sul do Líbano contra alvos do Hizbollah, milícia xiita libanesa.
O ataque ao prédio da ONU ocorreu pouco antes de o secretário-geral Ban Ki-moon se reunir com a chanceler israelense, Tzipi Livni, em Tel Aviv. De lá, ele expressou "grande protesto e horror" em relação ao ataque e pediu que seja aberta uma investigação.
Em outro incidente, dois jornalistas palestinos ficaram feridos em um ataque aéreo israelense contra um prédio na Faixa de Gaza que abrigava a imprensa de vários países. O complexo era o centro de operações de vários meios de comunicação árabes e ocidentais, entre eles as redes de televisão americana Fox, a britânica Sky News e a luxemburguesa RTL.Também abrigava a sede da agência de notícias Reuters, e as das redes árabes Al Arabiya e MBC. Os dois cinegrafistas feridos, cujo estado é desconhecido, trabalham para a televisão de Abu Dhabi, segundo o responsável desse meio de comunicação na Faixa de Gaza.
O hospital do Crescente Vermelho, na Cidade de Gaza, também foi atacado. Segundo a rede de televisão catariana Al Jazira, a farmácia do hospital e o segundo andar de um edifício que abriga vários escritórios administrativos no bairro de Tel Hawa está em cdhamas, em consequência dos bombardeios. As fontes acrescentaram que os bombardeios começaram no início da manhã quando um armazém do Crescente Vermelho foi atingido por projéteis israelenses.
O complexo da ONU bombardeado é usado como abrigo por centenas de pessoas que fugiram de suas casas durante a ofensiva israelense. A área está coberta de fumaça e ainda não está claro se há pessoas dentro do prédio. O completo abriga, além da agência da ONU, outros escritórios e uma escola. O porta-voz da ONU Chris Gunness afirmou que grandes quantidades de ajuda humanitária, assim como caminhões de combustível, podem ser destruídos. "Três projéteis atingiram um complexo da UNRWA em Gaza, causando um grande incêndio", disse o porta-voz.
O espanhol Francesc Claret, funcionário da organização, disse que o Exército israelense também disparou bombas de fósforo contra o imóvel quando cerca de 700 pessoas estavam dentro, escondendo-se do avanço das forças que entraram na Cidade de Gaza pela primeira vez. "Um dos feridos tem lesões provocadas por bombas de fósforo branco, que atravessaram o colete à prova de balas que estava usando", acrescentou Claret, expressando seu temor de que o incêndio não possa ser sufocado, pois o fósforo não deve ser apagado com água. Ele também manifestou sua incerteza em relação ao destino dos refugiados no interior da sede da UNRWA e pelo material de ajuda humanitária concentrado nos armazéns que estão pegando fogo.
"Isso vem se somar aos danos que sofremos nas últimas semanas: tivemos que fechar um centro médico em Rafah, uma escola com 900 refugiados e um comboio humanitário também foi atacado", disse o porta-voz, ao referir-se a diferentes ataques israelenses que tiveram como alvo instalações da UNRWA. Em um deles, morreram mais de 40 pessoas quando um projétil de tanque atingiu a entrada de um colégio.
Desde o início da ofensiva israelense, a UNRWA habilitou todas suas instalações para refúgio a palestinos deslocados em consequência dos bombardeios e dos combates, e, atualmente, cerca de 20 mil ocupam estes centros, de onde também se distribui a ajuda humanitária para mais de 900 mil habitantes. Na sexta-feira passada, após a UNRWA suspender suas atividades devido à morte de um dos motoristas de um comboio humanitário claramente identificado, Israel tinha garantido que teria mais cuidado com seus ataques e que não voltaria a atacar centros dessa organização.
O Exército israelense ainda não comentou o ataque desta quinta-feira, porém o ministro de Defesa israelense, Ehud Barak, classificou o fato como um "grave erro".
Ban chegou nesta terça-feira ao Oriente Médio para participar das negociações de paz entre israelenses e palestinos e tentar fazer que ambos os lados acatassem a resolução por trégua imediata que fora aprovada dias atrás no Conselho de Segurança e que acabou ignorada. Nesta sexta-feira (16), Ban viaja a Ramallah, no território palestino da Cisjordânia, onde deve encontrar-se com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.
Mídia
O complexo de mídia atingido pelo Exército israelense nesta quinta-feira funcionava no edifício Al Shurouq Tower, no bairro de Al Shuruk, centro da Cidade de Gaza, e abrigava profissionais árabes e ocidentais.
Segundo a agência de notícias Reuters, que possui escritório naquele prédio, a bomba atingiu o imóvel na altura do 13º andar, onde funciona uma produtora de TV --a Reuters fica no 12º. O nome do jornalista ferido não foi divulgado, mas informações preliminares indicam que ele era da TV Abu Dhabi e estaria no 14º andar, no momento do ataque.
Conforme a Reuters, um porta-voz do Exército israelense entrou em contato com o escritório da Reuters em Jerusalém pouco antes do ataque, para confirmar a localização da equipe em Gaza --o que foi feito pela empresa, que recebeu garantia de que não era alvo.
Milhares de palestinos fogem com avanço de tanques na Cidade de Gaza
Os tanques israelenses entraram na manhã desta quinta-feira no sul da Cidade de Gaza e obrigaram milhares de pessoas a deixar suas casas e buscar refúgio, segundo informam a imprensa israelense e as agências de notícias internacionais.
No 20º dia consecutivo da grande ofensiva israelense contra alvos do movimento islâmico radical Hamas, na faixa de Gaza, os tanques entraram no bairro populoso de Tal al Hawa, no sul da cidade, e continuaram seu avanço até chegar ao núcleo urbano da capital de Gaza. A ofensiva já deixou ao menos 1.025 palestinos mortos, cerca de metade deles civis, incluindo 300 crianças e adolescentes.
As tropas israelenses foram protegidas por helicópteros, tanques e forte artilharia na operação desta quinta-feira, quando realizaram, segundo o jornal israelense "Hareetz", a sua maior ofensiva contra o Hamas na faixa de Gaza.
Imagens de uma câmera da agência internacional de notícias Reuters, no centro de Gaza, mostrou horas de ataques da artilharia israelense. As bombas explodiram nas áreas de periferia da cidade e o barulho das metralhadoras podia ser ouvido também nos blocos de prédios residenciais de Gaza.
A maior parte dos combates, contudo, foi centrada em Tel al-Hawa, onde parte dos moradores fugiu a pé e outros se esconderam em abrigos precários, relata o "Hareetz".
Alguns moradores deixaram suas casas ainda de pijamas, diante dos ataques da madrugada, e alguns levavam parentes mais velhos em cadeiras de rodas. Segundo o jornal, alguns palestinos estavam parando carros blindados de jornalistas e pedindo para que os levassem para local seguro.
Segundo testemunhas, tanques e carros blindados entraram em um parque do bairro, transformando o local em um centro de comando improvisado. Segundo o "Hareetz", homens mascarados carregando sacolas foram vistos se dirigindo à região.
As forças israelenses cercam a Cidade de Gaza, que tem cerca de 500 mil habitantes, há dias. Os arredores de Gaza foram campo de combates entre soldados israelenses e milicianos palestinos.
Na Cidade de Gaza, a resistência do Hamas será provavelmente maior, já que eles conhecem a área mais detalhadamente que as forças de Israel --o que pode significar também mais baixas do lado israelense na nova fase da operação na região.
Ataques
Nesta madrugada, as Forças Armadas de Israel atacaram ao menos 70 alvos em diferentes pontos de Gaza e o Hamas reagiu lançando ao menos 12 foguetes contra território israelense.
Segundo comunicado do Exército, vários palestinos morreram nos ataques. Embora não haja dados oficiais ainda, a imprensa estima que pode chegar a dezenas, tanto devido a ataques aéreos como terrestres.
Entre os alvos atacados pelas Forças Armadas de Israel estão 14 comandos do Hamas e uma mesquita na cidade de Rafah, no sul da faixa de Gaza, que seria usada como armazém bélico.
Também foram alvo de bombardeios israelenses outras 14 plataformas de lançamento de foguetes, cinco armazéns de armas em casas de membros do Hamas e um túnel situado sob a residência de outro militante do grupo islâmico, conforme explicou um porta-voz militar israelense.
No início da manhã, milícias palestinas dispararam, por volta das 9h (5h, no horário de Brasília), pelo menos 12 foguetes e bombas da faixa de Gaza contra território israelense, informaram fontes militares.
Segundo a polícia israelense, o número de foguetes lançados chega a 15.
Dos projéteis, dois são foguetes do tipo Grad, de um maior alcance em comparação com os mais rústicos Kassam, que comumente são disparados por milicianos de Gaza.
A cidade israelense de Sderot, a dois quilômetros da faixa, sofreu vários impactos de foguetes, assim como a de Ofakim, e outros pontos da região de Eshkol, sem que tenham sido registrados vítimas ou danos significativos.
Israelenses apoiam
Uma nova pesquisa mostra que os israelenses aprovam fortemente a ofensiva. A sondagem registra que 78% dos israelenses veem a operação como um sucesso. O número é semelhante à porcentagem de judeus na população de Israel. Quase 20% dos israelenses são árabes, que se identificam com os palestinos e se opõem à ofensiva. Mais de mil palestinos morreram desde o início dos ataques, a metade civis.
A pesquisa mostra que a guerra ampliou a popularidade do ministro da Defesa, Ehud Barak, na disputa eleitoral de 10 de fevereiro. Porém o líder da oposição, o linha-dura Benjamin Netanyahu, segue na frente nas intenções de voto. Foram entrevistadas 561 pessoas e o estudo tem margem de erro de 4,3 pontos percentuais, para mais ou para menos.
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