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Hoje chegamos à estação brasileira. Ontem, depois de terminar a travessia do Drake, passamos pelo estreito Nelson e guinamos em direção à ilha Livingstone, onde fica a base da Bulgária, passando primeiro pelas ilhas Roberts e Greenwich. Nesse caminho vimos as primeiras paisagens da Antártica, com temperatura de 1 grau positivo, mas sensação térmica que passava de 12 negativos em função dos ventos superiores a 20 nós.

O trajeto até os búlgaros levou cerca de seis horas. Fiquei boa parte do tempo no passadiço, do lado de fora, tentando tirar fotos. Mas quando chegamos perto das geleiras - o que eu mais queria ver - já passava das 21h e o céu já não estava azulado (anoitece perto da meia-noite aqui), logo as fotos não conseguem dar idéia verdadeira do que vemos:

Elas formam paredões de superfície irregular, rajados de tons azulados, e dão a sensação das grandes pedras e montanhas, a sensação de que contêm o tempo compactado, de que acumulam eras - como de fato acumulam. A geologia de Charles Lyddell talvez tenha sido a maior influência sobre o estalo de Darwin, que começou a se perguntar como a natureza superpunha camadas de tempo deixando rastros dessa história em seu relevo. As geleiras acentuam ainda mais essa noção porque irradiam essa luz fria, como se estivessem aqui há muito mais tempo do que qualquer forma de vida.
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