Os últimos resultados das pesquisas de opinião indicando redução da vantagem de Dilma Rousseff sobre o adversário José Serra, para analistas políticos, representam um sinal de que a eleição tornou-se imprevisível. Embora Dilma ainda seja a favorita, a petista não estaria se comportando como tal, deixando transparecer o temor da derrota.
“Dilma vem caindo desde 23 de setembro, com a consolidação do caso Erenice”, aponta Luciano Dias, da CAC Consultoria, que, no entanto, entende que a petista é a favorita. “Não se trata do clássico desmanche do candidato, como já vimos acontecer com Ciro Gomes, Roseana Sarney e Geraldo Alckmin, em outras ocasiões, mas de um descompasso com os desejos do eleitorado” – avalia Dias, para quem os eleitores querem mais do que o discurso da continuidade e do desenvolvimento.
“O eleitorado está mais rico, mais complexo, e quer mais”, opina o analista. A campanha petista estaria relegando a segundo plano a classe média, que tem novas ambições não contempladas pelo discurso de Dilma, e deixando de apresentar propostas que plantem "novos sonhos", para esta fatia do eleitorado.
Já para o cientista político André César, Dilma transparece abatimento com resultados que frustram expectativas, em geral, altas. “É típico de uma ‘cristã nova’, pela falta de experiência” – avalia. Para César, os próximos números das pesquisas mostrarão que a sangria de votos na petista tende a estancar, com o esgotamento de temas negativos ou polêmicos e do voto anti-pt.
“Soco na cara da esquerda”
O recente movimento da petista, chancelado pelo presidente Lula, de busca de apoio dos evangélicos a qualquer custo seria um sinal de que a campanha de Dilma partiu para o vale-tudo. “Essa iniciativa, explícita, na frente das câmeras, equivale a um soco na cara da esquerda, das feministas, das minorias, que são a base histórica do PT e da Dilma” – diz Luciano Dias.
Fonte: R7/Christina Lemos
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