Em carta, Roriz pede votos para a mulher e se diz injustiçado por ter ficha limpa

Barrado pela ficha limpa, candidato renunciou à disputa pelo governo do DF. STF pode decidir se continua a examinar validade da ficha limpa para este ano.

Ameaçado pela Lei da Ficha Limpa, Joaquim Roriz desiste e lança sua mulher como candidata no Distrito Federal / Sérgio Lima/Folhapress

Em carta dirigida à população do Distrito Federal, o ex-candidato Joaquim Roriz (PSC) disse nesta sexta-feira que decidiu renunciar à disputa pelo governo do Distrito Federal mesmo tendo a ficha limpa e sofrendo acusações baseadas em "sofismas".

Ao se declarar injustiçado por aqueles que o "acusam sem provas", Roriz pede na carta votos para a mulher, Weslian Roriz (PSC), que vai disputar o cargo em seu lugar.

"Não posso mais ser candidato. Mas a eleição correrá em meu nome e o povo de Brasília me honrará, elegendo governadora minha amada esposa, companheira de meio século, competente, honrada, humana e digna. Estarei com ela a cada minuto, da mesma forma que ela sempre esteve comigo, e foi a grande responsável pela alta dose de humanismo dos quatro períodos de governo que chefiei."

Na carta, intitulada de "Manifesto ao povo de Brasília", Roriz acusa os adversários de terem rasgado a Constituição para acusá-lo de ter a "ficha suja".

"Minha ficha é limpa e minha consciência mais limpa do que a consciência dos que me acusam sem provas; e até mesmo do que a de alguns juízes que me julgaram apenas com base em sofismas, muito mais apegados às luzes dos holofotes do que ao espírito das leis. Para isso valeu tudo: rasgaram a Constituição."

Roriz disse que nunca foi condenado pela Justiça, apesar de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ter declarado o candidato inelegível com base na Lei da Ficha Lima. "Nunca avancei sobre o patrimônio público, nunca sujei minha mão na lama onde chafurdam os corruptos que infelicitam Brasília e o Brasil."

O ex-candidato disse que construiu seu patrimônio com a "marca da honradez de uma família que há mais de século nesta região fez do trabalho honesto seu meio de vida".

Além de pedir votos para Weslian, Roriz também conclama na carta a população a eleger deputados e senadores da sua coligação. "A vitória contra meus adversários me lavará a alma das injustiças que sofri, e fará com que eu não tenha que repetir o grito de revolta do grande humanista Camus: 'O pior dos tormentos humanos é ser julgado sem lei."

A carta foi publicada no site oficial do candidato. Roriz vai conceder entrevista na tarde de hoje para anunciar formalmente a renúncia. O candidato a vice-governador em sua chapa, Jofran Frejat (PR), vai se manter na disputa como vice de Weslian.

WESLIAN

Roriz decidiu retirar sua candidatura para lançar sua mulher, Weslian, na disputa. A informação foi divulgada no site da filha de Roriz, Liliane, que é candidata a deputada distrital, mas retirada logo depois. "Depois de passar a manhã em reunião, o ex-governador Joaquim Roriz decide lançar a esposa Weslian Roriz como candidata a governadora do Distrito Federal", escreveu a filha de Roriz.

O PSC confirmou a informação, que será oficializada nesta tarde. Assim como o marido, Weslian é filiada à legenda. Para candidaturas majoritárias, não há necessidade de aprovação em convenção do partido no caso de mudança de nome. A foto na urna, entretanto, continuará sendo a de Roriz, uma vez que o prazo para troca já expirou.

A decisão de Roriz foi tomada horas depois de o STF (Supremo Tribunal Federal) adiar pela segunda vez o julgamento do recurso do PSC, que argumentava que a Lei da Ficha Limpa não poderia retroagir para tirar o candidato da disputa. O julgamento está empatado e não há prazo para definição.

A estratégia da campanha de Roriz é tentar reverter o estrago causado pela Ficha Limpa, que fez o candidato despencar nas pesquisas e ser ultrapassado pelo petista Agnelo Queiroz. Além disso, a chapa do PSC afasta o risco de ter a candidatura barrada, caso o Supremo decidisse que Roriz é ficha suja.

Para juristas ouvidos pela Folha, a decisão de Roriz de renunciar à candidatura suspende o julgamento no STF. Como o tribunal analisa recurso do candidato contra a sua inelegibilidade, especialistas em legislação eleitoral entendem que a ação perde o objeto --por isso o julgamento de mais de 15 horas deveria ser anulado.

STF e a Lei da Ficha Limpa

A ficha limpa prevê a inelegibilidade de candidatos que renunciaram a mandato para evitar processo de cassação ou que tiveram condenação por órgão colegiado. Com base na norma, Roriz estaria inelegível durante o restante do mandato e nos oito anos seguintes. Dessa forma, o ex-governador não poderia se candidatar até 2023, quando terá 86 anos.

De acordo com os precedentes do STF, com a desistência de Roriz não haveria mais razão para retomar o julgamento sobre o recurso.

No entanto, segundo a assessoria do STF, é possível que mesmo com a retirada do recurso os ministros mantenham a análise sobre a validade da ficha limpa para este ano. Isso por que no início do julgamento, nesta quarta (22), o plenário já havia definido que o resultado deste julgamento servirá de precedente para casos semelhantes.

Depois de dois dias de sessão, o julgamento sobre a validade da ficha limpa e sobre a liberação da candidatura do ex-governador terminou empatado, em 5 a 5. O plenário do STF está com menos um integrante, desde agosto, quando o ministro Eros Grau se aposentou. Diante do impasse, os ministros decidiram suspender por tempo indeterminado o julgamento.

Fontes: FOLHA/GABRIELA GUERREIRO e FILIPE COUTINHO - G1/Débora Santos

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