ONU pede que Venezuela suspenda prisão de presidente da Globovisión

Relator da ONU  denunciou que desde 2001, funcionários da rede de televisão têm sido vítimas de atos de assédio e intimidação por parte da ditadura chavista

O relator da ONU sobre liberdade de imprensa, expressão e opinião, Frank La Rue, pediu nesta quinta-feira às autoridades venezuelanas que levantem a ordem de detenção contra o presidente de Globovisión, Guillermo Zuloaga, e seu filho, de mesmo nome.

A acusação formal que se faz tem a ver com um suposto caso de "açambarcamento" de autos usados e "usura" em sua venda, em relação a outro negócio que possuem e que foi aberto pela Promotoria há vários meses.

"Nenhum governo no mundo tem o direito de silenciar as críticas ou a voz dos opositores através de procedimentos penais", assinalou La Rue através de uma declaração pública emitida em Genebra.

Sustentou que "este último ato de assédio contra Zuloaga é sintomático do continuo deterioração da liberdade de imprensa no país".

O analista independente, quem vigia a promoção e proteção das liberdades de expressão e opinião por mandato do Conselho de Direitos Humanos da ONU, expressou igualmente suas dúvidas sobre as "motivações políticas" da ordem de detenção contra Zuloaga e seu filho.

O relator da ONU indicou que desde 2001, funcionários da rede de televisão foram vítimas de atos de assédio e intimidação, que já em 2008 deram lugar a uma medida cautelar em seu favor por parte da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Piorando

A já grave situação da liberdade de imprensa na Venezuela deverá piorar ainda mais com a proximidade das eleições legislativas de setembro próximo, segundo testemunhas presentes em audiência na quarta-feira (16) sobre o tema na Câmara dos Representantes (deputados) dos EUA.

Catalina Botero, relatora da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que fez uma apresentação aos deputados americanos, afirmou que há três preocupações fortes em relação ao país: "Há problemas sérios de independência judiciária na Venezuela; há um marco jurídico inadequado; e há uma enorme intolerância à crítica."

A CIDH é parte da Organização dos Estados Americanos (OEA). Indagada pelo republicano Connie Mack (Flórida) sobre se ataques à imprensa vão piorar até setembro, Botero disse que, como "temos visto um aumento da perseguição, talvez sim".

Já Marcel Granier, diretor da venezuelana RCTV e que testemunhou na audiência, não tem dúvidas de que a situação vai se agravar. Segundo ele, o governo está dando "avisos" a jornalistas, empresas de comunicação e até políticos para que não o desafiem antes das eleições.

Prisão

Uma corte divulgou uma ordem de prisão contra Zuloaga e seu filho, também chamado Guillermo, na sexta-feira (11). Procuradores querem que Zuloaga fique preso enquanto aguarda julgamento por acusações de usura e conspiração por manter 24 carros novos guardados em uma de suas propriedades.

Zuloaga, que também tem várias concessionárias de automóveis, chamou as acusações de falsas e acusou os procuradores de estarem agindo a mando de Chávez. Ele é o sócio majoritário da Globovison e deixou o país para evitar ser preso, após mandado de prisão contra ele ter sido emitido.

Com esse caso, são dois os proprietários da empresa Globovisión fora da Venezuela. Um sócio minoritário, Nelson Mezerhane, está na Flórida, EUA, onde estava coincidentemente quando o governo anunciou, na segunda-feira (14) que estava assumindo o controle de seu banco por supostos problemas financeiros.

Mezerhane disse à rede americana CNN que não voltaria à Venezuela agora.

O presidente esquerdista Hugo Chávez tem constantemente acusado a Globovisión de conspirar contra ele e tentar sabotar seu governo.

Comentário

Os pedidos da ONU nao serão atendidos, pois ditadores não dão ouvidos a ninguém.


Fonte: FOLHA - Agências

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