ESSE NEGÓCIO DE MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL FICAR PERSEGUINDO BLOGS É UMA GRANDE BOBAGEM!

Reinaldo Azevedo

Leitores estão me perguntando por que não tenho comentado a atuação do Ministério Público Eleitoral contra um blog de apoio à candidatura de Dilma Rousseff. Parece que já há uma outra contra um blog que apóia o tucano José Serra. E assim vai.

Não falei antes porque há coisas mais relevantes. Mas, se é para comentar, lá vai: acho esse troço ridículo. Já me mandaram barbaridades que esses coitados escreveram inclusive contra mim. Mas e daí? Eles que se divirtam lá. Uma coisa é mobilização da máquina do estado — COM DINHEIRO PÚBLICO — em defesa de uma candidatura, como faz Lula e como faz Dilma na Europa; outra, bem diferente, são esses blogs que proliferam na rede. Como coibir isso? Ok. Que a lei seja seguida enquanto não mudar. Mas que a resolução do TSE é ridícula nesse particular, isso é inegável. Trata-se de uma tentativa de conter o mar com sacos de areia.

Esse blog dilmista que está sendo alvo do Ministério Público Eleitoral não tem a menor importância. Seus autores, aliás, devem estar no céu. Transformaram-se em heróis incidentais da própria irrelevância. Passadas as eleições, é preciso rever esse conceito de “pré-campanha”. Há mais exigências feitas pela Justiça Eleitoral do que dicas no Antigo Testamento sobre como preparar o Templo. Procuradores eleitorais se pretendem verdadeiros síndicos da política.

A ridicularia se estende ao chamado horário político — que não pode ser eleitoral. É mesmo? Quer dizer que o partido pode ir à TV, dizer-se o melhor para conduzir o Brasil, o mais adequado para cuidar do futuro, o mais competente, mas estaria proibido de direcionar isso para uma pessoa, um candidato, um símbolo. “Ah, não, aí já é campanha”, diz o bedel. Tenham paciência! Sei o que escrevi. Ataquei o programa do PT do dia 13 de Maio porque houve a oposição direta “Dilma X Serra”, com nome e tudo. Mas era evidente que aproveitariam o horário para falar sobre a candidata. Como o PSDB fez hoje.

É bom os políticos começarem a cuidar disso, ou os procuradores e juízes do TSE vão começar a desenvolver aquela “Síndrome da Dona Mirtes”. Não sabem quem é? Era a “inspetora de corredor” da escola em que eu estudava. Dona Mirtes mandava mais do que o regimento interno da escola.

Se o Ministério Público Eleitoral está em busca de serviço, eu tenho uma dica. Vai em outro post.

Se o Ministério Público Eleitoral quer mesmo mexer com algo relevante, por que não se ocupa de blogs financiados por estatais, por intermédio de propaganda, que nada mais são do que panfletos eleitorais? Isso, sim, é grave. Trata-se de dinheiro público posto a serviço de uma candidatura.

Fonte: Veja

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