G8 e G20 estão longe de acordo para ajudar países em desenvolvimento

Países desenvolvidos têm dificuldade de discutir taxa sobre transações financeiras

Defendida pela França e a Alemanha, a criação de uma "contribuição sobre as transações financeiras" voltadas para aumentar a ajuda pública ao desenvolvimento, está longe de conseguir a unanimidade entre as grandes potências.

A questão será abordada durante uma cúpula do G20 (os oito mais mais industrializados mais os principais estados emergentes) que será inaugurada neste sábaddo e vai durar 24 horas na cidade canadense de Toronto.

Os Estados Unidos, preocupados em impedir todos os entraves ao capitalismo, não aprovam a ideia desta taxa, mas, sem os americanos, o projeto corre o risco de ir por água abaixo.

Na sexta-feira (25), a chanceler alemã, Angela Merkel admitiu:

- Mantivemos discussões bilaterais até agora, mas temos a impressão de que outros países não partilham a atitude positiva da Europa a respeito.

Com o presidente francês Nicolas Sarkozy, a chanceler assinou uma carta recente enviada ao premier canadense Stephen Harper defendendo esta taxa e seu debate na reunião de cúpula do G8 e do G20.

Merkel comentou:

- Conversei com o primeiro-ministro japonês e devo dizer que ele não se mostrou muito animado. Espero um apoio maior dos países emergentes.

Estados Unidos, Canadá, Japão são três pesos pesados do G8, e será difícil chegar a um consenso, sem o apoio deles para uma questão, amplamente apoiada por Organizações Não Governamentais e sindicatos.

"Mais de 150.000 cidadãos de todo o mundo assinaram uma petição para exigir do G20 a criação desta taxa", destacam em nota várias ONGs, entre elas Oxfam, Attac e Care.

Para seus defensores, a taxação sobre as transações financeiras seria indolor. Alguns falam de uma taxa de 0,005% sobre o fluxo de capital, as negociações em bolsa e as transferências de dinheiro, o que poderá representar várias dezenas de milhares de dólares por ano, estimam.

G8 chegou a "compreensão mútua" sobre economia, diz Merkel

Os líderes do G8 chegaram a "uma compreensão mútua" sobre a economia global na cúpula em Huntsville, Canadá, disse nesta sexta-feira (25) a chanceler alemã, Angela Merkel.


- Deixei claro que precisamos de um crescimento sustentável e que este crescimento e algumas medidas de austeridade inteligentes não têm por que serem contraditórios. A discussão não foi controversa, houve muita compreensão mútua.

Os Estados Unidos expressaram preocupação pelas iniciativas europeias, lideradas pela Alemanha, de reduzir o gasto público e as dívidas dos países. Em oposição, os EUA defendem medidas que estimulem o crescimento econômico.

Os chefes de Estado e governo das sete maiores economias do mundo mais a Rússia, o grupo conhecido como G8, reúnem-se nesta sexta-feira (25) na pequena cidade de Huntsville, no Canadá.

O encontro acontece logo antes da cúpula do G20, nos dias seguintes na cidade de Toronto. O G8 vai então receber os líderes das nações emergentes.

O presidente Luis Inácio Lula da Silva cancelou a sua ida ao Canadá, de acordo com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Lula ficará no Brasil para acompanhar o trabalho de resgate às vítimas das chuvas nos Estados de Alagoas e Pernambuco. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, irá representar o presidente brasileiro no encontro.


Fontes: R7- AFP

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