G20 põe 'novos ricos' na mesa das decisões mundiais

Grupo das 20 maiores economias vai tomando o lugar do clube dos poderosos do G8

A cidade de Toronto, no Canadá, recebe neste final de semana alguns dos homens e mulheres mais poderosos do mundo para a cúpula do G20. O poder, nesse caso, vem tanto dos países ricos, como Estados Unidos e França, quanto dos emergentes, caso do Brasil e da Índia, que ganharam papel de protagonistas na cena mundial após a crise econômica que estourou em 2008.

O encontro do G20  ocorre um dia depois da cúpula do G8, grupo das sete maiores economias mais a Rússia. O primeiro encontro reúne, na prática, o clube dos ricos (G8), que no sábado e no domingo terá a companhia dos novos ricos (G20), ou emergentes.

Manifestantes protestam contra cúpula do G8 se travestindo dos líderes da Itália, Reino Unido, EUA, Rússia, Alemanha, França, Canadá e Japão/Allan Lissner/AFP

Em entrevista ao Council on Foreign Relations, o ex-consultor para política externa do Departamento de Estado americano, Stewart Patrick, disse que “a criação do G20 é a maior inovação na governança global desde o fim da Guerra Fria (1989)”.

O crescimento de economias emergentes, como as de Brasil, China e Índia, e a decadência econômica de nações ricas, como os EUA e o Reino Unido, fez o G8 parecer obsoleto diante da nova configuração mundial. Por isso, muitas decisões antes tomadas pelo pequeno clube dos poderosos do G8 agora começam a ser divididas com os emergentes do G20.

Patrick lembra que o G20 “é o único fórum internacional no qual os países desenvolvidos e os em desenvolvimento se reúnem em condições de igualdade”.

Crise acelerou divisão de poder

Criado em 1999 para ser um fórum de discussões econômicas, composto pelos ministros da Fazenda dos 20 maiores PIBs do mundo, o G20 foi promovido em 2008 a um grupo formado pelos chefes de Estado e governo.

A mudança aconteceu no aperto da crise econômica, quando o então presidente dos EUA, George W. Bush, viu que não conseguiria conter o furacão da crise sem ajuda dos emergentes.

Para o professor de Relações Internacionais da PUC-SP, Paulo Edgard Resende, o G20 “foi um um primeiro ensaio para irmos além do G8”.

- Mesmo sem consistência formal, o G20 já é marcado pelo protagonismo. Há uma nova cartografia mundial que tem de ser levada em conta.

Para Patrick, “no longo prazo o G20 inevitavelmente expandirá sua agenda, solidificando seu papel como o clube mais influente ante os países poderosos”.

Brasil ganha com novo cenário

O Brasil, uma das mais destacadas potências emergentes, ganha com a nova configuração de poder no mundo trazida pelo G20. O país já participa das grandes decisões econômicas, é um país Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), tem forte atuação na OMC (Organização Mundial de Comércio) e é, sem dúvidas, um global trader (comerciante global).

Apesar do poderio econômico, o país quer poder político, como se viu na recente negociação de um acordo nuclear com o Irã – por isso se esforça para ser um global player (ator importante no cenário internacional).

Para o professor Giorgio Romano, da Universidade Federal do ABC, o poder vem acompanhado de responsabilidades.

- O Brasil ocupou muito espaço e cresceu muito mais rápido do que se preparou. O mundo espera do Brasil uma posição sobre tudo.

Romano lembra, no entanto, que os ricos não vão dividir o poder tão facilmente com os emergentes. Ele diz que a substituição do G8 pelo G20 será gradual.

- Não necessariamente os países querem tratar todos os assuntos no G20. Há outros fóruns para decisão política, como a ONU e a Otan. Mesmo os emergentes não querem que tudo seja decidido no G20.

Apesar da importância do evento, a cúpula deste fim de semana estará desfalcada do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que decidiu ficar no país para acompanhar os trabalhos de ajuda às vítimas de enchentes no Nordeste. O Brasil será representado no G20 pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Fontes: R7 - Agências

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