Contrariando uma grande promessa de campanha, o premiê do Japão, Yukio Hatoyama, empossado em setembro passado, assinou nesta sexta-feira acordo com o presidente dos EUA, Barack Obama, para manter base militar americana na ilha de Okinawa. Esse documento repete os pontos negociados pelos aliados em 2006, o que desagrada milhares de japoneses que esperavam a retirada da unidade da ilha ou mesmo sua eliminação completa.
O novo texto prevê, nos moldes do de 2006, que os EUA devolvam a base ocupada atualmente, em Futenma, centro urbano da ilha de Okinawa, assim que forem concluídos estudos sobre a localização, configuração e construção da nova, em Henoko, uma área menos povoada.
O acerto da nova base deverá terminar em agosto que vem. Em troca, os EUA irão transferir, até 2014, 8.000 fuzileiros navais para Guam, possessão onde já têm presença militar. Os EUA mantêm cerca de 47 mil militares no Japão, dos quais mais da metade estão em Okinawa.
Os EUA argumentam que a manutenção da base em Okinawa é essencial para a coordenação de suas tropas e para encurtar o tempo de reação, no caso de uma emergência.
Essa presença americana maciça recebe fortes críticas desde 1995, quando uma menina de 12 anos foi estuprada por fuzileiros navais. Hoje, eles reclamam do barulho e da poluição, além da violência. Do ponto de vista dos japoneses, porém, em relação ao texto de 2006, o novo avança só ao exigir a realização de um estudo de impactos ambientais e ao arrancar dos americanos o compromisso de estudar tirar de Okinawa pelo menos parte do trânsito de helicópteros.
Em nota, a Casa Branca afirmou que, em conversa por telefone, os dois líderes "expressaram satisfação com o progresso feito por ambos os lados para chegar a um plano operacionalmente viável e politicamente sustentável" para a base. No comunicado, os dois afirmam que a "aliança entre EUA e Japão continua indispensável não só para a defesa do Japão mas também para a paz, segurança e prosperidade" da região.
Política japonesa
Durante sua campanha, Hatoyama reacendeu a luta pela eliminação da base. No domingo passado, porém, em visita à ilha, ele reconheceu que não seria capaz de cumprir sua promessa e pediu desculpas à população. Nos últimos meses, por causa dessa disputa, Hatoyama viu sua aprovação cair a menos de 20%.
O premiê afirma esperar apoio das autoridades de Okinawa, mas membros do pequeno Partido Social-Democrata (esquerda) já ameaçam deixar a coalizão governista. Esses parlamentares pressionam para que a líder da legenda, Mizuho Fukushima, que é ministra de Hatoyama, não assine o acordo. "A política precisa cumprir a promessa que fez ao povo de Okinawa e ao resto do Japão e tratar deste fardo", disse a política, ontem.
Para Hatoyama, seria prejudicial perder apoio tão perto da eleição para renovar a Câmara Alta do Parlamento, em julho. Por outro lado, o seu Partido Democrata continuaria com a maioria na Câmara Baixa, mais poderosa.
Japoneses querem que premiê renuncie se não fechar base dos EUA, diz pesquisa
Pesquisa publicada na edição desta segunda-feira do jornal "Nikkei" revela que 57% dos japoneses acham que o premiê Yukio Hatoyama deve renunciar ao cargo se não encontrar uma solução para a mudança de uma base aérea americana em Okinawa antes do final de maio que vem. O levantamento também aponta que o índice de aprovação do governo de Hatoyama caiu para 24%.
Neste domingo, cerca de 90 mil pessoas participaram de um protesto na localidade de Yomitan, na ilha de Okinawa, contra a mudança da base de Futenma para outra região.
Com cartazes com frases como "não à base" e "bases americanas, fora de Okinawa", os manifestantes reivindicavam que a base saísse da ilha, conforme Hatoyama prometera durante a campanha. , disse o prefeito de Okinawa, Hirokazu Nakaima."Queremos que o premiê Hatoyama cumpra sua palavra, sobretudo pela base aérea de Futenma"
O governo havia cogitado apenas transferir a base de Futenma, situada em uma área muito povoada, para outro lugar da província de Okinawa, Henoko, onde a presença do aeroporto prejudicaria menos os moradores, o que está previsto em acordo assinado com os EUA em 2006. O presidente Barack Obama considera o cumprimento do acordo a melhor solução para o problema.
Metade dos soldados americanos mobilizados no Japão --atualmente 47 mil-- desde o fim da Segunda Guerra Mundial estão em Okinawa.
Muitos moradores de Okinawa reclamam dos problemas provocados pela presença militar americana, como o barulho, poluição e os atritos frequentes.
Fonte: FOLHA - Agências
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