Bolsa de Valores e canal de TV foram atacados em Bangcoc. Oposicionistas exigem renúncia de premiê.
O primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, decretou toque de recolher na capital do país, Bangcoc, das 20h desta quarta até às 6h de quinta-feira, após grupos ligados aos "camisas vermelhas", de oposição ao governo, incendiarem o edifício da Bolsa de Valores de Bangcoc e atacarem o prédio do "Canal 3" da televisão estatal.
Os ataques aconteceram em represália à operação do Exército para desmontar o acampamento dos manifestantes no centro da capital tailandesa, ação que causou pelo menos quatro mortes.
A ação dos manifestantes indica que os protestos não terminaram na cidade, embora líderes dos camisas vermelhas tenham se entregado nesta quarta, após a ação dos soldados do governo. A liderança chegou a pregar pelo fim dos protestos para evitar novas mortes.
Após o anúncio do toque de recolher, autoridades determinaram que todas as redes de TV noticiassem apenas programas impostos pelo governo no lugar da programação normal.
Uma visão geral mostra fumaça no horizonte de Bangcoc. Grupos isolados ligados aos camisas vermelhas seguem protestando e espalhando o terror pela cidade (Foto: Manan Vatsyayana/AFP Photo)
Os jornais "The Nation" e "Bangcoc Post", os dois de maior circulação em língua inglesa, esvaziaram suas sedes, perante o risco de se tornarem alvo de ataques por parte dos manifestantes opositores, pois grupos isolados seguem provocando incidentes.
Os camisas vermelhas, a maioria de origem pobre, iniciaram o movimento em meados de março para exigir a renúncia do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva e a convocação de eleições legislativas antecipadas.Eles consideram o governo ilegítimo e apoiam o ex-premiê Thaksin Shinawatra, que deixou o país após um golpe de Estado em 2006.
Integrantes de grupos ligados aos oposicionistas são vendados após serem presos em Bangcoc (Foto: Kereque Wongsa/Reutres)
O ministro da Defesa, Prawit Wongsuwon, indicou que o governo estuda declarar o toque de recolher, que pode entrar em vigor esta noite, mas não informou a hora exata e também não disse se a medida afetaria toda a cidade de Bangcoc, que tem 12 milhões de habitantes em 1.568 km².
No domingo passado, o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva e o Exército anunciaram que tinha sido decidida a declaração do toque de recolher nas imediações da região do acampamento dos camisas vermelhas, mas horas depois a medida foi rejeitada por ser considerada "desnecessária".
O Exercitou informou que concluiu a operação para retirada dos camisas vermelhas do centro de Bangcoc, onde milhares de manifestantes estavam acampados há quase seis semanas.
Líderes da oposição se entregam em meio a confrontos e fogo na Tailândia
Tumultos, confrontos e incêndios tomaram Bancoc, capital da Tailândia, nesta quarta-feira, no esforço final do Exército para acabar com a ocupação dos opositores conhecidos como camisas vermelhas no coração financeiro da cidade. A ofensiva deixou ao menos quatro mortos, 50 feridos e levou sete líderes do movimento a se renderem.
O Exército anunciou nesta quarta-feira o fim da operação para esvaziar o bairro de Bancoc ocupado pelos manifestantes antigovernamentais. As autoridades anunciaram ainda um toque de recolher na cidade a partir das 20h (10h de Brasília).
Às 1h30 desta quarta-feira, no horário local, Jatuporn Prompan, Natthawut Saikua, Weng Tojirakarn, Wiphuthalaeeng Pattanaphumthai, Korkaew Phikulthong, Yosvaris Chuklom e Nisit Sinthuprai se entregaram no quartel da Polícia Real Tailandesa.
Pouco antes, Prompan afirmou aos camisas vermelhas que o gesto visava evitar mais mortes --que já chegam a 65 desde março.
"Eu peço desculpas a todos vocês, mas eu não quero mais nenhuma perda. Eu estou devastado também. Nós vamos nos entregar", disse. Ele anunciou ainda o fim dos dois meses de protestos contra o governo.
Contudo, milhares de camisas vermelhas em Khon Kaen e Udon Thani se recusaram a abandonar os protestos e marcharam para as prefeituras para protestar contra a ação do governo em Bancoc, segundo relatos da televisão local.
Em Khon Kaen, mais de mil camisas vermelhas romperam uma linha de proteção policial no principal portão da Prefeitura.
Eles trouxeram pneus e combustível e ameaçaram incendiar o prédio se o governo não atender a demanda e dissolver o Parlamento.
Em Udon Thani, mais de 5.000 camisas vermelhas passaram pelas barricadas, policiais e soldados e entraram na Prefeitura.
Fogo
Em Bancoc, os manifestantes atearam fogo em cinco edifícios, incluindo a bolsa tailandesa e World Central, a segunda maior loja de departamento do Sudeste Asiático. Eles atacaram ainda a estação de TV local Canal 3, em meio aos motins espalhados pela cidade de 15 milhões de pessoas.
Segundo a agência de notícias France Presse, cem pessoas estavam presas no edifício do canal de televisão.
"O prédio foi atacado por manifestantes e quando enviamos um veículo, também foi atacado. Agora recuaram e enviamos novamente um caminhão", afirmou um porta-voz dos bombeiros da capital tailandesa.
"Estamos em uma situação de crise. Por volta de 100 funcionários nossos estão presos no prédio", declarou Samran Chatton, jornalista do Channel 3.
Um helicóptero foi enviado para tentar retirar as pessoas presas.
Medo
Na última ofensiva contra os manifestantes antigoverno, no início da manhã desta quarta-feira (horário local), os soldados apertaram o cerco contra os manifestantes em Bancoc.
Tanques de guerra foram posicionados na área onde cerca de 3.000 manifestantes antigoverno estava acampados há seis semanas. Após avisarem com megafone que iriam desocupar a área, o Exército destruiu as barricadas e ocupou a área.
De acordo com as agências internacionais de notícias, houve troca de tiros entre militares e "camisas vermelhas". Ao menos quatro morreram e 50 ficaram feridos; um jornalista italiano estaria entre as vítimas, porém essa informação ainda não foi confirmada. Segundo am agência Associated Press, três jornalistas teriam sido baleados.
Fontes: G1- TV Globo - Agências - FOLHA


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