Com pompa, circunstância e muita desorganização, o governo de São Paulo inaugurou com quarenta e cinco minutos de atraso -- por volta de 12h45 -- desta terça-feira (25) o primeiro trecho da linha 4-Amarela do Metrô paulista.
O lote entregue possui 3,6 km de extensão e, inicialmente, funciona apenas entre as estações Paulista (rua da Consolação) e Faria Lima (Largo da Batata).
Plataforma da estação Paulista
Entre os primeiros passageiros do novo Metrô, estavam o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), o governador Alberto Goldman (PSDB), além de parlamentares, secretários estaduais e municipais. Os ex-governadores tucanos José Serra e Geraldo Alckmin, maiores responsáveis pela obra, não participaram do evento pois deixaram, respectivamente, os cargos de governador e secretário por conta das eleições.
Na primeira fase da obra, que será concluída até o fim do ano com mais quatro estações, foram gastos R$ 3,8 bilhões, dos quais cerca de 75% foram bancados pelo governo do Estado – e o restante pelo consórcio Linha Amarela.
Novo trem possui passagem livre entre os vagões
O governador Goldman justificou os investimentos: “São Paulo talvez seja, das grandes cidades do mundo, a que tenha menos metrô, porque fazer metrô não traz resultados imediatos”, disse Goldman.
O governador assumiu que, nos próximo meses, alguns ajustes serão feitos na linha, que ainda não possui banheiros, sinal de celular. “Estamos experimentando o Metrô com ele andando”, confirmou.
Composições não terão operadores humanos
A Linha 4-Amarela foi inaugurada dois anos depois do prazo estabelecido pelo governo do Estado no início da obra. Será a primeira linha do Metrô paulista operada por um consórcio privado --e não pelo poder público-- e não terá condutores humanos no controle das composições.
A obra começou em março de 2004 e, pelo prazo inicial, deveria ter sido entregue em 2008. Um dos principais fatores para o atraso foi a demora nos processos de desapropriação, que duraram dois anos, de acordo com a Secretaria dos Transportes Metropolitanos.
Outro agravante foi o desmoronamento no canteiro de obras da estação Pinheiros em janeiro de 2007, que abriu no local uma cratera de mais de 80 metros de diâmetro e matou sete pessoas.
Ainda em 2007, quando duas frentes de trabalho que escavavam os túneis da linha se encontraram, foi constatado que havia um desalinhamento de 80 centímetros entre os túneis, o que também acabou prejudicando o andamento da obra. A linha é a primeira da história do Metrô de São Paulo a ser construída também com recursos privados, por meio de uma PPP (Parceria Público-Privada).
Assim como ocorreu na construção, pela primeira vez na história do metrô paulista a operação ficará a cargo de um grupo privado --o consórcio ViaQuatro, pertencente ao grupo CCR, formado por construtoras (Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa) e empresas do ramo de transporte (Serveng-Civilsan e Brisa)-- e a fiscalização será de responsabilidade do governo do Estado.
Assinado em 2003, na gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), o contrato de concessão prevê que, nos próximos 30 anos, 100% do que for arrecadado com as tarifas e com o uso dos espaços do Metrô fique com as empresas.
O governo do Estado só receberá 50% do valor das tarifas dos passageiros que utilizarem a Linha 4 a partir da integração com outras linhas e terá ainda que recompensar as empresas, caso a arrecadação com a operação seja muito menor do que o estimado na assinatura do contrato.
Para o secretário dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, a Linha 4 será uma espécie de teste para saber se é possível que metrô seja operado com qualidade pela iniciativa privada. “O Metrô [o órgão estadual] tem uma experiência muito grande na operação. Agora teremos uma linha [operada por uma concessionária] que poderemos fazer a experiência e examinar. Vamos ter um órgão que vai cuidar do acompanhamento da operação. Eu gosto muito da operação do Metrô. Vamos ver como opera o ente privado”, afirmou, em entrevista ao UOL Notícias.
Trens não terão condutores
Fachada da estação Faria Lima, no largo da Batata
A atual gestão chegou a anunciar que o trecho seria inaugurado entre o final de março e o início de abril, antes de José Serra (PSDB) se afastar do governo para disputar a sucessão presidencial. Porém, o governo adiou a entrega da obra por conta da necessidade de cumprir “exaustivos protocolos de testes”.
Uma das razões do atraso de dois meses foi a dificuldade em alcançar a sincronização exata da parada dos trens nas plataformas, já que não haverá um condutor humano nos trens. A velocidade, o tempo de parada e a sincronização das composições serão automáticas, realizadas por um sistema computadorizado. As plataformas são vedadas e possuem abertura somente nos locais de alinhamento da porta dos trens.
Área de circulação da estação Faria Lima
Nos primeiros meses de operação, as estações funcionarão fora do horário de pico, apenas entre 9h e 15h. O período reduzido é adotado para que sejam feitos os ajustes necessários quando o volume de passageiros é menor.
Esteira rolante na estação Paulista
A Secretaria dos Transportes Metropolitanos estima que, nesse período, no máximo 5.000 pessoas utilizem diariamente as duas estações da Linha 4. A estimativa é que o horário seja expandido para o padrão de toda a rede (entre 5h e 0h30, aproximadamente) até setembro.
Nos próximos dias --entre uma e três semanas--, usuários não precisarão pagar pelas viagens na Linha 4, que vai funcionar no esquema de operação assistida. Nesse período, a ligação com a Linha 2-Verde, por meio das estações Paulista e Consolação, estará fechada ao público. Quando a ligação estiver funcionando, os passageiros utilizarão uma esteira rolante para ir de uma estação à outra.
Após Paulista e Faria Lima, a previsão é de que duas novas estações sejam abertas até novembro: Butantã e Pinheiros. Por essas estações, contando com a inauguração de outras duas --Luz e República, que já integram outras linhas da capital-- deverão passar 705 mil passageiros por dia.
Com a conclusão da 1ª fase, a Linha 4 terá ligações com as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha do Metrô e com a Linha 9-Esmeralda da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).
A segunda fase da obra deverá ser entregue até 2014 e terá as estações Vila Sônia, São Paulo-Morumbi, Fradique Coutinho, Oscar Freire e Mackenzie-Higienópolis.
Enquanto na primeira fase a frota terá 14 trens, na segunda será formada por 29 composições. Após a conclusão da segunda fase, a estimativa é de 970 mil passageiros diários.
Fonte: UOL Notícias/Guilherme Balza






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