Julgamento do casal Nardoni começa nesta segunda

Alexandre e Anna Carolina Nardoni esperam em celas separadas; júri começa às 13h.

Entenda o caso da morte da menina Isabella

Veja as versões da defesa e da acusação


O casal Nardoni já chegou ao Fórum de Santana, na Zona Norte de São Paulo, onde acontece o julgamento de um dos casos de maior repercussão do país nos últimos anos: o de Isabella Nardoni, que no dia 29 de março de 2008 caiu do 6º andar do prédio onde vivia seu pai, Alexandre, e sua madastra, Anna Carolina Jatobá - acusados de serem os autores do crime.

Os réus chegaram em um comboio escoltado pela Polícia Militar às 8h24. Eles foram trazidos de penitenciárias do Tremembé, no interior da cidade. O juiz Maurício Fossen será o responsável pelo júri, que começa às 13 horas. O criminalista Roberto Podval tem certeza de que será impossível obter para seus clientes, diante do clima que cerca esse caso, um julgamento "justo, correto e honesto".

A começar pelo fato de que a testemunha que ele julga essencial, a ponto de listá-la como primeira de sua lista de 20, não ter sido encontrada pelos oficiais de Justiça do 2º Tribunal do Júri. Trata-se do pedreiro Gabriel Afonso Neto, que teria dado uma entrevista dizendo que gente estranha invadira a obra onde ele trabalhava, ao lado do prédio habitado pelos Nardoni na noite do crime. É a única versão que confirma a tese da defesa, de que um desconhecido teria invadido o edifício London e atirado Isabella pela janela.

Adiamento - A disposição da defesa de adiar o julgamento não espanta o Ministério Público Estadual. O promotor de Justiça Francisco José Taddei Cembranelli afirmou que está preparado para enfrentar as alegações que serão suscitadas a fim de adiar mais uma vez o júri - o que a defesa tentou pleitear em três ocasiões anteriores. "A acusação está preparada e não vê nada que justifique o adiamento, pois todas as testemunhas foram ouvidas no processo e as perícias foram realizadas", afirmou o promotor.

Veja vídeos sobre o julgamento do Caso Isabella

Julgamento do casal Nardoni deve começar às 13h
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá são acusados da morte de Isabella Nardoni, em março de 2008. Eles já estão no Fórum de Santana, na Zona Norte de São Paulo, esperando o julgamento.


Casal Nardoni chega ao Fórum de Santana
22/03/2010
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá chegam ao Fórum de Santana, onde serão julgados pela morte da menina Isabella Nardoni, morta em março de 2008. O crime causou comoção no país.


Casal Nardoni é levado para o julgamento em São Paulo
22/03/2010




Entenda como funciona o Tribunal do Júri


O julgamento do casal Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni, acusados da morte de Isabella Nardoni, começa nesta segunda-feira (22) no 2º Tribunal do Júri do Fórum de Santana, na Zona Norte de São Paulo. O júri popular é previsto em crimes contra a vida, como homicídio, tentativa de homicídio e auxílio ao suicídio. Nele, cidadãos comuns escolhidos por sorteio decidem se os réus são culpados ou inocentes.

Apesar de o Código de Processo Penal prever que 25 jurados devem ser sorteados para estarem presentes no dia marcado para o júri, serão 40 no caso do julgamento do casal Nardoni. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) diz que foram sorteados 15 a mais por garantia. Desses, 23 são mulheres e 17, homens. Os integrantes do júri precisam ter mais de 18 anos, nenhum antecedente criminal e morar na cidade de São Paulo.

Apenas sete jurados irão compor o conselho de sentença. O sorteio ocorre no dia do julgamento. A defesa e acusação têm o direito de, cada uma, recusar três jurados sorteados. Depois da escolha, os outros jurados presentes são dispensados. Durante os dias de julgamento – estão previstos até cinco – os integrantes do conselho ficam incomunicáveis. Eles irão dormir e fazer as refeições dentro do Fórum de Santana.

A lei 11.689, de junho de 2008, fez algumas alterações no Código de Processo Penal. Agora, o interrogatório dos réus é feito após o depoimento das testemunhas. Até então, os acusados do crime eram ouvidos primeiro. Isso foi feito, segundo os juristas, para garantir a ampla defesa dos réus. Com a mudança, o julgamento segue a seguinte ordem:

- Sorteio dos jurados: sete são sorteados, entre 40 possíveis. O promotor e o advogado de defesa podem negar, sem justificativa, três jurados cada.

- Depoimento das testemunhas: primeiro são ouvidas as arroladas pela acusação, depois as da defesa.

- Leitura de peças: trechos do processo, como provas recolhidas por carta precatória.

- Interrogatórios dos réus: acusados do crime respondem a perguntas de defesa e acusação (os jurados também podem fazer questionamentos, por intermédio do juiz).

- Debates: são disponibilizadas duas horas e meia para os argumentos da acusação e o mesmo para a defesa. Depois, há duas horas de réplica e o tempo igual de tréplica.

- Voto em sala secreta: jurados vão até a sala secreta e respondem a quesitos estabelecidos pelo juiz. Depois, o magistrado formula e lê a eventual sentença.

Veja quais são as acusações contra o casal Nardoni



Se o júri considerar que o casal Nardoni é culpado pela morte de Isabella, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá poderão ser condenados a uma pena de 12 a 30 anos de reclusão. Os dois, que estão presos preventivamente em Tremembé, a 147 quilômetros de São Paulo, há cerca de dois anos, alegam inocência. O julgamento deles ocorrerá a partir das 13h de segunda-feira (22) no Fórum de Santana, na Zona Norte.

Alexandre e Jatobá são réus no processo que os responsabiliza pelo assassinato da menina. Ambos são acusados pelo Ministério Público de homicídio triplamente qualificado e fraude processual por terem alterado a cena do crime.

Segundo o promotor Francisco Cembranelli, para matar a menina o casal empregou meio cruel para impossibilitar a defesa da vítima, com o objetivo de garantir ocultação de crime praticado anteriormente. Em outras palavras, a madrasta de Isabella agrediu e esganou a criança, e Alexandre, a jogou pela janela do sexto andar do Edifício London, na Zona Norte da capital.

O casal também responde por fraude processual no mesmo processo porque teria modificado a cena do crime: lavado as manchas de sangue de Isabella no apartamento.

Fontes: G1- Veja -FOLHA - TV Globo

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