Sede do Google na China. (Foto: Jason Lee/Reuters) Após mais de dois meses de embates com o governo chinês, o Google passou a oferecer nesta segunda-feira (22) conteúdo livre de censura para os usuários da China.
Pela manobra implementada por sua unidade dos EUA, os chineses que buscam o endereço “Google.cn” são redirecionados para “Google.com.hk”, a página da companhia em Hong Kong.
“Hoje cedo paramos de censurar os nossos serviços de busca Google Search, Google News e Google Images – no Google.cn. Os usuários que visitam o Google.cn agora são redirecionados para o Google.com.hk, onde estamos oferecendo busca não censurada em chinês simplificado, projetado especificamente para usuários na China continental e entregues através de nossos servidores em Hong Kong”, informou o vice-presidente sênior de desenvolvimento corporativo e diretor jurídico, David Drummond, no blog da companhia.
“Em virtude do aumento da carga em nossos servidores em Hong Kong e à natureza complexa dessas mudanças, os usuários podem notar alguma lentidão no serviço ou encontrar alguns produtos temporariamente inacessíveis até concluirmos todas as mudanças”, continuou o executivo.
“Acreditamos que esta nova abordagem de oferecer busca não censurada em chinês simplificado a partir de Google.com.hk é uma solução sensata para os desafios que temos enfrentado – é perfeitamente legal e vai aumentar significativamente o acesso à informação para as pessoas na China”.
“Esperamos sinceramente que o governo chinês respeite nossa decisão, mas nós estamos cientes de que poderia bloquear o acesso a qualquer tempo aos nossos serviços”, frisou, acrescentando que a gigante da internet fará um monitoramento cuidadoso do novo endereço para evitar problemas futuros.
Além disso, Drummond afirmou que o Google pretende manter seus negócios na China, dando continuidade ao trabalho de pesquisa e desenvolvimento no país asiático, acrescentando que todas as medidas foram tomadas fora do território chinês.
“Finalmente, gostaríamos de deixar claro que todas essas decisões foram implementadas por nossos executivos nos Estados Unidos, e que nenhum dos nossos funcionários na China pode, ou deve, ser responsabilizado por isso”, concluiu o executivo.
Governo chinês acusa Google de ser ferramenta política dos EUA
O governo chinês fez duras acusações ao Google em editoriais da agência de notícias oficial Xinhua, publicados neste fim de semana.
Nos textos, a empresa é acusada de ser usada como ferramenta política dos Estados Unidos. Segundo o governo chinês, o Google mantém ligação com os serviços de inteligência americanos, fornecendo inclusive informações sobre o país.
Os editoriais acusam o Google de se infiltrar na cultura local para impor valores americanos, exportando “cultura, valores e ideias”. Um dos textos diz ainda que o Google afirma injustamente que a China apoia os ataques de hackers à empresa.
Em comentário assinado por três colunistas, a agência também tentou defender a censura à internet pelo governo chinês, que o Google mencionou como um dos motivos para que o maior serviço mundial de buscas possa deixar a China.
"É injusto que o Google tente impor seus valores e padrões à regulamentação da internet na China, que tem tradições, culturas e valores veneráveis," acrescentaram os jornalistas.
O impasse entre o governo chinês e a gigante das buscas se arrasta há meses. Em janeiro, o Google e outras empresas foram vítimas de ciberataques supostamente feitos por hackers chineses. A empresa anunciou que não aceitaria mais a censura imposta pelo governo para as buscas feitas no país e pode deixar o mercado chinês.
Segundo o jornal local “China Businnes News”, a empresa deve anunciar nesta segunda-feira (22) sua saída da China, que ocorreria no dia 10 de abril. O Google não comentou a afirmação, publicada no jornal na semana passada.
O Google é o segundo maior site de buscas na China, atrás do local Baidu. Recentemente, a Microsoft anunciou que, caso o Google deixe o país, não seguirá o mesmo caminho.
Fonte: G1 - Agências
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