Extraditado, Hosmany Ramos deve ficar sozinho em cela de presídio no interior de SP

O ex-cirurgião desembarcou em Cumbica por volta das 6h deste sábado (6)

O ex-cirurgião Hosmany Ramos voltou ao Brasil após temporada em "luxuosos" presídios islandeses/ Divulgação

O avião que trouxe Hosmany Ramos, ex-cirurgião plástico condenado por roubo, sequestro e homicídio, ao Brasil pousou no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, na manhã deste sábado (6). O voo 8085, da TAM, vindo de Londres aterrissou no aeroporto às 5h59. Um piloto da aeronave confirmou à reportagem da Rede Record que agentes da Polícia Federal o escoltaram durante a viagem.

Após a chegada, Hosmany deve ir de avião até a cidade de Presidente Prudente, a 558 km de São Paulo, de onde será encaminhado ao presídio de Junqueirópolis, a 624 km de São Paulo, segundo informou na manhã deste sábado o senador Romeu Tuma (PTB). A escolha do presídio se deu a partir de negociação entre as autoridades brasileiras e islandesas.

A Polícia Federal foi buscar o médico na capital da Islândia, Reykjavík, após a Suprema Corte daquele país autorizar sua extradição, segundo disse ao R7 o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr.

Site da Islândia mostra Hosmany Ramos algemado; ex-cirurgião, preso no país desde agosto, diz que está em "hotel de luxo"/Reprodução

Dois agentes da Polícia Federal fizeram a escolta de Hosmany no voo que saiu de Londres por volta das 21h (horário local). Antes, eles foram buscar Hosmany no aeroporto de Reykjavík, onde ele foi entregue pela polícia islandesa. De lá foram para Londres e, em seguida, pegaram o voo rumo ao Brasil. O transporte via Londres foi autorizado pelo Reino Unido.

Antes de fugir do Brasil, o ex-cirurgião plástico e escritor cumpria pena em regime semiaberto - em que o preso fica parte do dia encarcerado e outra parte do dia livre para algumas atividades - por sequestro, roubo de carros, joias, homicídio e contrabando.

Hosmany Ramos, ex-cirurgião plástico condenado por roubo, sequestro e homicídio, deve ficar em cela individual no presídio de Junqueirópolis, a 624 km de São Paulo, segundo informou neste sábado (6) o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr.. Por volta das 11h15, Hosmany, que chegou a São Paulo por volta das 6h após uma temporada preso na Islândia, desembarcou em Presidente Prudente, a 558 km de São Paulo, de onde segue de carro para Junqueirópolis.

Tuma Jr. afirmou que tanto a escolha do presídio quanto a decisão de mantê-lo em cela individual foram tratadas pelas autoridades brasileiras e islandesas durante a negociação para a extradição de Hosmany. Isso porque, segundo o secretário, o ex-cirurgião pediu refúgio político e humanitário à Islândia, alegando que as penitenciárias brasileiras são superlotadas.



Antes de fugir, no final de 2008 - ele teve autorização para passar o Natal fora da cadeia e não voltou -, Hosmany cumpria regime semiaberto, em que o preso tem direito a passar o dia fora da penitenciária. Com a fuga e recaptura, ele perde o benefício.

Cirurgião plástico com carreira de sucesso, Hosmany atuou ao lado de Ivo Pitanguy. Nos anos 80, começou a se envolver com roubos de carros e roubo de joias. Entre os crimes pelos quais respondeu, está o sequestro de um avião e o desaparecimento do piloto.

No final de 2008, ele teve autorização para sair de um presídio de Valparaíso (564 km distante de São Paulo) devido ao Natal, mas não retornou. Ele foi preso na Islândia em agosto de 2009, ao tentar entrar no país com um passaporte do irmão. O Brasil pediu a extradição logo em seguida.

"Prisão de luxo"

O ex-cirurgião disse que em cartas enviadas ao governo islandês pediu para não ser extraditado alegando as péssimas condições do sistema prisional no Brasil.

Em conversa por telefone com a reportagem do R7 na época em que foi preso, o ex-cirurgião e escritor disse que ganhou dinheiro por estar preso, conseguia escrever sua biografia por ter computador na cela, ouvia Ipod, tinha TV e telefone – que utilizou para atender a reportagem — e comia muito bem.

Ramos disse que a cela na Islândia é melhor do que muitas redes de hotéis no Brasil. No espaço de cerca de quatro metros por cinco metros ele ficava sozinho, tinha aquecimento, não era obrigado a usar uniforme e fazia cinco refeições ao dia – quando falou com a reportagem havia acabado de comer uma costelinha de carneiro e seu café da manhã foi com queijo, presunto e pão fresquinhos e café à vontade.

Ele contou que foi à Islândia para escrever a sua biografia pois no país conseguiria se inspirar melhor. Além disso não quer voltar a cumprir pena em presídios do Brasil pois precisava colocar algodões no ouvido para não entrar baratas e mal se alimentava.

A extradição já havia sido autorizada pela Justiça islandesa em dezembro, mas o ex-cirurgião recorreu. Em fevereiro, a Suprema Corte da Islândia confirmou a decisão.

Fontes: R7 - FOLHA - G1

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