Amorim diz que Brasil e EUA convergem sobre 'objetivos' no Irã

Segundo ele, Hillary Clinton argumentou sobre Irã com Lula. Ministro disse que Lula pode se reunir com Obama em abril.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quarta-feira (3), após acompanhar a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, que Brasil e EUA concordam sobre os objetivos em relação ao Irã.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, recebem a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, em Brasília, nesta quarta-feira. (Foto: Pablo Martinez Monsivais/AFP)

“Só pessoas adultas conseguem viver com a divergência. Quando se tem um adulto e uma criança ou duas crianças elas não sabem conviver com as divergências. A divergência vira briga. No nosso caso, divergência vira diálogo, vira discussão, é troca de ponto de vista. Quando há divergência, porque a convergência é muita coisa. Como há também convergência nos objetivos em relação ao Irã, em relação ao Oriente Médio e em relação a outros assuntos”, disse o ministro.

Há também convergência nos objetivos em relação ao Irã, em relação ao Oriente Médio e em relação a outros assuntos

O Brasil defende o programa nuclear iraniano para fins pacíficos. Assim como os Estados Unidos, são contrários ao desenvolvimento de armas nucleares. No entanto, Lula defende maior prazo para diálogo com o Irã, enquanto os EUA querem aplicar sanções.

Negociação

Amorim contou que Hillary expressou o ponto de vista norte-americano sobre a questão do Irã ao presidente. Segundo ele os argumentos apresentados pela norte-americana foram os mesmos expostos na entrevista coletiva desta tarde.

Durante a entrevista, a secretária de Estado demonstrou preocupação com as posições iranianas e disse não acreditar numa negociação com o Irã. “Vamos continuar a trabalhar no Conselho de Segurança e tomar decisões sempre pacificamente, mas o que estamos observando é que o Irã vai para China, Brasil e Turquia e conta histórias diferentes para continuar sustentando seu projeto e evitar sanções”, disse.

Para Hillary, os iranianos são darão demonstrações de que estão dispostos a negociar depois que receberem sanções. "A partir do momento que a comunidade internacional falar em sanções é que o Irã vai negociar”, disse a secretária de Estado.

O ministro disse que reiterou à Hillary o convite do Brasil para que o presidente Barack Obama visite o Brasil, mas afirmou que não ficou acertada nenhuma data. Ele informou que Lula deve ir a Washington em abril e pode se encontrar com o presidente dos EUA.

“Foi mencionado sim que Lula irá a Washington para reunião de a [Cúpula] Segurança Nuclear e quem sabe aí tem oportunidade de eles conversarem”, disse Amorim. Essa reunião deve ocorrer no dia 13 de abril.

“[A conversa] teve algumas referências ao Oriente Médio em que o presidente Lula comunicou inclusive que estará indo visitar. E comentou também que irá agora a Israel, Palestina e Jordânia e mencionou também que irá ao Irã, em maio, e que ele tem intenção de falar com os principais líderes do mundo, entre os quais naturalmente o presidente Obama, sobre esse tema na busca que nós temos feito de uma solução pacífica sobre essa situação”, comentou Amorim.

Segundo o ministro, o presidente reiterou e citou exemplos de como é necessário que os Estados Unidos ampliem o diálogo com os países da América Latina. Hillary teria concordado com a afirmativa.

Amorim negou ainda que temas como a compra de caças e os incentivos sobre o algodão norte-americano tenham sido tratados na reunião com o presidente. “Sobre os caças ela não falou com o presidente. Lá ela abordou da forma como vocês podem imaginar. Na verdade, ela deu introdução e pediu para o embaixador falar. Ele disse que o caça é melhor, que é mais barato, que tem todas as qualidades do mundo e eu não esperava ouvir nada diferente”, contou.

O ministro disse que o presidente e Hillary também falaram sobre a questão das mudanças climáticas e Lula mencionou a necessidade de esforços para que a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que será realizada no México no final deste ano, termine com um acordo mundial.

Brasil e EUA estão de acordo em evitar armas nucleares no Irã, diz Hillary Clinton



A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse nesta quarta-feira (3), em entrevista no Itamaraty, que conversou sobre o Irã com o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim.

Hillary afirmou que os Estados Unidos e o Brasil estão de acordo que é preciso evitar que o Irã desenvolva armas nucleares. "Melhoramos cada vez que ajudamos os outros a melhorar. Debatemos (no encontro com Amorim) o valor central da não proliferação e o nosso comprometimento comum de fazer com que o Irã não tenha armas nucleares", disse a secretária de Estado.

Os Estados Unidos têm demonstrado preocupação com o desenvolvimento do programa nuclear do Irã. O Brasil, por sua vez, defende o diálogo e o direito do país de ter um programa nuclear para fins pacíficos, como alega o presidente Mahmoud Ahmadinejad. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve visitar o Irã em maio.

“O Brasil pensa que ainda há possibilidade de negociações. Achamos que um esforço do Irã de boa fé em favor das negociações seria bem-vindo. Mas até agora não vimos esse esforço. Por isso estamos consultando os nosso amigos brasileiros porque vamos ter que tomar sanções”, disse Hillary na coletiva.

Ela afirmou que o Irã só irá negociar quando houver punição. "Nós apoiaríamos qualquer esforço sincero do Irã, mas acreditamos que só depois das sanções é que o Irã vai negociar de boa fé. A partir do momento que a comunidade internacional falar em sanções é que o Irã vai negociar”, complementou.

“Temos o mesmo objetivo. Achamos que a negociação e o diálogo são o melhor caminho do que a pressão. Infelizmente, o gesto do presidente [Barack] Obama em relação aos iranianos não teve resultado. Aprendemos que os iranianos no início pareciam abertos à ideia de permuta com a França para receber o urânio enriquecido. Mas aprendemos que o Irã recusava essa oferta inicial”, ressaltou Hillary.

Mais cedo nesta quarta, o presidente Lula disse que o governo brasileiro mantém sua posição de defesa de diálogo com o Irã sobre a questão nuclear. Segundo ele, “não é prudente encostar o Irã na parede”.

“O Brasil mantém sua posição, o Brasil tem uma visão clara sobre o Oriente Médio e sobre o Irã. O Brasil entende que é possível construir um outro rumo. Não é prudente encostar o Irã na parede. O que é prudente é estabelecer negociações”, dise o presidente.

Questionado sobre o motivo pelo qual o Brasil estaria se recusando a pressionar o Irã com sanções, como defende os EUA, Amorim defendeu a posição brasileira. “Cada país tem que pensar com a sua própria cabeça. Nós pensamos com a própria cabeça. Nós queremos um mundo sem armas nucleares e certamente onde não exista proliferação. A questão é de saber qual é o melhor caminho para chegar lá”, afirmou Amorim.

O ministro defendeu mais tempo para dialogar com o Irã e também lembrou que o Brasil ainda não manifestou sobre como vai se posicionar no Conselho de Segurança da ONU a cerca da questão iraniana. “Nunca disse como o Brasil vai votar no Conselho de Segurança. Mas acreditamos que seria bom colocar um pouco de ar fresco nas negociações. Queremos chamar os líderes do projeto nuclear do Irã para uma conversa”, afirmou Amorim.

Haiti
Hillary disse admirar o trabalho e a liderança brasileira no Haiti, país devastado por um terremoto de 7 graus de magnitude no começo do ano. “Falamos de questões regionais. Principalmente Haiti e Chile. Mais Haiti porque é o país mais necessitado. Apreciamos muito a liderança do Brasil no Haiti. O Brasil é um dos elementos chave da comunidade internacional e seu comprometimento em favor do Haiti", disse.

A secretária norte-americana também falou do Chile, atingido por um terremoto de magnitude 8,8 no sábado (27), e pregou união entre os países no momento de crise: “Examinamos o esforço de socorro no Chile e a importância de o países das Américas se reunirem em tempos de crise.”

Venezuela
Questionada sobre as polêmicas com o governo venezuelano de Hugo Chávez, Hillary disse ver com preocupação a relação da Venezuela com os países vizinhos, como o Brasil. “Não participamos de qualquer atividade que tenha intenção de prejudicar venezuelanos. Temos preocupação e achamos prejudicial as relações do governo venezuelano com os países vizinhos. Esperamos que possa haver um novo início por parte da autoridade venezuelana para restaurar a liberdade de imprensa e de mercado. Que a Venezuela olhe para os exemplos brasileiros e chilenos”, afirmou.

Sem concordar com todas as palavras de Hillary, Amorim disse compartilhar da afirmação da secretária dos EUA de que a Venezuela “precisaria olhar mais para o Sul”: “Foi por isso que convidamos a Venezuela para o Mercosul”, explicou Amorim.

Algodão
Sobre as retaliações do Brasil aos EUA no setor de algodão, Hillary disse esperar uma solução pacífica, já que a corrente de comércio entre os dois países é grande. “Espero que possamos resolver essa questão chegando a uma solução positiva. Porque é tanto comércio entre os dois países”, disse.

Fontes: G1 - TV Globo

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