Brics aida não têm cacife para substituir os atuais líderes.
Os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) ainda não dispõem de poder suficiente para substituir os Estados Unidos e a Europa Ocidental na liderança da economia global, mesmo após uma década de rápido crescimento, diz reportagem do diário econômico britânico "Financial Times" ("FT").
"O grupo, ou alguns de seus componentes, podem ter surpreendido o mundo com seu progresso nos últimos dez anos, mas será preciso um salto qualitativo, bem como mais crescimento, para consolidar a mudança de poder", diz o texto.
Em outro texto, intitulado "Brics: A Face em Transformação do Poder", o "FT" questiona se, no momento em que o mundo sai da recessão, o "centro e gravidade" da economia e da governança mundiais vão mudar decisivamente. "Estamos em um ponto tal como o da Segunda Guerra Mundial [1939-1945], quando os confiantes e inovadores Estados Unidos ultrapassaram a enfraquecida e endividada Europa e refizeram a arquitetura financeira Global?"
"A resposta mais provável é: ainda não", diz o texto. "Os Brics são um grupo tão díspar que quase toda generalização é problemática, mas a China, o membro dominante do quarteto, ainda parece muito ligada a um modelo econômico dependente da demanda externa."
"As assim chamadas economias emergentes (...) sem dúvida são atores no cenário global", disse ao "FT" o professor de economia política Jean-Pierre Lehmann, a escola de gestão IMD em Lausanne (Suíça). "Mas eu não vejo nenhum cataclismo nos próximos dez anos, nem a mudança do centro das finanças se movendo definitivamente para o leste."
Visão única
A primeira coisa a se aceitar sobre os Brics (Brasil Rússia, Índia e China) é que a noção de que esses países têm uma visão unificada sobre questões econômicas e em outros assuntos "não faz sentido", diz o diário, em um editorial.
"Os interesses frequentemente colidem (...) Fingir que uma 'visão de países emergentes' única se mantém atrasou progressos em outros campos como comércio e negociações sobre o clima", diz o texto.
O "FT" afirma no texto que as economias dos Brics em conjunto tiveram "uma grande década e mesmo uma grande crise financeira, tanto que passaram a ter seus próprios encontros de cúpula".
Mas "com o poder precisa vir a responsabilidade", e o histórico dos Brics tem sido mais de assumir posições que de construir o diálogo, segundo o jornal. "Pouco tem saído das reuniões dos Brics exceto a exigência familiar de que os países emergentes deveriam ter mais poder de voto no FMI [Fundo Monetário Internacional] --um pedido justo, mas que não demanda uma nova configuração de países para ser feito."
"Na OMC [Organização Mundial do Comércio], o agrupamento de países em desenvolvimento, incluindo exportadores de produtos agrícolas como o Brasil e defensores dos pequenos produtores como a Índia, com frequência afundam ao ponto comum mais baixo, o que pede que os países ricos se mexam para compensar."
O crescimento dos países emergentes pode ser bom para todos, desde que as tensões climáticas e sociais consigam ser generciadas, diz o texto. "É bom para os cidadãos desses países, cujos padrões de vida são transformados, e bom para os países ricos, que ganham importações baratas e mercados maiores para suas exportações", diz o "FT".
"Também é bom para a imagem da economia de mercado mostrar que a escada para a prosperidade não foi jogada fora, ao contrário de algumas opiniões."
"Boa sorte aos Brics, e eles merecem mais voz", diz o "FT", mas esses países precisam reconhecer que ""à medida em que ficam mais ricos e mais poderosos, se abrigar sob a bandeira da solidariedade para com os países em desenvolvimento não vai ajudar nem a eles mesmos nem à economia mundial, na qual eles parecem prontos para desempenar um papel maior".
Fonte: FOLHA
Nenhum comentário:
Postar um comentário