Marfrig vê retomada em bovinos e aposta na Seara para ganhar mercado

Marfrig prevê crescimento expressivo do segmento bovino em 2010

O grupo Marfrig, um dos mais diversificados processadores de carnes do mundo, avalia que o seu segmento de bovinos terá crescimento expressivo em 2010, com um mercado interno aquecido e uma recuperação no exterior, e está apostando forte na Seara --com a qual a companhia espera ganhar participação de mercado em aves e suínos.

O Marfrig comprou a Seara da multinacional Cargill em meados de setembro por US$ 900 milhões, tornando-se a segunda empresa de aves e suínos do país.

Com a Cargill, a Seara estava fortemente focada no mercado externo, exportando 75% da sua produção. Com o Marfrig, o objetivo é de que cerca de metade da produção da companhia seja destinada ao exterior, ampliando o foco nas vendas no Brasil já a partir do ano que vem.

"A Seara chegou a ter 14% de share (participação no mercado interno), e com a Cargill o foco foi no mercado externo. Hoje ela participa com 4% (do mercado interno). Com a nossa divisão, somando todas as marcas, já temos 4% ou 5%. O que queremos é retomar esse share de mercado (14%)", afirmou o presidente do Marfrig, Marcos Molina, em conferência com analistas nesta quinta-feira.

De acordo com ele, os produtos Seara, que também vão substituir várias marcas da empresa, terão um preço melhor e competirão com as carnes da Sadia, gerando margens melhores.

Para Molina, há ainda a expectativa de que, em meio à associação da Sadia com a Perdigão, a nova companhia BRF perca um pouco de seu mercado.

"Em todas as fusões, elas perdem um pouco. Na fusão de BRF e Sadia, a tendência é ficarmos um pouco com a sobra. Acreditamos que rapidamente voltamos acima de 10% de share de mercado na Seara e, tudo, em 15%."

Segundo o diretor de Planejamento e de Relações com Investidores, Ricardo Florence, não houve qualquer manifestação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) em relação à aquisição da Seara, e o prazo para a manifestação do órgão de concorrência já expirou, o que significa que não há restrição para o negócio. "A partir de 1o de janeiro, os números de Seara passarão a fazer parte do resultado da empresa."

Bovinos

Florence estimou durante a conferência que haverá um aumento do uso da capacidade instalada da empresa para bovinos no Brasil dos atuais 55% para entre 60% e 70% até o fim do ano que vem.

Segundo ele, a maior oferta de animais no Brasil, após um período de baixa acentuada no ciclo de produção, o consumo doméstico aquecido e a perspectiva de recuperação das vendas externas são fatores que vão elevar o uso da capacidade.

"O aumento na demanda não só (virá) da Europa. O que pesa favoravelmente são as economias dos países emergentes, principalmente com economias baseadas em petróleo. Com o preço do barril por volta de US$ 80, criam-se opções para maiores importações desses países", declarou a jornalistas Florence, comentando o potencial exportador da empresa em 2010.

O Marfrig, também o segundo maior processador de bovinos no Brasil, atrás apenas do JBS, avalia que o momento é de "foco na integração das atividades da Seara e captação de sinergias". Segundo o presidente da companhia, ele só deve começar a pensar em novas aquisições a partir do segundo semestre do ano que vem.


Fonte: FOLHA

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