Cuba dissolve grupo que defendia liberdade na ilha

Autoridades cubanas usam lei da moradia para bloquear casa onde dissidentes se reuniam e impedem publicação de revista independente.

O governo cubano fecha mais uma vez o cerco contra os dissidentes e dissolve um dos principais grupos de defensores da liberdade de expressão que ainda mantinha suas atividades na ilha. O grupo liderado pelo dissidente Dagoberto Valdés teve sua sede invadida em uma operação que ainda impediu a circulação da revista independente Convivencia, a organização de encontros e de debates que vinham sendo realizados de forma clandestina.

Há menos de um mês, Valdés recebeu o Estado em sua casa. Na ocasião, já alertava que a repressão contra os dissidentes estava cada vez mais violenta. "A verdade está sendo enterrada em Cuba", alertou, enquanto um segurança vigiava a porta de sua casa. "Há uma Cuba virtual e uma real e a real não é nada bonita", disse. Valdés admitiu que "temia pelo pior".

Na sexta-feira, Valdés respondeu por SMS questões enviadas pelo Estado e confirmou que havia sido alvo de um cerco do governo. O dissidente, um religioso da região de Piñar del Rio, apelou por mensagem: "Divulgue o que está ocorrendo por aqui, por favor."

A forma encontrada pelo governo cubano para acabar com as reuniões consideradas ilegais foi declarar que a casa usada para o encontro entre os dissidentes não tinha uma construção apropriada. Com base em uma lei de moradia, Havana ordenou no dia 15 que um muro fosse construído no local para impedir o acesso dos dissidentes e evitar as reuniões. A medida foi seguida por um monitoramento constante de cada membro do grupo.

Entre os pontos na agenda dos dissidentes estava até mesmo um plano econômico para Cuba após a eventual queda do regime, ainda que o grupo insista que a única arma que tinha era a difusão de suas ideias por websites registrados no exterior ou revistas entregues no submundo cubano.

Segundo o grupo, todo o material para a publicação da revista clandestina também foi confiscado. "Um de nossos integrantes foi detido numa estação de ônibus por dois homens que o colocaram à força em um carro", explicou Valdés. "Levaram-no a um local distante e retiraram todas as informações de seu computador. Depois, deixaram-no em um local abandonado'', explicou o dissidente.

"Os muros em Cuba vão cair um dia. Isso não tem como sobreviver", escreveu ao Estado. Valdés disse que não podia falar por telefone porque suas ligações estão sendo grampeadas.

As notícias sobre Valdés e seu grupo também chegaram à Casa Branca, confirmou um alto funcionário do Departamento de Estado. A diplomacia americana já havia alertado o governo cubano sobre violações à liberdade de expressão, principalmente no caso de violência contra blogueiros que começam a se espalhar pela ilha. Há três semanas, dois deles foram atacados por homens que não se identificaram.

A crise econômica que atingiu a ilha e o temor do governo de que o descontentamento entre a população aumente fez com que o controle das autoridades sobre grupos de opositores aumentasse. Para a Human Rights Watch, os problemas de violações de liberdade de expressão são cada vez mais sérios durante o regime de Raúl Castro.

Fonte: O ESTADO /Jamil Chade

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