Até menores teriam passado por locais não identificados no país
Um relatório da ONG Human Rights Watch (HRW) divulgado nesta quarta-feira (11) acusa o governo da China de manter uma rede de prisões secretas onde tais pessoas estariam incomunicáveis e submetidas a maus tratos, às vezes durante vários meses.
O documento intitulado Um Beco no Inferno assegura, em suas 54 páginas, que as forças de segurança chinesas sequestram de forma rotineira cidadãos nas ruas de cidades como Pequim, frequentemente por razões políticas.
Em seguida, essas pessoas seriam levadas às chamadas prisões secretas: hotéis de propriedade do Estado, residências de idosos e hospitais psiquiátricos, informou a ONG, com base em testemunho de ex-detentos.
"A existência de prisões desse tipo no coração de Pequim transforma em farsa as declarações do governo chinês sobre a melhora dos direitos humanos e o respeito à lei no país", informou em comunicado a diretora para a Ásia da HRW, Sophie Richardson, que exigiu o fechamento imediato dos centros de detenção secretos.
Os autores do relatório afirmam que os presos costumam ser originários de áreas rurais que vão às grandes cidades para apresentar queixas às autoridades de problemas como a apropriação de terrenos por parte do Estado, casos de corrupção de funcionários públicos ou o uso de torturas por parte da polícia.
Os entrevistados pela organização afirmam que foram sequestrados na rua por pessoas que não explicaram o motivo da detenção, nem lhes mostraram um mandado ou disseram por quanto tempo ficariam presos.
"Duas pessoas me puxaram pelos cabelos e me colocaram dentro de um carro. Depois me deixaram em um quarto com duas mulheres que me tiraram a roupa e me bateram", relatou à HRW uma mulher de 46 anos, da província de Jiangsu, que não teve a identidade revelada.
Entre os detidos há inclusive menores, o que supõe uma "violação flagrante do compromisso da China com a proteção dos direitos da infância", enfatiza a ONG.
Uma adolescente de 15 anos informou à Human Rights Watch que foi sequestrada nas ruas de Pequim, onde havia ido para apresentar uma queixa em nome de seu pai incapacitado, e ficou presa por dois meses em uma residência de idosos.
A HRW lembrou ainda que o governo chinês negou em várias ocasiões a existência dessas prisões, e uma delas foi no relatório sobre a situação no país enviado em junho deste ano ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (CDH).
Fonte: R7
Nenhum comentário:
Postar um comentário