Casa Branca diz que gripe suína pode matar até 90 mil nos EUA

Influenza A (H1N1) poderia matar até 90.000 americanos em 2009

O Conselho de Assessores de Ciência e Tecnologia da Casa Branca divulgou nesta segunda-feira relatório no qual diz que a gripe suína, denominada oficialmente gripe A (H1N1), é "séria ameaça" e que pode matar entre 30 mil e 90 mil americanos, principalmente crianças e jovens, no próximo outono --que começa no fim de setembro deste ano.

"O relatório afirma que a atual cepa representa uma "séria ameaça sanitária" à nação. A questão não é se o vírus é mais fatal do que outras linhagens de gripe, e sim se ele pode infectar mais pessoas do que o comum, porque é um novo vírus contra o qual poucas pessoas têm imunidade", afirmou a Casa Branca.

Segundo os especialistas, o previsível ressurgimento do vírus no outono (hemisfério norte), somado ao início do ano letivo poderiam causar a infecção de entre 30% e 50% da população do país.

As projeções indicam ainda que até 1,8 milhão de americanos poderiam ser admitidos em hospitais, com cerca de 300 mil precisando de tratamento intensivo. "Estes pacientes mais afetados poderiam ocupar de 50 a 100% dos leitos de unidades intensivas nas regiões mais atingidas pela epidemia, gerando forte tensão nestes centros médicos, que já funcionam em seu limite em tempos normais", destacam os especialistas.

A epidemia de gripe suína poderá provocar ainda de 30 mil a 90 mil mortes nos EUA, com uma maior concentração de casos entre crianças e adultos jovens. Como comparação, a gripe comum mata no mesmo período entre 30 mil e 40 mil pessoas nos EUA, especialmente pessoas com mais de 65 anos.

O documento avalia ainda a resposta que a administração de Barack Obama deu à propagação do vírus nos últimos meses e fornece uma série de recomendações a respeito.

Entre elas se destaca a de acelerar a preparação da vacina para que seja distribuída aos grupos mais vulneráveis, uma tarefa que, segundo o Departamento de Saúde, só estará concluída no Dia de Ação de Graças, comemorado este ano em 26 de novembro.

O governo quer que os laboratórios e farmacêuticas acelerem os testes da vacina contra a gripe suína para garantir uma campanha de vacinação antes do inverno no hemisfério norte.

Além de acelerar a produção da vacina, os especialistas recomendam "facilitar o desenvolvimento de outros antivirais, favorecer a implantação de pontos de diagnóstico rápido, e melhorar a vigilância médica e as medidas de supervisão dos animais".

Os especialistas afirmam ainda que é necessário atualizar o sistema de monitoração da epidemia, acelerar o desenvolvimento de estratégias de comunicação para divulgar mensagens de saúde pública, e criar uma figura na Casa Branca cuja missão seja coordenar as decisões que dizem respeito à epidemia nos diferentes departamentos.

O conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Brennan, assegurou em comunicado que Obama discutiu todos estes aspectos com o Conselho e agradeceu suas recomendações, que transmitiu aos departamentos de Saúde, Educação e Segurança Nacional.

Cautela

O mesmo relatório ressalva, contudo, que é "pouco provável" que o vírus H1N1 se assemelhe à pandemia mortal de 1918-1919 --conhecida como gripe espanhola e que matou milhões de pessoas no planeta.

Os especialistas afirmam que a severidade do impacto da nova gripe dependerá do comportamento dos indivíduos e por isso reforça as recomendações como lavar as mãos com frequência e permanecer em casa caso seja diagnosticado.

O relatório sugere ainda que nos locais de trabalho sejam estabelecidas normas para evitar "que os empregados não se sintam pressionados a comparecer se estiverem doentes".

Sintomas

A gripe suína é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A, chamado de H1N1. Ele é transmitido de pessoa para pessoa e tem sintomas semelhantes aos da gripe comum, com febre superior a 38ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e nas articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.

Para diagnosticar a infecção, uma amostra respiratória precisa ser coletada nos quatro ou cinco primeiros dias da doença, quando a pessoa infectada espalha o vírus, e examinada em laboratório.

Os antigripais Tamiflu e Relenza, já utilizados contra a gripe aviária, são eficazes contra o vírus H1N1, segundo testes laboratoriais, e parecem ter dado resultado prático, de acordo com o CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos).

Cinco empresas preparam tanto as vacinas contra o H1N1 quanto as vacinas contra a gripe sazonal para o mercado norte-americano --AstraZeneca, CSL, GlaxoSmithKline, Novartis e a Sanofi.

Gripe suína causa primeira morte em Barretos (SP)

A Secretaria da Saúde de Barretos (423 km de São Paulo) confirmou ontem a primeira morte provocada pela gripe suína --gripe A (H1N1)-- no município, de um homem de 47 anos, ocorrida dia 17. Além da morte, a cidade tem um caso da doença confirmado e investiga outros dez. No país, o número de mortos chega a 504, de acordo com dados das secretarias estaduais da Saúde.

A suspeita de que a morte tinha sido causada pelo vírus influenza A (H1N1) foi divulgada no dia 19, véspera do início da Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, a mais tradicional do país e que prevê receber 800 mil visitas até domingo.

O paciente morreu com quadro de doença respiratória aguda grave. "Ele era obeso e fumante, estava em grupo de risco", disse Mussa Calil Neto, secretário da Saúde de Barretos.

O homem --que não teve o nome revelado-- foi visitado no Dia dos Pais por uma filha que mora em São José do Rio Preto e que apresentava quadro gripal. "Ela tinha gripe, mas aparentemente gripe comum, não foi atrás de médico. Não dá para falar se era [gripe suína]."

Segundo o secretário, a confirmação da morte não muda o trabalho desenvolvido na cidade e no Parque do Peão, recinto que abriga a Festa do Peão.

"Quando ocorreu a morte, fizemos o monitoramento da família e das pessoas que tiveram contato. Como esse senhor contraiu a doença antes da festa, não há ligação alguma."

Até agora, Barretos colheu material para exames de 21 suspeitos de gripe, dos quais nove foram descartados. Quatro dos pacientes estão internados na Santa Casa, que reservou um andar para o período da festa como medida preventiva.

Por causa do total de turistas recebidos em Barretos durante a festa, a unidade básica de saúde do bairro Marília ficou aberta 24 horas por dia no final de semana, mas nenhum caso suspeito apareceu. No Parque do Peão, onde há dois ambulatórios, também não houve procura por causa da gripe suína.

Segundo Os Independentes, entidade que organiza a festa, dispensers de álcool em gel foram espalhados em cem pontos do recinto e vídeos estão sendo divulgados nos telões.

Fonte: AP - Efe - FOLHA

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