Porta-voz da Casa Branca se irrita com pergunta sobre nacionalidade de Obama

Um grupo conhecido como "birthers" ("nascimentistas") está transtornando a Casa Branca com sua persistente alegação de que Barack Obama não é cidadão norte-americano nato, e portanto seria inelegível para a Presidência.

Desde a campanha eleitoral de 2008 havia quem lançasse a suspeita de que Obama, primeiro presidente negro do país, teria nascido no Quênia, e não no Havaí.

Nesta segunda-feira, o porta-voz Robert Gibbs pareceu exasperado quando um repórter lhe perguntou: "Há algo que você possa dizer que fará os 'birthers' irem embora?"

"Nem se eu tivesse algum DNA eu iria convencer aqueles que não acreditam que ele nasceu aqui", respondeu Gibbs. "Mas tenho notícias para eles e para todos nós: o presidente nasceu em Honolulu, no Havaí, o 50° Estado do mais notável país da face da Terra. Ele é um cidadão."

"Há um ano e meio pedi que uma certidão de nascimento fosse colocada na internet, porque, sabe Deus, você tem uma certidão de nascimento e a coloca na internet, que mais pode ser essa história?"

A "certidão de nascido vivo" de Obama, conforme a cópia divulgada na internet, mostra que ele nasceu em Honolulu às 19h24 de 4 de agosto de 1961.

A entidade FactCheck.org, ligada à Universidade da Pensilvânia, examinou, manipulou e fotografou a certidão original e concluiu que "atende a todos os requisitos do Departamento de Estado para conceder cidadania dos EUA".

O FactCheck.org também cita o fato de que os pais de Obama (ele queniano; ela norte-americana) colocaram um anúncio em um jornal local, em 13 de agosto de 1961, anunciando o nascimento do filho.

Mas essas evidências não foram suficientes para que o assunto sumisse do radar dos radialistas de direita e de outros que dizem que a certidão de nascido vivo apresentada pelo FactCheck não é legalmente uma certidão de nascimento, ou que seja uma falsificação destinada a ocultar a origem estrangeira do presidente.

O site do FactCheck admite que não teve acesso à certidão completa, que traz dados adicionais sobre o nascimento, porque as autoridades de saúde do Havaí só teriam permitido que eles manuseassem o documento apresentado. O fato levanta a questão continuamente repetida pelos contestadores: por que o presidente não apresenta ele mesmo a certidão original completa?

Frequentemente apresentados como paranoicos pela grande imprensa americana --a quem, em resposta, acusam de estar incondicionalmente ao lado do presidente--, muitos nascimentistas questionam confiabilidade da organização de checagem que apresentou a certidão de nascido vivo, por sua ligação com a Fundação Annenberg, que tem entre os projetos que financia a Chicago Annenberg Challenge, uma organização de ajuda à educação básica da qual Obama foi dirigente.

O parlamentar republicano Mike Castle foi vaiado numa recente assembleia popular ao garantir que Obama, democrata, é norte-americano. O vídeo do incidente já foi visto quase 700 mil vezes no YouTube.

Outro parlamentar republicano, John Campbell, é autor de um projeto de lei que obriga futuros candidatos a presidente a apresentarem certidões de nascimento.

Várias ações judiciais contestando a elegibilidade de Obama já foram arquivadas, inclusive na Suprema Corte dos EUA. Recentemente, um major do Exército teve resposta positiva ao seu pedido de não ser enviado ao Afeganistão sob a alegação de que o atual comandante-chefe das Forças Armadas não é cidadão norte-americano.

Fonte: FOLHA - REUTERS

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