EUA desligam painel eletrônico em Havana que irritava governo de Cuba



Painel eletrônico é desligado

O Escritório de Interesses dos Estados Unidos em Havana desligou há aproximadamente um mês um painel eletrônico instalado no quinto andar de seu edifício, de onde transmitia notícias e mensagens políticas e sobre direitos humanos que irritavam o governo comunista da ilha. A decisão foi tomada porque a iniciativa, adotada em 2006, era "eficaz", informou nesta segunda-feira o Departamento de Estado, em mais um sinal dos esforços para melhorar as relações com Cuba.

As projeções começaram há três anos, durante um período de tensões entre Washington e Havana, que ficou conhecido na ilha como a "Guerra dos Cartazes".

Em dezembro de 2004, o escritório instalou cartazes alusivos aos 75 dissidentes condenados na ilha na primavera de 2003 e as autoridades cubanas responderam com o levantamento de grandes cercas na frente de seu edifício, com imagens de torturas a presos iraquianos em prisões dos EUA.

O painel com um metro e meio de altura ocupava o espaço de 25 janelas do lado de fora do quinto andar do prédio da missão diplomática americana em Havana. Ele passava notícias, declarações políticas e as mensagens que culpavam o regime comunista cubano pelos problemas do país.

"Alguns andam em Mercedes, alguns em Ladas [carros russos], mas o sistema força quase todos a pedir carona", dizia uma das mensagens, aludindo à queixa comum no país em que os cubanos precisam pedir autorização do governo para comprar um carro novo --na hipótese rara de terem dinheiro para tanto.

Mas após a instalação do painel eletrônico, que chegou a transmitir mensagens enquanto o então presidente Fidel Castro fazia um discurso na Tribuna Anti-Imperialista, localizada em frente à sede do Escritório de Interesses, o governo cubano decidiu construir o "Monte das Bandeiras".

A obra, inaugurada em tempo recorde a poucos metros da entrada principal da sede diplomática americana, bloqueou a visão do painel eletrônico com mais de 100 bandeiras.

"Simplesmente sentimos que este duelo de painéis depreciativos não servia para promover uma relação mais produtiva" entre os países, afirmou o porta-voz.

Há semanas, as autoridades da ilha retiraram as cercas contra o governo dos EUA da região do Malecón, em Havana.

"Era evidente que os cubanos não podiam ler o painel por alguns obstáculos que foram colocados na sua frente. Consideramos que algumas das medidas que o presidente Barack Obama anunciou no dia 13 de abril para melhorar o fluxo de informação com os cubanos serão, em última instância, mais efetivas", explicou o porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, em sua entrevista coletiva diária.

"Assim como outras iniciativas de Bush, [o painel] causou muita reação em Miami [lar de muitos cubano-americanos] e muito pouco impacto em Cuba, e o presidente Obama está certo em enterrá-lo", disse Phil Peters, especialista em Cuba do Instituto Lexington, um think tank americano.

Entre as medidas de aproximação com Cuba, Obama ordenou o levantamento das restrições de viagens e envios de remessas a Cuba, uma iniciativa que inclui negociações de companhias americanas para buscar e iniciar serviços de telefonia e comunicações destinados a Cuba.

Os EUA romperam relações diplomáticas com Cuba em 1961, mas desde 1977 os dois países mantêm nas capitais um do outro Escritórios de Interesse --operações diplomáticas que não são plenamente embaixadas.

No início deste mês, funcionários americanos e cubanos mantiveram as suas primeiras conversações sobre imigração cubana para os EUA desde 2003, um passo que funcionários americanos apresentaram como uma demonstração do desejo de Washington de relacionar-se de forma construtiva com a ilha comunista.

Eles também discutiram formas de aliviar restrições às viagens de seus diplomatas por outras cidades, além de Havana e Washington.

O governo Obama também suspendeu restrições para que cubano-americanos viajem para a ilha e enviem remessas para familiares.

Mas Obama deixou claro que vai manter o embargo comercial contra Cuba, que começou há 47 anos, até que a liderança cubana melhore as liberdades políticas e os direitos humanos.

Cuba tem manifestado interesse em ampliar a conversações sobre imigração a fim de incluir discussões sobre temas como o tráfico de droga, tráfico humano e prevenção de catástrofes.

Fonte: FOLHA- AP

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