
Réplica da sonda Spirit, que está presa nas areias de Marte; uma das rodas está inutilizada, mas local é favorável, dizem cientistas
Um dos dois veículos exploradores da Nasa em Marte, o Spirit, está preso nas areias do planeta e uma de suas seis rodas continua inutilizada, informou o JPL (Laboratório de Propulsão a Jato, em inglês) da agência espacial americana.
O problema se deve ao fato de que uma rocha na parte inferior do veículo --que tem o tamanho de uma lavadora doméstica-- impede que outras rodas se assentem sobre a superfície. Além disso, a roda anterior direita segue inutilizada.
No entanto, longe de ser um inconveniente, o local onde o Spirit se encontra, batizado como "Troia" pela Nasa, é uma bênção para os cientistas, porque possibilita a reunião de boas informações sobre o ambiente do planeta, disse o JPL em comunicado.
"Foi uma casualidade. Troia é um dos locais mais interessantes pelos quais o Spirit já passou", disse Louis Arvidson, um dos diretores de pesquisa científica do veículo e de seu "gêmeo", o Opportunity. Segundo cientistas do Centro Espacial Johnson da Nasa em Houston (EUA), dados iniciais apontam para a presença de ferro na forma de sulfato férrico.
Por outra parte, as diferenças de cor observadas na superfície pela câmera panorâmica do Spirit poderiam ser atribuídas a diferenças na hidratação dos sulfatos férricos, segundo os cientistas.
A pesquisa sobre o ambiente marciano em Troia se viu beneficiada também pelos ventos que sopraram sobre a região em abril e maio últimos e que limparam os painéis solares do Spirit e aumentaram sua provisão de energia.
"Se o veículo fica preso, é bom que isso tenha ocorrido em um local tão interessante cientificamente", afirma Richard Moddis, cientista do Centro Espacial Johnson.
Atoleiro pode marcar fim da missão Spirit em Marte
Os diferentes solos revelados pelo robô; as cores foram intensificadas para reforçar contraste/NASAEm abril, o Spirit entrou em uma área composta de pelo menos três camadas de solo, de diferentes cores, escondidas sob um manto de areia escura. Cientistas apelidaram o local de "Troia". Ao girar, as rodas do robô acabaram enterrando-se no local. A equipe responsável pelo robô está há semanas estudando meios de desatolá-lo.
Enquanto espera instruções detalhadas, o Spirit está examinando Troia, que fica a cerca de 3 km do local onde o robô desceu em Marte, em janeiro de 2004.
Segundo um dos cientistas envolvidos no controle do robô, Ray Arvidson, "por sorte, Troia é um dos lugares mais interessantes onde Spirit já esteve. Fomos capazes de estudar cada camada, cada coloração diferentes dos solos interessantes expostos pelas rodas".
"As camadas têm areia basáltica, areia rica em sulfatos e áreas com materiais ricos em sílica, possivelmente separados pelo vento e cimentados por finas camadas de água. Ainda estamos na fase de ter diversas hipóteses", disse Arvidson.
As dificuldades
As cinco rodas que ainda funcionam do robô de exploração de Marte Spirit, da Nasa, estão deslizando em solo macio, e já afundaram meio diâmetro, informa a agência espacial.
A equipe de engenheiros e cientistas do Spirit suspendeu temporariamente as tentativas de mover o robô, e passaram a estudar o solo ao redor do equipamento e a planejar simulações que serão executadas por um robô de teste que está no laboratório de Propulsão a Jato (JPL), na Califórnia.
"O Spirit está numa situação muito difícil", disse John Callas, gerente de projeto dos dois robôs gêmeos, Spirit e Opportunity, no JPL. "Estamos prosseguindo de modo metódico e cauteloso. Podem se passar semanas antes de tentarmos mover o Spirit novamente".
Projetados para operar em Marte por três meses, Spirit e Opportunity vêm funcionando há cinco anos, e já percorreram distâncias muito maiores que as previstas em seu projeto.
Os problemas de "mau comportamento" que o Spirit vinha manifestando no início de abril - amnésia, panes de computador, falhas de comunicação - não ocorreram nas últimas três semanas, embora a causa das dificuldades ainda não tenha sido encontrada.
O Spirit e o Opportunity desceram em pontos opostos da superfície marciana em janeiro de 2004.
Fonte: AP - NASA - UOL
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