Países da Alba retiram embaixadores de Honduras em apoio a Zelaya


Zelaya e os pares Ortega (Nicarágua), Chávez (Venezuela) e Correa (Equador), durante Alba

Os países membros da Alba (Aliança Bolivariana para as Américas) ordenaram nesta segunda-feira a retirada de seus embaixadores de Tegucigalpa, capital de Honduras, em uma medida de apoio ao presidente hondurenho deposto, Manuel Zelaya, que está em exílio na Nicarágua.

"Em vista do rechaço que manifestou a comunidade internacional frente ao governo ditatorial que pretende impor-se, os países membros da Alba decidiram retirar seus embaixadores", afirmou em declaração o grupo.

O texto foi lido em Manágua pelo chanceler do Equador, Frande Falconi, depois de uma reunião na qual os países membros discutiram a atual crise política em Honduras, com a presença de Zelaya.

Zelaya foi derrubado do poder neste domingo, em um golpe orquestrado pela Justiça e o Congresso e executado por um grupo de militares que o expulsaram para a Costa Rica, provocando uma condenação mundial unânime.

O golpe foi realizado horas antes de o país iniciar uma consulta pública sobre um referendo para reformar a Constituição. O presidente deposto queria incluir o referendo sobre a convocação da Assembleia Constituinte --que, segundo críticos, era uma forma de Zelaya instaurar a reeleição presidencial no país-- nas eleições gerais de 29 de novembro. A proposta, contudo, foi rejeitada pelo Congresso.

Os parlamentares afirmaram que a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei e desrespeito a ordens e decisões das instituições".

Já no exílio, Zelaya defendeu-se dizendo que foi deposto "em um complô de uma elite voraz, uma elite que só quer manter o país isolado, em um nível extremo de pobreza". De pijamas, ele concedeu uma entrevista coletiva, ao lado do presidente costarriquenho, Oscar Arias, na qual ressaltou que é o presidente hondurenho legítimo até 2010.

Os presidentes da Alba devem ainda emitir uma declaração "contundente sobre o respeito aos direitos políticos, sociais e econômicos do povo hondurenho", informou a porta-voz do governo da Nicarágua, Rosario Murillo, mulher do presidente Daniel Ortega.

Rosario informou que os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e da Guatemala, Álvaro Colom, chegaram nesta segunda-feira à Nicarágua para declarar o apoio a Zelaya.

"Manágua se transforma hoje na capital da democracia, em um momento em que se está travando uma batalha fundamental para que se garanta o retorno à ordem constitucional em Honduras e a restituição imediata do presidente Manuel Zelaya", disse Rosario.

"Nós, os centro-americanos, devemos dar apoio incondicional ao presidente [Manuel] Zelaya", afirmou Colom, em breves declarações à imprensa, em sua chegada a Manágua.

Desde ontem, estão em Manágua os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Equador, Rafael Correa, países integrantes da Alba junto a Antígua e Barbuda, Bolívia, Cuba, Dominica, Honduras, Nicarágua, e São Vicente e Granadinas.

EUA

Os Estados Unidos, parceiro estratégico de Honduras, afirmaram que o objetivo depois do golpe em Honduras é restaurar a democracia.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse não acreditar que o presidente americano, Barack Obama, tenha falado com Zelaya desde o golpe.

"Os EUA têm trabalhado para evitar este tipo de ação constitucional", disse Gibbs.

Os EUA afirmaram que vê a deposição de Zelaya como um golpe, mas não fará nenhuma declaração legal sobre isso --o que evita que Washington tenha que cortar a ajuda ao país onde mantém base militar.

Sob a legislação americana, nenhuma ajuda --além da promoção da democracia-- pode ser dada a um país cujo governo foi derrubado por golpe militar.

Questionada se os EUA pretendem cortar a ajuda, a secretária de Estado Hillary Clinton afirmou que não.

Novo governo

Presidente interino, Roberto Micheletti, faz discurso no Congresso Nacional

Após o golpe que derrubou Zelaya, o presidente do Congresso, Roberto Micheletti, assumiu como interino e já reúne aliados para montar a equipe com a qual pretende governar o país nos próximos sete meses.

No Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia de Zelaya --que, em San José, desmentiu de modo veemente o ato. "Eu nunca renunciei e nunca vou usar este mecanismo enquanto for presidente eleito pelo povo", declarou.

Micheletti afirmou que o golpe foi um "processo absolutamente legal", contemplado na Constituição de Honduras.

Companheiro de Zelaya no Partido Liberal (PL), o presidente interino já anunciou os primeiros membros de seu gabinete e pediu a todos os funcionários do Executivo de Zelaya que trabalhem normalmente.

Para prevenir eventuais distúrbios, Micheletti decretou um toque de recolher para as próximas 48 horas, em vigor das 21h às 6h.

O canais de TV e as rádios públicas, favoráveis ao governo de Zelaya, seguem em silêncio, assim como os críticos, como o canal americano CNN, retirado do ar depois de colocar em dúvida a versão oficial da renúncia voluntária do presidente.

O poderoso sindicato de professores prometeu manifestações e partidários de Zelaya criaram a Frente Popular de Resistência (FPR) para exigir a volta do presidente ao poder.

Fontes: Folha - Reuters

Nenhum comentário:

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails