No Cazaquistão, Lula defende Sarney e diz que investigação é necessária

Ele criticou 'processo de denúncias' que 'não tem fim' e nada acontece. 'Essa história tem que ser mais bem explicada', disse o presidente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou, nesta quarta-feira (17), em Astana, no Cazaquistão, a crise do Senado e o pronunciamento do presidente da Casa, José Sarney, realizado na terça-feira.

Lula disse que considera Sarney uma pessoa séria e criticou o denuncismo da imprensa. Ele disse que não leu reportagens sobre Sarney, mas que pensa que ele tem "história suficiente" para não ser tratado como "uma pessoa comum", de acordo com a Agência Brasil.

"Eu sempre fico preocupado quando começa no Brasil esse processo de denúncias porque ele não tem fim e depois não acontece nada", disse o presidente antes de embarcar para Brasília.

“O que não se pode é todo dia você arrumar uma vírgula a mais, você vai desmoralizando todo mundo, cansando todo mundo, inclusive a imprensa corre o risco. Porque a imprensa também tem que ter a certeza de que ela não pode ser desacreditada porque, na hora em que a pessoa começar a pensar 'olha, eu não acredito no Senado, não acredito na Câmara, não acredito no Poder Executivo, no STF, também não acredito na imprensa', o que vai surgir depois?”, questionou, de acordo com a Agência Brasil.

O presidente disse esperar que a série de denúncias sobre o Senado seja investigada. “Essa história tem que ser mais bem explicada. Não sei a quem interessa enfraquecer o Poder Legislativo no Brasil. Mas penso o seguinte: quando tivemos o Congresso Nacional desmoralizado e fechado foi muito pior para o Brasil, portanto é importante pensar na preservação das instituições e separar o joio do trigo. Se tiver coisa errada, que se faça uma investigação correta.”

Economia

Nesta quarta, Lula também fez comentários sobre economia edisse que a crise tornou os países mais iguais, abalou certezas e abriu espaço para a construção de uma nova ordem global. "Antes da crise, tínhamos países que sabiam mais do que os outros. Antes da crise, o Estado não tinha nenhum papel relevante. Depois da crise, todos nós ficamos mais iguais".

"Já não existe mais ninguém no mundo com certeza absoluta do que faz", disse o presidente durante a visita ao palácio presidencial de Akora, sede do governo cazaque.

"Por isso, existe uma possibilidade enorme de trabalho para a nova ordem financeira mundial. Para isso, temos que reformar as Nações Unidas e fortalecer e reformar as instituições financeiras internacionais, sobretudo o FMI e o Banco Mundial", acrescentou Lula ao lado do presidente cazaque Nursultan Nazarbayev.
Ex-líder do país durante o regime soviético, Nazarbayev foi eleito presidente em 1991, ano em que a União Soviética se desintegrou, e reeleito em 1999 e 2005, estando no poder há mais de 20 anos.

Lula faz primeira visita de um presidente brasileiro ao Cazaquistão


Presidente Lula é vestido em traje típico do Cazaquistão pelo Presidente Nursultan Nazarbayev, em Astana, nesta quarta (17) (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência)

O presidente Luiz Inácio da Silva chegou ao Cazaquistão nesta terça-feira (16), onde faz a primeira visita de um presidente brasileiro ao país da Ásia central, segundo o Ministério das Relações Exteriores.

Lula chegou à cidade de Astana, de acordo com a Presidência da República, às 15h10 (horário de Brasília), noite no Cazaquistão. O presidente está "recolhido" e dá início à agenda na madrugada de quarta (17), considerando o fuso horário brasileiro.

O governo brasileiro informou que a ida de Lula ao Cazaquistão é uma retribuição da visita do presidente Nursultan Nazarbayev ao Brasil em 2007.

Na ocasião, Nazarbayev citou as diversas viagens internacionais de Lula e pediu para que seu país fizesse parte do roteiro do brasileiro. "O senhor, presidente, conhecido por grandes viagens, já visitou mais de 100 países, espero acrescente nessa lista uma visita ao Cazaquistão", disse em setembro de 2007.

Em entrevista à imprensa na semana passada, Marcelo Baumbach, porta-voz da Presidência, disse que Lula deseja que a visita seja "elemento adicional na consolidação de um diálogo" entre os dois países.

"O presidente Lula considera importante aproveitar o potencial de uma relação que data de 1991, quando o Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer a independência cazaque, e que tem tido impulso concreto com atos como a abertura da embaixada residente em Astana, em 2006", afirmou.

A agenda presidencial em Astana começa com encontro com Nazarbayev, seguida por conferência de imprensa. Depois, Lula participa de almoço e, mais tarde, se reúne com o primeiro-ministro Karim Masimov.

Comitiva brasileira

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, Lula está acompanhado do ministro Celso Amorim, titular da pasta, e de Edison Lobão, de Minas e Energia.

A comitiva brasileira também é composta de empresários dos setores de construção civil, mineração, alimentação, aviação civil, bancos e esportes.

Pauta do encontro

O Cazaquistão tem produção de biocombustíveis a partir do trigo, segundo o porta-voz da Presidência, e esse deve ser um dos temas discutidos entre os dois países.

Além disso, os dois países querem ampliar a relação comercial. Entre 2004 e 2008, segundo o governo brasileiro, a balança entre os dois países passou de US$ 18 milhões para quase US$ 58 milhões.

"O presidente considera importante que os dois países aprofundem a exploração das complementaridades entre as duas economias. Existem ótimas perspectivas de trabalho conjunto, por exemplo, no aperfeiçoamento da produção de carne, trigo e de cultivo agrícola em áreas áridas", destacou Marcelo Baumbach.

Sobre o Cazaquistão

Ex-membro da União Soviética e o maior país centro-asiático, o Cazaquistão obteve sua independência em 16 de dezembro de 1991.

Uma parte de seu território fica na Europa. A base da economia local é o petróleo: o território cazaque é rico em combustíveis fósseis.

Fonte: REUTERS - G1 - Efe

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