
Em partida de futebol, torcedores iranianos protestam em apoio a Mir Hossein Mousavi
Dezenas de milhares de partidários do candidato derrotado e ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mousavi foram às ruas de Teerã nesta quarta-feira, quinto dia de protestos contra o resultado da eleição da última sexta-feira (12) que reelegeu o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.
O novo protesto visa manter a pressão no governo pela anulação da votação, que deu a reeleição ao presidente Ahmadinejad com cerca de 63% dos votos contra 34% de Mousavi.
O Conselho de Guardiães, órgão de 12 integrantes que é o pilar da teocracia iraniana, rejeitou nesta terça-feira anular o pleito e aceitou fazer uma recontagem parcial dos votos, válida somente para as urnas cuja integridade foi questionada. Mousavi rejeitou a proposta como insuficiente.
Nesta quarta-feira, muitas pessoas, vestidas de preto e usando bandanas verdes --a cor do Islã e da campanha de Mousavi-- no braço e na cabeça, se reuniram na praça Haft-e Tir e nas ruas ao redor. A maior parte dos manifestantes se manteve em silêncio e fazia o sinal da vitória.
Ao menos uma jovem segurava a foto de uma das sete pessoas mortas durante os protestos que ocorrem na capital iraniana desde que o resultado oficial da eleição foi anunciado, no último sábado (13).
Uma testemunha disse à agência de notícias Reuters que a polícia bloqueou uma das vias que levam à praça.
Prisões
Um professor universitário e um analista político, dois reformistas ligados ao candidato Mousavi, foram detidos nesta quarta-feira, informaram familiares e amigos.
Hamid Reza Jalaipur, professor de Sociologia da Universidade de Teerã e membro da campanha do conservador moderado Mousavi, foi preso em sua residência. Said Laylaz, um economista e analista político, também foi detido em casa, segundo a família.
Um número importante de autoridades e jornalistas reformistas foram presos, alguns deles já liberados, desde o anúncio da reeleição de Ahmadinejad.
Nesta terça-feira, o ministro da Informação, Gholam Hossein Mohseni Ejeie, anunciou que 26 organizadores dos distúrbios foram detidos.
Em Paris, uma porta-voz da organização Repórteres Sem Fronteiras Soazig Dollet, afirmou que ao menos 11 repórteres foram presos desde as eleições iranianas e o paradeiro de outros dez é desconhecido.
No site, a organização afirma que Aldolfatah Soltani, advogado e ativista dos direitos humanos, foi preso junto a outros dez políticos oposicionistas.
Futebol
Ao menos cinco jogadores de futebol iranianos usaram faixas verdes no pulso ou nas pernas nesta quarta-feira durante a partida do Irã contra a Coreia do Sul pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010, em protesto contra o resultado da eleição.
Torcedores também mostraram apoio a Mousavi em um protesto do lado de fora do estádio, carregando uma faixa com os dizeres "Vá para o inferno, ditador".
Durante a partida, os manifestantes ergueram papéis onde estava escrito "Onde está meu voto?", e balançaram bandeiras do país com os dizeres "Irã livre".
Luto
Mousavi convocou o povo iraniano a um dia de luto para esta quinta-feira, com concentrações e passeatas, pelas sete vítimas.
"Mousavi pede ao povo iraniano que se reúna nas mesquitas e realize marchas pacíficas para consolar as famílias dos mártires e feridos nos recentes acontecimentos", afirma uma nota publicada no site do reformista, que participará ainda de uma cerimônia.
Ao menos sete pessoas morreram e dezenas ficaram feridas na segunda-feira passada (15) em Teerã e em confrontos entre manifestantes e um grupo de milicianos islamitas ligados à Guarda Revolucionária. O islã xiita prevê que todo luto seja seguido por cerimônias no terceiro, sétimo e 40º dia após o falecimento.
Sob novos protestos, Irã amplia cerco e ameaça mídia online e blogs

Imagem postada no site Flickr mostra a passeata da oposição em Teerã; internet escapa à censura do governo iraniano
Incapaz de conter as manifestações em massa diárias da oposição, o governo ampliou o cerco contra a veiculação dos protestos contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Nesta quarta-feira, a Guarda Revolucionária emitiu um alerta a blogueiros e mídia online exigindo que todo conteúdo que "crie tensão" seja eliminado de suas páginas na Internet --refúgio dos centenas de milhares de opositores diante da expulsão dos jornalistas estrangeiros e do silêncio da mídia estatal sobre a crise política no país.
Segundo o comunicado, quem tentar burlar a nova regra será alvo de "ações legais". A Guarda Revolucionária é considerada o exército ideológico do regime teocrático iraniano e respondem apenas ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei --que declarou apoio ao resultado da eleição de sexta-feira passada (12).
O pleito, que levou número recorde de 25 milhões de eleitores às urnas, foi ganho por Ahmadinejad com cerca de 63% dos votos contra 34% de Mir Hossein Mousavi, candidato reformista e principal líder da oposição. Mousavi argumenta que a eleição foi fraudada e protesta por sua anulação.
Na defensiva pelos maiores protestos desde a Revolução Islâmica de 1979, o Conselho de Guardiães, órgão com 12 integrantes que é o pilar da teocracia iraniana, rejeitou a anulação, mas aceitou recontar os votos questionados pela oposição. A proposta foi rejeitada por Mousavi, que insiste em uma nova votação.
Em um sinal de que a crise política deve ser controlada com mão de ferro, as autoridades expulsaram os jornalistas estrangeiros nesta terça-feira e proibiram repórteres de irem às ruas cobrir os manifestos diários. Nesta quarta-feira, eles estenderam o cerco à Internet --usada pelos oposicionistas para espalhar a convocação de uma nova manifestação para esta quarta-feira, onde todos devem usar verde, cor símbolo da oposição.
Já o procurador da Província central de Isfahan, Mohammadreza Habibi, alertou que os manifestantes podem ser executados sob a lei islâmica.
"Nós alertamos alguns dos elementos controlados por estrangeiros que tentam perturbar a segurança doméstica ao incitar indivíduos a destruir e cometer crimes que perante o código penal islâmico prevê execução para indivíduos declarando guerra a Deus", disse Habibi, citado pela agência oficial Fars.
Estrangeiros
O tom duro contra os estrangeiros é outra das estratégias do governo iraniano, que culpa a mídia internacional por incitar os protestos.
O Ministério iraniano das Relações Exteriores acusou nesta quarta-feira os meios de comunicação estrangeiros de ser "porta-vozes" dos "agitadores" que mancham a imagem do país.
As autoridades iranianas acusam certos países de apoiar o que chama de manifestações ilegais contra o poder, segundo um comunicado oficial.
"Alguns países, em uma reação rude e rápida em relação às manifestações ilegais, as apoiaram contra os princípios democráticos e as leis e se converteram nos porta-vozes dos agitadores", diz o texto.
A nota recomenda à imprensa estrangeira "mudar sua interação incorreta com os acontecimentos iranianos". Caso contrário, "no momento oportuno e sem espaço para dúvidas os inimigos da unidade nacional iraniana serão neutralizados".
Nesta terça-feira, o Ministério de Guia e Orientação Islâmica iraniano anulou as permissões de trabalho que havia concedido a jornalistas e agências de notícias estrangeiros e advertiu que está proibida a cobertura de qualquer ato público sem autorização do órgão.
A medida de censura foi um passo além do governo, que costuma coibir "apenas" o registro de imagens de protestos contra o governo, para tentar conter os efeitos da onda de violência e manifestações em massa contra a reeleição do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, na eleição de sexta-feira passada (12).
Prisões
Um professor universitário e um analista político, dois reformistas ligados ao candidato Mousavi, foram detidos nesta quarta-feira, informaram familiares e amigos.
Hamid Reza Jalaipur, professor de Sociologia da Universidade de Teerã e membro da campanha do conservador moderado Mousavi, foi preso em sua residência. Said Laylaz, um economista e analista político, também foi detido em casa, segundo a família.
Um número importante de autoridades e jornalistas reformistas foram presos, alguns deles já liberados, desde o anúncio da reeleição de Ahmadinejad.
Nesta terça-feira, o ministro da Informação, Gholam Hossein Mohseni Ejeie, anunciou que 26 organizadores dos distúrbios foram detidos.
Em Paris, uma porta-voz da organização Repórteres Sem Fronteiras Soazig Dollet, afirmou que ao menos 11 repórteres foram presos desde as eleições iranianas e o paradeiro de outros dez é desconhecido.
No site, a organização afirma que Aldolfatah Soltani, advogado e ativista dos direitos humanos, foi preso junto a outros dez políticos oposicionistas.
Fontes: Reuters - Associated Press - FOLHA -
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