Militares retiram presidente do poder e ocupam as ruas da capital de Honduras


Soldados ocupam as ruas de Tegucigalpa, capital de Honduras; presidente foi levado à Costa Rica, informou uma fonte à CNN

Honduras president detained, sent to Costa Rica, official says

Presidente de Honduras, Manuel Zelaya. (Foto: Thomas Coex/AFP)

Os militares tomaram as ruas da capital Tegucigalpa poucas horas depois que o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi detido pelas Forças Armadas na manhã deste domingo (28). Carros blindados e tanques saíram às ruas e aviões sobrevoam a cidade.

Zelaya confirmou ter sido levado para a Costa Rica. Também afirmou ter sido vítima de um sequestro brutal por parte de um grupo de militares de seu país e que não iria reconhecer nenhuma tentativa de nomearem um substituto após a sua detenção.

Um simpatizante do presidente, cuja identidade não foi revelada, informou à rede de televisão CNN em espanhol que se trata de um golpe de Estado e que estão manipulando o Congresso Nacional. O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, convocou para este domingo uma reunião de urgência para analisar a crise em Honduras e "defender a estabilidade democrática" nesse país.

A chanceler de Honduras, Patricia Rodas, pediu apoio da comunidade internacional e chamou o povo hondurenho à "resistência cívica" frente ao "sequestro" do presidente do país. As rádios hondurenhas pedem que a população fique em casa.

A UE (União Europeia) condenou o aparente golpe militar em Honduras contra Zelaya, por meio do ministro de Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também condenou o que chamou de "golpe de estado troglodita" contra seu colega de Honduras e alertou que "chegou a hora do povo" e dos movimentos sociais deste país da América Central. Chávez pediu ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, "que se pronuncie", já que, disse, "o império tem muito a ver" com o que acontece em Honduras.

O presidente foi detido por militares às 5h (8h de Brasília) deste domingo. No momento da prisão, ele estava no palácio presidencial, que permanece cercado por aproximadamente 300 soldados.


Apoiadores do presidente de Honduras, Manuel Zelaya, destroem estande de jornal da oposição, "El Heraldo", durante manifestação em Tegucigalpa; Zelaya foi detido por militares na manhã deste domingo (28).

Zelaya, esquerdista eleito em 2005, confrontou outros segmentos do governo e líderes militares sobre a questão do referendo. Ele queria apoio popular para instalação da chamada "quarta urna" nas eleições de 29 de novembro, simultaneamente presidencial, legislativa e municipal. É uma consulta sobre uma consulta: o aliado do presidente Hugo Chávez quer que os eleitores decidam se apoiam ou não a convocação de uma nova Constituinte dentro de cinco meses.

A consulta, declarada ilegal pelo Congresso, pela Promotoria e pela Justiça, sofre forte oposição das Forças Armadas, da Igreja Católica e até de parte do governista Partido Liberal. O Supremo Tribunal de Honduras considerou o referendo ilegal, e foi apoiado pelo Congresso e pela alta cúpula do Exército hondurenho. Ainda assim, Zelaya se manteve firme em sua posição.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu aos organismos internacionais, aos seus colegas da América Latina e aos líderes de movimentos sociais que "condenem e repudiem o golpe de Estado militar em Honduras". Morales disse que estes não são tempos "de ditaduras" e que o que está acontecendo em Honduras é uma "aventura de um grupo de militares que atenta contra a democracia e o povo".

O presidente boliviano afirmou que as consultas e os referendos são uma forma de o governo, com a "participação do povo", aprofundar a democracia e mudar a Constituição, como ele mesmo fez na Bolívia. "[É] Uma outra forma de governar, subordinada ao povo. Os povos têm direito a escolher com seu voto, mudar políticas, mudar constituições, normas, leis, mas com a participação de povo. Isso é o referendo", disse o chefe de Estado boliviano.

OEA convoca reunião de urgência para analisar crise em Honduras

O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, convocou para este domingo uma reunião de urgência para analisar a crise em Honduras e "defender a estabilidade democrática" nesse país. Segundo a secretária de imprensa de Insulza, Patricia Esquenazi, a reunião deve começar às 12h (no horário de Brasília).

A reunião foi convocada depois que o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi detido nas primeiras horas deste domingo e levado para uma base da Força Aérea do país, segundo informou seu secretário particular, Eduardo Enrique Reina.

Os embaixadores da OEA vão analisar a evolução da crise política no país para tentar evitar que a democraria seja colocada em perigo", disse Esquenazi.

Protestos e greve geral

A polícia hondurenha dispersou um protesto no centro de Tegucigalpa de partidários do presidente com bombas de gás. Carros blindados e tanques estão nas ruas da capital do país. Milhares de pessoas se concentram em frente à residência presidencial de Honduras, na capital Tegucigalpa, para fazer uma "resistência pacífica".

Cerca de três mil simpatizantes de Zelaya protestam em frente à sede do governo, que permanece isolado por um forte dispositivo militar de segurança, sem que até o momento incidentes tenham sido registrados, informaram os organizadores da manifestação.

"Estamos convocando uma greve geral a partir de amanhã", afirmou à Agência Efe o presidente do Comitê para a Defesa dos Direitos Humanos em Honduras (Codeh), Andrés Pavón, um dos organizadores da manifestação.

Na quarta-feira, Zelaya destituiu o chefe das Forças Armadas hondurenhas, Romeo Vásquez. Dois dias depois, o presidente disse que Vásquez continuava no cargo e que apenas havia anunciado a destituiçãodo oficial, não chegando a executá-la.

Obama pede 'respeito às normas democráticas' em Honduras

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse neste domingo (28) que está preocupado com a situação em Honduras, e pediu "respeito às normas democráticas, ao império da lei e aos fundamentos da Carta Democrática Interamericana".

"Estou profundamente consternado por relatórios que chegam de Honduras sobre a detenção e expulsão do presidente [Manuel] Zelaya", afirmou Obama.

"Assim como a Organização dos Estados Americanos (OEA) fez na sexta-feira, peço a todos os atores políticos e sociais em Honduras que respeitem as normas democráticas, o império da lei e os fundamentos da Carta Democrática Interamericana", completou o governante dos EUA em comunicado.

Golpe

O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, condenou em comunicado "o golpe que um grupo de militares" realizou neste domingo contra o presidente de Honduras, Manuel Zelaya.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também condenou o "golpe de Estado troglodita" cometido contra seu colega de Honduras e destacou que "chegou a hora do povo" e dos movimentos sociais desse país.

Dirigindo-se aos militares hondurenhos, o presidente venezuelano disse para estes ignorarem as ordens da "burguesia, dos ricos", que estariam empenhados em evitar que o povo se pronuncie sobre seu futuro.

Costa Rica

O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou que se encontra na Costa Rica e que foi vítima de um "sequestro brutal" por parte de um "grupo de militares" de seu país.

O governo da Costa Rica confirmou que o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, está a salvo em território costarriquenho, na condição de "hóspede", após ter sido detido e tirado à força de seu país por militares.

Fontes: Estadão - Folha - Efe - AFP - G1

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