Após confronto que fez 10 mortos, aumenta tensão entre Irã e Ocidente


Após as violentas manifestações de sábado em Teerã, aumentou a tensão entre autoridades iranianas e países do Ocidente. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, exigiu hoje que Estados Unidos e Reino Unido parem de interferir nos assuntos internos do país.


vídeo mostrando sede das milícias do regime pegado fogo, durante os protestos.

"Eles querem minimizar a grandeza que o povo iraniano alcançou dentro e fora do país após as eleições presidenciais" de 12 de junho", afirmou Ahmadinejad. "Com estas opiniões prematuras, tirarei-os com toda certeza do círculo de amigos do Irã. Portanto, aconselho corrigirem esta postura intervencionista."

O ministro de Assuntos Exteriores do país, Manouchehr Mottaki, repetiu hoje a acusação e fez advertências diretas a Reino Unido, França e Alemanha. Em discurso aos diplomatas estrangeiros, Mottaki deu a entender que esses países estão por trás dos distúrbios e manifestações que abalam o Irã desde a divulgação dos resultados da eleição.

Teerã volta a acusar meios de imprensa estrangeiros

O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Irã, Hassan Qashqavi, voltou a acusar os meios de comunicação britânicos e americanos de alimentar os distúrbios e protestos que há mais de uma semana agitam o país.

Em declarações divulgadas pela imprensa local neste domingo (21), Qashqavi advertiu que o contato com eles, mesmo que por de e-mail, é considerado um delito contra a segurança nacional.

"Os canais Voz da América e BBC são estatais, com orçamentos aprovados pelo Congresso americano e pelo Parlamento britânico, respectivamente. São porta-vozes de seus respectivos governos", afirmou.

Na sua opinião, ambos buscam perturbar a unidade do Irã e alimentar a desintegração do país.

"Qualquer tipo de contato com estes canais através de correio eletrônico e telefone vai contra a soberania nacional e é um ato de animosidade contra a nação iraniana. Estes canais estão atuando como motores nos distúrbios pós-eleitorais", ressaltou.

Na sexta-feira passada, o líder supremo da Revolução, aiatolá Ali Khamenei, advertiu à imprensa internacional que deve deixar de interferir nos assuntos internos do país.
O presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, foi além e disse que os legisladores do país deveriam reconsiderar as relações diplomáticas com estas nações.

Reação

O ministro de Assuntos Exteriores do reino Unido, David Miliband, negou as acusações de que o Reino Unido, a Alemanha e a França estariam alimentando os protestos e distúrbios no Irã.

"Rejeito categoricamente a ideia de que os manifestantes no Irã estão sendo manipulados ou motivados por países estrangeiros", afirmou Miliband em nota oficial.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, por sua vez, exigiu a recontagem integral dos votos da eleição presidencial iraniana, para que não haja dúvidas sobre os resultados do pleito.

Já ministro alemão de Assuntos Exteriores, Frank Walter Steinmeier, pediu às autoridades iranianas que evitem o aumento da tensão no país.

"A Alemanha está do lado das pessoas no Irã que querem exercer seu direito às liberdades de expressão e reunião", disse Merkel numa nota à imprensa.

A chanceler também fez um apelo para que as autoridades iranianas continuem permitindo a realização de manifestações pacíficas e não recorram à violência contra os participantes dos protestos, que já duram uma semana.

Imprensa

As autoridades iranianas decidiram neste domingo expulsar do país o repórter John Leyne, correspondente da rede britânica BBC, que tem 24 horas para deixar o país, informou a agência de notícias iraniana Fars.

O jornalista foi acusado de dar "informações falsas", "não manter a objetividade" e apoiar os distúrbios no Irã com suas reportagens.

A imprensa estrangeira está proibida de cobrir os acontecimentos nas ruas e precisa recorrer a testemunhas.

Diante da esta escalada da crise, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu no sábado ao governo iraniano o fim das ações violentas e injustas.

Neste domingo, a televisão estatal iraniana desmentiu a informação de que vários civis teriam morrido no incêndio de uma mesquita no sábado em Teerã.

Manifestações

As violentas manifestações de sábado em Teerã deixaram pelo menos 10 mortos e os protestos podem prosseguir nos próximos dias, depois das críticas sem precedentes de Mir Hossein Moussavi ao guia supremo, o aiatolá Ali Khamenei, maior autoridade do Estado.

O canal por satélite em inglês da televisão pública iraniana Press TV chegou a informar 13 mortes nos confrontos entre policiais e "terroristas" sábado em Teerã, mas a televisão estatal informou que 10 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas, destacando a presença de "agentes terroristas" com armas de fogo e explosivos.

Os manifestantes protestam contra a legalidade da reeleição do presidente Mahmud Ahamdinejad e foram brutalmente reprimidos no sábado, principalmente pela milícia basij, ligada à Guarda Revolucionária.

A manifestação de sábado foi um claro desafio ao guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, que na sexta-feira advertiu que não cederia às ruas.

Chanceler alemã exige recontagem integral de votos no Irã

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, exigiu neste domingo a recontagem integral dos votos da eleição presidencial iraniana, para que não haja dúvidas sobre os resultados do pleito, realizado no último dia 12.

Por sua vez, o ministro de Assuntos Exteriores, Frank Walter Steinmeier, pediu às autoridades iranianas que evitem o aumento da tensão no país.

"A Alemanha está do lado das pessoas no Irã que querem exercer seu direito às liberdades de expressão e reunião", disse Merkel numa nota à imprensa.

A chanceler também fez um apelo para que as autoridades iranianas continuem permitindo a realização de manifestações pacíficas e não recorram à violência contra os participantes dos protestos, que já duram uma semana.

Além de exigir a libertação de todos os opositores presos e condições para a imprensa trabalhar livremente, Merkel ressaltou que o Irã também tem que "respeitar os direitos humanos e civis".

"Uma semana depois das eleições, o Irã se encontra numa encruzilhada. Ou as tensões são reduzidas mediante o diálogo de todas as forças políticas ou a situação sofrerá uma nova escalada", alertou, por sua vez, o chefe da diplomacia alemã.

Para Steinmeier, "a atuação violenta contra os manifestantes é tão pouco aceitável como a continuação dos impedimentos para que haja uma informação livre [sobre os eventos]".

Em nota, o ministro disse ainda que "a polêmica sobre as eleições presidenciais deve ser resolvida o mais rápido possível". "E para isso, conseqüentemente, é necessário esclarecer todas as dúvidas sobre seu desenvolvimento e resultados", acrescentou.

Reino Unido nega acusação de estimular distúrbios no Irã

O ministro de Assuntos Exteriores do reino Unido, David Miliband, negou neste domingo as acusações de seu colega iraniano, Manouchehr Mottaki, de que o Reino Unido, a Alemanha e a França estariam alimentando os protestos e distúrbios no Irã.

"Rejeito categoricamente a ideia de que os manifestantes no Irã estão sendo manipulados ou motivados por países estrangeiros", afirmou Miliband em nota oficial.

Em discurso aos diplomatas estrangeiros exibido na TV iraniana, Mottaki deu a entender que Reino Unido, Alemanha e França estão por trás dos distúrbios e manifestações que abalam o Irã desde a divulgação dos resultados da eleição presidencial de 12 de junho --na qual se reelegeu Mahmoud Ahmadinejad.

No entanto, o chefe da diplomacia britânica acusou seu colega iraniano de tentar "transformar as disputas dos iranianos pelos resultados das eleições numa batalha entre o Irã e outros países", o que "não tem fundamento".

Miliband ressaltou que cabe ao povo iraniano "escolher seu governo" e às autoridades do país "garantir a justiça do resultado [eleitoral] e a proteção de seu próprio povo".

Na opinião do ministro britânico, as informações sobre a morte de manifestantes "eleva o nível de preocupação" da comunidade internacional.

"Portanto, condeno a contínua violência contra os que buscam exercer seu direito de expressão. Isso só consegue prejudicar a imagem do Irã aos olhos do mundo", afirmou.

A declaração de Miliband foi feita depois que as autoridades iranianas decidiram hoje expulsar o correspondente da emissora BBC John Leyne, que tem 24 horas para abandonar o Irã. Ele foi acusado de dar "informações falsas", "não manter a objetividade", alimentar os distúrbios com suas reportagens e desrespeitar o código de ética da profissão.

Fontes: FOLHA - Efe - Agência ESTADO

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