
Bandeira irlandesa ao lado de símbolo na entrada do Parlamento Europeu, em Bruxelas; parlamentares rejeitam lei de corte à internet
O Parlamento Europeu rejeitou uma legislação mais severa e punitiva para internautas que fazem downloads ilegais de arquivos de músicas e filmes pela internet -- em uma decisão que assinala a preocupação quanto ao estrangulamento dos direitos de consumidores inocentes. A lei previa a interrupção do acesso à internet de supostos casos de pirataria relativos à troca de arquivos de entretenimento.
Por 407 votos a 57, a assembleia da União Europeia (UE) descartou, nesta quarta-feira (6), um acordo firmado com governos europeus há algumas semanas. No entanto, é possível que a França prossiga na tentativa de empurrar o corte do acesso à internet daqueles que fazem downloads protegidos por direitos autorais.
A comissária de telecomunicações da UE, Viviane Reding, tornou público o apoio à rejeição, dizendo que o movimento do Parlamento reflete "uma importante restauração dos direitos fundamentais dos cidadãos europeus".
"Para muitos, trata-se de algo de intenso valor simbólico e político", disse.
Aos governos dos países europeus, Reding observou que o próximo movimento para coibir downloads deve ser "muito cuidadoso".
O Parlamento Europeu votou pelo bloqueio de um amplo pacote que revisava as telecomunicações no bloco 27 países. Ele inclui também os esforços para ampliar a privacidade e os direitos dos consumidores, e a promoção de maior concorrência para a serviços de internet e telefone em toda a UE.
Segundo fontes oficiais, o movimento de hoje forçará negociações do Parlamento com governos dos países europeus.
A rejeição foi vista como um protesto pelos legisladores, cujos pensamentos estariam voltados às campanhas das eleições europeias, que começam dentro de quatro semanas.
A parlamentar social-democrata da Alemanha, Erika Mann, disse que o Parlamento "claramente se posicionou contra a política de bloqueio da internet de [Nicolas] Sarkozy [presidente francês]". A França está em um embate de uma legislação que, caso seja aprovada, cortará o acesso de internautas em até um ano.
"Está claro que se trata de uma penalidade desproporcional e injusta. Vamos clamar ao próximo Parlamento para que proíba, explicitamente, leis draconianas como esta", disse Monique Goyens, da BEUC, organização europeia de consumidores.
Já o Partido Pirata sueco, cuja proposta principal é a legalização da troca de arquivos na internet, tem chances de vencer as próximas eleições para o Parlamento Europeu, segundo uma pesquisa divulgada na semana passada.
Ingleses preferem cortar comida a "sacrificar" acesso à web
As famílias do Reino Unido estão mais preparadas para o sacrifício de comida e de uniformes escolares do que para o corte da internet durante uma recessão econômica. Essa é a conclusão de uma pesquisa, intitulada "As Famílias Digitais", conduzido pela empresa O2 e divulgado nesta terça-feira (5).
O estudo interrogou 500 famílias sobre os itens que relutariam cortar, em caso de recessão. Mais da metade (67%) disse que não cortaria a internet. Outros itens, como uniformes escolares (59%), férias em família (30%) e compra semanal de comida (24%), tiveram índice menor de resistência.
Paralelamente, a pesquisa identificou que cada residência no Reino Unido possui, em média, 2,4 televisões, 1,6 computador, 2,4 videogames, 3 aparelhos celulares e 2,2 MP3 players. Mesmo com aparelhos praticamente onipresentes nos cômodos das residências, apenas 9% dos entrevistados classificam a tecnologia como algo intimidante.
Segundo o jornal britânico "The Daily Telegraph", apesar da crise econômica, as famílias são relutantes para fazer cortes nos investimentos em tecnologia. Cerca de 40% dos adultos afirmam que as compras em tecnologia e assinaturas representam 10% do orçamento familiar.
Embora estejam mais conscientes em relação ao preço, as famílias britânicas permanecerão olhando (e comprando) as novidades em tecnologia: 57% disseram que continuarão a comprar novidades tecnológicas, caso essas sejam acessíveis.
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